● TERROIR MINEIRO - Restaurantes
criam pratos inspirados nas regiões do Estado. Difícil dissociar ingredientes
como ora-pro-nobis, frango caipira, queijo, carne de porco e quiabo da típica
cozinha mineira, na qual as pessoas se reúnem em volta da mesa com amigos e
família. Não é por acaso que esse patrimônio imaterial, que passa de geração em
geração, é reconhecido internacionalmente e tem, desde 2012, uma data dedicada
a si: o Dia da Gastronomia Mineira, celebrado na próxima
terça-feira (5).
Para comemorar essas tradições, entre
5 e 30 de julho, cinco restaurantes de BH elaboraram pratos especiais,
representando os terroirs mineiros, ou seja, sabores típicos de cada uma das
regiões do Estado. “Cada lugar tem uma característica específica e ingredientes
locais. Regionalizar a nossa gastronomia é uma maneira bem mais fácil de
mostrar para as pessoas esta diversidade cultural, e a ideia é que os
restaurantes passem, cada vez mais, a identificar esses ingredientes regionais
em seus pratos”, disse o curador da Semana da Gastronomia Mineira, Edson
Puiati.
A programação do evento inclui,
ainda, debates e outras atividades com a presença de chefs renomados em
diversos pontos da capital. Para Puiaiti, a intenção é valorizar e resgatar a
história e os valores da gastronomia mineira, por meio de produtos catalogados
cuidadosamente. Um exemplo é a copaíba. Óleo extraído de uma árvore típica do
Cerrado, é o ingrediente indispensável para serenar o filé mignon do Café
Cine Brasil. O prato ainda leva alfavaca nativa, purê de abóbora, creme de
mandioca na manteiga de garrafa e requeijão moreno.
Do Espinhaço, o restaurante Xapuri aproveitou
a textura de “comida molhada” e criou o bambá, uma mistura irresistível de angu
recheado com gema de ovo e gratinado com queijo, miúdos de porco e frango e couve,
ideal para aquecer as noites frias da região.
Já o Café com Letras Liberdade
se inspirou na cozinha da região dos Rios – composta pelas regiões dos vales
dos rios Doce, Jequitinhonha e Mucuri – para criar o ravióli recheado com
requeijão de raspa, ragu de carne de sereno e ora-pro-nobis sauté.
Já a truta, peixe típico da serra da
Mantiqueira, passou pelo processo de cura para ser fatiada, bem fininha, e
virar recheio juntamente com creme de queijo, dill e crocante de pinhão tostado
na manteiga de garrafa do pão de queijo d’A Pão de Queijaria.
v RELEITURA - As quitandas típicas da região Central do Estado,
onde estão cidades como São Tiago, Lagoa Dourada e Ouro Branco, foram um prato
cheio para que o chef Jaime Solares, da Borracharia Gastrobar, criasse o
Tiramisù mineiro. “Peguei a receita tradicional do doce italiano e substituí os
ingredientes por iguarias, como os biscoitos de limão e laranja embebidos na
cachaça de ervas com um toque de café”, disse o chef. O doce também leva creme
a base de requeijão e queijo canastra.
Os pratos refletem toda a
diversidade da gastronomia do Estado. “Aqui na região Central, a comida é mais
‘aguada’ e ‘molhada’. Já no Norte, é mais seca, com ingredientes como a farinha
e o peixe cascudo. Em BH, somos uma influência de todas as regiões”, disse
Jaime. Confira a programação completa no site: www.institutoeduardofrieiro.com.br/programacao/gastronomia-tematica (Fonte – JORNAL PAMPULHA – LORENA K. MARTINS - 02/07/2016).
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