“ O VINHO CHIANTI – PARTE 1 “ - O
vinho CHIANTI é provavelmente o exemplar de vinho mais conhecido no mundo
inteiro, sendo praticamente sinônimo de vinho italiano. É também um dos vinhos
mais difíceis de definir, pois são muitas as suas tendências.
Sua
história também é muito longa, o que em parte ajuda a explicar esta
diversidade. O nome CHIANTI vem dos cantos que os empregados na vindima
(colheita) cantarolavam enquanto faziam o vinho, sinal da alegria contagiante
da atividade.
Desde
a Antiguidade a produção de vinho é difundida em todo território italiano. Por
séculos a maioria das pessoas não bebia água, pois se acreditava (com razão)
que o consumo estava relacionado ao alastramento de epidemias. Realmente, as
condições de higiene naquela época não eram as mais recomendáveis.
A
sabedoria popular considerava o vinho como bebida sã, apesar do desconhecimento
dos microorganismos e, conseqüentemente, dos efeitos bactericidas do álcool.
Depois
do sucesso dos famosos vinhos da época romana (Coercubum, Falernum e
Sorrentinum), aconteceu o desolador declínio da enologia italiana. A produção
em massa de vinho na Itália desenvolveu-se no curso dos séculos praticamente
favorecendo a quantidade em detrimento da qualidade.
A
compreensão e a vontade de melhorar a qualidade do vinho italiano começou a
tomar forma na segunda metade do século 19. Os primeiros sistemas quês
estabeleciam as regras legais para garantir a qualidade dos vinhos e das
regiões de procedência foram introduzidas somente em 1963.
A
região do DOURO
é muitas vezes
citada como sendo a primeira
região demarcada na história dos vinhos
modernos, mas esta distinção
cabe a Chianti,
que teve as
suas fronteiras delimitadas pela primeira vez em 1716 e a Tokay, na
Hungria, traçada em 1734. O nome do vinho já era citado em 1716, quando o Grão
Duque Cosimo de Medicis estabeleceu o território que poderia elaborar o
CHIANTI. A zona delimitada pelo Grão Duque da Toscana corresponde
aproximadamente à atual área do Chianti Classico, entre Florença e Siena.
Mas
o vinho de Chianti tem sua história indelevelmente ligada ao Barão de Ricasoli,
que teve grande expressão na vida econômica da Itália, pois chegou a ser
Ministro da Fazenda, e acabou retirando-se para seu Castelo, em Broglio, onde acabou
estudando e fixando as normas que, em linhas gerais, regulam até hoje a
produção do CHIANTI.
A
história conta que o Barão Bettino di Ricasoli, conhecido como Barão de Ferro,
era muito rico e feio, e que casou-se com uma jovem muito bonita. Na primeira
festa que o casal participou, algumas pessoas fizeram troça de como um homem
tão feio como ele, poderia casar-se com uma beldade daquelas. Enraivecido, o
Barão passou a mão na mulher e refugiou-se em seu castelo, de onde nunca mais
saiu para participar de qualquer tipo de festividade.
A
fórmula moderna pressupõe um mínimo de 75% de Sangiovese, cortada ou não
minimamente com Canaiolo (máximo de 10%), ou com Cabernet sauvignon e Merlot
(máximo de 15%) ou até com uma pequena proporção de uvas brancas, como
Trebbiano e a Malvasia del Chianti (máximo de 6%). Atualmente, a maioria dos
Chianti mais jovens são 100% Sangiovese.

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