segunda-feira, 11 de julho de 2016

O VINHO CHIANTI – PARTE 1


“ O VINHO CHIANTI – PARTE 1 “ - O vinho CHIANTI é provavelmente o exemplar de vinho mais conhecido no mundo inteiro, sendo praticamente sinônimo de vinho italiano. É também um dos vinhos mais difíceis de definir, pois são muitas as suas tendências.
Sua história também é muito longa, o que em parte ajuda a explicar esta diversidade. O nome CHIANTI vem dos cantos que os empregados na vindima (colheita) cantarolavam enquanto faziam o vinho, sinal da alegria contagiante da atividade.
Desde a Antiguidade a produção de vinho é difundida em todo território italiano. Por séculos a maioria das pessoas não bebia água, pois se acreditava (com razão) que o consumo estava relacionado ao alastramento de epidemias. Realmente, as condições de higiene naquela época não eram as mais recomendáveis.
A sabedoria popular considerava o vinho como bebida sã, apesar do desconhecimento dos microorganismos e, conseqüentemente, dos efeitos bactericidas do álcool.
Depois do sucesso dos famosos vinhos da época romana (Coercubum, Falernum e Sorrentinum), aconteceu o desolador declínio da enologia italiana. A produção em massa de vinho na Itália desenvolveu-se no curso dos séculos praticamente favorecendo a quantidade em detrimento da qualidade.
Esse aspecto provocou a queda do interesse pelo vinho italiano no mercado internacional, o que favoreceu o produto de outros países europeus que, diferentemente dos italianos, compreenderam rapidamente a importância comercial de uma produção de alta qualidade.
A compreensão e a vontade de melhorar a qualidade do vinho italiano começou a tomar forma na segunda metade do século 19. Os primeiros sistemas quês estabeleciam as regras legais para garantir a qualidade dos vinhos e das regiões de procedência foram introduzidas somente em 1963.
A região  do  DOURO  é  muitas  vezes  citada  como sendo a primeira região demarcada  na história  dos vinhos  modernos, mas   esta  distinção  cabe  a  Chianti,  que  teve  as   suas fronteiras delimitadas pela primeira vez em 1716 e a Tokay, na Hungria, traçada em 1734. O nome do vinho já era citado em 1716, quando o Grão Duque Cosimo de Medicis estabeleceu o território que poderia elaborar o CHIANTI. A zona delimitada pelo Grão Duque da Toscana corresponde aproximadamente à atual área do Chianti Classico, entre Florença e Siena.
Mas o vinho de Chianti tem sua história indelevelmente ligada ao Barão de Ricasoli, que teve grande expressão na vida econômica da Itália, pois chegou a ser Ministro da Fazenda, e acabou retirando-se para seu Castelo, em Broglio, onde acabou estudando e fixando as normas que, em linhas gerais, regulam até hoje a produção do CHIANTI.
A história conta que o Barão Bettino di Ricasoli, conhecido como Barão de Ferro, era muito rico e feio, e que casou-se com uma jovem muito bonita. Na primeira festa que o casal participou, algumas pessoas fizeram troça de como um homem tão feio como ele, poderia casar-se com uma beldade daquelas. Enraivecido, o Barão passou a mão na mulher e refugiou-se em seu castelo, de onde nunca mais saiu para participar de qualquer tipo de festividade.
Em seus estudos, ele misturou as uvas tintas Sangiovese e Canaiolo, com as brancas Trebbiano e Malvasia, criando a fórmula do Chianti que durou até praticamente 1990. A Uva Sangiovese deveria dar à bebida a classe e caráter; a Canaiolo emprestaria um pouco de suavidade, quebrando a austeridade da Sangiovese. As brancas tornariam o vinho mais leve e precoce. Nesta época, as frutas eram misturadas e vinificadas juntas, em cubas fechadas. Além de dar as linhas gerais do corte, o Barão di Ricasoli passou a desenvolver o vinho, com adição de uvas semi-secas ao vinho pronto. Essas uvas são colhidas e colocadas em estantes, onde secam, e quando são adicionadas ao vinho jovem, provocam uma segunda fermentação, e com isso o vinho fica mais macio, perdendo um pouco da acidez agressiva, ganhando corpo e conteúdo alcóolico. Este sistema, conhecido como "governo", é usado até hoje, mas vem sendo deixado de lado por ser caro e trabalhoso. O corte dos CHIANTIS estabelecia as seguintes proporções de uvas: Sangiovese ( 75 a 90% ), Canaiolo ( 5 a 15% ), Trebbiano de Toscana e Malvasia ( 5 a 10% ), sendo permitido também 10% de uvas estranhas ao corte básico.

A fórmula moderna pressupõe um mínimo de 75% de Sangiovese, cortada ou não minimamente com Canaiolo (máximo de 10%), ou com Cabernet sauvignon e Merlot (máximo de 15%) ou até com uma pequena proporção de uvas brancas, como Trebbiano e a Malvasia del Chianti (máximo de 6%). Atualmente, a maioria dos Chianti mais jovens são 100% Sangiovese.

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