segunda-feira, 18 de julho de 2016

O VINHO CHIANTI – PARTE 2

Escrevi o artigo “ O VINHO CHIANTI – PARTE 2 “ - A Toscana é um jardim de videiras, rodeado por delícias enogastronômicas, especialmente nas localidades próximas à Florença. A tradição vitivinícola está voltada majoritariamente para o vinho tinto. O Chianti, o Brunello di Montalcino, o Vino Nobile di Montepulciano, o Carmignano e o Morellino di Scansano são apenas alguns dos exemplos dos famosos tintos toscanos.
Ainda que a produção dos vinhos brancos seja interessante, fica sufocada pela fama e imponência dos tintos. Uma das uvas brancas mais interessantes encontradas na região é a Vernaccia di San Gimignano, da qual se produz o vinho do mesmo nome. Destaque também para a Trebbiano Toscana, Malvasia Bianca, Malvasia di Candia e Ansonica, nome toscano da uva Inzolia da Sicília.
Dentre as uvas tintas, a que se sobressai é a Sangiovese, largamente difundida e cultivada, capaz de produzir vinhos excepcionais.
Por decreto ministerial de 1932, a zona do Chianti compreende o entorno de Florença, como as colinas de Chianti, o vale de Elsa e Siena. São sete denominações. A região do Chianti Classico é a de maior  destaque, formada por nove comunas: Castellina in Chianti, Gaiole in Chianti, Greve in Chianti, radda in Chianti, Barberino Val d´Elsa, Castelnuovo Berardenga, Poggibonsi. San Cassiano in Val di Pesa e Tavamelle Val di Pesa.
O alinhamento com a Comunidade Européia foi fator decisivo para a retomada da produção de vinhos de alta qualidade e o estabelecimento legal das denominações de origem, quando em 1963, o decreto 930 de 12/02 introduziu um sistema que assinalava uma divisão clara entre os vinhos considerados “de mesa” e aqueles de maior qualidade. Com esta lei, criou-se a sigla de VQPRD (Vino di Qulaitá Prodotto in Regione Determinada).
A partir da safra de 1984, o CHIANTI tornou-se um vinho de Denominação Controlada e Garantida, DOCG. Com a inclusão da denominação, a quantidade de vinho no mercado diminuiu pela metade, pois alguns produtores medíocres não conseguiram produzir na qualidade mínima requerida. Ainda assim a produção é imensa.
Os Chianti Classico Riserva são por lei, amadurecidos pelo menos dois anos em carvalho e envelhecidos três meses em garrafa, mas muitos produtores, em busca da excelência, trabalham seus vinhos por mais tempo. Os melhores Têm corpo médio (típico da casta), e elegantes aromas de figo, ameixa, frutas compotadas e especiarias. Boa parte tem complexidade aromática, com toques oxidativos que costumam encantar quem os degusta.
v AS ZONAS DE PRODUÇÃO: O sistema de produção italiano define principalmente a zona geográfica da denominação; as uvas e os percentuais com os quais os vinhos devem ser produzidos; o rendimento máximo das uvas por hectare; a graduação alcoólica mínima; a tipicidade dos vinhos contemplados pela região de denominação; o tempo mínimo de afinamento antes da liberação ao mercado, além de características químicas e físicas e qualidade organoléptica.
O sistema de produção italiano define principalmente a zona geográfica da denominação; as uvas e os percentuais com os quais os vinhos devem ser produzidos; o rendimento máximo das uvas por hectare; a graduação alcoólica mínima; a tipicidade dos vinhos contemplados pela região de denominação; o tempo mínimo de afinamento antes da liberação ao mercado, além de características químicas e físicas e qualidade organoléptica.


O sistema é construído nas categorias idealmente concebidas em uma “pirâmide di qualitá”, na qual está no vértice o nível qualitativo mais alto.
As categorias, partindo do nível de qualidade mais baixo até o mais elevado são Vino da tavola, IGT (Indicazione Geográfica Típica), DOC (denominazione di Origine Controllata), DOCG (denominazione di Origine Controllata i Garantita).
Instruções adicionais de algumas denominações estabelecem atribuições acessórias para vinhos que possuem características de produção particulares e que tenham indicadas no rótulo as seguintes terminologias:
CLASSICO: indica um vinho produzido na zona historicamente mais típica e normalmente a parte onde se iniciou a denominação, como por exemplo Chianti Classico, elaborado exclusivamente na área delimitada de Florença.
SUPERIORE: indica um vinho que possua grau alcoólico maior que o mínimo estabelecido na denominação, como por exemplo, Bardolino Superiore. Usualmente esse valor é de cerca de 0,5 grau alcoólico maior.
RISERVA: indica um vinho que tem período de afinamento (em barrica e garrafa) mais longo comparativamente ao estabelecido como requisito mínimo da denominação, como por exemplo, Agliânico Del Vulture Riserva, no qual o período de afinamento é de 12 meses.
O mercado está repleto de Chiantis, mas nem todos são bons, o ideal é garimpar, pois algumas surpresas são vinhos excepcionais. Se for possível opte pelos vinhos da região Classico, ou ainda pelos Galo Nero.
v LENDAS EM TORNO DO CHIANTI:
A história do vinho de Chianti é repleta de lendas, e uma delas conta que as cidades de Florença e Siena viviam brigando pelas extensões de seus vinhedos. Depois de algumas batalhas, a Igreja e o Duque Cosimo de Médici 3º - Grão-Duque da Toscana, interferiram no conflito e ficou decidido que num dia determinado, ao raiar do dia e o galo cantar, um cavaleiro sairia de Florença, armado no seu cavalo e outro sairia de Siena. Onde eles se encontrassem, seria o limite dos vinhedos de uma cidade e de outra. Para tanto, Siena fez um concurso para escolher o galo que cantaria ao raiar do dia, escolhendo um campeão, um típico Chester, de peito inflado e espora armada. Já Florença, escolheu um galo magrinho, preto, morto de fome ! Resultado: ao primeiro raio de sol, o galo de Florença cantou e o cavaleiro saiu correndo, ganhando espaço para os vinhedos serem reconhecidos como florentinos O galo de Siena, bem alimentado, depois de uma noite de folia no galinheiro, só acordou com o sol já indo alto. Quando o cavaleiro de Siena montou no cavalo e saiu na estrada, praticamente o representante de Florença já estava chegando à muralha da cidade. Oficialmente, o cavaleiro florentino estava a cerca de 12 Km de Siena. Acordo feito, resultado colhido, Siena e Florença respeitaram os limites determinados neste encontro. Os produtores de Florença comemoram até hoje o feito, dando aos melhores produtos o scudetto del Galo Nero. Florença ficou com o território maior para fazer os Chianti Clássicos. Siena ficou com a denominação genérica Chianti. Si non é vero ...
v AS DOC DA TOSCANA
DOCG BRANCOS: Vernaccia di San Ginignano (Vernaccia)
DOCG TINTOS: Brunello di Montalcino (Sangiovese Grosso) I Carmignano (Sangiovese, Canaiolo Nero, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc) I Chianti Classico (Sangiovese, Canaiolo Nero, Malvasia, Trebbiano)
Chianti de outras zonas: Colli Aretini, Colli Fiorentini, Colli Senesi, Colline Pisane, Montalbano, Montesperto, Rufina (Sangiovese, Canaiolo Nero, Malvasia, Trebbiano)
Vino Nobile di Montepulciano (Sangiovese Grosso, Canaiolo Nero)

Os vinhos de Chianti mostram muito da alegria do vinho italiano, é impossível não se apaixonar por eles. Experimente uma boa taça, com Saúde !.

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