Escrevi
o artigo “ VENDA DE VINHOS EM TAÇA ” – Na
EXPOVINIS 2016 os fóruns de discussões se tornaram uma iniciativa fundamental
para orientar profissionais ou até mesmo pessoas que querem entrar no ramo da
enogastronomia. Sem dúvida, o setor é envolvido em muito glamour, e vários
chefs se tornaram celebridades e viraram figuras conhecidas na TV, e isto atrai
investidores imaginando criar uma aura de sucesso em torno de si. Mas o único
lugar aonde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário !
E
sendo assim, os fóruns se tornaram ambiente de desenvolvimento de várias idéias
e soluções para enfrentar a crise que hoje assola o setor de bares e
restaurantes. Participei de vários deles, e pretendo comentar cada um a seu
tempo, e vou começar escrevendo sobre a questão das CARTAS DE VINHOS DOS
RESTAURANTES e que acabou criando espaço para a discussão da venda de VINHOS EM TAÇAS.
Pedir uma taça de vinho em muitos restaurantes no
Brasil pode parecer uma piada porque a estratégia de atender os clientes de
vinho resvala em muitas questões.
Uma
delas é que mesmo rótulos comuns não são encontrados em taças ou então custam muito
caro, resultando ser mais racional pedir uma garrafa inteira em vez do que
pedir duas ou três taças, mesmo que a pessoa vá beber pouco.
As
estratégias para atender este tipo de cliente tem sido criadas mundo à fora,
buscando facilitar a venda de vinho em taça oferecendo aos clientes muito mais
opções do que o simples chardonnay para vinho branco ou cabernet sauvignon para
o vinho tinto.
Ao
longo dos anos, experimentou-se vários sistemas, desde o simples VacuVin, um
dispositivo para bombear o ar de uma garrafa de vinho aberta, buscando
conservá-la por um ou dois dias, até sistemas complexos de refrigeração e
conservação destinados a prolongar a vida útil das garrafas, uma vez que as
rolhas tivessem sido removidas, com a introdução de argônio para ocupar o
espaço livre deixado pelo vinho servido.
Desenvolveram-se
equipamentos especiais do tipo Enomatic, e já tive oportunidade de ver restaurantes
na Europa oferecendo mais de 50 opções de vinhos em taças.
Mais
recentemente alguns restaurantes passaram a usar o Coravin, um acessório que
combina funções, permitindo extrair o vinho de uma garrafa sem abri-la de fato.
Uma agulha fina, longa e oca é introduzida na garrafa através da cápsula ou da proteção
metálica e da rolha. Em seguida, o gás argônio (inofensivo, incolor e insípido)
é bombeado pela agulha, criando uma pressão na garrafa que empurra o vinho para
fora através da mesma agulha.
Quando
a quantidade desejada de vinho é servida, a agulha é retirada, deixando o
argônio no lugar do líquido servido, o que impede a oxigenação. A rolha então
se recompõe sozinha, selando o vinho. O método entretanto, não funciona com
tampa de rosca nem rolha artificial. O Coravin parece resolver um problema que
aflige a humanidade desde que o primeiro vinho foi armazenado em uma garrafa,
mas de qualquer forma é um equipamento que custa cerca de 300 dólares (Na
Europa custa o equivalente a 300 euros).
Se
o Coravin funcionar como se espera, ele pode favorecer a oferta de vinhos
envelhecidos e caros em taça, mesmo que não haja um público muito grande para
esses tipos de rótulos.
Entretanto,
valorizando a criatividade, sem precisar de equipamentos, alguns restaurantes
tiveram a idéia de abrir toda a noite uma garrafa de vinho de alta qualidade, para
ser vendido em taça para clientes que queiram compartilhá-lo. Colocam a oferta
numa tabuleta e quando se chega a um número mínimo de interessados, abre-se a
garrafa.
Mas afinal, o que pedir no
restaurante? Uma taça, ou uma garrafa ? Esta é uma simples
questão de matemática e consumo. Enquanto alguns restaurantes servem os vinhos
em taças de 180ml ou taças de 120ml, a grande maioria usa taças de 150ml. Isso significa que uma garrafa padrão de
vinho de 750ml servirá 5 taças.
Mas
infelizmente, a maioria dos restaurantes definem o preço da taça, muito maior
do que o valor de ⅕
do preço total de uma garrafa padrão, ou seja, se há uma grande chance de você
consumir 5 taças, é provável que o preço da garrafa inteira seja mais racional.
Por outro lado, se você quer somente 1 ou 2 taças, seja pelo fato de você estar
tomando sozinho, ou porque você quer provar diferentes tipos de vinho, então
pedir por taça faz todo sentido.
No
entanto, é importante considerar que muitos restaurantes costumam deixar restos
de vinho nas garrafas ao final da noite. Esses vinhos costumam ser servidos no
dia seguinte, e algumas vezes por vários dias. Um vinho que foi aberto durante
a noite não necessariamente é um vinho com sabor ruim; ele somente pode não ter
um sabor tão agradável como você deseja.
Se
você for pedir uma taça de um vinho, pergunte a quanto tempo a garrafa foi
aberta, e se a resposta for qualquer coisa antes de “hoje”, pegue um vinho diferente,
ou pergunte se é possível tomar um pequeno gole para ter certeza de que não
está comprando gato por lebre.
De
qualquer forma, têm aparecido no mercado alguns restaurantes em que o conceito
de servir vinho em taça é a norma e não a exceção. Citei dois exemplos em
funcionamento em Belo Horizonte. O primeiro deles, o “Au Bon Vivant” criado há três anos serve desde o princípio de seu
funcionamento, vinhos em taças. O mais parisiense dos bistrôs de Belo Horizonte,
oferece comida de bistrô francês, com porções generosas e ingredientes de
primeira qualidade. Silvana Watel, chef é proprietária da casa e produz as
próprias terrines, inclusive de foie gras, e outras preparações típicas da
França (veja mais em: http://www.aubonvivant.com.br/)
.
Os
vinhos apresentados são de importação própria da casa, escolhidos a dedo na França
por Philippe, marido da Silvana. Geralmente são furto de vinícolas de pequeno
porte que oferecem um leque de sabores representando a variedade dos vinhos
franceses. É a maior oferta de vinhos Belo Horizonte, 40 rótulos servidos em
taças de 125ml, desde Champagne, Chateauneuf-du-Pape, Bordeaux, Borgonha ou
mesmo vinhos mais simples. O valor de uma taça de vinhos é acessível e a casa
também não cobra pela água servida em jarra.
O
restaurante tem todo o cuidado com a manipulação, limpeza das taças, com o modo
de servir, usando um sistema à vácuo para fechar as garrafas que foram abertas.
Devido ao movimento, a rotatividade das garrafas é alta, mesmo com várias
opções. Na maioria das noites, você poderá beber uma taça de um vinho que foi
aberto naquele momento. O conceito fundamental em tudo é o de facilitar a harmonização
de cada prato com o vinho. Eles servem também o vinho em “pichets” de 500ml
(jarras).
No
mesmo estilo de serviço de seus rótulos exclusivos, mais recentemente a
importadora ‘Mon Caviste” abriu seu
Bar au Vin, oferecendo uma longa lista de vinhos em taça. De qualquer forma, a
relação de restaurantes em Belo Horizonte que servem vinhos em taças tem
aumentado e certamente é um atrativo para os mineiros saírem para os provar os
encantos da gastronomia da capital mineira.
Outros
assuntos serão pauta para próximos artigos: a presença de Sommelier como grande
diferencial para o restaurante decolar na venda de vinhos.
A Tabela abaixo dá uma dica do que pedir em
restaurantes que têm vinho em taças:
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Quantas
Pessoas ?
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Cada
um bebe quantas taças ?
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O
ideal é Pedir...
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Uma pessoa
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Uma taça
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Por taça
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Uma pessoa
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Duas taças
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Por taça
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Uma pessoa
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Três taças
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Por taça
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Uma pessoa
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Quatro
taças
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Por garrafa
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Duas
pessoas
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Uma taça
cada um
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Por taça
|
|
Duas
pessoas
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Duas taças
cada um
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Por garrafa
|
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Três
pessoas
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Uma taça
cada um
|
Por taça
|
|
Três
pessoas
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Duas taças
cada um
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Por garrafa
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Quatro
pessoas
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Uma taça
cada um
|
Por garrafa
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Cinco
pessoas
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Uma taça
cada um
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Por garrafa
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