“ O RESSURGIMENTO DOS VINHOS DA AUSTRIA –
PARTE 2 ” – A maioria dos vinhos tintos
austríacos depende das varietais regionais naturalmente adaptadas ao clima, com
a maior parte vindo da área mais quente de Burgenland. Elas tradicionalmente
têm a tendência de serem médias ou totalmente encorpadas, vinhos menos sérios,
e raramente são exportadas devido a sua relativa escassez. Muitos apresentam
caráter sólido, mas são menos respeitados do que os vinhos brancos.
A uva
tinta mais cultivada, surpreendentemente ocupando 10% do total da área do
vinhedo, é a Zweilgelt (cultivada a
partir de 1920/1930), que tem tanino moderado, bom caráter geral, e um bouquet
característico de cerejas e chocolate nas melhores versões. Lembra o estilo da
piemontesa Dolcetto, com seu aroma de mirtilo e amoras.
Blaufränkisch, a segunda maior
variedade cultivada, tem cor profunda e boa acidez, mas a melhor uva tinta
austríaca é a St. Laurent, que se assemelha a Pinot Noir. Um St. Laurent fino
será aquele que for completamente seco e ácido, com um bouquet complexo e
levemente herbáceo com cor vermelha clara ou púrpura clara.
A Blauer Portugieser, uma outra uva
nativa muito cultivada na Baixa Áustria, é a terceira varietal tinta mais
popular, com a Blauer Wildbacher que é uma outra uva regional. Nos últimos
anos, houve também a introdução da Pinot Noir, aqui conhecida como Blauer
Spätburgunder e da Cabernet Sauvignon.
A
viticultura tinta austríaca está baseada em três curingas: a Blaufrankisch
nativa, a St. Laurent (de origem
francesa) e a Zweigelt (cultivada a partir de 1920/1930).
Sós ou
em corte, têm tanto potencial como a Cabernet Sauvignon e a Spatburgunder (nome
que borgonhesa Pinot Noir ganha em solo austríaco) tiveram oportunidade de
desenvolver. E se preparam para uma qualidade e produção cada vez mais uniforme
no futuro.
Os
novos vinhos brancos secos austríacos, descritos por especialistas com
adjetivos do tipo sensacional, excitante e acima de qualquer crítica, combinam
muitíssimo bem com as cozinhas modernas e típicas, e não restauraram apenas a
reputação do vinho austríaco, como também melhoraram essa reputação.
Com
uma crescente legião de devotos espalhados pelo mundo, os vinhos austríacos
continuam a se aperfeiçoar, e o reconhecimento por sua excelência tem colocado
os preços dos mais finos vinhos do país dentro dos mesmos limites de preços dos
Bourgogne brancos e de outros vinhos brancos distintos.
Embora
a indústria renascida ainda esteja jovem, os vinhos brancos austríacos hoje
podem perfeitamente ser incluídos à classe mundial, o que esperamos que
continue. Geralmente os vinhos austríacos são mais facilmente encontrados em
restaurantes do que em lojas de vinhos, mas as importações têm dobrado nos
últimos três anos e devem se tornar mais fáceis de serem encontrados.
Quem
quer provar os vinhos mais fascinantes da Áustria atual, em plena fase de
ressurgimento, deve procurar os de uvas nativas, acima citadas.
As
uvas francesas recém importadas produzem vinhos com menos tipicidade. Não
esquecendo que os grandes caldos austríacos, as jóias da coroa, são os brancos
de sobremesa, de uvas botritizadas.
♦ Classificação - As classes dos vinhos
na Áustria, da mais popular para a mais nobre, são Tafelwein (vinho de mesa),
Landwein (vinho regional) e Qualitätswein (vinho de qualidade).
Uma
classe especial típica é Smaragd, categoria de qualidade mais elevada do
Wachau, equivalente na Alemanha a um Spätlese seco.
As
jóias da coroa são os vinhos de sobremesa botritizados, particularmente os
elaborados nas margens do lago Neusiedler (região do Burgenland), na fronteira
com a Hungria, onde a as condições para desenvolvimento da podridão nobre são
favoráveis.
As
categorias de vinhos doces são as mesmas da Alemanha, inclusive Eiswein, mas
existe uma categoria própria (Ausbruch) entre Beerenauslese e
Trockenbeerenausles. Outra peculiaridade é o Vinho de Palha (Strohwein ou Vin
de Paille) feito de uvas supermaduras, passificadas sobre esteiras de palha.

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