segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O RESSURGIMENTO DOS VINHOS DA AUSTRIA – PARTE 2


“ O RESSURGIMENTO DOS VINHOS DA AUSTRIA – PARTE 2 ” –  A maioria dos vinhos tintos austríacos depende das varietais regionais naturalmente adaptadas ao clima, com a maior parte vindo da área mais quente de Burgenland. Elas tradicionalmente têm a tendência de serem médias ou totalmente encorpadas, vinhos menos sérios, e raramente são exportadas devido a sua relativa escassez. Muitos apresentam caráter sólido, mas são menos respeitados do que os vinhos brancos.

A uva tinta mais cultivada, surpreendentemente ocupando 10% do total da área do vinhedo, é a Zweilgelt (cultivada a partir de 1920/1930), que tem tanino moderado, bom caráter geral, e um bouquet característico de cerejas e chocolate nas melhores versões. Lembra o estilo da piemontesa Dolcetto, com seu aroma de mirtilo e amoras.
Blaufränkisch, a segunda maior variedade cultivada, tem cor profunda e boa acidez, mas a melhor uva tinta austríaca é a St. Laurent, que se assemelha a Pinot Noir. Um St. Laurent fino será aquele que for completamente seco e ácido, com um bouquet complexo e levemente herbáceo com cor vermelha clara ou púrpura clara.
A Blauer Portugieser, uma outra uva nativa muito cultivada na Baixa Áustria, é a terceira varietal tinta mais popular, com a Blauer Wildbacher que é uma outra uva regional. Nos últimos anos, houve também a introdução da Pinot Noir, aqui conhecida como Blauer Spätburgunder e da Cabernet Sauvignon.
A viticultura tinta austríaca está baseada em três curingas: a Blaufrankisch nativa, a St. Laurent (de origem francesa) e a Zweigelt (cultivada a partir de 1920/1930).
Sós ou em corte, têm tanto potencial como a Cabernet Sauvignon e a Spatburgunder (nome que borgonhesa Pinot Noir ganha em solo austríaco) tiveram oportunidade de desenvolver. E se preparam para uma qualidade e produção cada vez mais uniforme no futuro.
Os novos vinhos brancos secos austríacos, descritos por especialistas com adjetivos do tipo sensacional, excitante e acima de qualquer crítica, combinam muitíssimo bem com as cozinhas modernas e típicas, e não restauraram apenas a reputação do vinho austríaco, como também melhoraram essa reputação.
 Com uma crescente legião de devotos espalhados pelo mundo, os vinhos austríacos continuam a se aperfeiçoar, e o reconhecimento por sua excelência tem colocado os preços dos mais finos vinhos do país dentro dos mesmos limites de preços dos Bourgogne brancos e de outros vinhos brancos distintos.
Embora a indústria renascida ainda esteja jovem, os vinhos brancos austríacos hoje podem perfeitamente ser incluídos à classe mundial, o que esperamos que continue. Geralmente os vinhos austríacos são mais facilmente encontrados em restaurantes do que em lojas de vinhos, mas as importações têm dobrado nos últimos três anos e devem se tornar mais fáceis de serem encontrados.
Quem quer provar os vinhos mais fascinantes da Áustria atual, em plena fase de ressurgimento, deve procurar os de uvas nativas, acima citadas.
As uvas francesas recém importadas produzem vinhos com menos tipicidade. Não esquecendo que os grandes caldos austríacos, as jóias da coroa, são os brancos de sobremesa, de uvas botritizadas.

Classificação - As classes dos vinhos na Áustria, da mais popular para a mais nobre, são Tafelwein (vinho de mesa), Landwein (vinho regional) e Qualitätswein (vinho de qualidade).

Uma classe especial típica é Smaragd, categoria de qualidade mais elevada do Wachau, equivalente na Alemanha a um Spätlese seco.

As jóias da coroa são os vinhos de sobremesa botritizados, particularmente os elaborados nas margens do lago Neusiedler (região do Burgenland), na fronteira com a Hungria, onde a as condições para desenvolvimento da podridão nobre são favoráveis.

As categorias de vinhos doces são as mesmas da Alemanha, inclusive Eiswein, mas existe uma categoria própria (Ausbruch) entre Beerenauslese e Trockenbeerenausles. Outra peculiaridade é o Vinho de Palha (Strohwein ou Vin de Paille) feito de uvas supermaduras, passificadas sobre esteiras de palha.

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