“ A GUARDA DO VINHO “ – Quando
o tema é vinho, este é um dos assuntos que geram boas discussões, pois a
afirmação "quanto mais velho, melhor", não passa de uma "meia
verdade".
Assim
que o vinho é engarrafado, ele terá um ciclo de vida até atingir seu apogeu. No
início, geralmente terá aromas primários (os da fruta) para depois hibernar e
desenvolver aromas mais finos ressaltando os aromas da vinificação
(secundários) e o bouquet (aromas terciários). No paladar, nesta última fase, o
vinho atingirá todo seu esplendor em termos de complexidade e retrogosto. Os
taninos estarão afinados por sua polimerização, havendo equilíbrio
álcool-acidez-tanino para os tintos; álcool-acidez para os branco-secos e
álcool-acidez-açúcar para os brancos doces.
Um
vinho de guarda já nasce com essa missão; sua longevidade está diretamente
ligada a qualidade da matéria-prima e do processo de vinificação. Boa parte dos
vinhos atuais é feita para ser bebida jovem. Já estão “prontos” na garrafa e
não se ganha nada com sua guarda. Pelo contrário, corre-se o risco dele perder
suas melhores características.
Vários fatores influenciam a evolução e envelhecimento do
vinho:
a luz (basta um bom nível de penumbra. As partículas de luz produzem um tipo de
oxidação diferente do ar, a fotooxidação, que altera a composição molecular do
vinho), o calor (temperaturas baixas retardam o envelhecimento; temperaturas
mais altas aceleram-no), as variações bruscas ou oscilações de temperatura (que
são piores que calor demasiado), as vibrações (o movimento é maléfico só quando
é constante), e a presença de odores fortes (por tempo longo, pode
contaminá-lo), prejudicarão o amadurecimento natural e lento do vinho fino.
A umidade ambiente
deve estar entre 45 e 75%. Abaixo disso, as rolhas ressecam e se desmancham. O
excesso de umidade facilita a formação de fungos na rolha, podendo contaminar o
vinho ou deteriorar as etiquetas. Para
evitar que a rolha resseque e permita a passagem de oxigênio, os vinhos devem
ser guardados na posição horizontal. O ar (oxigênio) acabará com os aromas do
vinho através da sua oxidação. A temperatura ideal para o envelhecimento do
vinho é entre 12° e 14° C; os efeitos nocivos não são significativos até os 20º
C.
Deve-se
deixar em repouso por uns dias em local adequado, um grande vinho que tenha
sido trazido numa viagem longa, para que muitos compostos químicos do vinho
possam conjugar-se, tornando-o mais complexo e interessante.
Quando então o vinho estará pronto para ser
bebido? Para surpresa dos experts, em várias degustações verticais às
cegas, safras mais jovens e menos valorizadas de um mesmo vinho, podem obter
melhor performance do que safras mais valorizadas e menos evoluídas. A verdade
é que a vinificação, na última década, tem evoluído e muitos vinhos são
prazerosos mesmo na sua juventude.
O tempo máximo de guarda de um vinho não
deve ser o prazo máximo que ele suporta antes de se deteriorar, mas sim o
período em que ele ainda está na plenitude de suas características, de sua
tipicidade. O ideal é tomá-lo no seu apogeu.
Com
a garrafa aberta, o vinho entra em contato com o oxigênio e irá oxidar-se. Para
conservá-lo tampe a garrafa com a própria rolha, e coloque-a na porta da
geladeira, procurando bebê-la em dois a três dias. Outra solução é utilizar a
bomba de vácuo ou vacu-vin, em francês, ou wine-saver, em inglês. Assim o vinho
poderá ser conservado na porta da geladeira na posição vertical ou em local bem
fresco, permanecendo em boas condições por uma semana.
A questão do lugar de guarda faz diferença?
Sabemos na teoria que o local de guarda influencia a evolução dos vinhos. Este
tema veio à tona, quando para responder a questão na prática, uma experiência
foi feita com garrafas de um mesmo vinho que foram armazenadas em vários locais
por um ano: na geladeira, no armário da cozinha, num sítio na montanha, embaixo
da escada, na casa de praia, no closet, na área de serviço, entre outros.
Descobriu-se
que a temperatura baixa da geladeira ajuda a segurar o envelhecimento de um
vinho pronto para beber, mas a trepidação do motor pode prejudicar. A escada é
aparentemente um bom local para guarda, mas o movimento das pessoas subindo e
descendo o torna instável.
Na
degustação realizada às cegas, por um time de experts, a amostra da geladeira
foi melhor considerada. Depois ficou a garrafa guardada na adega climatizada
(temperatura estável, ambiente sem luz direta ou trepidações). Em terceiro
lugar a garrafa guardada num closet com poucas oscilações de temperatura e
ambiente escuro para repouso. Verificou-se que a pior amostra foi a garrafa
guardada na área de serviço, junto com os produtos de limpeza.

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