segunda-feira, 31 de outubro de 2016

VINHOS VERDES - PARTE 1



“ VINHOS VERDES ” –  A Região do Vinho Verde estende-se por todo o noroeste de Portugal, na zona tradicionalmente conhecida como Entre-Douro e Minho. Tem como limites ao norte o rio Minho, e ao sul, zonas montanhosas que constituem a separação natural entre o Douro e por último o Oceano Atlântico, que constitui o seu limite a poente. A região produz um vinho único no mundo. Foi demarcada em 1908 e tem cerca de 35.000 hectares de vinha, geralmente plantados em pequenas quintas.
O noroeste de Portugal é uma região dominada pela influência do Atlântico. As temperaturas não chegam a valores extremos, seja no Inverno, com raros longos períodos de temperaturas negativas, seja no Verão, que é quente sem atingir os valores do interior e sul de Portugal, em especial o Douro ou mesmo o Alentejo e Algarve.
A orientação dos vales dos principais rios é perpendicular ao litoral, o que facilita a penetração dos ventos marítimos e provoca precipitações médias altas entre 1.000 mm/ano e 2.000 mm/ano.
            Nesta região nasce um vinho único, o Vinho Verde, que tem uma longa história que acompanha de perto a própria história da nação portuguesa. A palavra verde cria certa confusão em neófitos, que esperam beber um vinho desta cor, mas neste caso a palavra não diz respeito à cor e sim ao frescor e à juventude com que esta bebida deve ser consumida.
Para muitos amantes de vinho, a palavra verde vem em oposição a maduro, uma vez que o vinho é leve, pouco alcoólico, geralmente ácido, digestivo, bebido bem frio com sua agulha característica, que muitas vezes lembra um espumante. Um vinho refrescante que pode ser bebido em todas as estações do ano, acompanhando saladas e verduras, sardinhas e peixes grelhados, ou até mesmo um bacalhau á moda portuguesa.
            A melhor explicação foi obtida junto a um produtor da região, o verde tem a ver com a paisagem local, lindeira à Costa Verde.
            A vinha já era cultivada desde a ocupação romana, havendo referências a produção local nos escritos do naturalista Plínio, o Velho, em sua História Natural, e do filósofo Sêneca, em seu compêndio Questões Naturais, e também documentada na legislação do Imperador Domiciano, entre 96 e 51 a.C.
Na Idade Média o vinho toma conta dos mosteiros nos séculos XIII e XIV passa a fazer hábito na alimentação das populações entre o Minho e o Douro ao mesmo tempo em que se dá a expansão econômica da região e a crescente circulação da moeda. Ainda que a exportação fosse pequena, os vinhos verdes foram, entre os vinhos portugueses, os primeiros conhecidos fora das fronteiras, particularmente na Inglaterra.
No início do século XX, resolvidos os problemas das pragas, a região dos vinhos verdes é demarcada oficialmente em 1908 e dividida em seis sub-regiões: Monção, Lima, Basto, Braga, Amarante e Penafiel. O limite a oeste é o Atlântico e, ao norte, a Espanha.
Na década de 1950, em pleno Estado Novo salazarista, são constituídas as 21 cooperativas atualmente existentes na região e a Denominação de Origem Vinho Verde é aceita pela Organização Internacional do Vinho. Às vésperas da Revolução dos Cravos, finalmente, a denominação é reconhecida e registrada na Organização Mundial da Propriedade Industrial (Genebra, 1973), conferindo à região do Minho a exclusividade internacional no uso da designação Vinho Verde.
Com a entrada de Portugal na Comunidade Européia, em 1986, a CVRVV – Comissão Vitivinícola da Região do Vinho Verde é reformulada. Além da delimitação geográfica, o controle se estende às videiras e aos vinhos. Observa-se a natureza do solo, o uso de castas recomendadas e autorizadas, as práticas de cultivo, os rendimentos por hectare. Já nos vinhos: os métodos de vinificação, o teor alcoólico mínimo, as condições químicas e sensoriais.
Para isso, a CVRVV realiza a análise química e a prova dos vinhos, certifica e fiscaliza os produtos, atribui-lhes o Selo de Qualidade e dedica-se à divulgação dos mesmos em Portugal e no exterior. Essa ação não demorou a dar frutos: a exportação de vinhos verdes cresce ano a ano.
Na região, os tradicionais vinhos de corte de várias uvas convivem modernamente com vinhos verdes varietais. Há brancos de Alvarinho, Arinto, Azal Branco ou Loureiro, e tintos de Espadeiro, Rabo de Ovelha, Alvarelhão ou Azal Tinto.
         O processo de produção do Vinho Verde é semelhante aos demais vinhos, mas existem particularidades, entre elas o fato deste vinho praticamente não ter estágio de maturação, devendo ser bebido o mais jovem possível. 
        Outra particularidade ocorre nos vinhedos, onde a as videiras são plantadas ao pé de uma árvore e ela cresce livremente, se enroscando neste apoio, uma vez que é uma planta trepadeira, desenvolvendo-se sem poda e sem adubação ao que eles chamam de uveira ou vinha de enforcado.
Outra questão particular é o fato que alguns produtores adicionam dióxido de carbono para deixá-lo ligeiramente gaseificados e mais refrescantes quando servidos gelados. Atualmente se gaseifica artificialmente devido os processos naturais para este fenômeno atribuírem ao vinho um aspecto turvo, que não agrada aos consumidores.
Muitos consideram que os vinhos tops da Região sejam os Alvarinhos, mas isto fica para a semana que vem.


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