segunda-feira, 10 de outubro de 2016

BRUNELLO DI MONTALCINO CASANUOVA DI NERI TENUTA NUOVA 1997

● Vinho da Semana 412016 - ● BRUNELLO DI MONTALCINO CASANUOVA DI NERI TENUTA NUOVA 1997 – TOSCANA – ITÁLIA – Vinícola fundada em 1971 por Giovanni Neri, com a compra de uma grande propriedade em Montalcino, na Toscana. Desde 1991 está sob o comando de seu filho, Giacomo Neri. A vinícola possui cerca de 55 hectares, subdivididos em 5 regiões: Pietradonice no sudeste de Montalcino, Le Cetine ao sul, Cerretalto e Fiesole ao leste e Podernuovo que ocupa a posição mais alta.
Com 45 anos de história, a Casanova di Neri pode ser considerada como uma das mais novas grandes vinícolas italianas, tendo já dois vinhos aos quais Robert Parker atribuiu seus cobiçados 100 pontos (Tenuta Nuova 2010, e Cerretalto 2001) e há quem diga que são seus alguns dos melhores Brunellos já produzidos em Montalcino. E os resultados da Casanova di Neri não se limitam a Parker: Wine Spectator, James Suckling e Wine Enthusiast são outras das mais respeitadas publicações que já lhe concederam suas notas máximas por algumas vezes. O Gambero Rosso, por sua vez, atribuiu seus máximos "tre bicchieri" a nada menos que doze dos quinze vinhos produzidos por ela.
            A explicação para tantas avaliações excelentes tem diversas origens: o terreno, localizado a noroeste da região e onde Jancis Robinson aponta como a região do "verdadeiro Brunello", é considerado particularmente bom para a produção da Sangiovese Grosso, já que possui diversas disposições que permitem obter resultados diversos com as vinhas.
            De acordo com o proprietário Giacomo Neri, seus vinhos são muito parecidos entre si, o que é proposital. A intenção é que cada um tenha sua distinção nas suas múltiplas facetas, resultado de cada terroir dos três terrenos de sua propriedade e suas características intrínsecas. Para ele, não há distinção do tipo de tonel ou de madeira que seus vinhos passam, uma vez que o importante é o resultado obtido por ele.
A trajetória de Montalcino começa com uma estrada. Essa cidade, localizada na região central da Toscana, era um ponto comercial de extrema importância no período da Idade Média, e fazia parte da rota que ligava a Itália à Inglaterra. Além disso, muitas pessoas passavam por Montalcino com destino a Roma, para verem o Papa. Aliás, muitos Papas passaram por lá antes de serem coroados, assim como outras personalidades da época e diversos viajantes.
            Por volta dos anos 1500, o vinho de Montalcino começava a ser reconhecido e o Brunello di Montalcino foi um de seus abre-alas. Mas depois da Segunda Guerra Mundial as coisas não ficaram muito boas para o povo daquela região. Um dos piores acontecimentos foi na verdade a abertura da estrada Del Sole, que ligava Roma a Milão, sem passar por Montalcino.
            Essa estrada fez com que a cidade ficasse esquecida e deixada de lado até por seus próprios habitantes. Não havia viajantes e 70% da população acabou saindo de lá deixando o local legado à miséria. A produção de vinho sofreu bastante com a situação, pois também muitos produtores não tinham condições de continuar o seu negócio.
            Mas, os poucos habitantes que optaram por ficar em Montalcino, não se entregaram e decidiram recomeçar do zero. Foi criado então o Consórcio de Brunello, onde pequenos produtores locais se reuniram para promover o próprio vinho.  Uma revolução! Outros produtores de vinho, dessa vez de todos os lugares do mundo, começaram a olhar para Montalcino e alguns acabaram mudando-se pra lá.
            Já em 1980, Brunello di Montalcino virou a primeira Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG), da Itália. Bom, daí em diante o sucesso tomou proporções ainda maiores.Hoje o Brunello di Montalcino que conhecemos é produzido com 100% Sangiovese Grosso ou Brunello, um clone da já conhecida Sangiovese. Os vinhedos estão localizados entre 300 e 500 metros acima do nível do mar e o clima em Montalcino é um dos mais secos de toda a Toscana.
            O Brunello é um vinho para se beber depois de alguns anos. Não tenha pressa, ou você pode perder o que de melhor esse vinho tem a oferecer. Muitos deles podem durar facilmente até 30 anos.
● Notas de Degustação: cor rubi ainda com boa tonalidade, com ligeira nota de evolução. No nariz exala aromas intensos e muito elegantes de madeira tostada, café, frutos vermelhos e negros (como ameixa e cerejas) e especiarias balsâmicas. Um nariz muito elegante e que se repete no paladar com bom corpo, num vinho aveludado, denso, com taninos macios (e ainda presentes) e bela acidez, deixando o vinho refrescante e gastronômico, condimentado e especiado. Belo equilíbrio de fruta e madeira criando um conjunto complexo e prazeroso. Não é à toa que a safra de 97 foi mágica na Itália. Final longo, convidando ao segundo gole e a segunda garrafa, mas infelizmente só havia esta !!!
● Estimativa de Guarda: Tem estrutura para evoluir por mais alguns anos, mas já estava muito gostoso.
● Reconhecimentos Internacionais: 94 Wine Spectator.
Notas de Harmonização: acompanha muito bem carnes vermelhas grelhadas, carnes suculentas em geral, cordeiro assado, javali, ensopado de carnes com ervas, pratos de sabor acentuado e bem temperados. Pernil de cordeiro, costela suína assada e hamburguer de picanha com molho barbecue. Servir entre 16 e 18°C.

Onde comprar: Estava na minha adega. 

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