“10 REGRAS DE OURO PARA HARMONIZAR COMIDA COM VINHO “ – Lendo
o "O Livro do Vinho" de Vincent Gasnier, editado no Brasil pela Publifolha,
encontrei 10 regras de ouro para harmonizar comida com vinho. Sabendo das
dificuldades que o tema traz para vários leitores e do interesse por cada vez
melhor aproveitar do casamento entre o vinho e comida, aqui as trnascrevo:
1.
Pratos salgados precisam de vinhos com acidez naturalmente alta - Não é coincidência o
fato de o picante Xerez Fino ir bem com tapas e com amêndoas salgadas, peixe ou
chorizos salgados, condimentados, por exemplo, porque essa combinação de
antepastos e aperitivos evoluiu ao mesmo tempo na mesma parte do mundo. O sal
na comida tem o efeito de neutralizar a acidez do vinho e permitir que os
sabores subjacentes se apresentem - assim como o sal realça os sabores da
comida. Por isso, é melhor escolher vinhos que tenham acidez naturalmente alta
para combinar com pratos salgados. Com um queijo salgado, como o Roquefort,
escolha vinhos de sobremesa com acidez realmente picante, como os do Vale do
Loire.
Experimente: Pratos com anchova, como bagna calda ou
pissaladière, com um Riesling australiano de Clare Valley; moules marinières
com Muscadet ou Sancerre; salada de queijo feta com o Assyrtiko da Grécia; sopa
de peixe tailandesa com um Pinot Grigio bem resfriado.
2.
Peixes carnudos podem ser acompanhados por um tinto leve - Quem quer que tenha gravado na pedra que os
vinhos brancos foram feitos para peixe e os vinhos tintos para carne deveria
ficar a pão e água para todo o sempre! Apesar de ser verdade que os taninos do
tinto podem criar um sabor metálico quando bebidos com peixe, existem peixes e
peixes! Os tintos leves, frutados, com poucos taninos, podem muito bem
acompanhar um peixe de textura densa, "carnuda", como o atum, o
salmão ou o peixe-espada frescos, principalmente se o vinho for servido
ligeiramente resfriado. Os peixes brancos, em contrapartida, costumam ter a
textura leve e normalmente são servidos com molhos leves. Por isso precisam ser
acompanhados por vinhos brancos delicados ou, se os sabores forem mais
intensos, brancos mais frutados, aromáticos.
Experimente: Steak tartare de atum com um Spätburgunder
(pinot noir alemão ou austríaco); filé de salmão grelhado com um Chinon; filé
de peixe-espada grelhado ou assado com um Pinot Noir de Carneros, Califórnia;
tamboril frito envolto em presunto Parma com um Dolcetto do Piemonte, Itália,
bem resfriado.
3.
Comida oleosa requer acidez ou taninos - Algumas regras referentes a comida e vinho
falam da companhia entre semelhantes - vinhos doces com pudins, por exemplo -,
mas outras tratam da combinação dos opostos, e certamente este é o caso quando
for escolher vinhos para complementar comidas oleosas. Os pratos oleosos
provavelmente serão também fartos, às vezes cremosos, mas certamente com um
grau de opulência pesada que precisa ser abrandada pelo vinho que você escolher
como acompanhamento. Se decidir tomar um vinho branco, certifique-se de que
tenha alto grau de acidez para passar pela gordura do prato e deixar um final
limpo no palato. O tanino também pode realizar a mesma tarefa; se escolher um
tinto para harmonizar com um prato gorduroso - fondue de queijo, por exemplo -,
deverá ser bem tânico para evitar que pareça ralo.
Experimente: Salmão defumado com Sauvignon Blanc;
escalope com molho Mornay com Chablis; cassoulet com um robusto Shiraz do
Barossa; frango à Kíev com um Roussanne californiano; ombro de cordeiro com
Barolo ou Barbaresco; ganso assado com corte Cabernet-Merlot.
4.
Pratos defumados se chocam com vinhos envelhecidos em carvalho - Defumados e carvalho
são coisas boas demais para fazer uma boa combinação. Se entar juntar um vinho
envelhecido em carvalho com uma carne ou um peixe defumados, você correrá o
risco de sobrecarregar suas papilas gustativas com sabores bastante
semelhantes, por isso elas não conseguirão reconhecer mais nada. Além disso, os
pratos defumados têm, por definição, sabor forte, e os sabores fortes na comida
precisam ser harmonizados com um vinho frutado, que refresque o paladar. Os
vinhos envelhecidos em carvalho têm uma oleosidade e opulência que não ajudam.
As uvas brancas fora das zonas de carvalho incluem Sauvignon Blanc, Riesling,
Chenin Blanc e as Pinots Blanc e Gris (Pinot Grigio, na Itália). Para as carnes
defumadas, escolha algo da categoria de tintos frutados: por mais suaves que
sejam, os taninos podem juntar forças com os sabores defumados para criar um
sabor "duro", amadeirado.
Experimente: Patê de cavala defumada com um Riesling de
Clare Valley, da Austrália; salmão defumado com um Sauvignon Blanc francês ou,
numa ocasião mais festiva, um espumante à base de Pinot Meunier; salada de
frango defumado com um Fleurie resfriado; presunto defumado com um Barbera
d`Asti.
5.
Harmonize sabores densos, ricos, com vinhos desse mesmo tipo - Se você escolher um
prato cremoso, experimente um vinho branco refrescante, que consiga atravessar
a riqueza do prato e refrescar o paladar. Porém, os pratos ricos com mais peso
e sabor mais intenso normalmente pedem vinhos cujo corpo e sabores têm a mesma
energia. Se o vinho for muito leve, pode ser abafado pelos sabores e texturas
da comida. Existem algumas combinações extravagantes já clássicas de comida e
vinho branco nessa linha - foie gras e Sauternes e, menos freqüente nos dias de
hoje, lagosta à Termidor com um Corton Charlemagne, famoso branco da Borgonha.
Mas estamos falando principalmente de tintos densos, ricos, para acompanhar
pratos substanciosos à base de carne, especialmente carne de caça ou vísceras,
em que você precisa de um vinho com boa complexidade de sabor para concorrer em
termos de igualdade.
Experimente: Fígado de frango frito com Monbazillac;
traseiro de cervo assado com Pauillac; caçarola de caça com
Châteauneuf-du-Pape; risoto de frutos do mar com Meursault ou Chardonnay da
Nova Zelândia; torta de carneiro e purê de batatas com Cabernet Sauvignon do
Vale do Napa. Na semana que vem,
falarameos sobre as últimas 5 regras !

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