“ A ALEMANHA E SEUS VINHOS – PARTE I ” – No período de 24 a 26/3/2013, acontece a 20ª
edição da feira européia mais importante do setor de vinhos, a “ProWein” em Düsseldof. Com um
volume de importação de 14,9 milhões de hl, a Alemanha representa um dos
maiores importadores mundiais de vinhos e situa-se no 4º lugar do ranking dos
maiores mercados consumidores de vinho, com um volume de consumo de 20 milhões
de hl.
Apesar de
toda esta pujança do mercado, o vinho alemão ainda permanece para muitos de
nós, indelevelmente ligado ao “vinho da garrafa azul”. Pode ter sido a primeira
taça de muitos que se iniciavam no vinho na década de 70, mas certamente estes
padrões estabelecidos com tanto sucesso naquela época ficaram para trás.
Sem dúvida o vinho alemão é um grande injustiçado, e grande
culpa disto fica por conta de produtores que invadiram os mercados com vinhos
adocicados, ligeiros que podem tinham seu charme, mas não refletiam, nem
refletem o alto nível da viticultura do país. A verdade é que nem só de
Liebfraumilch vive a Alemanha!
A Alemanha
tem os vinhedos mais ao norte no mundo, indo até os limites de onde as uvas
podem amadurecer, em latitude de 49
a 51 graus. A maioria dos vinhedos, são plantados as
margens do Rio Reno e Mosela, ou dos seus afluentes, uma vez que os cursos
d`água agem como moderadores do clima e refletem a insolação sobre as vinhas,
ajudando no amadurecimento dos cachos.
Qualquer
quantidade de calor que possa se obter do reflexo do sol no rio é fundamental,
eis o porque dos melhores vinhedos ficarem próximo as encostas dos rios. O solo
também tem sua contribuição, pois a maior parte dos vinhedos da Alemanha são
plantados em locais de solos rochosos que retêm calor, como ardósia e basalto,
resultando em perfis sedutoramente minerais.
Desta forma
é comum as uvas da Alemanha serem pobres em açúcar e ricas em acidez!. Isso pode
significar um baixo percentual alcoólico e transparência, sem coloração intensa
nos vinhos, que não precisam ser filtrados. Os vinhos sequer precisam de
leveduras comercias para fermentarem e também não fermentam nem amadurecem em
carvalho novo. A ênfase fica por conta do frescor e elegância.
A colheita acontece entre o final de
setembro e novembro e algumas uvas ainda permanecem por mais tempo, até
janeiro. Durante esse período as uvas amadurecem devagar pois as altas
temperaturas são raras. Como conseguinte tem-se excelentes uvas brancas, como a
riesling que esbanja grande elegância. A Alemanha é um grande produtor de
vinhos brancos. O que mais impressiona é que a produção de vinhos tintos
representa somente 18% da produção total (geralmente representados pelos
potentes tintos da casta “Dornfelder”, ou um seco e fresco “Spätburgunder”,
nome local da Pinot Noir) e o restante é voltado para vinhos brancos e
espumantes.
Surpreendentemente,
há mais de 140 uvas diferentes utilizadas na produção do vinho, mas o maior
consumo fica por conta de 20 delas. A Riesling é a “rainha” entre as uvas
brancas e os tintos da Pinot Noir começam a ter reconhecimento internacional,
com inspirados elogios de críticos como Jancis Robinson.
Níveis de qualidade do
vinho alemão:
● Tafelwein, que designa um vinho de mesa
comum, normalmente feito a partir de uvas maduras e geralmente servido em
jarras de 1 litro .
Em outras palavras, uma bebida boa e barata. Menos de 5% da produção.
● Deutscher
Landwein – designa
os vinhos vindos de uma das 19 regiões Landwein, normalmente secos. A lei exige
uvas mais maduras que para o Tafelwein, tornando portanto, a qualidade melhor.
É Uma nova categoria de Tafelwein, criada no ano de 1982. O equivalente ao Vin
de Pays da França. Não pode ser doce, e tem que ser Trocken ou Halbtrockn, com
o máximo de 18 gramas
de açúcar por litro e o mínimo de 9% de álcool. 5% da produção
● Qualitätswein
bestimmter Anbaugebiete (QbA). que corresponde a "vinhos de qualidade de regiões
específicas", uma designação oficial para um vinho de boa qualidade a
partir de uma região específica, Bereich ou vila. Vinhos com pretensões de
qualidade, mas não cortam completamente (açúcar teve de ser adicionada ao suco
de uva para que o vinho alcançasse um mínimo de álcool). 30 a 80% da produção.
A principal exigência para um vinho
ser QbA é que, como a transcrição literal do nome sugere, todo o vinho da garrafa
seja procedente de uma das 13 regiões vinícolas especificadas da Alemanha.
Também as uvas devem atingir um nível mínimo de maturidade, em termos de
"peso do mosto", que nada mais é do que a concentração dos sólidos
dissolvidos no mesmo. Este material dissolvido é composto em sua maioria (90%),
de açúcares fermentáveis. Desta forma, o "peso do mosto" é uma
indicação segura do potencial alcoólico do mesmo, sendo expresso em unidades
tais como os graus Oeschle ou Brix. O "peso do mosto" mínimo para o
vinho obter a classificação QbA é cuidadosamente especificado para cada
variedade de uva e para cada região vinícola específica.
Além disso,
os vinhos devem ser produzidos a partir de variedades recomendadas de uvas,
recebendo após a aprovação um número para ostentar no rótulo, o chamado número
AP (Amtiliche Prüfungsnummer). O AP é constituído por 10 a 12 dígitos e certifica
que o vinho passou pelos super valorizados testes oficiais alemães, cujos
procedimentos incluem uma análise quantitativa do vinho e uma degustação às
cegas, realizada por produtores e outros degustadores, com o objetivo de se
detectar eventuais defeitos no vinho analisado. Estes testes estão muito longe
de ser rigorosos, já que o índice de aprovação é muito acima dos 90%. O número
AP identifica o local onde os testes foram realizados, a localização dos
vinhedos, o código do engarrafador e o ano em que o vinho foi testado.
Ao
contrário do que ocorre com os Qualitätswein mit Prädikat, os vinhos QbA podem
ter o seu teor de álcool aumentado, por enriquecimento do mosto, um processo
mais abrangente que a simples adição de açúcar ao mosto (chaptalização), pois
inclui, além do açúcar, parcelas de mosto concentrado e mosto concentrado
retificado. Estes últimos são na verdade um xarope de açúcares de uva, com
elevada concentração, obtido dos vinhos excedentes principalmente da França e
da Itália.
● Qualitätswein
mit Prädikat (QmP).
que corresponde a "Vinho de Qualidade com Distinção", uma designação
oficial para o vinho de qualidade de uma determinada Bereich, aldeia ou vinha.
Esta é a mais alta classificação do vinho alemão. Os principais produtores
fazem diversas incursões nos vinhedos para colher as uvas somente no momento
que atingem esse nível. Fazendo a colheita em outubro e novembro (ou até além)
as uvas continuam a amadurecer lentamente e desenvolvem grande concentração de
fruta e caráter, embora mantendo altos níveis de frescor e acidez.
Para a semana que vem descomplicamos a questão da classificação dos
vinhos da Alemanha e a leitura de seus rótulos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário