“ QUANDO O VINHO É O INGREDIENTE DA COMIDA “ – Quem não se lembra emocionado do filme “ A
Festa de Babette” quando o vinho deixa de ser o coadjuvante na cozinha para ser
o principal fio de condutor do jantar servido aos convivas?
Em muitas receitas,
especialmente da gastronomia clássica e tradicional europeia, o vinho entra
como o principal ingrediente da comida. Assim é com o “coq au vin”, “bouef
bourguignone”, “stracottos italianos”, “brasato al barolo”, “risotto al
barolo”, a sobremesa com “peras ao vinho
do Porto” entre outras.
O vinho tem
capacidade de harmonização com diversas receitas, acrescentando aromas, sabores,
texturas e por que não dizer, acrescentando cores aos pratos. Isto é válido
para todos os estilos e cores de vinhos.
Há no mercado vários
livros sobre o tema, como o da sommelier Deise Novakoski e do chef executivo
Renato Freire- “Enogastronomia: a arte de harmonizar cardápios e vinhos” (Ed.
Senac, 2005), no qual os autores mostram o quanto o vinho pode ser um ingrediente importante e versátil nas
receitas dos pratos.
Lembram-nos do quanto
é importante “marinar” (peixes, carnes e aves), usar o vinho como elemento
líquido do cozimento das carnes, impregnando-as dos aromas e sabores dos
vinhos, “deglaçar” (técnica francesa que consiste em desprender o fundo de
cozimento e dissolvê-lo para formar a base de um molho), ou ainda para
aromatizar frutas e molhos de sobremesa.
Nem sempre se usa o vinho puro, pois alguns
chefs dizem que para os para molhos não ficarem muito carregados, deve-se usar
uma parte de vinho para duas ou três partes de líquido ou creme, resultando num
melhor equilíbrio e elegância dos aromas e dos sabores.
O cuidado principal é
para não queimar o vinho, o que daria sabor acre no preparo. Para tanto, tenha
o cuidado de sempre deixar um pouco de água no recipiente usado para assar a
comida.
As principais dicas para usar o vinho como ingrediente
das receitas ficam por conta de:
v Não use para o preparo do prato um vinho que você não
beberia.
Se ele não é de boa qualidade, não o use para cozinhar.
v Sempre que for preparar uma receita use o vinho da região
ou produzido com a uva típica da região. Por exemplo, no preparo de um “bouef
bourguignone” use um Borgonha ou um vinho a base de Pinot Noir e nunca um
Bordeaux ou um vinho a base de Cabernet Sauvignon, pois isto alteraria
completamente o sabor que se pretende dar ao alimento.
A madeira do vinho
pode alterar o sabor da receita. Opte por vinhos mais simples e varietais, sem
necessariamente serem vinhos tratados no carvalho.
Ao acrescentar o
vinho como ingrediente, o que se faz em geral é agregar acidez à preparação
para promover novos sabores. Use vinhos secos de boa a alta acidez como
Sauvignon Blanc, ou espumantes (bruts). Para usar tintos, opte por Merlot,
Pinot Noir, Cabernets leves, a menos que a receita explicite o vinho que deverá
ser usado. Alguns chefs gostam de cozinhar utilizando vinhos brancos doces nas
preparações, mas é bom lembrar que o açúcar residual das receitas pode alterar
o sabor final das preparações.
Por conta do álcool
contido no vinho é importante incorporá-lo no princípio do cozimento, para que
ele se evapore. O tempo de evaporação do álcool varia conforme o volume.
v Há ainda uma dica
fundamental, nunca sirva uma receita que não tenha sido feita por você antes,
cada prato é algo em especial e os vinhos trazem dentro de si o efeito de
safras, que podem alterar sabores. Opte por vinhos mais jovens, frescos, de boa
acidez e pratique a receita antes de servir naquele Jantar de Gala. Desta forma
você estará se prevenindo quanto às surpresas, que sempre podem acontecer.

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