segunda-feira, 16 de março de 2015

A CHARDONNAY, SUA ORIGEM E SEUS VINHOS NA FRANÇA




"A CHARDONNAY, SUA ORIGEM E SEUS VINHOS NA FRANÇA “ – Se há uma disputa sobre a origem da casta Sauvignon Blanc, que repousa sobre o Loire ou sobre Bordeaux, não resta dúvida que a origem da uva Chardonnay é na Borgonha e, para alguns, ela é resultado do cruzamento entre as castas Pinot Noir e Gouais Blanc.
A Chardonnay é de longe a casta vinífera branca de maior prestígio no mundo, cultivada em todas as regiões produtoras do mundo e referida de forma geral como a “rainha das uvas brancas”. Fácil de ser cultivada, é uma uva versátil, produzindo desde vinhos brancos secos, passando pelos espumantes e até alguns vinhos de sobremesa. Dependendo da vontade do produtor, pode ser vinificada sozinha (varietal) ou em corte. Pode também estagiar em madeira (onde aliás, se dá muito bem) ou não. Origina vinhos leves e frescos ou encorpados, quentes, quase doces.
Hoje em dia, só na França, existem mais de 30 variações clonais. A uva apresenta bagos de cor verde para âmbar (na medida em que vão amadurecendo), pequenos e bem redondos.
Originalmente, ela é pouco aromática. Mas nenhuma outra casta pode absorver tantas características do solo e do processo de vinificação, como ela. Talvez isso explique o paradigma dessa casta ser amada por muitos e desprezada por outros tantos. Devido a toda essa versatilidade, vários críticos acusam a Chardonnay de não possuir personalidade, de ser uma uva que expressa exatamente o desejo do vinicultor e onde repousaria sua fraqueza. Verdade ou não, o fato é que o mundo assistiu ao seu apogeu nas décadas de 80 e 90, quando tornou-se sinônimo de vinho branco do Novo Mundo.
Os aromas e sabores da Chardonnay são muitos, dependendo da região e do produtor. Pode-se dizer em linhas gerais, que os aromas primários mais encontrados são: frutas cítricas (maçã verde, pêra, limão, lima, tangerina), frutas tropicais (abacaxi, maracujá, pêssego, damasco, banana, manga), florais (acácia, flor de laranjeira), amanteigados (manteiga, cera, mel, melaço, bala toffee, butterscotch, fermento), amadeirados (baunilha, coco, tostado, nozes). Dependendo da região, ainda podemos encontrar: minerais, pedra de isqueiro e esfumaçados.
No paladar, a Chardonnay também pode se apresentar das mais variadas formas: espumante, seca ou doce. É a casta branca que mais se beneficia da fermentação em barrica e do estágio em madeira, além disso, a fermentação malolática normalmente é bem vinda.
Seus vinhos podem variar em acidez e corpo, como em frescor e untuosidade. Em climas frios (Chablis e Margaret River) possui acidez e estrutura destacadas. Nas regiões mais quentes, apresenta-se com aromas e sabor mais intensos e acidez média. Os melhores vinhos apresentam acidez levemente destacada com o álcool bem integrado numa estrutura complexa e elegante. A textura é envolvente e, muitas vezes pode ser untuosa com corpo médio para maior.
Como a maioria das castas, a Chardonnay pode ser apresentada sozinha (varietal) ou em cortes (assemblages). Apesar dos vinhos varietais serem maioria absoluta para essa casta, os cortes mais freqüentes são com a Pinot Noir e Pinot Meunier (para criar o Champagne), com a Ribolla, Trebbiano e Vermentino (Itália) e com a Verdejo (Espanha).
Pode ser degustada jovem ou não; tudo depende da região e do estilo do vinho que o produtor quis apresentar. Mas somente os melhores vinhos merecem ser guardados. Nessa linha temos: até 05 anos (vinhos mais simples), de 03 a 07 anos (chilenos, australianos, californianos), de 07 a 15 anos (Borgonha, Beaune), de 07 a 20 anos (Borgonha, Chablis),
Porém, muito cuidado. Essa facilidade em cultivar e vinificar essa casta vem apresentando ao mundo uma enorme quantidade de vinho sem personalidade, com excesso de madeira, super maduros e enjoativos.
Na França, os principais vinhos estão entre os melhores do mundo. Cada sub-região apresenta características particulares: Montrachet (intensos, longevos, apaixonantes), Puligny-Montrachet (estruturado, saboroso e fresco), Chassagne-Montrachet (mais noturno), Meursault (amanteigado e frutas secas), Corton-Charlemagne (mais mineral).
 Em Chablis, tudo é muito diferente, o clima é mais frio e o solo calcário já foi leito de mar. O resultado só poderia ser um, vinhos espetaculares, soberbos. Chablis não se copia, aqui a Chardonnay tem outra personalidade. Mineral, rochoso, com aroma de feno verde, imortal. Sem dúvida alguma, tudo que um vinho branco gostaria de ser;
 Há ainda na Borgonha, o Pouilly-Fuissé, com vinhos diferentes, encorpados por longa maturação. Muito interessantes e robustos;
Em maio teremos um Roteiro de viagem pela Borgonha e certamente a origem da casta poderá ser melhor entendida. Venha provar a Chardonnay numa de suas melhores criações.

Nenhum comentário:

Postar um comentário