segunda-feira, 7 de novembro de 2016

“ VINHOS VERDES – ALVARINHOS ” –  A Região do Vinho Verde estende-se por todo o noroeste de Portugal, na zona tradicionalmente conhecida como Entre-Douro e Minho. Nas sub-regiões de Monção e Melgaço é produzido um vinho branco de excepcional qualidade – o ALVARINHO.
A Sub-Região de Monção e Melgaço desfrutam de um microclima muito especial, com exposição atlântica e um clima caracterizado por elevada pluviosidade, umidade atmosférica, temperatura amena e pequenas amplitudes térmicas, o que confere ao vinho Alvarinho características únicas.
Monção e Melgaço são vilas com mais de 700 anos de História, adornadas com magníficos castelos, entre eles o castelo de Monção e o castelo de Melgaço, que defenderam o território desde a conquista da independência portuguesa. A vila de Monção é um território com tradição no cultivo da vinha. Segundo diversos autores, o fato do foral de Afonso III, de 12 de Março de 1261, reconhecer a posse das vinhas aos habitantes de Monção, indica-nos a importância da vila naquela época e da própria produção vinícola.
O Minho viveu em 2014 uma das mais apaixonadas querelas rurais dos últimos anos, a propósito do alargamento da menção da casta Alvarinho a toda a região dos Vinhos Verdes. A Assembléia da República e a Comissão Européia envolveram-se nos combates. Após dura negociação, Monção e Melgaço tiveram de ceder os privilégios aos seus vizinhos. A exclusividade de Monção e Melgaço na produção de vinhos Alvarinhos acabará dentro de seis anos, mas isto é assunto para outro artigo.
v A CASTA ALVARINHO - Famosa pelos Vinhos Verdes portugueses, a Alvarinho é chamada de Albariño, na Espanha, onde dá origem aos vinhos brancos de maior prestígio da Galícia, na denominação de origem Rías Baixas. Originária do noroeste da Península Ibérica, mas cultivada também em outros lugares do mundo, tem produzido bons vinhos na Califórnia, e andou sendo muito confundida, na Austrália, com a francesa Savagnin Blanc.
Na realidade, são muitos os nomes pelos quais essa casta é conhecida: Alvarinho, Albariño, Albarina, Alvarin Blanco, Alvarinha, Azal Blanco, Galego, Galeguinho...
Utilizada originalmente em vinhos de corte, a Alvarinho tem sido usada em vinhos varietais leves e frescos, com teores alcoólicos relativamente elevados, bom corpo, e com uma acidez equilibrada. É medianamente vigorosa mas bastante rústica, com um elevado índice de fertilidade, apresenta com frequência 3 inflorescências por floração, dando origem a cachos muito pequenos, alados e medianamente compactos, o que a torna uma casta pouco produtiva.
A casta exige terrenos secos para potencializar a qualidade do vinho a que dá origem, sendo uma casta precoce no abrolhamento e na maturação. Produz mostos muito ricos em açúcares e, apresenta um razoável teor em ácidos orgânicos.
Os aromas mais associados a Alvarinho são os frutados do marmelo, banana, pêssego, limão, maracujá e lichia, os florais da violeta e flor de laranjeira, os amendoados da avelã e noz, e o aroma caramelizado de mel e erva-cidreira. Tem um enorme potencial de envelhecimento, conseguindo viver em perfeita saúde até completar, pelo menos, dez anos de idade. Como se vê, são aromas distintos e complexos, que conseguem ser intensos e delicados ao mesmo tempo.
A casta Alvarinho dá corpo a vinhos únicos e facilmente identificáveis, de personalidade e temperamento forte. É uma casta vigorosa, que obriga a alguma prudência no controle do ímpeto vegetal, sendo, porém, uma casta pouco produtiva, com cachos pequenos e elevada proporção de sementes.
Persistentes no sabor, os vinhos produzidos com a uva Alvarinho harmonizam muitíssimo bem com pratos de peixes e frutos do mar, saladas, aves, e gastronomia oriental. E são uma escolha muito boa para aperitivos em geral, além de surpreenderem quando harmonizados com pratos à base de creme de leite.
De fato, Alvarinho, ou Albariño, tem sido considerado um vinho universal, que vai bem com comida, ou mesmo sozinho. Um bom varietal de Alvarinho, em Portugal, provavelmente não terá nenhuma agulha, resultando em um vinho tranquilo e elegante. Já os cortes Alvarinho/Trajadura, normalmente terão uma leve sensação frisante, assemelhando ao restante dos Vinhos Verdes.
Vale lembrar que há também adaptações ao gosto do consumidor - o famoso Alvarinho Deu La Deu produz versões diferentes para o mercado português e para o mercado brasileiro. Em Portugal, não espere encontrar nenhuma sensação frisante no vinho. Já a versão brasileira vem com gás adicionado, para atender a expectativa do consumidor local.
No caso de cortes, o mais comum é Alvarinho (60%) e Trajadura (40%), como por exemplo, o Muralhas de Monção (da Adega de Monção), e o Adoraz (da Quinta de Alderiz).

v DICAS DE CONSUMO DE ALVARINHOS - Os monovarietais de alvarinho de Monção & Melgaço distinguem-se pela sua riqueza aromática, elegância e complexidade no sabor, por ser um vinho de corpo inteiro, com teores alcoólicos relativamente elevados e com uma acidez equilibrada. O Vinho Alvarinho caracteriza-se por apresentar uma cor intensa, palha, com reflexos citrinos, aroma intenso, distinto, delicado e complexo, sendo o sabor complexo, macio, redondo, harmonioso, encorpado e persistente.

v SUGESTÕES DE CONSUMO - O vinho Alvarinho é um vinho de corpo inteiro adequado a diversas ocasiões. É um vinho excelente para diferentes combinações gastronômicas, desde pratos de peixe, mariscos, saladas, carnes de aves, queijos e gastronomia oriental, sem nunca esquecer a nossa gastronomia tradicional.
Mas o consumo de Alvarinho não se resume à associação com a gastronomia. O vinho Alvarinho é perfeito para diversos momentos ao longo do dia, como uma simples descontração e relaxamento ao final de um dia de trabalho, momentos de confraternização com amigos ou mesmo celebrar uma ocasião especial com um espumante de Alvarinho.

v UMA TAÇA ESPECÍFICA? - A escolha adequada da taça onde beber um Alvarinho é fundamental para que o consumo se torne numa experiência sensorial inigualável. Os enólogos da região após uma análise criteriosa definiram o copo ideal para o consumo de Alvarinho.
Caso não tenha a oportunidade de consumir o alvarinho na taça oficial da casta, opte por consumir numa taça com alguma capacidade para permitir bom contato com ar, podendo assim descobrir a riqueza aromática que caracteriza os monovarietais de Alvarinho.
Se pretender desfrutar de um fabuloso espumante de alvarinho opte uma taça tipo Flûte, indicada para o consumo de espumantes.

v A TEMPERATURA IDEAL DE CONSUMO - A temperatura correta também é fundamental para você tirar todo o partido da riqueza aromática da casta alvarinho, sendo a temperatura aconselhada entre 10º e 12º C.

v BEBE-SE ALVARINHO MADURO? – Em abril de 2015 tive a oportunidade de conduzir uma degustação vertical de Alvarinho Soalheiro das safras 1999, 2005, 2009 e 2013. Este vinho está sempre nas listas dos melhores Alvarinhos de Portugal elaboradas pela imprensa especializada. É proveniente da sub-região de Melgaço, que produz excelentes vinhos verdes. Delicioso, cheio de charme e frescor, mais encorpado e complexo do que os outros vinhos verdes, estes alvarinhos foram mostrando como a elegância evolui ao longo da guarda. Dos aromas frescos cítricos e de frutas brancas, fomos evoluindo para aromas de frutas secas, ervas e chás, criando um mosaico surpreendente e que garante que os vinhos Alvarinhos podem muito bem envelhecer.

v COMO FICAM OS ALVARINHOS BARRICADOS ? – Apesar de na sua origem ser um vinho leve e jovem sem passagem por madeira, alguns produtores começaram a criar Alvarinhos barricados. Pode ter sido por iniciativa própria dos produtores para avaliar como o vinho ficaria, pode ser por conta de existirem alguns exemplares pelo mundo afora que adotaram esta condição e são belos vinhos.
            Entre estes exemplares chama atenção o Albariño da Bouza, um varietal elaborado 100% com a casta no Uruguai e que mostra como a casta de internacionalizou. Neste vinho uma parcela de 15% do volume estagiou em barricas de carvalho francês, conforme informa o site da Bodega Bouza. O vinho permanece por três meses em contato com as borras. O vinho tem aromas com boa complexidade, com notas de frutas brancas, cítricas e herbáceas, toque mineral e no fundo algo lembrando mel ou melado. No paladar o vinho é untuoso, e tem bela acidez, com notas cítricas e de frutas brancas. Um vinho agradabilíssimo e gastronômico.
A Alvarinho, sendo uma das melhores castas brancas do mundo, tem excelente potencial para envelhecimento em barrica. No entanto, ele deixam de ser vinhos leves, frescos, para o verão, para se tornarem vinhos complexos, untuosos, não tão refrescantes, ficam próprios para harmonizações mais consistentes. Em Portugal Anselmo Mendes faz um excelente Alvarinho barricado com passagem por 6 meses em barricas francesas. Um vinho com a madeira muito bem integrada. Untuoso em boca, com acidez e mineralidade que lhe conferem garra e grande classe e que mostra que Alvarinhos Barricados podem ser excelentes opções em brancos para pratos mais elaborados

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