“ VINHOS MADUROS ” – Para desespero da Marina (minha
esposa) é comum eu comprar duas garrafas de cada vinho. É o receio de que vinho
seja tão bom que eu não teria uma segunda garrafa a mão, para continuar
bebendo, ou que a primeira tivesse algum defeito e fosse necessário dar uma
segunda chance ao vinho !
Com o tempo a adega foi ficando cheia e é um
prazer re-encontrar rótulos que ficaram a espera de serem degustados. Só assim
podemos atender a pedidos para degustar vinhos de safras antigas.
O mercado oferece uma gama de vinhos dos mais
diferentes tipos, estilos e terroirs, mas a predominância é de produtos jovens,
prontos para o consumo logo após sua produção. Os amadurecidos descansam nas
adegas contando os segredos da passagem do tempo, por anos até atingirem seu
ápice, com agregação de complexidade de aromas e sabores, além de maciez e
elegância. Nos vinhos brancos aparecem os tons dourados e as notas
condimentadas, lembrando as frutas secas e as vezes de caramelo. Nos vinhos
tintos, o rubi intenso e profundo evolui para tons mais claros como vermelho
granada e aparecem notas de defumados, couro, trufas e terra molhada nos
aromas.
Os grandes vinhos precisam de tempo para
mostrar todo o seu potencial e, se abertos antes do tempo, ainda em sua
juventude, costumam mostram taninos duros e acidez excessiva, sem a harmonia e
equilíbrio esperados.
Há puristas que diferenciam o vinho velho do
vinho maduro, entendendo como velho, um vinho que já teve dias melhores,
caminhando para o seu ocaso, estando numa fase decadente da sua vida. Por outro
lado, maduro seria um vinho de uma safra mais antiga, e que ainda se encontra
na curva ascendente ou no seu ponto ideal para ser bebido. São vinhos que
precisam de algum tempo em barricas de carvalho e na garrafa, com cerca de 10
anos, pois caso contrário estaríamos abrindo um vinho que sequer conseguiu
harmonizar-se.
Algumas uvas tem caráter único para produzir
grandes vinhos na maturidade. Nas brancas temos a Riesling, a Grünner Veltiner
e a Semillon que produzem vinhos excepcionais apreciados após 10 anos de
evolução. Os Riesling, de preferência alemães, alsacianos, neozelandeses, ou
australianos e Grünner Veltiner (austríacos) e a Semillon, que na Austrália
alcança sua plenitude depois de 10 anos de garrafa pelo menos.
Nos tintos, o segredo para a longevidade está
nos taninos. Castas tânicas têm portanto, grande capacidade de evolução. Ao
longo do tempo, enquanto o vinho evolui na garrafa, desenvolvem-se novas
estruturas aromáticas que enriquecem o aroma e sabor de vinhos maduros. Há
grande potencial de envelhecimento nas tintas Baga, Tannat, Syrah, Cabernet
Sauvignon, Aglianico, Taurassi, Basilicata, Nebbiolo, os cortes de Amarones, e
ainda a Malbec.
Neste ano, ao longo das degustações com as
Confrarias tivemos oportunidades de degustar grande vinhos maduros: Clos de
Vougeot Lamarche 1994, Les Fiefs de Lagrange 1998, Borolo Porta Rossa 1997, Pêra
Manca 1995, e recentemente um australiano Tyrrel´s Botrytis 1993. Isto sem
falar em Portos históricos de 1864, 1815 e um Madeira 1810 !!!
Mas como o ano não acabou é ainda há boas
confraternizações pela frente, já estão convocados vinhos de 1988, 1993 e 1997.
Na semana que vem conto como eles se comportaram nas degustações. Saúde !
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