Com a idéia de melhorar sempre o que fazia na vinícola, novas técnicas foram experimentadas tais como o controle de temperatura durante a fase de fermentação. Assim, seu pioneirismo foi mudando a forma de trabalhar da vinícola e passou a ser seguido por outros produtores de Barolo.
Um dos objetivos era o de obter taninos macios e menos amargos, criando um vinho fácil de ser entendido e degustado, sem perder sua personalidade, agregando ao mesmo tempo elementos derivados destas experimentações “modernas” com traços tradicionais da região, que muitas vezes eram desprezados pela nova enologia. Assim sendo, focou o seu trabalho no vinhedo, reduzindo drasticamente os rendimentos das vinhas buscando obter a concentração que desejava. Passou a usar o carvalho da Eslavônia no afinamento dos vinhos, encontrando um precioso equilíbrio entre o moderno e o tradicional, resultando num Barolo que expressa o terroir e ao mesmo mostra com grande personalidade uma harmonia digna de nota.
Elisa Scavino, filha de Enrico, formada em enologia, responsável pela agricultura e viticultura na vinícola, veio ao Brasil apresentar seus vinhos e esteve em BH no último dia 30 de julho, quando mostrou alguns de seus rótulos para um pequeno grupo de jornalistas num almoço no Restaurante Trindade, e depois esteve na ABS-Minas degustando seus rótulos com sommeliers e alunos.
Aqui resumo as notas de degustação dos vinhos que provei:
● Paolo Scavino Langhe Bianco 2011 – Blend de uvas “importadas” para o Piemonte, com Sauvignon blanc (70%) e Chardonnay (30%). Um vinho de muita austeridade, onde não há nada de frutas tropicais como abacaxi, manga, melão ou maracujá, mas muita elegância e complexidade, com nota muito mais mineral do que frutado. No paladar mostra um toque cítrico, bom frescor e perfil adequado para gastronomia. Nada de madeira, apesar que ter um nariz de especiaria doce que faria supor passagem com barrica. Fez bela harmonia com o creme de baroa, cogumelos e frutos secos junto com o peixe do dia com pupunha e purê de banana, servido no Restaurante Trindade.
● Paolo Scavino Barbera d’Alba 2011 – Elisa considera a casta Barbera como uma uva feminina, com muitos aromas de fruta escura fresca, com excelente acidez. No Piemonte, a Dolcetto tem acidez baixa, é macia, mas geralmente é mais tânica que a Barbera. Este é um vinho fácil de beber e gostar, feito a partir de videiras com idade de 20 anos em média. Nariz floral, boa intensidade de fruta escura fresca e nota de especiarias como pimenta-do-reino preta, cravo e noz moscada. No paladar se mostra macio, com taninos agradáveis. Como bem falou Elisa, “Mesmo na simplicidade, há alguma complexidade !” Fez excelente par com o Porquinho Prensado com mini legumes orgânicos.
● Paolo Scavino Barolo DOCG 2008 - as uvas para este Barolo vem de três comunas e seis crus: Castiglione Falletto (Vignolo, Rocche Moriondino, Altenasso), Barolo (Vignane, Terlo, Albarella), Serralunga d’Alba (San Bernardo, com caráter masculino, potente e musculoso). Cada parcela é vinificada separadamente, segundo o padrão da vinícola (controle de temperatura, maceração longa, leveduras nativas) e fazendo o corte posterior (em geral durante o inverno) buscando o equilíbrio e balanço do vinho, sem perder de foco a sua personalidade. Apesar do estilo macio e sedoso dos Barolos de Enrico ser perceptível, o vinho mostra um nariz de nebbiolo, rico no nariz, com notas de frutas negras, mineral (mina de lápis, grafite), nítido chocolate amargo, alcatrão, cogumelo e terra molhada. No paladar mostra a dualidade da força e delicadeza, certa rusticidade e a justa maciez. Um vinho de boa acidez, taninos perceptíveis (que não chegam a incomodar) e longo final. Ainda é jovem, e merece ficar para guarda.
● Paolo Scavino Barolo Bric dël Fiasc DOCG 2005 – safra na qual os vinhos de forma geral são macios e mais fáceis do que o é comum encontrar nos Barolos. No nariz fica fácil perceber a fruta escura madura, e com o tempo na taça aparecem os cogumelos, alcaçuz, e alcatrão. No paladar mostra-se intenso, com taninos finos e macios, com boa concentração, sem ser pesado por conta da bela acidez. Boa harmonia e equilíbrio, sem perder a personalidade e tipicidade do melhor dos Barolos. Os vinhos da PAOLO SCAVINO são importados para o Brasil pela World Wine.
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