● “ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “ FICUS,
NÃO É SÓ FIGUEIRA, MAS PODERIA SER BEM MAIS “ ‘’As figueiras, também
conhecidas como fícus, são plantas, geralmente árvores, do gênero Ficus, da
família Moraceae. Há cerca de 755 espécies de figueiras no mundo, especialmente
em regiões de clima tropical e subtropical e onde haja presença de água. O
gênero Ficus é um dos maiores do Reino Vegetal’’. Não, definitivamente não se trata de
um texto sobre biologia ou morfologia, é simplesmente uma forma de homenagear o
que mais chama a atenção e, principalmente, dá nome ao restaurante que aqui
será comentado. Já estive no Ficus algumas vezes, a primeira, antes da entrada
de Mauro Bernardes e as outras três, após. Por mais estranho que possa parecer,
comi melhor no meu debut. Não posso dizer que o chef tenha contribuído para que
a casa piorasse, muito menos que sirva pratos ruins, somente tenho condições de
afirmar que a impactante mudança ocorrida no comando da cozinha não fez com que
o restaurante desse um salto de qualidade e criatividade, o que seria
amplamente esperado diante do sucesso que Mauro Bernardes teve à frente do seu
extinto Aurora.
A decoração do restaurante, simples
e com predomínio de um vermelho bastante escuro, divide opiniões: uns acham o
conjunto exagerado ou excêntrico, outros já consideram que ali há criatividade.
Eu fico no meio termo e digo que o que há de mais bonito é o grande Ficus que
se encontra exatamente na entrada da casa. De qualquer maneira, pode-se dizer
que os dois ambientes – interno e externo – são confortáveis, elegantes, mas
sem algum outro destaque que encha os olhos.
Com exceção da enorme insistência em
oferecer-nos água, extremamente cansativa e que vem se tornando regra, fui bem
atendido em todas as vezes que estive no restaurante: dúvidas foram sanadas com
exatidão, não houve demora nem desleixo no atendimento e o serviço foi feito
com eficiência. Não que o Ficus tenha uma brigada de salão exemplar e
irrepreensível, porém, para o que se propõe é totalmente adequada e
satisfatória.
Posso dizer que o cardápio da casa
mescla influências francesas e italianas com pitadas de ingredientes
brasileiros. Definições à parte, os ótimos pastéis de shitake com molho chutney
(R$ 14,00), crocantes e muito saborosos, bem como o excelente queijo brie morno
com melado, amêndoas e torradas (quentinhas e deliciosas), abrem bem os
serviços e são um convite aos pratos principais. Infelizmente, creio que o
nível das entradas não foi mantido e, apesar do badejo com gratin de batatas e
arroz negro (R$79,00) ter sido servido bastante correto, faltou-lhe ousadia no
tempero. O mesmo ocorreu com a cavaquinha grelhada na chapa com molho de ervas
(R$ R$ 79,00), acompanhada de risoto de tomatinhos e mascarpone que, mesmo
estando com pontos de cocção acertados, faltou ao conjunto melhor apuro no
tempero e maior entrosamento e ligação entre os ingredientes. De todos os
pratos provados, o atum em crosta de gergelim com molho de jabuticaba, batatas
coradas e alho poró crocante é, em minha opinião, o mais acertado. O molho,
inusitado e saboroso, combina bem com o peixe, já a crocância do alho poró
proporciona uma boa combinação de texturas com o restante dos ingredientes.
Dentre as sobremesas não houve nada
que chamasse a atenção. A cestinha de mascarpone com doce de leite e sorvete
(R$ 14,00) caiu bem, porém, estava mais doce do que o ideal. Já o cheesecake
com calda de frutas vermelhas (R$ 16,00) mostrou-se pesado e pouco saboroso.
Fica a impressão que Mauro Bernardes e sua equipe devem dedicar mais atenção
aos doces, tanto na elaboração de alternativas mais criativas, quanto no apuro
técnico de sua preparação.
Na carta de vinhos não há nada a se ressaltar. Neste
quesito, a maioria dos restaurantes de Belo Horizonte é bem parecida e o Ficus
segue a corrente. Há rótulos da maioria dos países produtores, copos adequados,
nenhuma grande garrafa e margem na faixa dos 100%. Enfim, nada que surpreenda
ou frustre o enófilo.
Em resumo, posso dizer (substituir) que o Ficus é um bom
restaurante, oferece opções a diversos paladares, tem um atendimento
satisfatório e um ambiente agradável e bonito, porém, (nada que se destaque na preparação dos
pratos ou que deixe uma deliciosa lembrança, ficando, no final, o gostinho de
que a casa cobra mais do que oferece).
Avaliação: • Atendimento:
12,50 / 15,00
• Apresentação
e Estrutura da casa: 13,00 / 15,00
• Comida:
32,50 / 40,00
• Cartas
(cardápio e vinhos/bebidas): 9,50 / 13,00 e 4,00 / 7,00
• Proposta/execução/criatividade:
7,50 / 10,00
Total: 79,00
Legenda: *** (extraordinário)- entre 96 e
100 pontos; **+ (extraordinário) - igual a 95 pontos;
** (excelente) - entre 90 e 94 pontos; *+ (excelente) -
igual a 89 pontos; * (muito bom) - entre 84 e 88 pontos. SERVIÇO: Restaurante Fícus - Rua Felipe dos Santos, 162 – Lourdes.
Telefone: (31) 3225-4007 - Horário de funcionamento: Terça-feira a quinta-feira
– das 18hs. à 0h. I Sexta-feira e sábado – das 18hs. à 1h. I Domingo – das
12hs. às 17hs. Aceita todos os cartões de crédito. Contatos com: Felipe Vieira Modad
Victoria – E-mail: felipebrg@hotmail.com
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