segunda-feira, 19 de agosto de 2013

“ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “ FICUS, NÃO É SÓ FIGUEIRA, MAS PODERIA SER BEM MAIS “

● “ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “ FICUS, NÃO É SÓ FIGUEIRA, MAS PODERIA SER BEM MAIS “ ‘’As figueiras, também conhecidas como fícus, são plantas, geralmente árvores, do gênero Ficus, da família Moraceae. Há cerca de 755 espécies de figueiras no mundo, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical e onde haja presença de água. O gênero Ficus é um dos maiores do Reino Vegetal’’. Não, definitivamente não se trata de um texto sobre biologia ou morfologia, é simplesmente uma forma de homenagear o que mais chama a atenção e, principalmente, dá nome ao restaurante que aqui será comentado. Já estive no Ficus algumas vezes, a primeira, antes da entrada de Mauro Bernardes e as outras três, após. Por mais estranho que possa parecer, comi melhor no meu debut. Não posso dizer que o chef tenha contribuído para que a casa piorasse, muito menos que sirva pratos ruins, somente tenho condições de afirmar que a impactante mudança ocorrida no comando da cozinha não fez com que o restaurante desse um salto de qualidade e criatividade, o que seria amplamente esperado diante do sucesso que Mauro Bernardes teve à frente do seu extinto Aurora.
A decoração do restaurante, simples e com predomínio de um vermelho bastante escuro, divide opiniões: uns acham o conjunto exagerado ou excêntrico, outros já consideram que ali há criatividade. Eu fico no meio termo e digo que o que há de mais bonito é o grande Ficus que se encontra exatamente na entrada da casa. De qualquer maneira, pode-se dizer que os dois ambientes – interno e externo – são confortáveis, elegantes, mas sem algum outro destaque que encha os olhos.
Com exceção da enorme insistência em oferecer-nos água, extremamente cansativa e que vem se tornando regra, fui bem atendido em todas as vezes que estive no restaurante: dúvidas foram sanadas com exatidão, não houve demora nem desleixo no atendimento e o serviço foi feito com eficiência. Não que o Ficus tenha uma brigada de salão exemplar e irrepreensível, porém, para o que se propõe é totalmente adequada e satisfatória. 
Posso dizer que o cardápio da casa mescla influências francesas e italianas com pitadas de ingredientes brasileiros. Definições à parte, os ótimos pastéis de shitake com molho chutney (R$ 14,00), crocantes e muito saborosos, bem como o excelente queijo brie morno com melado, amêndoas e torradas (quentinhas e deliciosas), abrem bem os serviços e são um convite aos pratos principais. Infelizmente, creio que o nível das entradas não foi mantido e, apesar do badejo com gratin de batatas e arroz negro (R$79,00) ter sido servido bastante correto, faltou-lhe ousadia no tempero. O mesmo ocorreu com a cavaquinha grelhada na chapa com molho de ervas (R$ R$ 79,00), acompanhada de risoto de tomatinhos e mascarpone que, mesmo estando com pontos de cocção acertados, faltou ao conjunto melhor apuro no tempero e maior entrosamento e ligação entre os ingredientes. De todos os pratos provados, o atum em crosta de gergelim com molho de jabuticaba, batatas coradas e alho poró crocante é, em minha opinião, o mais acertado. O molho, inusitado e saboroso, combina bem com o peixe, já a crocância do alho poró proporciona uma boa combinação de texturas com o restante dos ingredientes.
Dentre as sobremesas não houve nada que chamasse a atenção. A cestinha de mascarpone com doce de leite e sorvete (R$ 14,00) caiu bem, porém, estava mais doce do que o ideal. Já o cheesecake com calda de frutas vermelhas (R$ 16,00) mostrou-se pesado e pouco saboroso. Fica a impressão que Mauro Bernardes e sua equipe devem dedicar mais atenção aos doces, tanto na elaboração de alternativas mais criativas, quanto no apuro técnico de sua preparação.
Na carta de vinhos não há nada a se ressaltar. Neste quesito, a maioria dos restaurantes de Belo Horizonte é bem parecida e o Ficus segue a corrente. Há rótulos da maioria dos países produtores, copos adequados, nenhuma grande garrafa e margem na faixa dos 100%. Enfim, nada que surpreenda ou frustre o enófilo.
Em resumo, posso dizer (substituir) que o Ficus é um bom restaurante, oferece opções a diversos paladares, tem um atendimento satisfatório e um ambiente agradável e bonito, porém,  (nada que se destaque na preparação dos pratos ou que deixe uma deliciosa lembrança, ficando, no final, o gostinho de que a casa cobra mais do que oferece).
Avaliação: •   Atendimento: 12,50 / 15,00
•           Apresentação e Estrutura da casa: 13,00 / 15,00
•           Comida: 32,50 / 40,00
•           Cartas (cardápio e vinhos/bebidas): 9,50 / 13,00 e 4,00 / 7,00
•           Proposta/execução/criatividade: 7,50 / 10,00
Total: 79,00
Legenda: *** (extraordinário)- entre 96 e 100 pontos; **+ (extraordinário) - igual a 95 pontos;

** (excelente) - entre 90 e 94 pontos; *+ (excelente) - igual a 89 pontos; * (muito bom) - entre 84 e 88 pontos. SERVIÇO: Restaurante Fícus - Rua Felipe dos Santos, 162 – Lourdes. Telefone: (31) 3225-4007 - Horário de funcionamento: Terça-feira a quinta-feira – das 18hs. à 0h. I Sexta-feira e sábado – das 18hs. à 1h. I Domingo – das 12hs. às 17hs. Aceita todos os cartões de crédito. Contatos com: Felipe Vieira Modad Victoria – E-mail: felipebrg@hotmail.com

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