sábado, 2 de fevereiro de 2013

LENDAS ENTORNO DO VINHO

LENDAS ENTORNO DO VINHO
Costumo dizer nos cursos de vinho que venho desenvolvendo há 17 anos, que não conheço uma bebida que tenha o seu aparecimento ligado a tantas lendas. O interessante de muitas delas, é que no fundo todas têm um pouco de verdade !
A primeira delas vem sob a forma de uma lenda grega que atribui a descoberta da videira a um pastor, Estáfilo, que, ao procurar uma cabra perdida, a foi encontrar comendo uvas. Colhendo os frutos dessa planta, até então desconhecida, levou-os ao seu patrão, Oinos, que deles extraiu um suco cujo sabor melhorou com o tempo. Por isso, em grego, a videira designa-se por staphyle, e o vinho por oinos.
Na Pérsia, a origem do vinho era também lendária: conta-se que um dia, quando o rei Djemchid se encontrava deitado à sombra da sua tenda, observando o treino dos seus arqueiros, foi o seu olhar atraído por uma cena que se desenrolava próximo: uma grande ave contorcia-se envolvida por uma enorme serpente, que lentamente a sufocava.
O rei deu imediatamente ordem a um arqueiro para que atirasse. A flechada certeira penetrou na cabeça da serpente, sem que a ave fosse atingida. Uma vez livre, voou até aos pés do soberano, e aí deixou cair umas sementes, que este mandou semear. Delas nasceu uma viçosa planta que deu frutos em abundância.
O rei bebia frequentemente o suco desses frutos. Um dia, achando-o amargo e com cheiro forte, colocou-o a parte e alguns meses mais tarde, uma bela escrava, favorita do rei, encontrando-se possuída de fortes dores de cabeça, desejou morrer. Tendo descoberto o suco posto de parte, e supondo-o venenoso, bebeu dele. Dormiu “como uma pedra” e acordou curada e feliz. A notícia chegou aos ouvidos do soberano, que promoveu o vinho à categoria de bebida do seu povo, batizando-o  Darou-é-Shah « o remédio do rei ».
Quando Cambises, descendente de Djemchid, fundou Persépolis, os viticultores plantaram vinhas em redor da cidade, as quais deram origem ao célebre vinho de Shiraz.  A vinha era objecto de enormes cuidados, e o mosto fermentava em grandes recipientes de 160 litros, os guarabares. Foi este vinho que ajudou a dar coragem aos soldados de Cambises na conquista do Egito!
Conta uma lenda romana que Baco, o deus do vinho - também conhecido por Dionísios - encontrou certo dia uma planta muito delicada e pequenina. Como ela era ainda muito nova e frágil, colocou-a dentro de um osso de pássaro para protegê-la. Porém, como a planta começou a crescer e o osso ficando pequeno, colocou-a em um osso maior, dessa vez de leão. Continuando a crescer, a planta necessitava de um lugar ainda maior. Baco colocou-a dentro de um osso de burro.
Adulta, a planta deu frutos, as uvas Sua contínua dedicação àquela experiência, conduziu-o à descoberta do modo de transformar uvas em um vinho delicioso. Foi aí que nasceu o vinho, com a qualidade dos seres que haviam participado de seu desenvolvimento, o pássaro, o leão, o burro, que correspondem à ALEGRIA, FORÇA E ESTUPIDEZ , o que nos lembra dos estados que quem o bebe acaba vivendo!
É impossível precisar local e data de origem do vinho, mas o mais provável é que tenha aparecido na região do Cáucaso, onde hoje temos a Armênia. Como vimos, há diversas lendas cercando esta história. Uma das mais antigas está no Velho Testamento e conta que, depois de desembarcar os animais, Noé plantou uvas e descobriu o vinho. Tanto que, no Pentateuco, há uma passagem sobre Noé aparecendo nu em sua tenda, numa alusão à bebedeira. Lenda ou não, isso reforça a hipótese que o vinho teria surgido no Cáucaso, pois a arca parou nas montanhas dos Ararat, um local entre a Turquia e a Armênia atuais.
Independente de suas verdades ou não há uma certeza: o vinho traz alegria a alma e ao coração !!!

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