segunda-feira, 29 de julho de 2013

2012 – COMO SERÁ A SAFRA NA FRANÇA ? – PARTE II

“ 2012 – COMO SERÁ A SAFRA NA FRANÇA ? – PARTE II”- De forma geral pode-se dizer que o ano de 2012 teve clima particularmente caprichoso na Europa, permitindo avaliar o trabalho meticuloso na condução dos vinhedos para obter bons resultados, face a difícil maturação das uvas, da seleção da colheita e o trabalho dos enólogos nas vinícolas.

Na França, no norte da Espanha e norte da Itália, no período da colheita, uma chuva inesperada surgiu após uma seca sazonal prolongada, retardando a maturação já atrasada pela falta de água dos últimos meses. Estive colhendo uvas em Bordeaux em 18 de setembro de 2012, e causou surpresa ainda estarmos colhendo a branca Semillon. A Merlot viria a ser colhida 10 dias depois e a Cabernet Sauvignon mais tarde ainda.
Assim, a maturação estendida além do normal, obrigou as vinícolas a diversas modificações na colheita, e os enólogos tiveram que usar de muita criatividade e experiência para obter boas vinificações. Em regiões como Chablis, as geadas tardias destruíram 50 a 60% dos brotos, chegando a até 80% em algumas parcelas, resultando numa safra de pequena produção e possivelmente altos preços.
A primavera muito úmida em Bordeaux, Rhône Sul gelado, um inverno extremamente seco no Languedoc, três quartos da produção da Borgonha, Provence e Saumur destruídos pela geada. Em resumo, nenhuma região fugiu ao rigor da metereologia e das doenças nos vinhedos, resultando em rendimentos mínimos e qualidade heterogênea dos vinhos.
Entretanto, nada está completamente perdido, pois a pequena produção pode resultar vinhos de ótima concentração e complexidade... Esperemos !!!

LANGUEDOC – “ Tintos precoces e Brancos fragrantes “ – um inverno muito frio e sobretudo, excepcionalmente seco, nõa impediu que o Languedoc tivesse uma safra com vinhos tintos que se mostram precoces e gourmands e brancos muito frescos e perfumados.
De forma geral a safra mostra vinhos deliciosos, para serem bebidos logo, pois estão prontos para dar prazer imediato e refrescante.

LOIRE – “ Os Grandes Sauvignon de Sancerre serão vinhos à parte “ – a primavera gelada e com geadas criou grandes baixas de produção, especialmente em Touraine. Em Abril e Maio houve nebulosidade constante, chuvas e clima fresco, criando uma floração difícil e atrasada; o calor e clima seco só apareceram em agosto e persistiram até setembro, permitindo recuperar parte do atraso no ciclo vegetativo. Que se favoreceu com colheitas precoces por conta da maturidade das castas em Muscadet, Touraine e Loire Central, obteve vinhos excepcionais, apesar de terem volumes reduzidos. Os vinhos serão perfumados e digestivos, com bom equilíbrio e menor teor de álcool.

PROVENCE – “ Um Ano Festivo em Coteaux d´Aix ” – A região produziu uma safra clássica para vinhos brancos. Os tintos terão bom frescor da fruta, e os melhores rótulos poderão melhorar com o tempo. Uma primavera fria, com presença de geadas devastaram uma boa parcela dos vinhedos, especialmente em Haut-Var, entre Brignoles e Cabasse, de Cassis a Roquefort-la-Bédoule, e depois um verão muito seco.
            Para garantir o frescor da safra para os brancos, e baixar os teores alcoólicos das terras quentes, a solução foi colher as uvas antes da maturidade plena. Alguns produtores resolveram criar vinhos mais ambiciosos, afinados em barricas de carvalho, onde conseguiram preservar a acidez, e que resultarão em vinhos soberbos quando bebidos nos próimos anos.
Em Bandol, a Mourvedre amadureceu lentamente permitindo criar um estilo mais fácil de beber que os corpulentos vinhos da safra de 2011. Os melhores tintos serão prazerosos e saborosos na sua juventude e bem equilibrados, sem excessos de álcool, o que costuma ser apreciado no Sil da França.

            Semana que vem continuamos o artigo, descrevendo a safra em outras regiões da França. As informações aqui relatadas tem fonte em visitas a produtores, cavistas e ainda na edição da Revue du Vin de France.


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