● “ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “OAK: BOA COMIDA E DELICIOSAS SOBREMESAS “ – Somente no OAK tive a oportunidade de conhecer o trabalho do chef carioca Bruno Albergaria, que antes de abrir seu próprio negócio, havia trabalhado em restaurantes nos EUA, Europa e, em terras mineiras, comandou a cozinha do Quinto do Ouro, restaurante sem muito destaque localizado no Ouro Minas Palace Hotel.
Aproveitando o ensejo e desviando um pouco do assunto principal deste texto, ressalto aqui o fato de que na rede hoteleira de Belo Horizonte não há restaurantes bons ou que mereçam algum destaque. Um desperdício, tendo em vista a grande demanda atual da cidade por boas mesas e confortáveis quartos. Já passou da hora de nossos principais hotéis oferecerem a seus hóspedes e à cidade, cozinhas mais competentes, criativas e elegantes.
A localização do Oak não poderia ser melhor, incrustado no coração do Lourdes, na Rua Curitiba, o restaurante está no burburinho gastronômico e social de Belo Horizonte, apresentando uma proposta que mescla bar e restaurante sem, no entanto, descuidar da qualidade da comida e da bebida como acontece em alguns estabelecimentos, que prezam mais a badalação.
A ambientação é bastante sóbria, prevalecendo o uso de madeira e vidro. Há um bonito jardim vertical que ocupa toda uma parede, desde o primeiro andar até o segundo e último. A casa tem três ambientes distintos, que por sua vez, distinguem as propostas adotadas pelo restaurateur e que também são adotadas pelo público. No ambiente interno, mais formal, o clima é de restaurante, enquanto nas mesas dispostas na calçada há um ar mais informal de bar e, na varanda, local que considero ser o mais agradável, tem-se o meio termo. Vale destacar que a trilha sonora do Oak é composta basicamente de música eletrônica e que mesmo no salão interno o volume é mais alto do que o desejável para um restaurante.
Ser bem atendido não é tarefa das mais fáceis, pior se a casa estiver com a maioria das mesas ocupadas. Em todas as vezes que lá estive o serviço se mostrou displicente e confuso. Creio que, num local em que o preço dos pratos ultrapassa facilmente os R$ 50,00, é de se esperar tratamento melhor e mais adequado.
Em contraposição ao serviço de sala, tudo o que saiu da cozinha estava, na pior das hipóteses, bom. Bruno Albergaria tem feito um hábil trabalho à frente dos fogões, executando muito bem todas as receitas que compõem o atraente cardápio do seu restaurante. Os aspargos em tempurá e creme trufado (R$ 38,00) estavam muito gostosos, crocantes e bem harmonizados com o creme. No mesmo nível, as trouxinhas thai de camarão (R$ 39,00) sempre estiveram muito bem temperadas, fritas e acompanhadas. Passando aos principais, o peixe branco – pargo – com creme de mandioquinha, mini legumes e limão siciliano (R$ 59,00), estava com ponto de cocção e temperos perfeitos e delicados. Outra boa pedida é o filé com aligot de batatas, cogumelos selvagens e molho bordelaise (R$ 64,00), em que todo o conjunto se mostrou bem integrado e aprazível. Bem abaixo estava o Atum experience (R$ 72,00). O prato que mescla três preparações do peixe – em crosta de nori com purê de raiz forte, niçoise e com foie gras e figo – decepcionou pela pouca gama de sabores apresentados e, principalmente, pela mediana execução da excelente idéia. Destaque da casa em todas as vezes que lá estive, as sobremesas são delicadíssimas, muito apetitosas e, qualquer que seja a escolha, surpreenderão positivamente. Sendo assim, é um alento saber que é possível fugir à regra, comum a tantos restaurantes, em que as sobremesas são sempre inferiores às entradas e pratos principais.
As louças, diferentes para cada prato servido, são criativas e bonitas, porém, pouco funcionais, tornando o manuseio de talheres e da própria refeição mais difícil, exigindo certa habilidade do comensal. Será que vale à pena sacrificar a funcionalidade por questões meramente estéticas? Com certeza, cabe a cada um julgar. Em minha opinião, não.
A carta de vinhos tem boas opções e oferece exclusivamente os rótulos das principais importadoras de Belo Horizonte, o que, obviamente, anula qualquer possibilidade de se encontrar alguma garrafa ou produtor diferente do que é comum se ver na maioria dos restaurantes da cidade. Os preços seguem o padrão habitual, ou seja, margem alta em relação ao preço de atacado das importadoras. O serviço do sommelier (Antônio), apesar de não comprometer foi, ora disperso, ora prolixo. De qualquer forma, tecnicamente o profissional é eficiente e foi simpático em todas as oportunidades que sua ajuda foi solicitada. Copos e decanters são adequados.
Enfim, mesmo cometendo deslizes no atendimento e tendo o preço levemente acima do que se poderia esperar, o Oak é uma boa opção para se experimentar uma cozinha criativa e que entrega, na maior parte das vezes, uma boa e bem apresentada comida. Não se esquecendo, claro, que se localiza no coração de Lourdes e dispõe de uma boa, bonita e confortável estrutura.
Avaliação:
• Atendimento: 10,00 / 15,00
• Apresentação e Estrutura da casa: 13,00 / 15,00
• Comida: 35,00 / 40,00
• Cartas (cardápio e vinhos/bebidas): 11,50 / 13,00 e 4,00/7,00
• Proposta/execução/criatividade: 8,00 / 10,00
Total: 81,50
Legenda: *** (extraordinário)- entre 96 e 100 pontos; **+ (extraordinário) - igual a 95 pontos;
** (excelente) - entre 90 e 94 pontos; *+ (excelente) - igual a 89 pontos; * (muito bom) - entre 84 e 88 pontos;
SERVIÇO: Oak - Rua Curitiba, 2164 – Lourdes - Telefone: (31) 2511-6694
Horário de funcionamento: Segunda-feira a quinta-feira – das 12hs às 15hs e das 18hs até o último cliente; sexta-feira e sábados– das 12hs até o último cliente; Domingos – das 12hs às 23hs. Aceita todos os cartões de crédito.