● Vinho da Semana 212017 - ● TARA ATACAMA – D.O. ATACAMA VALLEY VENTISQUERO - CHILE –
Apesar de cultivo muito trabalhoso, a região do Atacama possui qualidades que
ajudam a minimizar a ferocidade do deserto e tornam possível a produção de
uvas. As principais delas são a proximidade do mar – os vinhedos estão
localizados a apenas 22 quilômetros da costa – e a ausência da Cordilheira da
Costa na área, o que possibilita que os ventos do Pacífico tragam frescor e
alento ao clima escaldante. Ali, a natureza quase precisa de milagres para que o
verde consiga se manter em meio à impactante visão lunar de suas terras, porém,
como a uva vinífera não é muito chegada a excessos de água nem a solos
especialmente férteis, o deserto se tornou mais uma opção dentro da curiosa
geografia longilínea do Chile, repleta de extremos secos ou gelados. O nome do vinho foi inspirado no Salar de
Tara, um pedaço do Atacama que está longe do Vale de Huasco, onde se situa o
pequeno projeto da Ventisquero, a 22 kms do mar.
Essa ausência de
cordilheira também possibilita que a neblina costeira – conhecida como
Camanchaca –, característica das manhãs no litoral da região, adentre o vale e
amenize a incidência do sol. Nessas circunstâncias extremas, Tara conta,
atualmente, com pouco mais de 10 hectares de vinhedos, plantados numa densidade
de apenas 400 plantas por hectare e uma produção baixíssima, em média 300
gramas por pé, o que implica na produção ainda muito pequena de cada rótulo,
quase experimental.
Como se não bastassem
os desafios impostos pela natureza, entre elas os somente 20 mm de chuvas
anuais, os participantes do projeto se colocaram ainda mais desafios, como o de
produzir vinhos com o mínimo de intervenção possível, tanto no vinhedo como na
adega. As primeiras videiras plantadas em Huasco morreram sem cerimônia. O
problema é a salinidade no solo, que continua a ser uma questão em curso para a
saúde da videira e longevidade. A única máquina usada durante todo processo de
produção foi a de colocar as rolhas nos vinhos, o resto foi tudo o mais
artesanal possível. Desde a prensa das uvas (com os pés), passando
pelas
mais de 100 microvinificações, até a elaboração das amostras e dos blends e o
enchimento das garrafas na base da mangueirinha, tudo foi artesanalmente
elaborado pelos três enólogos: Felipe Tosso, Alejandro Galaz e Sergio Hormazábal,
e alguns poucos funcionários. Para se ter ideia, o projeto conta somente com
dois funcionários permanentes.
Devido ao clima
desértico, a irrigação constante é necessária, mas ocorre que tanto o solo
quanto a água da região possuem alta concentração de sal, assim, ao regar as
plantas, acabou-se por aniquilar as pequenas videiras pela salinidade extrema,
e para solução deste problema foi necessário a consultoria de um expert em irrigação.
● Notas
de Degustação: Cor
amarelo-citrino opaco, afinal não é filtrado. Os aromas predominantemente
minerais e herbáceos se mostram envoltos por notas vegetais, de frutas cítricas
e de brancas. No paladar possui bom ataque, com ótima textura e acidez
vibrante, que aporta intensidade ao conjunto, tudo num final profundo e
persistente, lembrando erva cidreira. Impressiona pela profundidade e
mineralidade, num produto de extrema finura. Consegue ter força, estrutura e
potência em harmonia com elegância e muita tensão.
● Estimativa de
Guarda: Creio que uma guarda
recomendada é de 5 anos, mas minha
recomendação é bebê-lo de imediato, porque já está pronto e aliás, muito bom.
● Notas de Harmonização: ótimo
para acompanhar crustáceos, moluscos, peixes e carnes brancas. Servir entre 6 e 8°C.
●
Onde comprar. Em BH a CANTU
é representada por Ana Paula Diniz –
Supervisora da Cantu Importadora I Tel.: (31) 98876-0694.





