segunda-feira, 24 de abril de 2017

O QUE ESTÁ POR TRAS DAS VINHAS VELHAS

 O QUE ESTÁ POR TRAS DAS VINHAS VELHAS “ – Para a maioria dos amantes de vinhos a designação “Vinhas Velhas” é uma garantia de qualidade em relação ao que será colocado na sua taça. Mas na realidade, as vinhas velhas são uma contradição.
Por um lado, cada vez mais são arrancadas em algumas regiões, devido à sua diminuta produção, que muitas vezes não compensa a sua manutenção. Por outro lado, cada vez são mais apreciados por alguns produtores, que nelas baseiam os seus melhores vinhos.


Que magia têm estas vinhas que criam um estilo diferenciado de vinhos? Quais são os detalhes que fazem toda a diferença num vinho de vinhas velhas e um outro vinho das mesmas castas vindo de uma vinha jovem?
Levando em conta que a apreciação dos vinhos passa por uma avaliação pessoal e portanto subjetiva, podemos dizer que boa parte das perguntas não têm uma resposta concreta. Mas afinal, quantos anos tem uma vinha velha?
Comecemos então pelo princípio: uma vinha só pode produzir uva para vinho depois de 3 (às vezes mais) anos de idade. Mesmo nos primeiros 6 a 8 anos de idade a maioria dos viticultores do Velho Mundo não considera a vinha apta à produção dos melhores vinhos sendo as vindimas normalmente conduzidas para produção dos segundos ou terceiros rótulos da vinícola. Depois do oitavo ano de produção a vinha tem um sistema radicular e uma estrutura aérea vegetativa estabilizadas e inicia a sua idade produtiva propriamente dita.
Entre os 20 e os 25 anos de idade é consensualmente aceito que a videira começa a produzir menos, iniciando a produção de uma uva de sabor mais concentrado. A partir deste ponto aceita-se que a videira começa a envelhecer. Mas podemos considerar que está velha?
Uma videira entre os 20 e os 50 anos de idade atravessa a idade adulta rumo à maturidade, mas os índices de produção e o tempo de vida ainda não permitem chamar-lhe “vinha velha”.
A partir dos 50 anos de idade o termo “vinha velha” pode-se aplicar sem receios de ferir qualquer conceito. À medida que a velhice vai avançando, a videira produz cada vez menos, mas normalmente estas uvas são muito equilibradas e intensas no aroma e sabor. A película da uva da vinha mais velha é normalmente mais espessa, tem mais taninos e a polpa tem mais sabor. Contudo estas vinhas velhas têm uma exploração dispendiosa e para muitas vinícolas, uma vinha velha pouco produtiva, poderá ser inviável do ponto de vista econômico.
Em relação as vinhas velhas, a decadência da vegetação traz um equilibro entre folhas e frutos. Os frutos aparecem em menor quantidade gerando bagos pequenos mas mais concentrados em aromas e sabores. O sistema radicular é mais amplo e permite um aprofundamento nas raízes que sobrevivem bem à falta de água e ao calor. Esse fenômeno gera uma maturação mais regular e total. Permite, igualmente, uma maior absorção das características do solo da região. A produção é regular ano para ano, tornando as safras muito homogêneas. O mercado aprecia a constância da qualidade.
Se considerarmos que por volta de 1850 a vitivinicultura mundial atravessou uma de suas piores crises – com regiões inteiras sendo devastadas pela praga da filoxera, que literalmente dizimou vinhas e chegou a levar algumas variedades de uva à extinção – é de se supor que as parreiras mais antigas não tenham muito mais de 150 anos.
Marcelo Retamal conta uma história: “Há uns 15 anos, fiz um vinho de um Cabernet Sauvignon no Chile que tinha mais de 150 anos. Era incrível ver essas parreiras. No entanto, o vinho não era bom. O Cabernet estava plantado em um lugar muito quente e isso não é bom para a variedade. Ou seja, vinhos de vinhedos antigos não são garantia de qualidade. Dependerá do terroir”.
Portanto, não tente levar em conta neste tema a questão “que panela velha é que faz comida boa!”
Quanto a questão qual é a vinha mais velha do mundo, três disputam o título de mais antigas do mundo. A primeira fica em Maribor, na Eslovênia. Estima-se que a “stara trta” (vinha velha em esloveno) tenha mais de 400 anos, e este fato está registrado no Guinness Book de Records como a videira mais antiga do mundo. É uma idade considerável e venerável, especialmente porque as vinhas de séculos anteriores foram expostas a várias doenças e muitas não sobreviveram. Ela produz entre 35 e 55 quilos da variedade Žametovka ao ano, que são vinificados para produzir pequenas garrafas dadas de presente para celebridades que visitam a cidade. Tive a oportunidade de visitá-la em 2015.
A segunda vinha a disputar o título de mais antiga fica na região do Tirol, na Itália. Os proprietários do secular Castel Katzenzungen dizem possuir a vinha mais antiga do planeta, chamada de Versoaln. Eles acreditam que ela tenha mais de 600 anos de existência, apesar de um estudo ter calculado a idade em 350 anos. Assim como a videira eslovena, ela produz pouco, cerca de 500 garrafas numeradas.

Em Portugal fica a terceira videira considerada mais antiga, com 500 anos, está plantada na Quinta do Louredo, na rota dos vinhos verdes, que resistiu a Napoleão, à filoxera e a duas grandes guerras. Com idade estimada entre 480 e 500 anos, fica no noroeste de Portugal, em Santa Leocádia de Geraz do Lima, cerca de 10 Km de Viana do Castelo. Esta videira é da casta Doçal, também conhecida por Borralho nesta região. Segundo estudiosos, “é uma casta tinta de qualidade média, pouco produtiva e irregular dada a susceptibilidade a doenças criptogâmicas, e rústica. Dá origem a vinhos de cor rubi a vermelha granada, de aroma pouco acentuado, encorpados mas sem qualidade. No passado a casta era muito útil para ajudar o vinho a obter mais corpo”. A videira não está enxertada, seu pé é franco, e com o tempo criou resistências às pragas e sobreviveu até mesmo à filoxera que devastou a Europa a partir do ano de 1860 e chegou bem perto desta região de Portugal.

CATENA ZAPATA MALBEC VINHEDO NICASIA 2009 LA CONSULTA – MENDOZA - ARGENTINA

● Vinho da Semana 172017 - ● CATENA ZAPATA MALBEC VINHEDO NICASIA  2009 LA CONSULTA – MENDOZA - ARGENTINA – Catena Zapata é indiscutivelmente o melhor e mais reverenciado produtor da Argentina, na opinião unânime de toda a imprensa especializada internacional, de quem recebe sempre as melhores notas e prêmios. Para a Wine Spectator, trata-se do “líder inquestionável de qualidade na Argentina” e, para o prestigiado Robert Parker, “Catena representa o máximo em vinhos da América do Sul”. Sua criação máxima, o raro Nicolás Catena Zapata, é o melhor e mais prestigiado vinho da Argentina, sem dúvida entre os grandes exemplares tintos do mundo.
A linha Catena é imbatível, de incrível relação qualidade e preço, todos enormes sucessos. O grande lançamento recente fica por conta da bela linha DV Catena, que também traz vinhos de terroir ricos e elegantes. São todos cortes da mesma uva plantada em dois vinhedos de diferentes personalidades, alturas e microclimas, em uma verdadeira exploração do terroir da região de Mendoza. Graças ao histórico de talento e dedicação da família Catena, a vinícola conquistou relevância e prestígio no mundo do vinho, e hoje é conhecida e referenciada no mundo todo.
● Notas de Degustação: O Nicasia é elaborado com a primeira fileira do vinhedo Altamira, plantada em pé franco em uma altitude de 1.180m. Classificado com 94 pontos pela Wine Spectator, é um tinto "longo, cremoso e impressionante" para a revista. A The Wine Advocate de Robert Parker também achou o vinho impressionante, "denso e cheio de camadas", concedendo ao Nicasia a fantástica nota 95 na safra 2010. Excelente persistência final num vinho que apesar de encorpado, está muito harmonioso e agradável de beber.
● Estimativa de Guarda: 10 anos pelo menos. Nesta amostra com 8 anos os taninos estavam macios e tínhamos um vinho de extrema elegância na taça.
Notas de Harmonização: Carnes grelhadas e carnes de caça. Servir entre 18 e 20°C.

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100

VIÑA ALICIA BROTE NEGRO MALBEC 2007 – LAS COMPUERTAS – LUJAN DE CUYO - MENDOZA – ARGENTINA

● Vinho da Semana 172017 - ● VIÑA ALICIA BROTE NEGRO MALBEC 2007 – LAS COMPUERTAS – LUJAN DE CUYO - MENDOZA – ARGENTINA -
Brote Negro é uma "raridade natural", um biótipo de Malbec, encontrado em uma vinha muito antiga desta variedade. Altitude do vinhedo: 1.180 metros. Região com clima muito seco, invernos frios, primaveras agradáveis, verões frescos. Grandes diferenças térmicas entre o dia  e a noite. Temperatura média de verão de 22°C. Temperatura média no inverno de 6°C e temperatura mínima no inverno de -6°C. Precipitação anual de 200 mm. Manejo rigorosamente orgânico. Solo de origem aluvial. Greda-argilosa e pedra calcária, com boa drenagem. Sub-solo de rípio. Vinhedos plantados em espaldeiras baixas com alta densidade de 5.500 a 6.000 plantas por hectare. A colheita se realiza manualmente, em pequenas caixas com capacidade de 12 a 14 kgs. Seleciona-se nos vinhedos os cachos pequenos. Na cantina procede-se uma segunda seleção sobre as mesas, para classificar completamente os cachos que devam ter uma maturidade homogênea (ponto de maturação dado pelo sabor das uvas, a tensão das cascas, a maturidade e a doçura dos taninos e das sementes, o açúcar e a acidez). Fermentação com as leveduras naturais do vinhedo, fornecendo as características do “terroir”, a temperaturas controladas de 25°C, sem retirada das sementes, para conseguir um maior aporte de polifenóis. Após o descube, as cascas são prensadas hidraulicamente, a não mais de duas atmosferas de pressão, e o vinho de prensa obtido colocado em barricas independentes. O vinho de gota passa a barricas novas e algumas de 1 ano de carvalho francês, onde se realiza a fermentação malolática. A cada 6 meses se realiza uma trasfega, acompanhando com degustações a evolução do vinho. Cumprido o envelhecimento em barricas, trasfega-se o mesmo a tanques vetrificados, até atingir estabilidade e harmonia, clarificando-o com claras de ovos antes do engarrafamento, que ocorre sem qualquer processo de filtração. Permanência das garrafas em caves subterrâneas até a entrega ao mercado. Amadurece por 12 meses em barricas de carvalho francês novas e de um ano. A Viña Alicia é uma adega que combina vinificação tradição de seus produtos, com uma localização privilegiada para fazer vinhos excepcionais. Com mais de 25 anos de pesquisa e estudo para alcançar "vinhos de excelência" em 1998 Alicia Mateu Arizu, esposa do "winemaker" renomado Alberto Arizu (proprietário da Bodega Luigi Bosca), juntamente com o mais novo de seus três filhos, Rodrigo Arizu, começou a comercializar os vinhos que levam seu nome.
● Notas de Degustação: uvas provenientes de Luján de Cuyo, vinhedos Las Compuertas, com 15 hectares plantados com videiras com média de 80 anos de idade.  Profundo rubi com reflexos violáceos. Nobre representante do terroir de Las Compuertas, com riquíssimos aromas de cereja madura, ameixas doces, violeta, chocolate, torrefação e especiarias. Exuberante e suculento na boca, com taninos aristocráticos e fim-de-boca interminável.
● Reconhecimentos: ROBERT PARKER: 93 Pontos e STEPHEN TANZER: 91 Pontos +
● Estimativa de Guarda: 15 anos. Degustamos este com 10 anos na garrafa num momento de muita elegância misturado com alguma potência.
Notas de Harmonização: Cabrito assado; Costela de boi assada; Filet de cervo com groselhas. Servir entre 18 e 20°C.

Onde comprar: Em BH - Enoteca Decanter - Rua Fernandes Tourinho, 503 – Funcionários – Belo Horizonte / MG. Telefone: (31) 3287-3618.

CHATEAU DE HAUTE-SERRE MALBEC 2009 – CAHORS - FRANÇA

● Vinho da Semana 172017 - ● CHATEAU DE HAUTE-SERRE MALBEC 2009 – CAHORS - FRANÇA – Georges Vigouroux comprou o Château de Haute-Serre em 1973 em ruínas, coberto de zimbro e carvalho, que teve de ser arrancado para evitar que as vinhas se tornassem doentes. Demorou mais de dois anos esmagando rochas e corrigindo o solo para obter um terreno próprio para o plantio. Hoje, o Château de Haute-Serre é um dos mais reputados da França. É um dos raros vinhos de domaine desta AOC do sudoeste francês. Graças a seu envelhecimento em barricas de carvalho novo, é um vinho de guarda que agrada desde jovem. O seu corte é de 75% Malbec, 20% Merlot e 5% Tannat.
Em Haute-Serre, a adega foi construída no centro da propriedade para que os cachos de uvas cortados pudessem ser transportados o mais rapidamente possível para os tonéis. O edifício foi construído em pedra, coberto com azulejos e perfeitamente isolados, tornando-o fresco no verão e temperado no inverno.
O coração da vinha recebe as uvas em um tempo recorde e a vinificação tradicional e lenta começa, com a fermentação em tanques de aço inoxidável. Georges Vigouroux diz frequentemente que “a adega deve ser tão limpa como uma maternidade”. Logo após as fermentações e a estação fria, o Château de Haute-Serre é transferido para toneis de carvalho, e passa, no total, de 12 a 18 meses em madeira.
No Château de Haute-Serre, gastronomia, vinho e arte se combinam para oferecer uma experiência hedonista para todos os sentidos, onde uma dupla de epicuristas espera por você. O chef, Adrien Manac'h, surpreende com a sua capacidade de transformar produtos frescos e autênticos em criações gastronômicas suculentas e surpreendentes e Bertrand-Gabriel Vigouroux, que reavivou o Malbec de Cahors, traz um delicioso universo enológico para se descobrir. Os dois irão receber você em um armazém de vinho renovado em um casamento perfeito de tradição e modernidade, embelezado com inúmeras obras de arte. São propostas uma variedade de atividades, incluindo a degustação dos melhores vinhos e visitas aos depósitos e vinhas. No Château, as maravilhas do mundo único do vinho de Cahors são reveladas.
● Notas de Degustação: Os vinhos do Château de Haute Serre mostram a casta Malbec em um estilo mais mineral e elegante, sem a rusticidade de alguns vinhos de Cahors. Corte de Malbec (75%), Merlot (20%) e Tannat (5%). Rubi escuro, com leves sinais da guarda, criando aromas defumados, frutas vermelhas maduras sem excesso, com madeira bem integrada. No paladar os taninos são macios, reflete nos sabores a complexidade de aromas, sendo um vinho elegante e de boa estrutura. Um tinto que vai surpreender tanto aqueles que são fãs da uva Malbec quanto os apreciadores dos vinhos tradicionais franceses!
● Reconhecimentos: WS94 (safra 2010).
● Estimativa de Guarda: sim, este é um vinho de guarda. Aguenta fácil 10 anos, mas já agrada muita gente.
Notas de Harmonização: Carnes vermelhas, carnes de caça, trufas. Servir entre 16 e 18°C.

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100

DURBANVILLE HILLS CABERNET SAUVIGNON 2015 – DURBANVILLE – AFRICA DO SUL

● Vinho da Semana 172017 - ● DURBANVILLE HILLS CABERNET SAUVIGNON 2015 – DURBANVILLE – AFRICA DO SUL – A África do Sul só teve oportunide de mostrar seus vinhos ao mundo após o fim do apartheid em 1991. Antes disso sua produção e técnicas eram muito particulares e restritas somente ao interior de suas fronteiras. Foram décadas de pouco acesso a tecnologia e a informação, que agora vem sendo recuperadas com velocidade impressionante.
A Durbanville Hills é uma vinícola "quase urbana" pois está tão perto da Cidade do Cabo que dos próprios vinhedos pode-se ver a famosa Table Mountain, cartão postal da cidade (veja a foto da Vinícola a seguir). Seus vinhos não fazem por menos à exuberante paisagem e os ventos secos da costa fria do atlântico são decisivos para a qualidade dos vinhos. A região é considerada uma das duas mais frias do país, onde as uvas demoram para amadurecer gerando vinhos de grande concentração e corpo. Diferente de muitas vinícolas do país, a Durbanville Hills não faz alusões ao exotismo do país, mas sim ao tradicionalismo com que suas uvas são plantados e vinificadas. A Durbanville Hills é uma vinícola sul africana de propriedade dos próprios vinicultores e da Distell com vinhedos que recebem a influência marítima do Oceano Atlântico, portanto com verões mais frescos e sem uvas ultra maduras como se vê em regiões aquecidas do planeta. Além disso, a Durbanville Hills está comprometida com apoio à comunidade ao redor dela e uma porcentagem de cada garrafa é destinada à comunidade de Durbanville.
 ● Notas de Degustação: Cor rubi intensa com aromas frutados e agradáveis conferidos pelo amadurecimento em barris de carvalho (de terceiro uso) bem integrados com frutas escuras como cerejas e ameixas. No paladar apresenta bom volume de boca, com taninos macios o que lhe confere bom equilíbrio e facilidade de ser bebido. Excelente rótulo no quesito qualidade e preço.
● Estimativa de Guarda: A guarda recomendada é de 5 anos, mas minha recomendação é bebê-lo de imediato, porque já está pronto.
Notas de Harmonização: ótimo para acompanhar Risoto de filé-mignon, penne ao sugo, picanha em churrasco, maminha ao forno com batatas, talharim com polpetone, berinjela recheada. Servir entre 16 e 18°C.

Onde comprar: Em BH – ZAHIL em BH é representada pela REX-BIBENDI: Tel.: (31)3227-3009 ou rex@rexbibendi.com.br  OUTONO 81 - Restaurante e Bar de Vinhos - Rua Outono, nº 81 - Carmo/Sion.

domingo, 16 de abril de 2017

CURSO DE INFORMAÇÃO BÁSICA DE VINHOS

● 26.ABR. E 03.MAI.2017 – 4ª.feiras – 20:00 hs – BH / CURSO DE INFORMAÇÃO BÁSICA DE VINHOS - Uma verdadeira viagem enogastronômica e histórica, conduzida pelos aromas e sabores do vinho, onde o roteiro tem início e não tem ponto para terminar! Descomplicando o tema, o curso desenvolve os sentidos para a degustação com mais propriedade das características do vinho. Duas aulas sobre a história do vinho, os principais países produtores e as uvas mais emblemáticas. Aprenda a degustar corretamente o vinho, descrevê-lo, armazená-lo, escolher a taça correta e a interpretar rótulos de forma simples e descomplicada. No Curso Básico de Informações de Vinhos você fará um passeio pelos países produtores mais importantes, as características de cada variedade de uva, tipos de taças, as rolhas, temperatura ideal de armazenamento e consumo, decifrando os diferentes rótulos, introdução à harmonização.  Assuntos desenvolvidos: História do Vinho, Principais Castas Viníferas e Uvas, O Vinho e sua Elaboração, Tipos de Vinhos (brancos, tintos, rosés, espumantes e fortificados). O Enólogo, o Sommelier e o Enófilo. Análise Sensorial do Vinho: Avaliação Visual, Avaliação Olfativa, Avaliação Gustativa, Avaliação Global. Técnicas e Tipos de Degustações. Guarda e Serviço do Vinho. Acessórios do Vinho. Formação de Adegas. Harmonizações de Vinho e Comida. Principais Regiões Produtoras. Degustações Orientadas. Críticos, Guias, Revistas de Vinhos e Notas de Críticos. Ficha de Avaliação - SOMENTE 10 VAGAS. Reservas pelo Tels.: 98839-3341 (Márcio Oliveira).  Valor Individual: R$ 400,00 (pode ser pago de 2 vezes) - Local: Rua Dominicanos, nº 165- SL.605 - Serra - Belo Horizonte. Horário: 20:00 horas. O Participante do Curso recebe a apostila “ ABC DA DEGUSTAÇÃO DE VINHOS ” e degusta no mínimo 14 vinhos diferentes (mínimo de 7 rótulos a cada Encontro). Datas e programas passíveis de alteração. Os eventos de Vinhos do Márcio Oliveira são para maiores de 18 anos.

O VINHO NA ÉPOCA DE JESUS

 “ O VINHO NA ÉPOCA DE JESUS “ - Nesta época do ano, de Semana Santa, muitos dos amantes de vinho se perguntam como era o vinho no período em que Jesus viveu. Em pelo menos três passagens, o vinho está presente na vida do Mestre. Seja nas Bodas de Canãa, seja na Última Ceia, quando o vinho se transfigurou no sagrado, no sangue de Jesus e ainda na crucificação quando por duas vezes lhe foi oferecido vinho.


Então, vamos avaliar o que se pode dizer sobre os vinhos daquela região e daquele tempo. Na Palestina, que está no Hemisfério Norte, as uvas eram e ainda são colhidas hoje em dia, após o verão e portanto durante os meses de agosto e setembro, dependendo do tipo de uva e do clima da região. As uvas, depois de colhidas, eram colocadas em lagares, em tanques, ou tinas, de calcário, nos quais os homens geralmente as esmagavam com pés descalços, cantando ao pisarem o lagar, como se faz hoje em dia em alguns lugares do Douro, por exemplo.
Como o método hoje em dia cria vinhos de alta qualidade, é de supor que este esmagamento através da pisa humana, com métodos de esmagamento suave, deixando parte das gavinhas, ramos e sementes inteiros e com pouco ácido tânico das cascas espremido gerava naquela época, um vinho de boa qualidade, possivelmente de paladar suave e macio.
O primeiro “mosto”, ou sumo fresco, que flui das cascas rompidas das uvas, se mantido à parte do volume maior do sumo extraído sob pressão, resulta nos vinhos mais ricos e melhores. A fermentação começa dentro de seis horas após a maceração, enquanto o sumo ainda se acha nos tanques, e lentamente se processa por um período de vários meses. O teor alcoólico dos vinhos naturais varia de 8 a 16 por cento do volume, mas pode ser aumentado pela adição posterior de álcool. Se as uvas tiverem pouco teor de açúcar, e a fermentação levar tempo demais, ou se o vinho não for devidamente protegido contra a oxidação, transforma-se em ácido acético, ou vinagre.
Nesta época já se tinham alguns conhecimentos para preservar o suco da uva, apesar que no período de envelhecimento, o vinho fosse conservado em jarras ou odres. Estes recipientes como as ânforas hoje utilizadas na fermentação dos vinhos, deveriam dispor de respiradouro para permitir a saída do dióxido de carbono (subproduto do desdobramento dos açúcares em álcool através da fermentação), sem que o oxigênio do ar entrasse em contato com o vinho, fazendo sua oxidação.
À medida que se deixavam os vinhos descansar, eles gradualmente se clarificavam, as borras precipitavam-se no fundo, havendo o melhoramento do buquê e do sabor. Assim sendo, o vinho era parte integrante de banquetes comemorativos de vitórias em campos de batalha, de festas de casamento, e de outras ocasiões festivas. As adegas reais eram abastecidas de vinho, que era a bebida costumeira de reis e de governadores e mesmo os viajantes muitas vezes o incluíam nas suas provisões para viagem.
Muitas pessoas avaliam se havia muito álcool nestes vinhos, e pensam que Jesus fez um bom vinho por causa de seu elevado teor alcoólico. Esta hipóteses sustenta-se sobre três suposições.
Presume-se primeiro que os judeus não sabiam como evitar ou controlar a fermentação do suco de uva; e sendo que a estação das Bodas de Canãa foi pouco antes da Primavera, seis meses após a colheita da uva, o vinho bebido nas bodas teve amplo tempo para fermentar.
Em segundo lugar, presume-se que a descrição dada pelo mestre do banquete quanto ao vinho feito por Jesus como “o bom vinho” significa um vinho muito alcoólico de alta qualidade, como muitos enófilos imaginam que vinhos de alto teor sejam melhores que vinhos de médio teor, esquecendo-se que há belos Bordeaux bebíveis nos dias de hoje, criados nas décadas de 60 ou 70 e com meros 12 ou 12,5% de teor alcoólico.
Presume-se ainda que a expressão “beberam fartamente “, empregada pelo mestre do banquete, indica que os convidados estavam já alterados por terem bebido muito vinho anteriormente.
É importante dizer que o primeiro pressuposto é desmentido por numerosos testemunhos do mundo romano dos tempos do Novo Testamento que descrevem vários métodos de conservar o suco de uva. A preservação de suco de uva não-fermentado era em certos aspectos um processo mais simples do que a preservação de vinho fermentado. Além disto, pode-se até mesmo supor foi servido suco de uva não-fermentado na boda de Canãa, próximo à estação a Páscoa, uma vez que tal bebida podia ser mantida sem fermentação por todo o ano.
O primeiro milagre de Cristo de transformar água em vinho no casamento de Canãa, que já durava 3 dias, quase certamente envolveu uma bebida fermentada. Casamentos normalmente duravam sete dias, período durante o qual a comida e o vinho fornecidos pelas famílias da noiva e do noivo fluíam livremente. De acordo com a tradição judaica do casamento, o vinho fermentado era sempre servido em casamentos. Se Jesus tivesse feito apenas suco de uva, o mestre da festa certamente teria reclamado. Em vez disso, ele disse que o vinho era melhor do que o servido anteriormente, estava “muito bem”.
Já quanto a ideia de que o vinho que Jesus fez ter sido considerado “bom” por causa de seu nível elevado de teor alcoólico, estamos tomando por base o gosto de muitos enófilos do Séc. XX que definem um bom vinho por conta da sua potência alcoólica. Entretanto no mundo romano dos tempos do Novo Testamento os melhores vinhos eram aqueles cuja potência alcoólica havia sido removida por fervura ou filtração. Por exemplo, Plínio declarava que os “vinhos são de maior benefício quando todo o seu vigor havia sido removido pelo filtrador”. De modo semelhante, Plutarco assinala que o vinho é “muito mais agradável de se beber” quando “nem inflama o cérebro nem infesta a mente ou as paixões” porque sua força foi removida mediante a filtragem.
Duas vezes foi oferecido vinho a Jesus enquanto na cruz. Ele recusou o primeiro, mas pegou o segundo. Por quê? Na primeira vez “lhe ofereceram vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou." De acordo com uma tradição antiga, mulheres respeitadas de Jerusalém forneciam uma bebida narcótica aos condenados à morte, a fim de diminuir sua sensibilidade à terrível dor da crucificação. Quando Jesus chegou ao Gólgota, a ele foi oferecido vinho misturado com mirra, mas ele recusou, escolhendo suportar com plena consciência os sofrimentos previstos para ele.
A segunda vez aconteceu quando espectadores pensaram que Ele estava chamando por Elias, "alguém correu e encheu uma esponja com vinho azedo, colocou-o em uma cana e deu-lhe para beber, dizendo: 'Espere, vamos ver Se Elias virá para derrubá-lo ". No entanto, vinagre de vinho ácido é mencionado no Antigo Testamento como uma bebida refrescante, e na literatura grega e romana também é uma bebida comum apreciada por trabalhadores e soldados porque aliviava a sede mais eficazmente do que a água. Não há exemplos de seu uso como um gesto hostil. O pensamento, então, não é de um vinagre corrosivo oferecido como uma brincadeira cruel, mas de um vinho azedo que o povo bebia. Assim, o segundo (azedo) vinho foi dado para mantê-lo "consciente durante o maior tempo possível", e, assim, ter o efeito de prolongar a sua dor. Este é o vinho que Jesus bebeu.
Boa parte destas dúvidas, sobre como seria o vinho na época de Jesus, estão sendo pesquisadas com a mais fina tecnologia dos dias atuais, desde 2011, em Israel, quando se descobriram 120 variedades únicas de uvas cujos perfis de DNA são distintos de todas as castas importadas. Cerca de 50 uvas foram domesticadas, e 20 delas são “adequadas para a produção de vinho”. Separadamente, pesquisadores identificaram 70 variedades distintas usando DNA e um escaneamento tridimensional, que nunca havia sido utilizado antes dessa forma e com sucesso, de sementes queimadas e secas descobertas em escavações arqueológicas.
Há uvas brancas e tintas, o que faz crer que na época de Jesus se bebesse vinho tinto e branco. A ideia é comparar essas sementes antigas com as uvas vivas, ou algum dia talvez recriar a fruta como foi feito no filme “Jurassic Park”.

Dadas as dificuldades de conseguir as uvas de fazendeiros palestinos, as produções não são muito volumosas. Há um vinho feito com a casta marawi, descrito como "o vinho israelense mais importante do ano 2014", por sua procedência, se não pelo gosto. Fala-se que é um vinho branco "agradável e fácil de beber" e que "abre um pouco no copo com aromas suaves de maçã e pêssego". E, se a uva for cultivada especialmente para a vinicultura, tem potencial que “estimula a imaginação". O próximo vinho esperado pelo mercado é o dabouki, também branco. A Dabouki pode ser umas das castas locais mais antigas, um bom candidato para o vinho que encheu o copo de Jesus. Espero que em breve possamos ter maiores informações sobre como era o vinho de 2000 anos atrás. (Fonte – escrito a partir de pesquisas na internet de diversas fontes e autores).