domingo, 19 de março de 2017

LEYDA ROSÉ RESERVA 2013

● Vinho da Semana 122017 - ● LEYDA ROSÉ RESERVA 2013 – DO VALLE DE LEYDA - CHILE – Fundada em 1998, a vinícola foi pioneira na vitivinicultura no vale do Leyda. Interessados no microclima da região, os criadores construíram uma tubulação que desviou parte do fluxo do rio Maipo por oito quilômetros, o que viabilizou o cultivo de uvas de qualidade. Está localizada próximo do mar, de forma que sofre influência da Corrente de Humboldt (corrente de mar frio), proporcionando o frescor característico dos vinhos do Leyda. O clima é costal, com invernos de pluviosidade moderada e verões secos, o que causa o amadurecimento mais lento das uvas e, consequentemente, fazendo com que a colheita seja um pouco mais tarde do que outras regiões. Já o solo, predominantemente pedregoso, conta com diferentes níveis de luminosidade, interferindo, também, na maturação das uvas. O sucesso foi tanto que, anos depois, outras vinícolas se instalaram no Vale do Leyda, que tornou-se uma denominação de origem em 2002 e já se transformou em uma das mais promissoras para o plantio de uvas brancas.
Os vales de Casablanca e Leyda, no centro do país, entre Santiago – a capital – e o mar, com forte influência do terroir único, com ventos que vêm do mar e mudam bastante o resultado dos vinhos ali produzidos, são uma nova região a explorar os rótulos. Muitos creditam que essa é a melhor região do Chile para vinhos brancos leves e tintos sutis, como o pinot noir. Nesse terroir, a produção consegue obter uma leveza que nos remete aos países do Velho Mundo, com vinhos que mesclam potência e sofisticação raras no Novo Mundo. Chardonnay, Sauvignon Blanc, Sauvignon Gris, Pinot Noir, Shiraz, dentre outras variedades, têm se beneficiado do terroir desses vales e produzido vinhos notáveis.
Tendo em vista a proximidade ao mar, a diversidade de exposição ao sol dos diferentes vinhedos e o clima costal, os vinhos da Leyda normalmente apresentam aromas minerais e até mesmo salinos, alta acidez, típico de climas frios.
A Pinot Noir é uma uva naturalmente delicada que cultivada em regiões quentes ganha mais exuberância e corpo, já em vales frios como Leyda a tinta mostra toda sua elegância e finesse natas.
Elaboração: O vinhedo está localizado a 4Km do Oceano Pacífico onde os cachos amadurecem em uma boa condição climática.  Nesta vinificação rosé, o mosto(suco) da uva passa pouco tempo em contato com as cascas, resultando em um vinho delicado, brilhante e límpido. Durante a vinificação os cachos são submetidos a breve maceração para extrair a cor do vinho. A fermentação é feita a baixas temperaturas para preservar os aromas e sabores que evocam a luz do sol e as brisas frescas do mar.
● Notas de Degustação: o vinho tem uma cor mais carregada se comparado aos típicos vinhos da Provence, estando mais para cereja clara, lembrando um leve claret. Os aromas recordam frutas vermelhas como morangos maduros, cerejas frescas, framboesas e tem um toque cítrico de lima. No paladar mostra-se potente, com taninos leves, frutado, fresco e aromático, com toque mineral e salino em boca. Um vinho versátil, fácil de agradar, com persistência média.
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo de imediato, mas a guarda por até 5 anos a partir da safra é indicação segura do produtor.
Notas de Harmonização: ótimo para aperitivo, fica perfeito com camarões ao bafo ou ao alho e óleo. Servir entre 7 e 8°C.

Onde comprar: Em BH - GRAND CRU – Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.

quinta-feira, 16 de março de 2017

BOSSA GASTRONÔMICA NO MUSEU DE ARTE DA PAMPULHA

BOSSA GASTRONÔMICA NO MUSEU DE ARTE DA PAMPULHA

Um programa diferente para sua tarde de sábado 18/03, a partir das 18:00hs, com reserva para as últimas vagas. Um Menu Harmonizado inspirado na vida e obra de Niemeyer, finamente preparado pela Chef Juliana Labarrère.



segunda-feira, 13 de março de 2017

CINCO MITOS SOBRE VINHO

CINCO MITOS SOBRE VINHO ” – Ao longo do tempo, muita gente vai formando mitos sobre vinhos e eles passam a funcionar como máximas para o iniciante nesta arte. Para muito, estes mitos chegam a funcionar como um desestímulo a continuarem pesquisando e evoluindo nas suas degustações:

1- SÓ OS VINHOS CAROS SÃO BONS - Vinhos caros são só caros. Vinhos bons se encontram para todos os gostos e bolsos. Provavelmente os vinhos bons podem ser caros, mas o preço não é, e nem será o único atributo da qualidade. Muitos rótulos são mais “fama” do que qualidade. O importante é encontrar bons vinhos que caibam no seu orçamento. A grande maioria dos consumidores de vinhos na Europa paga no máximo 5 euros por garrafa e mesmo neste patamar de valor é possível encontrar bons vinhos para o dia a dia. Saber que apenas 5% dos norte-americanos pagam mais que US$ 20 por uma garrafa de vinho nos deixam uma certeza: deve haver vários rótulos até este valor para saciar a sede dos seguidores de Baco.

2- VINHOS NACIONAIS SÃO RUINS - Vinhos ruins são ruins. Está ai um dos piores mitos a respeito de vinhos. Os Vinhos Nacionais evoluíram muito na última década e chegam a fazer bonito quando degustados às cegas junto a bons vinhos internacionais. Devemos perder esta mania de depreciar o produto nacional frente ao importado. Há pouco tempo, seria difícil o amante de vinhos imaginar que beberia um produto nacional de qualidade. Os espumantes caminharam para o sucesso, ganhando medalhas em concursos internacionais, abrindo olhos para um diferencial que nossos vinhos oferecem - um intenso frescor. Espumantes nacionais fizeram o gosto de críticos de renome, como Jancis Robinson, que comentou a qualidade do Espumante Marson, dizendo que com nosso clima quente, seríamos um país ideal para beber espumantes, brancos e rosados, e que estranhamente não são a preferência nacional. Nos últimos dois anos, uma coisa vem chamando a minha atenção - a evolução do tinto nacional já não é algo ocasional! Há bons vinhos e que às cegas ficam bem posicionados em degustações às cegas. Curiosamente, o perfil de suas degustações os coloca mais próximos de vinhos do Velho Mundo do que os vizinhos produzidos na Argentina ou Chile. Daqi serem mais apropriados para acompanhar a gastronomia do que simplesmente bebidos em degustações comparativas. Abra a cabeça e o coração: já podemos ter orgulho dos vinhos nacionais.


3- O TEMA É MUITO COMPLICADO - As pessoas é que são muito complicadas! É como dirigir um carro, só parece complicado para quem nunca o fez. O assunto é simples. O problema é que a maioria das informações são tão completas e complexas, que muitos livros são verdadeiros testamentos, trazendo informação fora do alcance para a maioria dos mortais, gente comum, pessoas como eu e você. O Vinho é um tema ao alcance de todos. A distância máxima que nos separa dele é uma taça ou de um saca-rolha. Se tiver oportunidade, faça um Curso Básico de Vinhos, pois o volume de informação oferecido é significativo para você ter uma noção do mundo do vinho. Depois poderá ir se aprofundando na medida do seu interesse pesquisando em livros e sobretudo, degustando vinhos.

4- EU TENHO QUE ENTENDER DE VINHO PARA APRECIÁ-LO – Quando você vai ao cinema e assiste um filme, não precisa ser um crítico de fotografia, de roteiros, ou de figurinos para gostar do que viu! Você só precisa conhecer um bom vinho para apreciá-lo. O que você precisa saber sobre Vinhos para escolher, comprar, beber e gostar, é muito pouco, é como dirigir um carro, depois que você aprende dirige e vai adquirindo experiência. Claro que você pode fazer um Curso de Vinhos ou participar de uma Confraria, pois o conhecimento comentado entre pessoas pode agilizar o aprendizado.


5- VINHO DÁ DOR DE CABEÇA NO OUTRO DIA – Qualquer produto mal feito faz mal a saúde. Vinhos ruins darão dor de cabeça e no bolso também. O vinho, como qualquer alimento, possui substâncias químicas usadas como conservantes. Nos vinhos de baixa qualidade, os conservantes são usados também, para encobrir defeitos, falta de higiene e torná-lo bebível. Somado ao açúcar adicionado a vinhos de baixa qualidade, feitos com uvas inadequadas (não viníferas), produzem substâncias que criam a “dor de cabeça no dia seguinte”. O ideal é tomar vinho e hidratar-se com água. A falta de hidratação em alguns casos pode dar dor de cabeça. A grande dica que costumo dar para os amigos é: -“ Se bebeu vinho tinto, beba um copo d´água antes de dormir. Se bebeu vinho branco ou espumante, beba dois copos, pois são muito mais diuréticos e você precisará se hidratar enquanto dorme!”.

MARQUES DE TOLEDO CRIANZA TEMPRANILLO 2012 – BODEGAS LOZANO – LA MANCHA - ESPANHA

● Vinho da Semana 112017 - ● MARQUES DE TOLEDO CRIANZA TEMPRANILLO 2012 – BODEGAS LOZANO – LA MANCHA - ESPANHA – Em 1853 a família Lozano começou a produzir seus vinhos na região de La Mancha (Denominação de Origem). O primeiro documento falando da viticultura na região data do séc. XII. A região também é famosa pelas histórias do personagem Dom Quixote de la Mancha em suas batalhas fictícias travadas em suas paisagens extensas e áridas. Em 1920 a família funda a empresa e consolida sua operação de produção. Em 1985, compram a bodega atual e em 2005, expandem seus negócios com uma empresa produtora de suco de uva. Hoje em sua quarta geração, se dedicam a produzir vinhos de qualidade.
Caracteristicas Climáticas: Continental. Temperaturas rotineiramente passam dos 40°C no verão enquanto que no inverno podem chegar a 15°C negativos. Pluviometria anual é inferior a 400mm. Média de 3.000 horas de sol por ano. Caracteristicas do Solo: Argilo-calcários. Elaboração: Colheita na terceira semana de setembro. Produtividade de 8 toneladas por hectare. Desengace e esmagamento. Fermentação ocorreu em tanques de aço inoxidável a temperaturas entre 20 e 22°C por 20 dias. Maceração pós-fermentativa de 5 dias. Amadurecimento em barricas. Engarrafamento.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor rubi viva. No nariz o vinho apresenta aromas de fruta escura como cereja e amora, cedendo lugar com o tempo em taça para toques mais complexos terrosos e de especiarias, com sálvia e pimenta negra. No paladar mostra bom corpo, taninos macios de qualidade, um agradável frescor e final com as notas de especiarias. Persistência média em boca. O vinho amadurece por 9 meses em barricas de carvalho usadas com tosta média, sendo, 70% do vinho em barricas francesas e o restante em americanas.
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo de imediato, mas a guarda por até 6 anos a partir da safra é indicação segura do produtor.
Notas de Harmonização: Chuletón a la brasa, chuleta bovina maturada na churrasqueira; chuletillas de cordero, carré de cordeiro marinado com azeite, alho e alecrim, assado na brasa; arroz de carreteiro; picanha malpassada com farofa rica brasileira. Servir entre 16 e 17°C.

Onde comprar: Em BH - Enoteca Decanter - Rua Fernandes Tourinho, 503 – Funcionários – Belo Horizonte / MG. Telefone: (31) 3287-3618. ROYAL VINHOS - Uma tradicional adega, localizada no Mercado do Cruzeiro. End.: Rua Ouro Fino, 452 - Lojas 22 e 23 / Bairro Cruzeiro - Mercado Distrital – Tel.: (31) 3281-3539 - Belo Horizonte | MG.

sexta-feira, 3 de março de 2017

10 REGRAS DE OURO PARA HARMONIZAR COMIDA COM VINHO

10 REGRAS DE OURO PARA HARMONIZAR COMIDA COM VINHO“ – Lendo o "O Livro do Vinho" de Vincent Gasnier, editado no Brasil pela Publifolha, encontrei 10 regras de ouro para harmonizar comida com vinho. Sabendo das dificuldades que o tema traz para vários leitores e do interesse por cada vez melhor aproveitar do casamento entre o vinho e comida, aqui as transcrevo:


1. Pratos salgados precisam de vinhos com acidez naturalmente alta - Não é coincidência o fato de o picante Xerez Fino ir bem com tapas e com amêndoas salgadas, peixe ou chorizos salgados, condimentados, por exemplo, porque essa combinação de antepastos e aperitivos evoluiu ao mesmo tempo na mesma parte do mundo. O sal na comida tem o efeito de neutralizar a acidez do vinho e permitir que os sabores subjacentes se apresentem - assim como o sal realça os sabores da comida. Por isso, é melhor escolher vinhos que tenham acidez naturalmente alta para combinar com pratos salgados. Com um queijo salgado, como o Roquefort, escolha vinhos de sobremesa com acidez realmente picante, como os do Vale do Loire.
Experimente: Pratos com anchova, como bagna calda ou pissaladière, com um Riesling australiano de Clare Valley; moules marinières com Muscadet ou Sancerre; salada de queijo feta com o Assyrtiko da Grécia; sopa de peixe tailandesa com um Pinot Grigio bem resfriado.

2. Peixes carnudos podem ser acompanhados por um tinto leve  - Quem quer que tenha gravado na pedra que os vinhos brancos foram feitos para peixe e os vinhos tintos para carne deveria ficar a pão e água para todo o sempre! Apesar de ser verdade que os taninos do tinto podem criar um sabor metálico quando bebidos com peixe, existem peixes e peixes! Os tintos leves, frutados, com poucos taninos, podem muito bem acompanhar um peixe de textura densa, "carnuda", como o atum, o salmão ou o peixe-espada frescos, principalmente se o vinho for servido ligeiramente resfriado. Os peixes brancos, em contrapartida, costumam ter a textura leve e normalmente são servidos com molhos leves. Por isso precisam ser acompanhados por vinhos brancos delicados ou, se os sabores forem mais intensos, brancos mais frutados, aromáticos.
Experimente: Steak tartare de atum com um Spätburgunder (pinot noir alemão ou austríaco); filé de salmão grelhado com um Chinon; filé de peixe-espada grelhado ou assado com um Pinot Noir de Carneros, Califórnia; tamboril frito envolto em presunto Parma com um Dolcetto do Piemonte, Itália, bem resfriado.

3. Comida oleosa requer acidez ou taninos - Algumas regras referentes a comida e vinho falam da companhia entre semelhantes - vinhos doces com pudins, por exemplo -, mas outras tratam da combinação dos opostos, e certamente este é o caso quando for escolher vinhos para complementar comidas oleosas. Os pratos oleosos provavelmente serão também fartos, às vezes cremosos, mas certamente com um grau de opulência pesada que precisa ser abrandada pelo vinho que você escolher como acompanhamento. Se decidir tomar um vinho branco, certifique-se de que tenha alto grau de acidez para passar pela gordura do prato e deixar um final limpo no palato. O tanino também pode realizar a mesma tarefa; se escolher um tinto para harmonizar com um prato gorduroso - fondue de queijo, por exemplo -, deverá ser bem tânico para evitar que pareça ralo.
Experimente: Salmão defumado com Sauvignon Blanc; escalope com molho Mornay com Chablis; cassoulet com um robusto Shiraz do Barossa; frango à Kíev com um Roussanne californiano; ombro de cordeiro com Barolo ou Barbaresco; ganso assado com corte Cabernet-Merlot.

4. Pratos defumados se chocam com vinhos envelhecidos em carvalho - Defumados e carvalho são coisas boas demais para fazer uma boa combinação. Se entar juntar um vinho envelhecido em carvalho com uma carne ou um peixe defumados, você correrá o risco de sobrecarregar suas papilas gustativas com sabores bastante semelhantes, por isso elas não conseguirão reconhecer mais nada. Além disso, os pratos defumados têm, por definição, sabor forte, e os sabores fortes na comida precisam ser harmonizados com um vinho frutado, que refresque o paladar. Os vinhos envelhecidos em carvalho têm uma oleosidade e opulência que não ajudam. As uvas brancas fora das zonas de carvalho incluem Sauvignon Blanc, Riesling, Chenin Blanc e as Pinots Blanc e Gris (Pinot Grigio, na Itália). Para as carnes defumadas, escolha algo da categoria de tintos frutados: por mais suaves que sejam, os taninos podem juntar forças com os sabores defumados para criar um sabor "duro", amadeirado.
Experimente: Patê de cavala defumada com um Riesling de Clare Valley, da Austrália; salmão defumado com um Sauvignon Blanc francês ou, numa ocasião mais festiva, um espumante à base de Pinot Meunier; salada de frango defumado com um Fleurie resfriado; presunto defumado com um Barbera d`Asti.

5. Harmonize sabores densos, ricos, com vinhos desse mesmo tipo - Se você escolher um prato cremoso, experimente um vinho branco refrescante, que consiga atravessar a riqueza do prato e refrescar o paladar. Porém, os pratos ricos com mais peso e sabor mais intenso normalmente pedem vinhos cujo corpo e sabores têm a mesma energia. Se o vinho for muito leve, pode ser abafado pelos sabores e texturas da comida. Existem algumas combinações extravagantes já clássicas de comida e vinho branco nessa linha - foie gras e Sauternes e, menos freqüente nos dias de hoje, lagosta à Termidor com um Corton Charlemagne, famoso branco da Borgonha. Mas estamos falando principalmente de tintos densos, ricos, para acompanhar pratos substanciosos à base de carne, especialmente carne de caça ou vísceras, em que você precisa de um vinho com boa complexidade de sabor para concorrer em termos de igualdade.
Experimente: Fígado de frango frito com Monbazillac; traseiro de cervo assado com Pauillac; caçarola de caça com Châteauneuf-du-Pape; risoto de frutos do mar com Meursault ou Chardonnay da Nova Zelândia; torta de carneiro e purê de batatas com Cabernet Sauvignon do Vale do Napa. Na semana que vem, falarameos sobre as últimas 5 regras !

6. Pratos condimentados precisam de vinhos refrescantes - Algumas pessoas acham que os pratos condimentados podem subjugar os estilos de vinho mais leves e preferem harmonizá-los com vinhos mais ricos ou até mais doces. Acho que os pratos da cozinha chinesa vão bem com brancos aromáticos, como os Rieslings alemães ou os Gewürztraminers da Alsácia, enquanto a cozinha mais condimentada do Oriente fica melhor se acompanhada por brancos secos, efrescantes, como um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia ou um Pinot Grigio ou um Chablis. Esses vinhos ajudam a refrescar o palato. Não é fácil harmonizar curry com vinho. Existem alguns bons parceiros brancos para o curry mais leve, mais perfumado, mas tome cuidado ao pedir um tinto: a maioria dos curries costuma engolir a fruta do vinho tinto, por isso os taninos se tornam dominantes. Se a comida for muito condimentada, talvez seja melhor - somente desta vez - esquecer o vinho e ficar com água ou cerveja.
Experimente: Frango e filé com pimentões verdes e molho de feijão preto com Chablis; frango com castanha-de-caju com Albariño espanhol; porco chinês com Riesling alemão; curry tailandês com Gewürztraminer; frango indiano com Pinot Grigio.

7. Harmonize carnes brancas com brancos encorpados ou tintos leves - Os sabores das carnes brancas costumam ser, de modo geral, muito mais sutis do que os das carnes vermelhas; por isso, com os pratos à base de frango, porco e peru, em que a carne é assada, escaldada ou grelhada de maneira simples, em vez de ser muito temperada ou de ter um molho rico, os vinhos sutis vão muito bem, assim como os tintos leves. Porém, nos últimos anos, cresceu a tendência para usar brancos mais encorpados e mais opulentos, especialmente os vinhos frutados, envelhecidos em carvalho, do Novo Mundo. Esses brancos mais pesados também se mostraram bons parceiros para pratos de carne branca, provavelmente porque seus aromas complexos e opulência oleosa equilibram e harmonizam bem os sabores suaves da carne.
Experimente: Caçarola de frango ou escalope de peru com um Chardonnay australiano de Margaret River; lombo de porco com Châteauneuf-du-Pape branco; peito de frango com cogumelos com Pinot Noir da Nova Zelândia resfriado; perdiz assada com Barbera d`Asti.
8. Carnes vermelhas podem encarar taninos fortes  - Para tortas ou costeletas de carneiro, eu escolheria um vinho frutado à base de Merlot, mas um cardápio mais pesado dá aos tintos encorpados uma oportunidade de brilhar. As comidas ricas em proteína suavizam o tanino do vinho tinto de forma que os sabores de fruta conseguem se apresentar mais facilmente. Por isso, as carnes vermelhas podem ser harmonizadas com tintos fortes, viris, com taninos firmes, sem que você precise se preocupar com o fato de a fruta do vinho ser abafada. O queijo também tem efeito semelhante sobre o vinho; os taninos são absorvidos e ele parece mais suave e fácil de saborear. Os vinhos tânicos mais austeros podem se tornar muito mais amistosos com a comida pela decantação; a temperatura também ajuda - sirva-os ligeiramente mais quentes do que o normal.
Experimente: Filé malpassado com Syrah da Côte-Rôtie; lingüiças condimentadas com Cahors; confit de pato com Barolo; queijo maturado Comté com Cabernet Sauvignon do Vale do Napa; kidney pie com Ribera del Duero espanhol; Pauillac ou Cabernet de Coonawarra vão bem com perna de carneiro.

9. Harmonize os vinhos com os molhos, não com o que está por baixo - A máxima "vinho tinto com carne vermelha, vinho branco com carnes leves" é um pouco enganosa: a maioria dos vinhos pode, de fato, ser servida com quase todas as carnes. Para fazer a harmonização perfeita, é bem mais provável que o molho tenha prioridade, com frango ou com carne vermelha. Frango com limão, por exemplo, vai bem com um Chablis da Borgonha, mas o mesmo vinho jamais combinaria com coq au vin, que pede um tinto levemente tânico, frutado, sem carvalho. Da mesma maneira, um filé com pimenta precisa de um tinto com poucos taninos, de corpo médio, mas um goulash pode ser harmonizado com um branco frutado, maduro e encorpado. Com molhos à base de vinho, o vinho usado para fazer o prato costuma ser o melhor acompanhamento, o que facilita um pouco a vida.
Experimente: Boeuf bourguignon com Pinot Noir de Gevrey-Chambertin da Borgonha ou Cabernet-Merlot australiano; estrogonofe de carne com Brunello de Montalcino; caçarola de cervo com Syrah de Gigondas; pato com laranja com St-Èstephe ou Shiraz australiano do Vale Hunter.

10. Harmonize as sobremesas com seu peso em vinho - O peso e a doçura de um vinho de sobremesa precisam harmonizar com o peso e a doçura da sobremesa. É claro que isso é óbvio: você gostaria de beber o mesmo vinho com creme de framboesa e com um denso pudim de caramelo? Pode parecer improvável, mas é verdade que a intensidade da doçura de um pudim de caramelo pode ser realçada por um vinho de sobremesa realmente rico e doce; se tentar beber um vinho leve, perfumado, com o pudim, é fácil imaginar que os sabores de um iriam destruir os sabores do outro. Mas não se esqueça de que os vinhos espumantes também podem se harmonizar perfeitamente com as sobremesas de frutas do verão, especialmente as mais doces e meio secas. E que os morangos têm uma afinidade com os vinhos tintos e rosé, especialmente se o vinho também tiver sabores de morango. Experimente-os com um Beaujolais leve, um Zinfandel rosado, ou mesmo um Lambrusco tinto, doce e espumante.

Experimente: Pudim de caramelo com Tokaji "5 Puttonyos" húngaro; strudel de maçã com Bonnezeaux; brownie de chocolate com Maurey resfriado ou um Rutherglen Muscat; torta de pêra com Moscato d`Asti; manjar branco com um Beerenauslese alemão ou austríaco. 

 

FAMILIA SCHROEDER SAURUS SELECT PINOT NOIR 2014 – PATAGONIA – ARGENTINA

● Vinho da Semana 102017 - ● FAMILIA SCHROEDER SAURUS SELECT PINOT NOIR 2014 – PATAGONIA – ARGENTINA – A área de Río Negro representa a tradição vitivinícola da Patagônia. A Humberto Canale está por lá desde 1909, produzindo vinhos e frutas, como pera e maçã, durante todo esse período. É nesta zona que estão plantados vinhedos antigos, como os da bodega Chacra. Neuquén, ao contrário, representa o novo território. Uma família dedicada aos negócios imobiliários encontrou no vinho uma grande oportunidade. Compraram uma grande extensão de terra, lotearam o terreno, plantaram algumas vinhas, e venderam. Quase um condomínio de bodegas.
Venderam todos os terrenos, exceto um, onde funciona a Bodega del Fin del Mundo, a maior da Patagônia. Trata-se de uma gigante que responde por cerca de 50% da produção da região, isso considerando ainda o volume da NQN, que ocupa um terreno que foi vendido, e depois recomprada pelos donos da Bodega del Fin del Mundo.
Outra das bodegas que integram este grande projeto é a Família Schroeder, que faz vinhos interessantes, e convida os turistas a uma visita, com uma boa estrutura de receptivo, incluindo um restaurante muito bom, com vista para os vinhedos, obras de arte, lojinha e até uma pequena mostra, relacionada ao esqueleto de dinossauro encontrado ali, durante a construção da vinícola. É uma linda bodega, que bem representa a nova geração de vinícolas, que há cerca de 15 anos começaram a ocupar esta grande área em Neuquén, num empreendimento imobiliário vitivinícola. E a atração mais particular de todas é uma sala, onde foi encontrado o esqueleto de um dinossauro com 75 milhões de anos. As peças verdadeiras foram removidas para estudos e exposição, mas foram colocadas réplicas, mostrando como era o local, com painéis que contam a história da descoberta do Panamericansaurus Schroederi, que foi batizado em homenagem à família.
            O Valle de San Patricio del Chanãr, a uma altitude de 350m, caracteriza-se por dias ensolarados, com alta luminosidade e constantes ventos que sopram da Cordilheira dos Andes, garantindo um perfeito estado sanitário nas uvas, com grande concentração de cor e aromas. A região está localizada a 39° de latitude Sul, com baixíssimo índice anual de pluviometria (160mm). Toda a irrigação é realizada por gotejamento. Os solos são pedregosos, de origem aluvial e com baixa presença de matéria orgânica. A colheita é manual das uvas em caixas de 18kgs. Seleção dos grãos na cantina, em mesa vibratória. Crio-maceração por 3 dias com grãos inteiros, para maior extração de cor e aromas. Fermentação alcoólica em tanques de inox por 8 dias, com leveduras selecionadas. Maceração pós-fermentativa por 7 dias. A malolática espontânea, ocorre em barricas de carvalho e também em inox. Clarificação com ovos frescos de granja. Engarrafado sem filtração. Passa 12 meses em barricas de carvalho francês e americano para uma parte do vinho.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor rubi, cristalina. Olfativo sedutor com aromas de cerejas e ameixas, com especiarias e toque tostado. No paladar os taninos são macios, o corpo é médio, com boa acidez e um final curto e limpo. Surpreende pela vivacidade e maciez..
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo de imediato, mas a guarda por até 7 anos a partir da safra é indicação segura do produtor.
Notas de Harmonização: Rosbife ao molho delicado de mostarda; Pequenas aves assadas ou estufadas (codorna, perdiz); Ravióli recheado com vitela e especiarias doces, servido com redução delicada de vinho do Porto. Servir entre 16 e 17°C.

Onde comprar: Em BH - Enoteca Decanter - Rua Fernandes Tourinho, 503 – Funcionários – Belo Horizonte / MG. Telefone: (31) 3287-3618. ROYAL VINHOS - Uma tradicional adega, localizada no Mercado do Cruzeiro. End.: Rua Ouro Fino, 452 - Lojas 22 e 23 / Bairro Cruzeiro - Mercado Distrital – Tel.: (31) 3281-3539 - Belo Horizonte | MG.