sexta-feira, 3 de março de 2017

FAMILIA SCHROEDER SAURUS SELECT PINOT NOIR 2014 – PATAGONIA – ARGENTINA

● Vinho da Semana 102017 - ● FAMILIA SCHROEDER SAURUS SELECT PINOT NOIR 2014 – PATAGONIA – ARGENTINA – A área de Río Negro representa a tradição vitivinícola da Patagônia. A Humberto Canale está por lá desde 1909, produzindo vinhos e frutas, como pera e maçã, durante todo esse período. É nesta zona que estão plantados vinhedos antigos, como os da bodega Chacra. Neuquén, ao contrário, representa o novo território. Uma família dedicada aos negócios imobiliários encontrou no vinho uma grande oportunidade. Compraram uma grande extensão de terra, lotearam o terreno, plantaram algumas vinhas, e venderam. Quase um condomínio de bodegas.
Venderam todos os terrenos, exceto um, onde funciona a Bodega del Fin del Mundo, a maior da Patagônia. Trata-se de uma gigante que responde por cerca de 50% da produção da região, isso considerando ainda o volume da NQN, que ocupa um terreno que foi vendido, e depois recomprada pelos donos da Bodega del Fin del Mundo.
Outra das bodegas que integram este grande projeto é a Família Schroeder, que faz vinhos interessantes, e convida os turistas a uma visita, com uma boa estrutura de receptivo, incluindo um restaurante muito bom, com vista para os vinhedos, obras de arte, lojinha e até uma pequena mostra, relacionada ao esqueleto de dinossauro encontrado ali, durante a construção da vinícola. É uma linda bodega, que bem representa a nova geração de vinícolas, que há cerca de 15 anos começaram a ocupar esta grande área em Neuquén, num empreendimento imobiliário vitivinícola. E a atração mais particular de todas é uma sala, onde foi encontrado o esqueleto de um dinossauro com 75 milhões de anos. As peças verdadeiras foram removidas para estudos e exposição, mas foram colocadas réplicas, mostrando como era o local, com painéis que contam a história da descoberta do Panamericansaurus Schroederi, que foi batizado em homenagem à família.
            O Valle de San Patricio del Chanãr, a uma altitude de 350m, caracteriza-se por dias ensolarados, com alta luminosidade e constantes ventos que sopram da Cordilheira dos Andes, garantindo um perfeito estado sanitário nas uvas, com grande concentração de cor e aromas. A região está localizada a 39° de latitude Sul, com baixíssimo índice anual de pluviometria (160mm). Toda a irrigação é realizada por gotejamento. Os solos são pedregosos, de origem aluvial e com baixa presença de matéria orgânica. A colheita é manual das uvas em caixas de 18kgs. Seleção dos grãos na cantina, em mesa vibratória. Crio-maceração por 3 dias com grãos inteiros, para maior extração de cor e aromas. Fermentação alcoólica em tanques de inox por 8 dias, com leveduras selecionadas. Maceração pós-fermentativa por 7 dias. A malolática espontânea, ocorre em barricas de carvalho e também em inox. Clarificação com ovos frescos de granja. Engarrafado sem filtração. Passa 12 meses em barricas de carvalho francês e americano para uma parte do vinho.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor rubi, cristalina. Olfativo sedutor com aromas de cerejas e ameixas, com especiarias e toque tostado. No paladar os taninos são macios, o corpo é médio, com boa acidez e um final curto e limpo. Surpreende pela vivacidade e maciez..
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo de imediato, mas a guarda por até 7 anos a partir da safra é indicação segura do produtor.
Notas de Harmonização: Rosbife ao molho delicado de mostarda; Pequenas aves assadas ou estufadas (codorna, perdiz); Ravióli recheado com vitela e especiarias doces, servido com redução delicada de vinho do Porto. Servir entre 16 e 17°C.

Onde comprar: Em BH - Enoteca Decanter - Rua Fernandes Tourinho, 503 – Funcionários – Belo Horizonte / MG. Telefone: (31) 3287-3618. ROYAL VINHOS - Uma tradicional adega, localizada no Mercado do Cruzeiro. End.: Rua Ouro Fino, 452 - Lojas 22 e 23 / Bairro Cruzeiro - Mercado Distrital – Tel.: (31) 3281-3539 - Belo Horizonte | MG.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

COMO A COR DO VINHO PODE INFLUIR EM NOSSA EXPERIÊNCIA GUSTATIVA ?

“ COMO A COR DO VINHO PODE INFLUIR EM NOSSA EXPERIÊNCIA GUSTATIVA ? “ – Na percepção sensorial do vinho, a cor costuma ocupar um distante terceiro lugar em importância, depois do aroma e do sabor. Mas essa posição é justificada? Se o mundo do vinho tivesse uma bandeira, teria de ser vermelha, branca e rosa. Afinal, a cor de um vinho é algo com que todos podemos concordar. Não é?
Bem, o vinho nunca é realmente branco. O Chablis costuma ser descrito como amarelo palha com reflexos verde-limão enquanto o Sauternes é dourado; o vinho tinto vai do roxo brilhante dos Malbecs argentinos jovens à cor granada desbotada do Pinot Noir clássico; ele nunca é chamado simplesmente de vermelho. Mesmo o rosé tem 21 tons diferentes, segundo uma pesquisa da Provence.
A cor acaba sendo tão contraditória e discutível quanto quaisquer outros fatores do vinho, causando um grande impacto sobre as expectativas, a vinificação e, talvez o mais importante, a percepção gustativa do degustador.
 A primeira impressão causada por um vinho vem de sua cor, e daí a importância do uso de taças transparentes. Em seu livro Wine Science, o Dr. Jamie Goode discute o "fenômeno da pré-atenção", segundo o qual fazemos suposições subconscientes automáticas sobre o gosto de alguma coisa com base em sua aparência.
Vinhos tintos fechados evocam naturalmente uma expectativa de sabor concentrado, e talvez de tanino e álcool elevados. Goode cita um especialista em cores, o Prof. Charles Spence da Universidade de Oxford, que explica que "a cor vermelha normalmente representa o amadurecimento dos frutos na natureza", e daí a associação natural entre a cor mais profunda e o sabor mais intenso.
Mas muitos vinhos tintos podem desafiar essas expectativas. O Beaujolais Nouveau, por exemplo, costuma ser roxo brilhante, mas com corpo e taninos muito leves. O olho também pode pregar peças no palato. Em um experimento de 2001 realizado pelo vinicultor, consultor de vinhos e professor de enologia de Bordeaux Denis Dubourdieu, os provadores usaram expressões como cereja, ameixa e chocolate depois de degustarem um vinho branco que tinha sido tingido de vermelho com antocianinas insípidas.
No caso dos vinhos brancos, os de cor mais dourada sugerem inevitavelmente algo peculiar sobre seu sabor – geralmente, doçura, contato com as cascas, uso de carvalho, ou mesmo todos os três. A moda recente de brancos fermentados com as cascas deu origem a um gênero chamado de vinho laranja, imediatamente reconhecível por sua sensação tânica palpável, perfil de sabor habitualmente oxidativo e, é claro, sua cor laranja. De um modo geral, no entanto, a maioria dos brancos varia muito menos do que os vinhos tintos ou rosados.

v A INFLUÊNCIA DO ENÓLOGO - Até ao momento, vimos que o tema é complicado - mas existe pelo menos uma certeza: qualquer que seja a cor do vinho, a presença do castanho ou do marrom é um indicador infalível de oxidação, sendo, portanto, um importante sinal de maturação - deliberada e intencional ou não, como os devotos dos Borgonha brancos sabem muito bem.
Sabendo como a cor influencia nossa percepção do vinho, não é de admirar que haja muitas pesquisas sobre o tema - e, consequentemente, milhares de opções para o produtor. A manipulação de vinho não é nova: os enólogos sempre usaram misturas, aquecimento e outros processos na cantina para alterar o estilo de um vinho. Alguns destes processos afetam a cor de vinho propositalmente, enquanto outros fazem-no por coincidência. Nesta última categoria, acham-se a acidez (mais especificamente o pH), a manipulação e a maceração (contato das cascas com as uvas na vinificação em tinto).
O ajuste de acidez é comum no mundo do vinho, mas é mais provável ser feito para se obter estabilidade microbiológica e equilíbrio do sabor do que pela cor: um pH inferior cria um vermelho mais brilhante.
Da mesma forma, os méritos da manipulação oxidativa versus redutora estão principalmente voltados para o sabor e os taninos, embora acabem afetando inevitavelmente a cor. A maceração dos tintos – com remontagens, pigeage e assim por diante - é praticada para extrair sabor e taninos, sendo a cor um elemento importante, se não o principal.
A temperatura de fermentação é outro fator a se considerar. Inevitavelmente, as temperaturas mais elevadas ajudam na extração de cor das cascas de uvas escuras. Como um exemplo extremo, é possível usar a termovinificação: o Iain Munson, do Languedoc, diz que 30 minutos a 65 ºC extrai quase tanto a cor quanto a maceração clássica de três semanas.
No entanto, de todas as ações deliberadas tomadas para influenciar a cor, a mistura está "em primeiro lugar", de acordo com Munson. "Aqui no Languedoc, é sempre bom ter um tanque ou dois de Alicante Bouschet. Mesmo 10% dela em um vinho com pouca cor faz um mundo de diferença", diz ele, acrescentando: "Há rumores de que se você viajar pela Borgonha durante o outono, pode ver algumas fileiras com folhas vermelhas brilhantes - a Alicante entre as Pinot Noir!"
A Alicante Bouschet é uma variedade tintureira – cuja polpa e casca são vermelhas – e é um ingrediente muito usado para dar a cor a uma mistura final. Muito mais controversa é a utilização de Mega Purple. Este concentrado de uva fortemente processado é feito a partir da híbrida Rubired, e uma pequena quantidade pode alterar radicalmente a cor de um vinho (bem como sua sensação na boca e doçura). Geralmente, é usado com discrição, mas há rumores de que é um ingrediente importante de muitos vinhos tintos mais baratos de sua Califórnia natal.

v COR POR NÚMEROS - Técnicas alternativas que ajudam a atingir o mesmo fim são menos reservadas, embora não menos controversas. A adição de enzimas, pó de carvalho e taninos buscam influenciar a cor dos vinhos. Gavin Monery, enólogo da London Cru, explica: "Volta e meia, as operações comerciais usam as enzimas para auxiliar a extração de cor e adicionar tanino para estabilizar essa cor (mediante a formação de taninos pigmentados). O pó de carvalho durante a fermentação primária também ajuda".
A maioria destas técnicas aplica-se especificamente aos vinhos tintos, mas a cor dos brancos e rosés também pode ser controlada na adega. Monery menciona a caseína para combater o escurecimento em vinhos brancos, e o uso de carvão ativado para tirar a cor dos rosés, ajustando-a à atual preferência do mercado.
Ken Mackay MW, gerente de compra de vinhos da Waitrose, explica: "A moda é de tons mais rosados - não muito laranja e não muito escuros", acrescentando que "isto é particularmente importante para os vinhos rosés em garrafas claras, onde a aparência do líquido pode realmente ajudar a vender o vinho".  O consultor e enólogo Nayan Gowda lembra um cliente que chegou a presenteá-lo com uma cartela de cores Dulux para especificar o tom certo de rosa. Com tamanho imperativo para se obter uma tonalidade exata, Munson sugere que alguns produtores podem adicionar pequenas quantidades de vinho tinto num rosé pálido, a fim de obter exatamente a cor "certa" – mesmo que isso seja estritamente contrário aos regulamentos da UE em qualquer lugar fora de Champagne.
No mercado chinês a cor mais escura de um vinho está associada à mais qualidade... Mackay observa que as tendências atuais parecem favorecer os brancos mais pálidos e tintos de cor mais profunda, e Munson observa que "o mercado chinês equivale a cor mais escura a uma melhor qualidade". No entanto, Gowda acha que a França, a Austrália e os EUA não estão muito preocupados com densidade de cor. Mas isso vem junto com a tendência no sentido de vinhos mais leves, menos extraídos, que o mercado atualmente parece preferir".
Há apenas uma coisa que pode compensar completamente a influência da cor na sua avaliação de um vinho: quando ele é degustado sem que se veja sua cor. Muitos experimentos têm tentado investigar que diferença isso pode fazer.

v SENTIDO E PERCEPÇÃO - Usar óculos escuros é uma manobra favorita em algumas competições. No final do concurso de Sommelier do Ano de 2012 no Reino Unido, Jan Konetzki do restaurante de Gordon Ramsay tinha que provar seis bebidas (não só vinhos) em taças escuras e agrupá-los por ingredientes em comum. "É complicado, porque você perde o senso de confiança, mas, ao mesmo tempo, reforça seu olfato e paladar", explica Konetzki, que ganhou a competição.
O Mestre Sommelier Xavier Rousset, dos restaurantes londrinos 28-50° e Texture, concorda que os óculos escuros fazem com que a prova seja extremamente difícil. "Eu nunca tinha confundido vinho tinto com branco, mas já vi isso feito e posso me imaginar fazendo isso. É especialmente difícil distinguir Champagne branco do rosé".
Esta idéia foi levada ainda mais longe em um estudo de 2009 do Journal Of Sensory Sciences, onde foram utilizados óculos escuros e cores alteradas na luz ambiente da sala de degustação. Os resultados sugerem que um Riesling seco seria considerado de melhor qualidade quando provado sob luz vermelha ou azul do que sob luz verde ou branca.
Habitualmente, a cor recebe a mais breve consideração quando se degustam vinhos, com muito mais ênfase nos aromas, nos sabores e na estrutura no palato. No entanto, a pesquisa mostrou que a cor pode influenciar muito nossa percepção do vinho. Como uma extensão lógica desta, quando se oculta a cor de um vinho, torna-se muito mais difícil avaliá-lo.

Embora aroma, sabor e qualidade sejam questões eternamente discutíveis, talvez a cor seja a única faceta do vinho que não é subjetiva. Ela varia do marrom ao roxo, do limão ao âmbar, do salmão ao rosa, com cada nuance no meio. Essa diversidade de cores pode revelar um monte de verdades sobre um vinho, o que significa que é uma parte vital não só da ciência e da compreensão de vinho como também de sua experiência. * Baseado em artigo da Revista Decanter, traduzido com maestria por Marcello Borges.

CROSSBARN BY PAUL HOBBS 2009 PINOT NOIR SONOMA COAST – CALIFÓRNIA – ESTADOS UNIDOS

● Vinho da Semana 092017 - ● CROSSBARN BY PAUL HOBBS 2009 PINOT NOIR SONOMA COAST – CALIFÓRNIA – ESTADOS UNIDOS – Um dos maiores nomes do vinho californiano, Paul Hobbs é tão conhecido por seus elegantes Pinot Noirs quanto pelos profundos e aristocráticos Cabernet Sauvignon. Este é um lançamento que vai deixar com água na boca os apreciadores dos vinhos californianos em estilo mais elegante.
            Para quem acompanha de perto o mundo do vinho, o nome de Paul Hobbs dispensa apresentações. Enólogo experiente, traz no currículo marcas invejáveis como a mítica nota 100 de Robert Parker e lugar cativo na lista dos melhores vinhos do mundo da Wine Spectator.
            Um dos pioneiros na vinificação de vinhos com uvas de vinhedo único, Paul Hobbs produz verdadeiros ícones da Califórnia - vinhos de classe mundial, exuberantes e poderosos. Seus vinhos tintos e brancos mostram impressionante finesse e elegância, em um estilo tão característico que não deixa de lembrar certos vinhos de Angelo Gaja. Seus maravilhosos vinhos Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Chardonnay de vinhedo são todos vinhos fantásticos, de minúscula produção, disputados por filas de enófilos e colecionadores em seu país de origem.
            A gestão meticulosa das vinhas aliada a modernas técnicas de vinificação minimamente invasivas, permitem que Paul Hobbs produza vinhos que expressam as singularidades da região com finesse, complexidade e autenticidade. Os vinhos Paul Hobbs são fermentados com leveduras nativas e envelhecidos em barris de carvalho francês, responsáveis por adicionar aos exemplares maior complexidade e riqueza de aromas e sabores.
            Localizada na região da Califórnia, a vinícola Paul Hobbs foi fundada em 1991 e, após sete anos, Hobbs compra uma parcela de terras em Sebastopol, que se tornará o vinhedo conhecido como Katherine Lindsay Estate. Em 2005, o vinho Cabernet Sauvignon 2002 recebe os icônicos 100 pontos de Robert Parker, na The Wine Advocate.

O vinhedo Richard Dinner, localizado a noroeste de Sonoma County, recebe uma excelente exposição solar durante o dia. Já a noite, as vinhas recebem a névoa da manhã proveniente do topo da baía de San Pablo, dando origem a uvas com sabores e aromas concentrados.
            O vinhedo Hyde Carneros, situado em Napa Valley, é responsável por dar origem aos excepcionais vinhos Pinot Noir e Cabernet Sauvignon desde 1991. As colinas suaves oferecem uma série de microclimas e condições geográficas privilegiadas, proporcionando que as uvas atinjam o exitoso cultivo.
Este é o Pinot Noir da linha Cross Barn de Paul Hobbs, elaborado a partir de uma seleção rigorosa de vinhos de vinhedo único de Sonoma Coast. Trata-se de um vinho complexo e elegante, com frutas negras e vermelhas doces e maduras, especiarias e um toque mineral inconfundível. De textura deliciosa, tem profundidade e persistência e está na mesma faixa de preços dos outros Cross Barn, linha de entrada deste prestigioso produtor.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor rubi, cristalina. Olfativo sedutor com aromas de cerejas e ameixas. No paladar os taninos são macios, o corpo é médio, com boa acidez e um acabamento aguçando o fim de boca. Surpreende pela vivacidade e maciez. Fermentação tradicional com controle de temperatura. Maceração de 14 dias. Fermentação com leveduras selvagens e selecionadas. A maturação se faz por 12 meses em carvalho francÊs. 23% novas.
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo de imediato, mas a guarda por até 10 anos a partir da safra é indicação segura do produtor.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 16 e 17°C.

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Degustação de vinhos brasileiros.

ASSOBIO TINTO RECEBE 90 PONTOS NA WINE SPECTATOR


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ASSOBIO TINTO RECEBE 90 PONTOS NA WINE SPECTATOR Vinho é reconhecido como “Best Value”


A revista americana Wine Spectator divulgou antecipadamente o ‘Buying Guide’ da edição de março. No guia, o vinho Assobio Tinto 2014 é reconhecido como “Best Value” – vinho com melhor relação custo-benefício, com 90 pontos. A publicação, com mais de 3,5 milhões de leitores em todo o mundo, destaca o frescor, a fruta, os toques de especiarias e os taninos macios deste vinho tinto duriense da Quinta dos Murças. O Assobio Tinto 2014 resulta do blend das mais tradicionais castas autóctones do Douro - Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca - respeitando a tradição vitivinícola da mais antiga região demarcada do mundo. O perfil equilibrado, fresco, versátil e gastronômico espelha as condições únicas do vale do Douro marcado por diferentes terroirs e um clima extremo, aliado a práticas agrícolas sustentáveis.

Além do Assobio tinto, há também o Assobio rosé e o Assobio branco.  A gama Assobio faz parte do portfólio de vinhos da Quinta dos Murças, aos quais se juntam o Minas, o Reserva, o Margem, o VV47, o Porto Tawny 10 anos, o Porto Vintage e o azeite extravirgem. Importados pela Qualimpor, os produtos de Murças podem ser encontrados em supermercados, empórios e lojas especializadas.

Conteúdo sobre a Quinta dos Murças:
A origem dos vinhos e suas características:  http://esporao.com/quinta-dos-murcas/
A Quinta dos Murças é uma propriedade situada na sub-região do Cima Corgo, entre o Peso da Régua e o Pinhão. Os 155 hectares de área total beneficiam de um terroir muito marcado pelas montanhas, solos xistosos, diferentes altitudes e pela margem 3,2km ao longo do rio. As vinhas ocupam 48 hectares e apresentam diferentes idades, altitudes e exposições solares. Existem cerca de 300.000 videiras plantadas ao alto e em patamares. As castas são predominantemente autóctones – Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela, Tinto Cão, Touriga Franca, Tinta Francisca e Touriga Nacional. Para além da vinha, existem cerca de 6.000 pés de oliveiras e um pomar com 800 laranjeiras, tangerineiras, limoeiros e outras árvores de fruto. O restante terreno é área florestal.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

COM QUE VINHO ORGÂNICO EU VOU PULAR O CARNAVAL ?

COM QUE VINHO ORGÂNICO EU VOU PULAR O CARNAVAL ? “ - Num mundo onde a preocupação com a sustentabilidade está cada vez mais em voga, cresce também a oferta de vinhos produzidos de maneira orgânica, biodinâmica e natural, sendo que nestes dois últimos, os cuidados e técnicas adotadas vão muito além da exclusão dos pesticidas e adubos sintéticos dos vinhedos.
Nunca se falou tanto sobre vinhos ecológicos, por isso, vale a pena explicar de maneira objetiva alguns detalhes de cada prática e em que elas diferem.
v ORGÂNICO - Produção orgânica é algo muito amplo que precisa incluir toda a propriedade. Toda ela precisa ser tratada como um organismo vivo e qualquer desvio que possa haver em um dos elementos deste contexto afetará todos os outros.
Pode se manusear o vinhedo organicamente, porém, se usar algum produto sintético para secar o matinho no quintal, por exemplo, ainda que não seja utilizado na vinha, descaracteriza a filosofia que orienta a pensar em todos os organismos existentes no solo, sejam plantas ou microorganismos. Quanto aos insetos que possam prejudicar o vinhedo, o intuito é espantá-los para que busquem o que necessitam em outros locais e plantas. Para a prevenção de pragas e doenças, utilizam meios alternativos de tratamento como água de cinza, sulfato de cobre, enxofre, cal virgem, sulfato de zinco, sulfato de potássio… estes são alguns dos produtos naturais usados que auxiliam no combate a pragas, bactérias e doenças fúngicas.
Também se fazem necessários alguns cuidados naturalistas durante a vinificação. Muitos produtores que se dizem orgânicos mantém esta prática apenas na vinha, neste caso deveriam mencionar no rótulo que o vinho é produzido com UVAS ORGÁNICAS, pois na cantina também existem cuidados a serem tomados para a preservação desta filosofia.
Penso que a nós não cabe esta discussão, uma vez que nem os órgãos certificadores chegam a um consenso, e, se a uva está livre de agrotóxicos já está de bom tamanho, não é?
Um exemplo de vinho ORGÂNICO – vinhos da linha ARROGANT FROG importados pela Decanter
v BIODINÂMICO (agricultura biológica) - A agricultura biodinâmica, adotada por muitas vinícolas em todo o mundo, inclusive as célebres Romanée Conti e Pingos, tem como base as teorias de Rudolf Steiner, filósofo austríaco falecido em 1925 cuja intenção era devolver à agricultura o papel social e cultural que perdeu durante o processo de industrialização de alimentos e a criação de animais em massa fora do seu ambiente natural.
Para ele, a agricultura é o fundamento de toda cultura, tem algo a ver com todos, por isso o ponto central da produção biodinâmica é o ser humano numa relação respeitosa com o universo, ou seja, tudo aquilo que o cerca, considera-se tudo, ar, água, terra, fogo, sol… A viticultura e a enologia são regidas pela astrologia, todas as etapas de produção, desde os cuidados com a vinha como a poda, adubação, até chegar à vinificação são feitas de acordo com as fazes da lua.
Para esta filosofia, as plantas são para a terra como instrumentos de percepção do cosmo. Não se aduba o solo para nutrir a planta, mas para vivificar a terra, que transmitirá parte de sua virtude á planta que passará ao homem ou outro ser qualquer. Todo ser vivo para ser perfeitamente equilibrado precisa estar plenamente integrado ao ecossistema onde ele vive, sendo o mais natural possível.
Na biodinâmica, a vinha deixa de ser uma monocultura e se torna uma vasta e complexa rede de microorganismos e animais trazendo equilíbrio ao meio. Na medida em que exclui o uso de pesticidas, aumenta também a incidência de pragas, porém, cada praga tem seus inimigos naturais que as devoram, é a cadeia alimentar, quanto mais pragas surgirem mais insetos inimigos também surgirão devido à alta oferta de alimentos. Quanto aos insetos, a grande maioria que existe são benéficas ao homem, por isso, quanto mais borboletas, joaninhas (predadoras de pulgões), vespas (alimentam os filhotes com larvas de gafanhotos, lagartas) no vinhedo, melhor. A ideia é contribuir para o aumento da população dos insetos inofensivos à vinha para combaterem os que são prejudiciais.
A única semelhança entre o cultivo biodinânico e orgânico é a não utilização dos pesticidas, adubos sintéticos, hormônios, etc. A primeira abrange outras esferas que vão muito além da exclusão de adubos sintéticos e venenos.
Um exemplo de vinho BIODINÂMICO – vinhos da linha COLOMÉ importados pela Decanter
v NATURAIS - Os vinhos naturais são aqueles cujos produtores têm por conceito interferir o mínimo possível na elaboração, a transformação do mosto em vinho se dá sozinha, naturalmente, iniciada pelos açúcares naturais do mosto em contato com as leveduras naturais (também chamadas de selvagens) presentes nas cascas da uva.
É uma maneira ancestral de produção, abrindo mão de quase todas (ou todas) as tecnologias disponíveis. O cultivo do vinhedo é orgânico ou biodinâmico, proporcionando o aparecimento destes microorganismos naturalmente, tanto que, no mundo antigo, extraiam o fermento que precisavam para produção de pães e outros alimentos da espuma da superfície do vinho quando em fermentação.
Na França, o mundo do vinho natural está cercado de polêmica desde 1907 (veja o postal da época) – ao mesmo tempo em que o país é expoente na produção de natuais. Integrantes do INAO, o Instituto Nacional de Origem e Qualidade do vinho francês, se reuniram para tentar chegar a uma definição precisa de vinho natural. O problema é que há discordância no conceito, inclusive entre produtores da bebida. E há ainda aqueles que não querem ser encaixados em uma categoria fechada.
A AVN, associação de produtores de vinhos naturais da França, diz que um vinho natural é aquele produzido por meio de métodos naturais, sem aditivos. Para alguns, a definição é vaga. Mas a AVN diz que a discussão está no começo e que espera esclarecer todas as dúvidas com produtores e consumidores.
Estudos afirmam que algumas localidades ou vinhedos apresentam tipos de leveduras naturais ou selvagens típicas, que só existem ali, dando caráter particular aos vinhos (quase como num conceito de terroir).
A vitivinicultura natural é teoricamente possível em qualquer lugar, mas França e Itália lideram atualmente. Isso talvez porque as mais antigas regiões vinícolas têm as mais longas histórias do povo trabalhando com a natureza, para o bem ou para o mal.
O uso de leveduras selecionadas e/ou correções finais acrescentando ácido tartárico e taninos não acontece, tampouco a adição de sulfitos durante a fermentação, pois, podem matar as leveduras indígenas, e tirar algumas características naturais da bebida além de anular o terroir. Alguns produtores adicionam quantidades mínimas após a vinificação enquanto que outros abolem totalmente o uso do SO2 (mesmo que não se adicione o SO2 pode ser que o vinho acuse a presença deste, uma vez que ele também é um produto resultante da fermentação, quantidades minúsculas aparecem após a elaboração).
Durante a fermentação, não se controla a temperatura, os vinhos não passam por colagem e nem são filtrados para não perderem elementos de aroma e sabor.
A vinificação natural quando bem feita atinge níveis altíssimos de qualidade e tipicidade, é a mais alta expressão do terroir que existe, portanto, são vinhos que precisam ser compreendidos. Talvez isto explique as muitas polêmicas existentes sobre esta prática.
Um exemplo de vinho NATURAL – vinhos do produtor GRAVNER ou SIMCIC importados pela Decanter.
            A pergunta que não quer calar é se estes vinhos são melhores que os vinhos “normais”, onde os conceitos de orgânico, biodinâmico ou natural não entram e que são a mioria dos rótulos nas nossas prateleiras.
A verdade é que já provei de todos estes rótulos e gostei de todos. Posso dizer que a opção de vinhos naturais, principalmente quando se fala de vinhos de Talha (leia o artigo de Rui Falcão) ou de vinhos Laranja exige maior cuidado para entender seus aromas e sabores únicos. Creio que o mais importante é que estes vinhos nos proporcionem a harmonia e prazer e descobrir novas dimensões nas nossas taças.
Sem entrar em discórdias, nem privilegiar radicalismos, no final das contas não se discute qual tipo de vinho é melhor, desde que nos dêem prazer. Há bons e excelentes rótulos em todas as opções, mas é claro que também há vinhos sofríveis em todas elas.

O que me lembra que ficou famosa a resposta do professor Emile Peynaud, pai da enologia francesa em Bordeaux, quando lhe perguntaram qual o melhor vinho que provara. “Um Pinot Noir, disse. E o pior? Um Pinot Noir”, completou.

NUITS-SAINTE-GEORGES 1er CRU CLS DES GRANDES VIGNES 2007 – MONOPOLE – CHATEAU DE PULIGNY MONTRACHET – BORGONHA - FRANÇA

● Vinho da Semana 082017 - ● NUITS-SAINTE-GEORGES 1er CRU CLS DES GRANDES VIGNES 2007 – MONOPOLE – CHATEAU DE PULIGNY MONTRACHET – BORGONHA - FRANÇA -  O Château de Puligny-Montrachet é um ótimo produtor de Bourgogne, especializado em vinhos brancos e que produz tintos sedutores. Os rótulos desse Château são expressões clássicas da Borgonha, de suas denominações em geral e de seus terroirs específicos em particular. Os métodos de cultivo que utilizam contribuem para este estilo individual e seus métodos de vinificação visam evitar influências externas excessivas, a fim de trazer o equilíbrio que pode ser encontrado naturalmente no terroir da Borgonha.
            Todos os frutos de Puligny-Montreachet são colhidos à mão e, graças às prensas pneumáticas reguláveis e precisas, a qualidade das uvas e o perfil da vindima são controlados. Após uma ligeira sedimentação, os mostos são colocados principalmente em barris de 600 litros, bem como em barris de 228 litros, onde ocorrem as fermentações alcoólicas e maloláticas.
            Para o envelhecimento, são usados cerca de 5 a 20% de barris novos, feitos principalmente de madeira de Allier que propiciam um longo amadurecimento e notas de leve tostado. A primeira estratificação ocorre após cerca de um ano de envelhecimento em madeira. Depois disso tem início a segunda fase de envelhecimento, que dura de quatro a seis meses em aço inoxidável, que preserva o frescor e tensão do vinho. O envelhecimento termina com uma ligeira afinação seguida de uma filtração leve antes do engarrafamento.
● Notas de Degustação: cor rubi de boa intensidade, sem reflexo do tempo de guarda. Aromas intensos de cereja e toque típico de cogumelos e couro. O paladar é elegante, fino, com taninos macios, e textura aveludada. O final de boca é longo e a persistência permite saborear a sua complexidade. Corpo médio. Vinificação tradicional com controle de temperatura. Leveduras autóctones. A maturação é feita por 13 meses em barricas de carvalho francês com 20% delas novas.
● Estimativa de Guarda: Mostra que aguenta fácil 10 anos, mas tem potencial para mais uns 5 anos.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 17 e 18°C.

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100