domingo, 19 de fevereiro de 2017

COM QUE VINHO ORGÂNICO EU VOU PULAR O CARNAVAL ?

COM QUE VINHO ORGÂNICO EU VOU PULAR O CARNAVAL ? “ - Num mundo onde a preocupação com a sustentabilidade está cada vez mais em voga, cresce também a oferta de vinhos produzidos de maneira orgânica, biodinâmica e natural, sendo que nestes dois últimos, os cuidados e técnicas adotadas vão muito além da exclusão dos pesticidas e adubos sintéticos dos vinhedos.
Nunca se falou tanto sobre vinhos ecológicos, por isso, vale a pena explicar de maneira objetiva alguns detalhes de cada prática e em que elas diferem.
v ORGÂNICO - Produção orgânica é algo muito amplo que precisa incluir toda a propriedade. Toda ela precisa ser tratada como um organismo vivo e qualquer desvio que possa haver em um dos elementos deste contexto afetará todos os outros.
Pode se manusear o vinhedo organicamente, porém, se usar algum produto sintético para secar o matinho no quintal, por exemplo, ainda que não seja utilizado na vinha, descaracteriza a filosofia que orienta a pensar em todos os organismos existentes no solo, sejam plantas ou microorganismos. Quanto aos insetos que possam prejudicar o vinhedo, o intuito é espantá-los para que busquem o que necessitam em outros locais e plantas. Para a prevenção de pragas e doenças, utilizam meios alternativos de tratamento como água de cinza, sulfato de cobre, enxofre, cal virgem, sulfato de zinco, sulfato de potássio… estes são alguns dos produtos naturais usados que auxiliam no combate a pragas, bactérias e doenças fúngicas.
Também se fazem necessários alguns cuidados naturalistas durante a vinificação. Muitos produtores que se dizem orgânicos mantém esta prática apenas na vinha, neste caso deveriam mencionar no rótulo que o vinho é produzido com UVAS ORGÁNICAS, pois na cantina também existem cuidados a serem tomados para a preservação desta filosofia.
Penso que a nós não cabe esta discussão, uma vez que nem os órgãos certificadores chegam a um consenso, e, se a uva está livre de agrotóxicos já está de bom tamanho, não é?
Um exemplo de vinho ORGÂNICO – vinhos da linha ARROGANT FROG importados pela Decanter
v BIODINÂMICO (agricultura biológica) - A agricultura biodinâmica, adotada por muitas vinícolas em todo o mundo, inclusive as célebres Romanée Conti e Pingos, tem como base as teorias de Rudolf Steiner, filósofo austríaco falecido em 1925 cuja intenção era devolver à agricultura o papel social e cultural que perdeu durante o processo de industrialização de alimentos e a criação de animais em massa fora do seu ambiente natural.
Para ele, a agricultura é o fundamento de toda cultura, tem algo a ver com todos, por isso o ponto central da produção biodinâmica é o ser humano numa relação respeitosa com o universo, ou seja, tudo aquilo que o cerca, considera-se tudo, ar, água, terra, fogo, sol… A viticultura e a enologia são regidas pela astrologia, todas as etapas de produção, desde os cuidados com a vinha como a poda, adubação, até chegar à vinificação são feitas de acordo com as fazes da lua.
Para esta filosofia, as plantas são para a terra como instrumentos de percepção do cosmo. Não se aduba o solo para nutrir a planta, mas para vivificar a terra, que transmitirá parte de sua virtude á planta que passará ao homem ou outro ser qualquer. Todo ser vivo para ser perfeitamente equilibrado precisa estar plenamente integrado ao ecossistema onde ele vive, sendo o mais natural possível.
Na biodinâmica, a vinha deixa de ser uma monocultura e se torna uma vasta e complexa rede de microorganismos e animais trazendo equilíbrio ao meio. Na medida em que exclui o uso de pesticidas, aumenta também a incidência de pragas, porém, cada praga tem seus inimigos naturais que as devoram, é a cadeia alimentar, quanto mais pragas surgirem mais insetos inimigos também surgirão devido à alta oferta de alimentos. Quanto aos insetos, a grande maioria que existe são benéficas ao homem, por isso, quanto mais borboletas, joaninhas (predadoras de pulgões), vespas (alimentam os filhotes com larvas de gafanhotos, lagartas) no vinhedo, melhor. A ideia é contribuir para o aumento da população dos insetos inofensivos à vinha para combaterem os que são prejudiciais.
A única semelhança entre o cultivo biodinânico e orgânico é a não utilização dos pesticidas, adubos sintéticos, hormônios, etc. A primeira abrange outras esferas que vão muito além da exclusão de adubos sintéticos e venenos.
Um exemplo de vinho BIODINÂMICO – vinhos da linha COLOMÉ importados pela Decanter
v NATURAIS - Os vinhos naturais são aqueles cujos produtores têm por conceito interferir o mínimo possível na elaboração, a transformação do mosto em vinho se dá sozinha, naturalmente, iniciada pelos açúcares naturais do mosto em contato com as leveduras naturais (também chamadas de selvagens) presentes nas cascas da uva.
É uma maneira ancestral de produção, abrindo mão de quase todas (ou todas) as tecnologias disponíveis. O cultivo do vinhedo é orgânico ou biodinâmico, proporcionando o aparecimento destes microorganismos naturalmente, tanto que, no mundo antigo, extraiam o fermento que precisavam para produção de pães e outros alimentos da espuma da superfície do vinho quando em fermentação.
Na França, o mundo do vinho natural está cercado de polêmica desde 1907 (veja o postal da época) – ao mesmo tempo em que o país é expoente na produção de natuais. Integrantes do INAO, o Instituto Nacional de Origem e Qualidade do vinho francês, se reuniram para tentar chegar a uma definição precisa de vinho natural. O problema é que há discordância no conceito, inclusive entre produtores da bebida. E há ainda aqueles que não querem ser encaixados em uma categoria fechada.
A AVN, associação de produtores de vinhos naturais da França, diz que um vinho natural é aquele produzido por meio de métodos naturais, sem aditivos. Para alguns, a definição é vaga. Mas a AVN diz que a discussão está no começo e que espera esclarecer todas as dúvidas com produtores e consumidores.
Estudos afirmam que algumas localidades ou vinhedos apresentam tipos de leveduras naturais ou selvagens típicas, que só existem ali, dando caráter particular aos vinhos (quase como num conceito de terroir).
A vitivinicultura natural é teoricamente possível em qualquer lugar, mas França e Itália lideram atualmente. Isso talvez porque as mais antigas regiões vinícolas têm as mais longas histórias do povo trabalhando com a natureza, para o bem ou para o mal.
O uso de leveduras selecionadas e/ou correções finais acrescentando ácido tartárico e taninos não acontece, tampouco a adição de sulfitos durante a fermentação, pois, podem matar as leveduras indígenas, e tirar algumas características naturais da bebida além de anular o terroir. Alguns produtores adicionam quantidades mínimas após a vinificação enquanto que outros abolem totalmente o uso do SO2 (mesmo que não se adicione o SO2 pode ser que o vinho acuse a presença deste, uma vez que ele também é um produto resultante da fermentação, quantidades minúsculas aparecem após a elaboração).
Durante a fermentação, não se controla a temperatura, os vinhos não passam por colagem e nem são filtrados para não perderem elementos de aroma e sabor.
A vinificação natural quando bem feita atinge níveis altíssimos de qualidade e tipicidade, é a mais alta expressão do terroir que existe, portanto, são vinhos que precisam ser compreendidos. Talvez isto explique as muitas polêmicas existentes sobre esta prática.
Um exemplo de vinho NATURAL – vinhos do produtor GRAVNER ou SIMCIC importados pela Decanter.
            A pergunta que não quer calar é se estes vinhos são melhores que os vinhos “normais”, onde os conceitos de orgânico, biodinâmico ou natural não entram e que são a mioria dos rótulos nas nossas prateleiras.
A verdade é que já provei de todos estes rótulos e gostei de todos. Posso dizer que a opção de vinhos naturais, principalmente quando se fala de vinhos de Talha (leia o artigo de Rui Falcão) ou de vinhos Laranja exige maior cuidado para entender seus aromas e sabores únicos. Creio que o mais importante é que estes vinhos nos proporcionem a harmonia e prazer e descobrir novas dimensões nas nossas taças.
Sem entrar em discórdias, nem privilegiar radicalismos, no final das contas não se discute qual tipo de vinho é melhor, desde que nos dêem prazer. Há bons e excelentes rótulos em todas as opções, mas é claro que também há vinhos sofríveis em todas elas.

O que me lembra que ficou famosa a resposta do professor Emile Peynaud, pai da enologia francesa em Bordeaux, quando lhe perguntaram qual o melhor vinho que provara. “Um Pinot Noir, disse. E o pior? Um Pinot Noir”, completou.

NUITS-SAINTE-GEORGES 1er CRU CLS DES GRANDES VIGNES 2007 – MONOPOLE – CHATEAU DE PULIGNY MONTRACHET – BORGONHA - FRANÇA

● Vinho da Semana 082017 - ● NUITS-SAINTE-GEORGES 1er CRU CLS DES GRANDES VIGNES 2007 – MONOPOLE – CHATEAU DE PULIGNY MONTRACHET – BORGONHA - FRANÇA -  O Château de Puligny-Montrachet é um ótimo produtor de Bourgogne, especializado em vinhos brancos e que produz tintos sedutores. Os rótulos desse Château são expressões clássicas da Borgonha, de suas denominações em geral e de seus terroirs específicos em particular. Os métodos de cultivo que utilizam contribuem para este estilo individual e seus métodos de vinificação visam evitar influências externas excessivas, a fim de trazer o equilíbrio que pode ser encontrado naturalmente no terroir da Borgonha.
            Todos os frutos de Puligny-Montreachet são colhidos à mão e, graças às prensas pneumáticas reguláveis e precisas, a qualidade das uvas e o perfil da vindima são controlados. Após uma ligeira sedimentação, os mostos são colocados principalmente em barris de 600 litros, bem como em barris de 228 litros, onde ocorrem as fermentações alcoólicas e maloláticas.
            Para o envelhecimento, são usados cerca de 5 a 20% de barris novos, feitos principalmente de madeira de Allier que propiciam um longo amadurecimento e notas de leve tostado. A primeira estratificação ocorre após cerca de um ano de envelhecimento em madeira. Depois disso tem início a segunda fase de envelhecimento, que dura de quatro a seis meses em aço inoxidável, que preserva o frescor e tensão do vinho. O envelhecimento termina com uma ligeira afinação seguida de uma filtração leve antes do engarrafamento.
● Notas de Degustação: cor rubi de boa intensidade, sem reflexo do tempo de guarda. Aromas intensos de cereja e toque típico de cogumelos e couro. O paladar é elegante, fino, com taninos macios, e textura aveludada. O final de boca é longo e a persistência permite saborear a sua complexidade. Corpo médio. Vinificação tradicional com controle de temperatura. Leveduras autóctones. A maturação é feita por 13 meses em barricas de carvalho francês com 20% delas novas.
● Estimativa de Guarda: Mostra que aguenta fácil 10 anos, mas tem potencial para mais uns 5 anos.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 17 e 18°C.

Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100

RIPPON JEUNESSE 2010 – LAKE WANAKA CENTRAL OTAGO – NOVA ZELÂNDIA –

● Vinho da Semana 082017 - ● RIPPON JEUNESSE 2010 – LAKE WANAKA CENTRAL OTAGO – NOVA ZELÂNDIA – Considerada uma das mais belas vinícolas do mundo, a Rippon fica em Lake Wanaka, Central Otago, e foi pioneira nessa que é hoje a mais dinâmica e efervescente região do país. Seu Pinot Noir, em estilo clássico, ajudou a consolidar a fama da Nova Zelândia como exponencial produtora dessa variedade. Seus brancos, de Riesling e Gewurztraminer, são elegantes e típicos. Desde 2002, a Rippon é conduzida por Nick Mills, filho dos fundadores, graduado em enologia e viticultura em Beaune, Borgonha. Antes de assumir a empresa da família, ele trabalhou nos Domaines Jean-Jacques Confuron, de la Vougeraie e de la Romanée-Conti, e na Maison Nicolas Potel. A Rippon possui 15 ha de vinhedos, cultivados pelo método biodinâmico, sendo 8 ha de Pinot Noir. Rippon Vineyard and Winery foi fundada em 1974. Devido à sua localização a 45º sul de latitude e a uma altitude de 330 metros, os vinhedos em Central Otago produzem típicos representantes de clima frio, que são trabalhados de maneira biodinâmica pela Rippon e têm a qualidade de seus vinhos reconhecida internacionalmente. Central Otago é a região vinícola mais ao sul do planeta e no inverno as temperaturas podem cair abaixo de -5 ºC durante a noite.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor rubi claro, cristalina. Olfativo sedutor com aromas de cerejas e ameixas. No paladar os taninos são macios, o corpo é médio, com boa acidez e um acabamento aguçando o fim de boca. Surpreende pela vivacidade e maciez, e apesar de ser feito exclusivamente de vinhas jovens, não mostrou nenhuma evolução com a guarda de 7 anos. Segundo o enólogo Nick Mil, o ano de 2010 foi excepcional para a Pinot Noir. No caso das vinhas jovens, é fragrante, franca e talvez a mais clara expressão da variedade, mais do que a do solo 
e a do Terroir, formado com solos antigos de cascalhos de xisto e solos de xisto de depósitos glaciares (terminal moraine). Vinhedos plantados entre 2000-2003. A colheita manual foi feita em 17 de abril de 2010, em caixas de 10 kg, com fruta extremamente sadia. As uvas chegaram intactas à adega e passaram pela mesa de seleção. 100% das uvas foram desengaçadas e colocadas em quatro tanques de fermentação de aço inox de 2 toneladas. As leveduras naturais começaram a fermentar o mosto no quinto dia, atingindo a temperatura máxima de 28 °C no décimo dia. O tempo total de contato com as cascas foi de 12 dias. Envelhecimento de 14 meses em barricas de carvalho francês de 1 a 4 anos de uso. A fermentação malolática ocorreu espontaneamente na primavera e o vinho passou por leve clarificação e filtração antes de ser engarrafado em setembro de 2011.
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo de imediato, mas a guarda por até 7 anos a partir da safra mostrou um vinho vivo e gostoso. Aguenta fácil mais 3 anos.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 16 e 17°C.

Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Arriba Mexico

Um roteiro pela arte e cultura mexicana envolvendo gastronomia, vinhos, paisagens históricas estonteantes. Uma viagem "imperdível "!!!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A CLASSIFICAÇÃO DE 1855 EM BORDEAUX

A CLASSIFICAÇÃO DE 1855 EM BORDEAUX “ - Alguns leitores do VINOTICIAS perguntaram-me sobre a Classificação dos vinhos de Bordeaux, estabelecida incialmente em 1855 e que praticamente permaneceu inalterada até 1973 quando o Château Mouton-Rothschild saiu da posição de Deuxième Cru para a de Premier Cru, por decreto presidencial de Charles de Gaulle.
A famosa classificação originou-se por conta da Exposição Internacional de Paris, na qual os grandes vinhos de Bordeaux (da região do Médoc), foram Primeiro, Segundo, Terceiro, Quarto e Quinto Cru, listando 61 propriedades ou châteaux renomados.
O conceito de cru não nasceu na França, como muitos pensam, pois os romanos adotaram dos egípcios e dos gregos a noção de que certos vinhedos, ou certas regiões bem definidas, produziam vinhos de qualidade especial – Vem daí o conceito de cru, que em francês é uma conjugação do verbo “croître”, que quer dizer “crescer”.
Cru, neste sentido, é uma palavra que não encontra uma tradução perfeita para o português, quando utilizada no contexto do mundo dos vinhos. O termo cru é usado para indicar um vinhedo específico e de reputação reconhecida, localizado em um terroir de renome; e é também usado para se referir ao vinho produzido a partir dessas videiras desse vinhedo.
Nas classificações dos vinhos franceses significa em geral uma qualidade presumida que varia de região para região, mas indica que estamos diante de algo bom e que merece ser provado com cuidado.
Mas largando o conceito de cru, qual foi o critério, além da qualidade dos vinhos, para nortear a classificação? Nada mais simples que o valor do vinho em dinheiro na época. Ou seja, os mais caros (e presumidamente melhores) ficaram com a primeira classificação: Lafite-Rothschild, Latour, Margaux, Haut-Brion, Mouton-Rothschild. Depois desses 5 Premiers Crus temos 14 Deuxièmes Crus (2ºs), 14 Troisièmes Crus (3ºs), 10 Quatrièmes Crus (4ºs), e 18 Cinquièmes Crus (5ºs).
Em Sauternes e Barsac, e ainda de acordo com a Classificação de 1855, Premier Cru Supérieur é a qualidade máxima para os vinhos brancos de sobremesa, e existe apenas 1 representante nessa categoria: Château d’Yquem. Depois desse Premier Cru Supérieur, vem 11 Premiers Crus e 15 Deuxièmes Crus.
A região de Bordeaux criou em torno de si a fama de produtora de grandes vinhos, mas somente 2% (isto mesmo – dois por cento) são os grandes nomes que aguçam o paladar dos amantes de vinho. Importante entretanto dizer que sendo catalogados 10.000 produtores na região, 2% já somam 200 propriedades produtoras de néctares dos deuses.
A ganância dos produtores de vinhos de Bordeaux estipulando preços cada vez mais caros para seus rótulos desde 1990 afugentou muitos amantes de vinhos que abriram seus olhos para outras regiões francesas ou mesmo de outros países. O mercado americano, que era grande consumidor destes vinhos, praticamente lhes virou as costas. Entretanto, chineses e coreanos assumiram este posto e os preços continuam subindo em função da demanda.
Alguns jornalistas especializados dizem que a classificação cairá por terra por que já há vinhos que hoje são tão bons quanto os Premiers Crus. Por conta dos avanços tecnológicos e enológicos, tais como uvas melhor selecionadas, vinificação mais precisa, uso de tanques de inox, adoção de sistema gravitacional, melhor controle de temperatura de vinificação durante a maceração, entre outras melhorias, observa-se uma alteração de estilo. Os vinhos mais recentes, a partir da safra 2000, estão mais opulentos, ricos, gordos e macios, suaves, e com níveis alcoólicos de deixar qualquer Bordeaux antigo no chinelo. Se na década de 80 era comum um Bordeaux ter 12 ou 12,5% de álcool, já degustamos vinhos atuais com 14,5%.  
Muitos dizem que o fato é derivado do aquecimento global, e que isto está criando vinhos de estilo globalizado ou padronizado.  Como a tecnologia está ao alcance de todos, a qualidade de todos subiu, mas também houve uma certa padronização do gosto, lembrando em certos casos vinhos do Novo Mundo em cortes do estilo bordalês. Por sorte, alguns produtores mantêm-se fiéis ao estilo, criando vinhos exuberantes, com boa capacidade de guarda, onde além de desenvolver sua complexidade, atingem grande elegância como em Cos d’Estournel, La Tour Carnet, Léoville-Poyferré, Lascombes.
Vinhos de grande excelência como Léoville Las Cases, Latour, Lafite, Mouton Rothschild, Ducru-Beaucaillou, Pichon-Baron, Pontet-Canet, Montrose convivem com vinhos mais tradicionais, que se destacam com o tempo, mostrando suas qualidades: châteux Batailley, Beychevelle, Boyd-Cantenac, Calon-Ségur, Brane-Cantenac.
Nada a ver com a Classificação de 1855, em Graves, de acordo com a classificação própria da região, existe apenas um nível de classificação, sem hierarquia. São os 16 Crus Classés de Graves.
Em Saint-Émilion, situada à margem direita do rio Dordogne, e que não constou da classificação de 1855, embora produzisse vinhos excepcionais, criou-se em meados do século XX, a sua própria classificação, que é revista a cada 10 anos. São dois os "Premier Grand Cru Classé A" e 13 os "Premier Grand Cru Classé B", além de 46 "Grand Cru Classé " e vários "Cru Classés".
E para esclarecer outra dúvida comum, é importante não se confundir um 2eme Cru com o segundo vinho de um Chateau. Entre os segundos Crus temos: Château Rauzan-Ségla, Margaux / Château Rauzan-Gassies, Margaux / Château Léoville-Las Cases, St.-Julien / Château Léoville-Poyferré, St.-Julien / Château Léoville-Barton, St.-Julien / Château Durfort-Vivens, Margaux / Château Gruaud-Larose, St.-Julien / Château Lascombes, Margaux / Château Brane-Cantenac, Cantenac-Margaux (Margaux) / Château Pichon Longueville Baron, Pauillac / Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande, Pauillac / Château Ducru-Beaucaillou, St.-Julien / Château Cos d'Estournel, St.-Estèphe e Château Montrose, St.-Estèphe.
E o que vem a ser um segundo vinho de um Premier Cru? A grande maioria dos Châteaux de Bordeaux (sejam Premier, Deuxième, Troisième e assim por diante) produz um segundo vinho, ou "Deuxième Vin", abaixo do seu "Gran Vin". Por exemplo, o Deuxième Vin do Premier Grand Cru Classé Château Lafite Rothschild é o Carruades de Lafite, enquanto que os espetaculares Château Léoville-Las Cases e Château Cos d'Estournel são Deuxièmes Crus da Classificação de 1855.
Ter um segundo vinho não é algo recente nos châteaux de Bordeaux. Em 1904, Léoville-Las Cases fez o seu segundo rótulo (Clos du Marquis) e quatro anos depois foi a vez do Château Margaux desenvolver o Le Pavillon Rouge. No entanto, até a década de 1980, a maioria dos enófilos só conseguiam encontrar no mercado o Les Forts de Latour, o Pavillon Rouge e talvez o Moulin de Carruades (antigo nome do Carruades de Lafite). Atualmente, contudo, quase todos châteaux, mesmo alguns sem classificação, possuem um segundo vinho.

A ideia ocorreu nos anos 80 devido às colheitas abundantes da década. Alguns jornalistas afirmam que isto aconteceu para que os Châteaux mantivessem os preços de seus primeiros vinhos em um patamar elevado. Dizem que um dos grandes incentivadores dos produtores de Bordeaux para a criação dos segundos vinhos foi o professor Emile Peynaud. Na década de 1990, o número de segundos vinhos cresceu mais de dez vezes e alguns Châteaux chegaram a produzir até mesmo um terceiro rótulo.

REMHOOGTE VALENTINO SYRAH 2010 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL

● Vinho da Semana 072017 - ● REMHOOGTE VALENTINO SYRAH 2010 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL - Este vinho é uma homenagem ao proprietário e primeiro enólogo de Remhoogte, Murray Boustred. Ele nasceu no Dia dos Namorados (Valentine Day). A África do Sul é conhecida por combinar em seus vinhos tintos e brancos o sabor e a intensidade do Novo Mundo, com a classe e a elegância dos rótulos da Europa.
O país é um dos maiores destaques da atualidade, com celebrados vinhos finos, equilibrados e saborosos, sempre de excelente relação qualidade/preço. Na verdade, tanto pelo estilo da viticultura quanto pela antiguidade dos vinhedos, é difícil decidir se é mais apropriado classificar a África do Sul como “Novo Mundo” ou “Velho Mundo” em matéria de vinhos.
A África do Sul produz alguns maravilhosos “Cape Blends”, cortes bordaleses ou com outras uvas. Os excelentes vinhos de Syrah estão entre as novidades mais celebradas no país na atualidade. A África do Sul também produz vinhos brancos excelentes e muito finos.
Algumas das melhores barganhas do mundo do vinho na atualidade estão na África do Sul, com vinhos tintos e vinhos brancos de fantástica relação qualidade/preço. São todos achados que realmente vale a pena descobrir!
● Notas de Degustação: cor rubi de boa intensidade, sem reflexo do tempo de guarda. Aromas intensos de ameixa e amora, groselha e toque doce da baunilha. O paladar é pleno dos mesmos frutos escuros encontrados no olfato. Os taninos estão macios, com uma textura aveludada. O final de boca é longo e a persistência permite saborear a sua complexidade. Passa 25 meses em barricas de carvalho francês (30% de primero uso).
● Estimativa de Guarda: um sul-africano no melhor estilo do Rhône que aguenta fácil 8 anos.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 17 e 18°C.

Onde comprar: Em BH – GRAND CRU – Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.

REMHOOGTE CHENIN BLANC 2013 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL

● Vinho da Semana 072017 - ● REMHOOGTE CHENIN BLANC 2013 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL – Criado em 1812, Remhoogte é uma propriedade de 60 hectares, ao Sudeste de Simonsberg, perto de Stellenbosch. Uma das melhores regiões de vitivinicultura na África do Sul. Dany e Michel Rolland, que tinham se apaixonado pela África do Sul, assinaram em 2001, um acordo de parceria com a propriedade de Remhoogte. Fazem vinhos com grande potencial em um terroir altamente qualificado.
A uva Chenin Blanc é como um camaleão, podendo assumir características muito específicas, e diferentes, conforme seu terroir. Em climas quentes, aproxima-se mais da Chardonnay, da Viognier e da Torrontés. Em climas frios, da Sauvignon Blanc, da Alvarinho e da Pinot Grigio. Para ler mais sobre o conceito de terroir, clique aqui. O estilo de vinhos produzidos com a Chenin Blanc também varia, de secos a deliciosos vinhos de sobremesa, passando inclusive por espumantes. Mas sempre com uma acidez que oscila de média a alta.
Chenin Blanc é uma cepa usada tanto em vinhos varietais, como em vinhos de corte. Na África do Sul, é a principal branca nacional, muitas vezes é cortada com Sémillon, Viognier e Marsanne em vinhos mais encorpados, e com Sauvignon Blanc em vinhos mais secos. Em Languedoc, na França, a Chenin Blanc é cortada com Chardonnay e Mauzac, na produção de vinhos espumantes.
Colhida precocemente, a Chenin Blanc pode remeter a maracujás, enquanto o amadurecimento a aproxima dos pêssegos. Os aromas frutados e florais, com notas de nozes, são os mais frequentes nos vinhos de Chenin Blanc. Degustadores costumam identificar as frutas damasco, melão, maçã verde, ameixa verde, marmelo, limão, lima e toranja, além de flores silvestres, mel, amêndoas e marzipan.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor amarela clara, cristalino. Olfativo sedutor com aromas de damascos e figos turcos, notas de mel apoiado por aromas picantes de vegetação e mineral. No paladar aparece a nota de mel e frutas frescas combinando num vinho gostoso, suculento, com um acabamento fino e longo, com as notas minerais e vegetais aguçando o fim de boca. Surpreende pela vivacidade e maciez. Passa 7 meses em carvalho francês.
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo jovem, de imediato, mas a guarda recomendada é por até 5 anos a partir da safra.
Notas de Harmonização: Carnes vermelhas, massas e embutidos. Servir entre 7 e 8°C.

Onde comprar: Em BH – GRAND CRU – Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.