domingo, 19 de fevereiro de 2017

RIPPON JEUNESSE 2010 – LAKE WANAKA CENTRAL OTAGO – NOVA ZELÂNDIA –

● Vinho da Semana 082017 - ● RIPPON JEUNESSE 2010 – LAKE WANAKA CENTRAL OTAGO – NOVA ZELÂNDIA – Considerada uma das mais belas vinícolas do mundo, a Rippon fica em Lake Wanaka, Central Otago, e foi pioneira nessa que é hoje a mais dinâmica e efervescente região do país. Seu Pinot Noir, em estilo clássico, ajudou a consolidar a fama da Nova Zelândia como exponencial produtora dessa variedade. Seus brancos, de Riesling e Gewurztraminer, são elegantes e típicos. Desde 2002, a Rippon é conduzida por Nick Mills, filho dos fundadores, graduado em enologia e viticultura em Beaune, Borgonha. Antes de assumir a empresa da família, ele trabalhou nos Domaines Jean-Jacques Confuron, de la Vougeraie e de la Romanée-Conti, e na Maison Nicolas Potel. A Rippon possui 15 ha de vinhedos, cultivados pelo método biodinâmico, sendo 8 ha de Pinot Noir. Rippon Vineyard and Winery foi fundada em 1974. Devido à sua localização a 45º sul de latitude e a uma altitude de 330 metros, os vinhedos em Central Otago produzem típicos representantes de clima frio, que são trabalhados de maneira biodinâmica pela Rippon e têm a qualidade de seus vinhos reconhecida internacionalmente. Central Otago é a região vinícola mais ao sul do planeta e no inverno as temperaturas podem cair abaixo de -5 ºC durante a noite.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor rubi claro, cristalina. Olfativo sedutor com aromas de cerejas e ameixas. No paladar os taninos são macios, o corpo é médio, com boa acidez e um acabamento aguçando o fim de boca. Surpreende pela vivacidade e maciez, e apesar de ser feito exclusivamente de vinhas jovens, não mostrou nenhuma evolução com a guarda de 7 anos. Segundo o enólogo Nick Mil, o ano de 2010 foi excepcional para a Pinot Noir. No caso das vinhas jovens, é fragrante, franca e talvez a mais clara expressão da variedade, mais do que a do solo 
e a do Terroir, formado com solos antigos de cascalhos de xisto e solos de xisto de depósitos glaciares (terminal moraine). Vinhedos plantados entre 2000-2003. A colheita manual foi feita em 17 de abril de 2010, em caixas de 10 kg, com fruta extremamente sadia. As uvas chegaram intactas à adega e passaram pela mesa de seleção. 100% das uvas foram desengaçadas e colocadas em quatro tanques de fermentação de aço inox de 2 toneladas. As leveduras naturais começaram a fermentar o mosto no quinto dia, atingindo a temperatura máxima de 28 °C no décimo dia. O tempo total de contato com as cascas foi de 12 dias. Envelhecimento de 14 meses em barricas de carvalho francês de 1 a 4 anos de uso. A fermentação malolática ocorreu espontaneamente na primavera e o vinho passou por leve clarificação e filtração antes de ser engarrafado em setembro de 2011.
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo de imediato, mas a guarda por até 7 anos a partir da safra mostrou um vinho vivo e gostoso. Aguenta fácil mais 3 anos.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 16 e 17°C.

Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Arriba Mexico

Um roteiro pela arte e cultura mexicana envolvendo gastronomia, vinhos, paisagens históricas estonteantes. Uma viagem "imperdível "!!!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A CLASSIFICAÇÃO DE 1855 EM BORDEAUX

A CLASSIFICAÇÃO DE 1855 EM BORDEAUX “ - Alguns leitores do VINOTICIAS perguntaram-me sobre a Classificação dos vinhos de Bordeaux, estabelecida incialmente em 1855 e que praticamente permaneceu inalterada até 1973 quando o Château Mouton-Rothschild saiu da posição de Deuxième Cru para a de Premier Cru, por decreto presidencial de Charles de Gaulle.
A famosa classificação originou-se por conta da Exposição Internacional de Paris, na qual os grandes vinhos de Bordeaux (da região do Médoc), foram Primeiro, Segundo, Terceiro, Quarto e Quinto Cru, listando 61 propriedades ou châteaux renomados.
O conceito de cru não nasceu na França, como muitos pensam, pois os romanos adotaram dos egípcios e dos gregos a noção de que certos vinhedos, ou certas regiões bem definidas, produziam vinhos de qualidade especial – Vem daí o conceito de cru, que em francês é uma conjugação do verbo “croître”, que quer dizer “crescer”.
Cru, neste sentido, é uma palavra que não encontra uma tradução perfeita para o português, quando utilizada no contexto do mundo dos vinhos. O termo cru é usado para indicar um vinhedo específico e de reputação reconhecida, localizado em um terroir de renome; e é também usado para se referir ao vinho produzido a partir dessas videiras desse vinhedo.
Nas classificações dos vinhos franceses significa em geral uma qualidade presumida que varia de região para região, mas indica que estamos diante de algo bom e que merece ser provado com cuidado.
Mas largando o conceito de cru, qual foi o critério, além da qualidade dos vinhos, para nortear a classificação? Nada mais simples que o valor do vinho em dinheiro na época. Ou seja, os mais caros (e presumidamente melhores) ficaram com a primeira classificação: Lafite-Rothschild, Latour, Margaux, Haut-Brion, Mouton-Rothschild. Depois desses 5 Premiers Crus temos 14 Deuxièmes Crus (2ºs), 14 Troisièmes Crus (3ºs), 10 Quatrièmes Crus (4ºs), e 18 Cinquièmes Crus (5ºs).
Em Sauternes e Barsac, e ainda de acordo com a Classificação de 1855, Premier Cru Supérieur é a qualidade máxima para os vinhos brancos de sobremesa, e existe apenas 1 representante nessa categoria: Château d’Yquem. Depois desse Premier Cru Supérieur, vem 11 Premiers Crus e 15 Deuxièmes Crus.
A região de Bordeaux criou em torno de si a fama de produtora de grandes vinhos, mas somente 2% (isto mesmo – dois por cento) são os grandes nomes que aguçam o paladar dos amantes de vinho. Importante entretanto dizer que sendo catalogados 10.000 produtores na região, 2% já somam 200 propriedades produtoras de néctares dos deuses.
A ganância dos produtores de vinhos de Bordeaux estipulando preços cada vez mais caros para seus rótulos desde 1990 afugentou muitos amantes de vinhos que abriram seus olhos para outras regiões francesas ou mesmo de outros países. O mercado americano, que era grande consumidor destes vinhos, praticamente lhes virou as costas. Entretanto, chineses e coreanos assumiram este posto e os preços continuam subindo em função da demanda.
Alguns jornalistas especializados dizem que a classificação cairá por terra por que já há vinhos que hoje são tão bons quanto os Premiers Crus. Por conta dos avanços tecnológicos e enológicos, tais como uvas melhor selecionadas, vinificação mais precisa, uso de tanques de inox, adoção de sistema gravitacional, melhor controle de temperatura de vinificação durante a maceração, entre outras melhorias, observa-se uma alteração de estilo. Os vinhos mais recentes, a partir da safra 2000, estão mais opulentos, ricos, gordos e macios, suaves, e com níveis alcoólicos de deixar qualquer Bordeaux antigo no chinelo. Se na década de 80 era comum um Bordeaux ter 12 ou 12,5% de álcool, já degustamos vinhos atuais com 14,5%.  
Muitos dizem que o fato é derivado do aquecimento global, e que isto está criando vinhos de estilo globalizado ou padronizado.  Como a tecnologia está ao alcance de todos, a qualidade de todos subiu, mas também houve uma certa padronização do gosto, lembrando em certos casos vinhos do Novo Mundo em cortes do estilo bordalês. Por sorte, alguns produtores mantêm-se fiéis ao estilo, criando vinhos exuberantes, com boa capacidade de guarda, onde além de desenvolver sua complexidade, atingem grande elegância como em Cos d’Estournel, La Tour Carnet, Léoville-Poyferré, Lascombes.
Vinhos de grande excelência como Léoville Las Cases, Latour, Lafite, Mouton Rothschild, Ducru-Beaucaillou, Pichon-Baron, Pontet-Canet, Montrose convivem com vinhos mais tradicionais, que se destacam com o tempo, mostrando suas qualidades: châteux Batailley, Beychevelle, Boyd-Cantenac, Calon-Ségur, Brane-Cantenac.
Nada a ver com a Classificação de 1855, em Graves, de acordo com a classificação própria da região, existe apenas um nível de classificação, sem hierarquia. São os 16 Crus Classés de Graves.
Em Saint-Émilion, situada à margem direita do rio Dordogne, e que não constou da classificação de 1855, embora produzisse vinhos excepcionais, criou-se em meados do século XX, a sua própria classificação, que é revista a cada 10 anos. São dois os "Premier Grand Cru Classé A" e 13 os "Premier Grand Cru Classé B", além de 46 "Grand Cru Classé " e vários "Cru Classés".
E para esclarecer outra dúvida comum, é importante não se confundir um 2eme Cru com o segundo vinho de um Chateau. Entre os segundos Crus temos: Château Rauzan-Ségla, Margaux / Château Rauzan-Gassies, Margaux / Château Léoville-Las Cases, St.-Julien / Château Léoville-Poyferré, St.-Julien / Château Léoville-Barton, St.-Julien / Château Durfort-Vivens, Margaux / Château Gruaud-Larose, St.-Julien / Château Lascombes, Margaux / Château Brane-Cantenac, Cantenac-Margaux (Margaux) / Château Pichon Longueville Baron, Pauillac / Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande, Pauillac / Château Ducru-Beaucaillou, St.-Julien / Château Cos d'Estournel, St.-Estèphe e Château Montrose, St.-Estèphe.
E o que vem a ser um segundo vinho de um Premier Cru? A grande maioria dos Châteaux de Bordeaux (sejam Premier, Deuxième, Troisième e assim por diante) produz um segundo vinho, ou "Deuxième Vin", abaixo do seu "Gran Vin". Por exemplo, o Deuxième Vin do Premier Grand Cru Classé Château Lafite Rothschild é o Carruades de Lafite, enquanto que os espetaculares Château Léoville-Las Cases e Château Cos d'Estournel são Deuxièmes Crus da Classificação de 1855.
Ter um segundo vinho não é algo recente nos châteaux de Bordeaux. Em 1904, Léoville-Las Cases fez o seu segundo rótulo (Clos du Marquis) e quatro anos depois foi a vez do Château Margaux desenvolver o Le Pavillon Rouge. No entanto, até a década de 1980, a maioria dos enófilos só conseguiam encontrar no mercado o Les Forts de Latour, o Pavillon Rouge e talvez o Moulin de Carruades (antigo nome do Carruades de Lafite). Atualmente, contudo, quase todos châteaux, mesmo alguns sem classificação, possuem um segundo vinho.

A ideia ocorreu nos anos 80 devido às colheitas abundantes da década. Alguns jornalistas afirmam que isto aconteceu para que os Châteaux mantivessem os preços de seus primeiros vinhos em um patamar elevado. Dizem que um dos grandes incentivadores dos produtores de Bordeaux para a criação dos segundos vinhos foi o professor Emile Peynaud. Na década de 1990, o número de segundos vinhos cresceu mais de dez vezes e alguns Châteaux chegaram a produzir até mesmo um terceiro rótulo.

REMHOOGTE VALENTINO SYRAH 2010 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL

● Vinho da Semana 072017 - ● REMHOOGTE VALENTINO SYRAH 2010 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL - Este vinho é uma homenagem ao proprietário e primeiro enólogo de Remhoogte, Murray Boustred. Ele nasceu no Dia dos Namorados (Valentine Day). A África do Sul é conhecida por combinar em seus vinhos tintos e brancos o sabor e a intensidade do Novo Mundo, com a classe e a elegância dos rótulos da Europa.
O país é um dos maiores destaques da atualidade, com celebrados vinhos finos, equilibrados e saborosos, sempre de excelente relação qualidade/preço. Na verdade, tanto pelo estilo da viticultura quanto pela antiguidade dos vinhedos, é difícil decidir se é mais apropriado classificar a África do Sul como “Novo Mundo” ou “Velho Mundo” em matéria de vinhos.
A África do Sul produz alguns maravilhosos “Cape Blends”, cortes bordaleses ou com outras uvas. Os excelentes vinhos de Syrah estão entre as novidades mais celebradas no país na atualidade. A África do Sul também produz vinhos brancos excelentes e muito finos.
Algumas das melhores barganhas do mundo do vinho na atualidade estão na África do Sul, com vinhos tintos e vinhos brancos de fantástica relação qualidade/preço. São todos achados que realmente vale a pena descobrir!
● Notas de Degustação: cor rubi de boa intensidade, sem reflexo do tempo de guarda. Aromas intensos de ameixa e amora, groselha e toque doce da baunilha. O paladar é pleno dos mesmos frutos escuros encontrados no olfato. Os taninos estão macios, com uma textura aveludada. O final de boca é longo e a persistência permite saborear a sua complexidade. Passa 25 meses em barricas de carvalho francês (30% de primero uso).
● Estimativa de Guarda: um sul-africano no melhor estilo do Rhône que aguenta fácil 8 anos.
Notas de Harmonização: Carnes de caça, paleta de cordeiro com frutas secas. Servir entre 17 e 18°C.

Onde comprar: Em BH – GRAND CRU – Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.

REMHOOGTE CHENIN BLANC 2013 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL

● Vinho da Semana 072017 - ● REMHOOGTE CHENIN BLANC 2013 – SIMONSBERG / STELLENBOSCH – AFRICA DO SUL – Criado em 1812, Remhoogte é uma propriedade de 60 hectares, ao Sudeste de Simonsberg, perto de Stellenbosch. Uma das melhores regiões de vitivinicultura na África do Sul. Dany e Michel Rolland, que tinham se apaixonado pela África do Sul, assinaram em 2001, um acordo de parceria com a propriedade de Remhoogte. Fazem vinhos com grande potencial em um terroir altamente qualificado.
A uva Chenin Blanc é como um camaleão, podendo assumir características muito específicas, e diferentes, conforme seu terroir. Em climas quentes, aproxima-se mais da Chardonnay, da Viognier e da Torrontés. Em climas frios, da Sauvignon Blanc, da Alvarinho e da Pinot Grigio. Para ler mais sobre o conceito de terroir, clique aqui. O estilo de vinhos produzidos com a Chenin Blanc também varia, de secos a deliciosos vinhos de sobremesa, passando inclusive por espumantes. Mas sempre com uma acidez que oscila de média a alta.
Chenin Blanc é uma cepa usada tanto em vinhos varietais, como em vinhos de corte. Na África do Sul, é a principal branca nacional, muitas vezes é cortada com Sémillon, Viognier e Marsanne em vinhos mais encorpados, e com Sauvignon Blanc em vinhos mais secos. Em Languedoc, na França, a Chenin Blanc é cortada com Chardonnay e Mauzac, na produção de vinhos espumantes.
Colhida precocemente, a Chenin Blanc pode remeter a maracujás, enquanto o amadurecimento a aproxima dos pêssegos. Os aromas frutados e florais, com notas de nozes, são os mais frequentes nos vinhos de Chenin Blanc. Degustadores costumam identificar as frutas damasco, melão, maçã verde, ameixa verde, marmelo, limão, lima e toranja, além de flores silvestres, mel, amêndoas e marzipan.
● Notas de Degustação: O vinho tem cor amarela clara, cristalino. Olfativo sedutor com aromas de damascos e figos turcos, notas de mel apoiado por aromas picantes de vegetação e mineral. No paladar aparece a nota de mel e frutas frescas combinando num vinho gostoso, suculento, com um acabamento fino e longo, com as notas minerais e vegetais aguçando o fim de boca. Surpreende pela vivacidade e maciez. Passa 7 meses em carvalho francês.
● Estimativa de Guarda: minha recomendação é bebê-lo jovem, de imediato, mas a guarda recomendada é por até 5 anos a partir da safra.
Notas de Harmonização: Carnes vermelhas, massas e embutidos. Servir entre 7 e 8°C.

Onde comprar: Em BH – GRAND CRU – Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Dica de fim de semana: 'O Mundo do Vinho', no GNT

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

VERDELHO, OUTRA UVA POUCO CONHECIDA DO BRASILEIRO

“ VERDELHO, OUTRA UVA POUCO CONHECIDA DO BRASILEIRO “ – Já que falamos na semana passada da Uva Verdejo nativa de Rueda, noroeste espanhol, agora é hora de esclarecer a diferença dela para a uva Verdelho, variedade nativa da Ilha da Madeira desde o século 15. Aliás, não vamos confundi-la também com a Gouveio nativa do norte de Portugal e Galícia onde é chamada de Godello. Em Portugal, no Minho com o nome de Gouveio e no vizinho Douro de Verdelho, e a Verdichio uva de Marche, na Itália. Ou seja, haja confusão.
Talvez haja algum parentesco distante com a Verdichio do Marche, e a Verdelho produz na ilha da Madeira, vinhos encorpados com acidez baixa, mas bastante vigorosos ao estilo Meio-Secos. Seus vinhos estão classificados como meio secos ficando entre os vinhos elaborados com a Bual e a Sercial. Lembrando que uma das classificações do clássico Madeira é por nível de doçura. O seco, meio seco, meio doce e o doce. Cada qual com seu varietal que traz o açúcar natural necessário.
Outro solo onde a uva se desenvolve com maestria é a ilha de Açores. Os vinhedos são muito resistente às intempéries provocadas pelo clima marítimo como ventos fortes, umidade e salinidade ela é cultivada nos canteiros de pedras chamados currais para a proteção física aos fortes ventos sendo a base do vinho fortificado de Açores onde traz ao vinho toques de avelã e nozes. Ali produz e produziu um vinho licoroso que foi vendido na Europa e fez um grande nome na Rússia dos Czares. Na época este estilo de vinho era muito requisitado.
A uva Verdelho, originária de Portugal, foi a variedade mais plantada na região da Ilha da Madeira durante o século XIX. No entanto, apesar do amplo cultivo desta casta, que chegou a ocupar cerca de dois terços dos vinhedos da área, a uva Verdelho só foi reconhecida como uma casta nobre no início dos anos 1900.
Fora das regiões portuguesas, é possível encontrar a casta Verdelho em áreas da Europa e em países do Novo Mundo, como na Austrália, Estados Unidos e África do Sul.
É uma uva branca de alta qualidade, encontrada na Itália e na península ibérica, que produz vinhos brancos equilibrados, saborosos, e de bom corpo e estrutura. A grafia Verdelho é portuguesa e a Verdello é espanhola e italiana. Hoje, a região que mais se destaca na produção de vinhos Verdelho é o Alentejo, em Portugal. Na Itália é encontrada na Sicília.
 Apresentando cachos pequenos e compactos, a uva Verdelho possui bagos miúdos e características como notável acidez, níveis consideráveis de açúcar natural e coloração verde amarelada. É uma uva fresca, com boa acidez e sabor presente.
Os aromas mais associados aos vinhos elaborados com a uva Verdelho são damasco, peras, pimentas brancas, além de frutas cítricas e tropicais. Nos vinhos brancos e secos, não fortificados, ela geralmente aparece sozinha, mas também é possível encontrá-la em cortes com Chardonnay ou Sémillon.
Para provar um vinho branco e seco produzido com Verdelho, procure um bom bacalhau ou um peixe de forte personalidade como salmão desde que não defumado. Considere, também, ostras ou vieiras. E, mesmo com fama de difíceis de harmonizar, os aspargos são bons companheiros para Verdelho.
Os vinhos brancos elaborados a partir dessa variedade de uva tem bom corpo e boa estrutura, além de excelente sabor e equilíbrio, com uma persistência agradável em boca, com aromas florais e sabor de frutas tropicais, com um toque de manga e de maracujá. Como a maioria dos vinhos brancos, vai bem com frutas de pomar e saladas, queijos finos, peixes e crustáceos. Tem guarda para 4 ou 5 anos, mas pode ser provado logo com 1 ano, sem perda de qualidade.
A Verdelho está entre as principais uvas que originam os renomados Vinhos Madeira, ao lado das cepas Tinta Negra, Boal, Malvasia e Sercial. Os exemplares denominados como Vinho Madeira são vinhos únicos, extremamente longevos e de altíssima qualidade. Esses vinhos são produzidos a partir de fermentação parcial do mostro das uvas utilizadas na composição da bebida e recebem aguardente vínica, conhecida em Portugal como bagaceira, para que o vinho se torne fortificado. Dessa maneira, os vinhos produzidos na Ilha da Madeira tem cerca de 19 graus Gl de teor alcoólico.
Neste estilo de Vinhos Madeira, os vinhos produzidos a partir da casta Verdelho tem estilo bastante similar aos Vinhos do Porto, que também são fortificados pela adição de aguardente vínica e dispõe de ampla variedade de aromas e sabores. Além disso, outro tipo de vinho muito parecido em composição e elegância aos elaborados com a Verdelho é o Jerez espanhol.

Herbáceos e fortificados, os vinhos secos originados a partir da uva Verdelho são exemplares com feixes de acidez e possuem aromas, geralmente, associados a damascos, pimentas brancas, peras, frutas tropicais e cítricas. Ideais para sobremesas ou para o fim de refeições, os vinhos madeira são versáteis, podendo acompanhar com maestria pratos de carnes vermelhas tão bem quanto podem ser coquetéis e aperitivos, na sua versão seco.