Dicas de Vinho, Enogastronomia, Eventos, Roteiros de Viagens e Promoções por Marcio Oliveira.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
SAFRAS MADURAS
“ SAFRAS MADURAS “ – No processo de orientação de Confrarias de Vinho
tenho me deparado com perguntas interessantes
sobre a questão “safra do vinho”. Há perguntas de todo tipo, tal como
até que ponto uma safra importa na qualidade do vinho? Porque vinhos de safras
diferentes têm preços diferentes? Melhor beber vinhos jovens ou melhor bebê-los
maduros?
Então, vamos tentar
esclarecer alguns pontos desta questão. A primeira delas vem a ser o que quer
dizer “safra”. É o período compreendido entre o preparo do solo para o plantio
até a colheita de determinada cultura. Em Portugal a colheita das uvas é tão
importante que a palavra elegida para definir esta atividade é “vindima”. Como
a floração, o desenvolvimento dos cachos de uvas e colheita se dá no mesmo ano,
safra portanto, descreve todo este processo.
Em alguns anos as
condições climáticas favorecem a melhor formação e maturação dos cachos e
bagos, e têm-se a possibilidade de produção de grandes vinhos, criando o
conceito de safras excepcionais. Além disto, há o ditado que “quanto mais
velho, melhor!”, mas se o vinho for de uma safra medíocre, “quanto mais velho,
pior será!”. A idéia de que um vinho antigo é melhor e mais valioso é tão
aceita quanto o fato de que sua qualidade estar associada ao preço que se paga
pela garrafa.
O que é importante é
mostrar que vários “ditados” na realidade não condizem com os fatos que podem
apurados nas provas de vinhos. Como trabalho com degustações “ás cegas”, nas
quais os vinhos são provados sem saber o que está sendo bebido, há a vantagem
de não ser criado nenhum pré-conceito em relação a garrafa que está sendo
servida. As degustações às cegas são verdadeiras provas de humildade, nas quais
muitas vezes um vinho de valor mais acessível ganha o gosto dos participantes
na degustação, provando muitas vezes que nem sempre o mais caro é melhor !
Existem
outros fatores que influenciam a qualidade do vinho a cada ano. A atuação do
enólogo pode fazer toda a diferença na qualidade final do vinho, mesmo que o
ciclo da videira não tenha sido o esperado, a verdade é que as técnicas de
produção têm-se desenvolvido favoravelmente.
Vinhos mais baratos e
de marcas mais populares, com processo de produção em grande escala industrial,
apresentam pouca ou quase nenhuma variação entre uma safra e outra. O processo
dificilmente muda de um ano para o outro e os produtores utilizam de artifícios
que compensam problemas que podem ter sido causados durante a safra, tais como
a evolução do ciclo da videira, regime de chuvas, temperaturas extremas, e
assim por diante.
Uma boa forma de
aprender avaliar as variações entre as safras é degustar vinhos maduros junto
com vinhos mais jovens. As frutas maduras dos vinhos jovens vão cedendo espaço
para aromas etéreos, de couro, defumados, notas balsâmicas, tabaco, café,
mostrando a complexidade do bouquet formado pela guarda na garrafa.
Há dois anos, provamos
numa degustação os vinhos Chateau Latour Malartic Pessac-Leognan 96, Seña 96,
Alion Vega Sicilia 97, Ser Giovetto Roca della Macie 97, Cabo de Hornos 98,
Crozes Hermitage Domaine des Remizieres 98 como safras maduras, junto com o
Guado al Tasso 2007 e Excelsus Banfi 2009 como safras novas.
Ao final da noite, às
cegas, por votos, o vinho Chateau Latour Malartic Pessac-Leognan 96, com 18
anos de guarda, tendo atingido sua plena maturidade foi eleito como o melhor da
noite. Na realidade, todos eram vinhos excelentes, mas ele cresceu ao longo do
tempo em taça, revelando nuances de aromas e complexidade além das
expectativas. Em paralelo aos votos no final da degustação, preenchemos uma
ficha de anotações e estatísticas, e fazendo o resumo destas avaliações, o
Guado AL Tasso 2007 atingiu a mesma nota do Latour Malartic, com 92
pontos. Prova que o Guado AL Tasso tem
muito a crescer com a guarda.
Recentemente
degustamos vinhos do Chile criados entre 1999 e 2003. Vinhos portanto com idade
entre 13 e 17 anos, chegando próximos da sua maioridade. Vinhos de 2000 como o
Almaviva e 2001 como El Principal mostraram estar em plena forma, com o melhor
de suas características sendo provadas nas taças.
No final das contas,
avaliar a importância da safra também depende do nível de conhecimento do
degustador, do volume de vinho que ele degustou ao longo da vida, percebendo as
diferenças entre regiões e sutilezas de cada safra, e ainda da intenção de cada
produtor. É claro que enólogos ou entusiastas, que estudam as regiões e seus
vinhos, vão procurar entender as diferenças e comparar cada ano em particular,
elegendo as melhores safras.
Por outro lado, se
você só quer degustar o vinho com uma refeição ou enquanto relaxa com uma boa
companhia, a safra não precisa ser um motivo de preocupação. As diferenças para
vinhos do dia-a-dia não são tão significativas e o consumidor em geral não
conseguirá perceber as nuances se não tiver duas ou mais safras ao mesmo tempo
para comparar.
De qualquer forma, fica o convite para você buscar
perceber estas nuances e ir aprofundando seu conhecimento em vinhos em 2017.
Saúde !!!
SASSICAIA 2012 TENUTA SAN GUIDO – BOLGHERI – TOSCANA - ITÁLIA
● Vinho da Semana 522016 - ● SASSICAIA 2012 TENUTA SAN GUIDO – BOLGHERI – TOSCANA - ITÁLIA
– Nos anos vinte, estudante em Pisa, Mario Incisa Della Rocchetta sonhava em
criar um vinho de raça. O ideal era representado por grandes vinhos de
Bordeaux. Depois de diversos experimentos com vários tipos de uva a decisão foi
tomada escolhendo a Cabernet Sauvignon pela semelhança que tinha entre a região
de Bolgheri na Toscana e a região de Graves em Bordeaux.
De 1948 a 1960 o
Sassicaia foi bebido somente na Tenuta, mas a cada ano poucas caixas eram
postas para envelhecer nas adegas de Castiglioncello. Na verdade, o Sassicaia
não obteve um grande sucesso no começo, já que bebido jovem, como de costume na
época, resultava ser um pouco áspero. Apenas por uma coincidência alguém o
experimentou de um barril que tinha sido esquecido em uma adega e percebeu o quanto
ele tinha melhorado, até podendo ser comparado com os mais famosos Bordeaux.
Assim, ele obteve uma identidade e foi até eleito como o primeiro “SuperTuscano”.
Supertuscanos são
aqueles vinhos toscanos que não respeitam a tradição da região: são produzidos
a partir de uvas diferentes da clássica Sangiovese do Brunello ou do Chianti e
muitas vezes são fermentados em barris por 12 a 24 meses. De fato, o Sassicaia
é produzido principalmente com uva Cabernet Sauvignon. O Marquês se deu conta
que com o tempo seu vinho melhorava, pois aquilo que antes eram considerados
defeitos com o tempo foram se tornando virtudes. Em 1965 Mario plantou outros
dois vinhedos de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.
A safra de 1968 foi a
primeira a ser comercializada no mercado com uma receptividade de um Bordeaux
premier cru. Nos anos seguintes a cantina foi transferida para um local com
temperatura controlada para a fermentação em tanques de aço inox e para o
envelhecimento começaram a ser usadas barricas de carvalho francês.
A safra de 1985 que
alcançou pontuações altíssimas é um divisor de águas para o Sassicaia, pois deu
visibilidade e reconhecimento internacional sendo considerada a partir daí por
unanimidade um dos grandes vinhos italianos. A terra de Bolgheri continua a
proporcionar ao mundo o Sassicaia, um vinho que tem alma nobre e a memória das
pedras.
O Sassicaia é um
verdadeiro Supertoscano, único e inigualável! A safra 2011 está excepcional e
recebeu da conceituada revista Wine Spectator 95 pontos e de Robert Parker 94
pontos. Um presente inesquecível ou um marco para grandes comemorações, sem
dúvida, um dos melhores vinhos produzidos na Itália, com um caráter
inconfundível.
vVinificação
- Após
a colheita manual, a fermentação acontece por 15 dias em tanques de inox, com
as cascas e temperatura controlada e em seguida, sua guarda é feita em barricas
de carvalho francês durante 24 meses seguido de afinamento em garrafa por mais
6 meses.
● Notas
de Degustação: Corte
das uvas: 85% Cabernet Sauvignon e 15% Cabernet Franc. Coloração vermelho rubi, brilhante e intenso.
O olfato é elegante, potente, complexo com notas de frutas vermelhas e negras
(cerejas e amoras), especiarias e toques defumados. O ataque em boca é o de um
vinho encorpado, concentrado, com taninos macios e bem integrados no conjunto, com
um final muito longo em boca. Perfil clássico de Bordeaux. Um vinho
gastronômico, sedutor e que fez bela harmonia com um Bife Ancho.
● Reconhecimentos
Internacionais: 94RP, 95 WINE SPECTATOR (Safra 2011)
● Estimativa de
Guarda: um vinho que aguenta fácil 15 anos a partir da safra.
● Notas de Harmonização: Delicioso
com carnes vermelhas assadas, risotos elaborados com ingredientes de sabores
fortes e massas em molho rico. Servir
entre 18 e 20°C.
● Onde
comprar: Degustado em
Confraria.
ARRIBA MÉXICO - CORES e SABORES | México | 29 MAR a 12 ABR 2017
♦ ARRIBA MÉXICO - CORES e SABORES | México | 29 MAR a 12 ABR 2017 - Ainda em fase de
detalhamento, mas certamente iniciaremos por Saltillo, capital do Estado de
Coahuila de Zaragoza, ao norte fazendo fronteira justo com o Estado do Texas,
visitando o Pueblo Mágico de Parras onde está a vinícola mais antiga das
Américas em operação até hoje desde 1597, entre outros atrativos, como a sua
impressionante Catedral realizando uma visita especial acompanhada pelo
Sacristán para nos mostrar certos segredos e mistérios. Ou o espetacular Museo del
Desierto, para conhecer seus doces com Nozes Pecán. Esta fase do Roteiro pelo norte
deve durar 4 noites.
Depois voamos
para Cidade de Guanajuato, no Estado do mesmo nome, nos hospedando na charmosa,
histórica e inscrita no Patrimônio da Humanidade, San Miguel de Allende, a
região mais colonial do México e onde tem também algumas vinícolas bem
interessantes para se conhecer.
Finalizamos o
Roteiro na Cidade do México, sendo que no seu caminho conheceremos outro Pueblo
Mágico, o de Tequisquiapán, no Estado de Qerétaro, região produtora de Queijos
e Vinhos. Na Cidade do México, passaremos outras 4 noites, para dedicar um dia para
conhecer o famosa Basílica de Guadalupe, um ícone do mundo cristão, e como
contraponto, um dos mais importantes sítios arqueológicos de outro mundo, o
azteca, Teohtihuan com suas espetaculares Pirâmides do Sol e a Lua, e a Avenida
dos Mortos.
Também
dedicaremos um dia para o famoso “Zócalo” o centro nevrálgico da capital
federal conhecida como CDMX (Cidade do México). No seu Palácio Nacional veremos
os impressionantes murais de Diego Rivera, o sitio de Tenochtitlán, o Templo
Maior do Aztecas onde hoje está a emblemática Catedral na qual faremos uma
visita guiada no seu subsolo com os restos desta cidade azteca, e a Igreja e
Hospital de Jesús Nazareno, o mais antigo hospital em operação até hoje nas
Américas desde a sua fundação em 1524 por Hernán Cortes, lugar onde Cortés e
Moctezuma II se encontraram por primeira vez. Em resumo, um Roteiro repleto de
experiências!
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
O Passo a Passo da Degustação – um Guia Prático para Aprender a Provar Vinhos
Quem quer um bom presente de Natal, e gosta de vinhos, não pode se
esquecer de comprar o “O Passo a Passo
da Degustação – um Guia Prático para Aprender a Provar Vinhos”, novo livro
de Célio Alzer.
No livro, ele procura mostrar que a degustação, antes de ser um
exercício exclusivo de especialistas, é uma atividade prazerosa, ao alcance de
qualquer pessoa que simplesmente goste de vinhos e que tenha um mínimo de
informação.
Sem prejuízo da parte técnica, usa uma linguagem simples e extremamente
coloquial, valorizada pelo projeto gráfico de Marcela Perroni e pelas ótimas
fotos especialmente feitas para o livro por Sergio Pagano.
Vai a dica !!!
domingo, 18 de dezembro de 2016
ESPUMANTES - FESTA SEMPRE !
“ ESPUMANTES
- FESTA SEMPRE ! “ –
“ O
Champagne é o único vinho que uma
mulher
pode beber e ainda continuar bonita”
Madame de Pompadour -amante de Luiz XV
"Na
vitória a mereço, na derrota preciso dela "
Napoleão Bonaparte
Os vinhos espumantes, e especialmente os Champagnes,
sempre foram sinônimo da celebração de momentos de sucesso, das conquistas
realizadas e das Festas de qualidade.
Nos vinhos espumantes, durante a fermentação, o açúcar é convertido em
álcool e gás carbônico. Nos vinhos normais o gás é liberado, enquanto nos
espumantes ele fica retido na garrafa, dissolvido no vinho, havendo dois
processos de produção: Champenoise (tradicional) e Charmat.
Outros nomes para o
Champagne: na França- Mousseux ou Cremant. Na Espanha - Cava, na Itália -
Spumanti ou Prosecco. Nos Estados Unidos e Austrália- Sparkling, na Alemanha -
Sekt. O vinho Blanquet de Limoux é
considerado o ancestral do Champagne, foi na região de Limoux que se inventou o
método "champenoise", ou seja, a formação das bolhinhas dentro das
garrafas. Este é o mais antigo espumante produzido na França, combinando a
riqueza da casta de uva local Mauzac, com a majestosa Chenin Blanc e a fina
Chardonnay, resultando num vinho elegante, sutil, refrescante, com borbulhas
discretas e de boa persistência.
De certa forma é
impossível não se seduzir pelas bolhinhas que dançam pela taça, e quanto mais
se conhece sobre a elegância dos espumantes, melhor são apreciados. De forma
geral a primeira coisa que nos atrai é seu frescor. As bolhinhas parecem
sussurrar nos nossos ouvidos, enquanto os olhos fitam a cristalinidade do
vinho. Seus aromas fazem uma festa dos sentidos; devendo ser degustados
frescos, na temperatura ideal entre 8 e 10ºC. Não existiriam Champagnes sem a
mágica presença das bolhas, frutos das leveduras trabalhando lentamente no
frescor das adegas. A fermentação natural dos vinhos, iniciada no outono,
diminuía com o frio do inverno nas adegas, geralmente escavadas nas rochas
calcárias da região.Quando o calor voltava, a parcela residual de açúcar
voltava a fermentar, produzindo no interior das garrafas hermeticamente
fechadas a efervescência que ficava presa na garrafa. O importante no processo
foi entender e dominar a arte de obter a fineza extrema das bolhas e uma boa
persistência.
Vinhos jovens são
muito claros, os mais maduros apresentam a cor do ouro. No nariz aparecem
aromas cítricos, madeira leve, violetas, amêndoas e aromas de fermento (nos
Proseccos aparece pêra branca). O paladar sente o frescor do vinho, num leve
“pinicar” das bolhinhas, com boa acidez.
v HISTÓRIA
DO VINHO DO CHAMPAGNE
" Venham !
Estou bebendo Estrelas "
Dom
Pierre Pérignon
O primeiro sucesso de Dom Perignon foi
organizar a vindima de modo a conseguir um vinho totalmente branco. Depois
trabalhou a questão das técnicas de plantio, colheita e preservação de modo a
tornar o vinho tão aromático quanto possível, além de sedoso na textura e com
sabor persistente. Suas regras foram registradas em 1718, três anos após sua
morte, pelo cônego Godinot, que o sucedeu como tesoureiro :
1- utilizar somente uvas Pinot Noir na
produção do vinho,
2- podar as videiras afim de não
ultrapassarem 90 cm de altura e produzir poucas uvas,
3- vindimar (colher) com todo o cuidado
para que as uvas permaneçam intactas e tão frias quanto possível, realizando a
colheita nas primeiras horas da manhã. Descartar uvas partidas ou simplesmente
machucadas.
4- Não pisar as uvas de forma nenhuma e
tampouco permitir que as cascas macerem no sumo.
Dom Perignon era abstêmio e se
alimentava praticamente de queijo e frutas. O certo era que provava as uvas, em
geral colhidas à tardinha e deixadas descansar numa janela, para serem
experimentadas na manhã seguinte. Misturava as uvas conforme seu amadurecimento
e os sabores de determinados solos, dando uma lista diária planejando a
colheita do vinhedo. O vinho era
instável, com tendência a interromper a fermentação com o primeiro frio do
outono e retomá-la com o primeiro calor da primavera. Guardado em barris não
oferecia problema, mas dom Perignon descobriu que o vinho se cansava e perdia
todo aroma, preferindo então engarrafá-lo o mais depressa possível. Mas as
garrafas não agüentavam as pressões internas surgidas no processo de uma
segunda fermentação e literalmente explodiam (podia-se perder até 90% da
safra), e o cúmulo da loucura era percorrer uma adega de champagne sem portar
uma máscara de ferro que protegesse o rosto de eventuais estilhaços de vidro. O
moderno processo de remuage só teria
início 100 anos depois, bem como o desenvolvimento de técnicas que permitiram o
aparecimento de garrafas mais resistentes.
No entanto, a história do Champagne
começa muito antes disto tudo, uma vez que a região que fica a noroeste de
Paris e tem as cidades de Reims (famosa por sua catedral), e Épernay e o rio
Marne com referências geográficas, sempre foi uma área de progresso e cenário
de guerras. Os bárbaros germânicos já invadiram várias vezes a região,
recentemente invadidas também pelos alemães nas duas Guerras Mundiais. Foi
nesta região que o rei franco Clóvis venceu os visigodos, assumiu o
cristianismo como religião e fundou a dinastia francesa. A partir de então, os
reis franceses passaram a ser coroados em Reims. Quando em 1240 o Conde Thibaud
IV retornou das cruzadas, ele trouxe as primeiras mudas de uma varietal que
seus descendentes acreditam ser a Chardonnay, bem como as mudas da soberba rosa
de nome Damascena. A partir desta época, o conde passou a ser conhecido também
como o conde de Champagne. O Champagne Comtes de Thibaud IV ainda traz dentro
de si a honra histórica de ser o Champagne oficial servidos nos jantares da
presidência da República Francesa.
O champagne
foi o vinho da aristocracia francesa, até porque a corte em Paris ou Versailles
ficava muito próxima da região, e não se pode esquecer que a região de Bordeaux
era comercialmente ligada aos interesses da Inglaterra e a Borgonha era
dominada pelos gascões e o arquiinimigo do rei, o Duque de Borgonha. Diz-se que
Luís XIV durante sua vida só bebeu champagne (apenas teria tomado vinho tinto
da Borgonha no final da vida, por conselho médico). Há inclusive a lenda da
taça do champagne ter sido moldada no seio de Maria Antonieta no reinado de
Luís XVI ( não a flute, mas a taça antiga, mais aberta ). Há mais de 250 anos, em todo o mundo, o vinho
Champagne acompanha os acontecimentos marcantes, participando dos momentos
privilegiados e dos prazeres dos apreciadores dos grandes vinhos. Assim, beber
um champagne é uma justa homenagem ao trabalho paciente dos homens que elevam à
perfeição o que a natureza nos fornece de melhor, permitindo a descoberta de um
pouco do mistério destes vinhos excepcionais.
As ceias galantes do rei Luís XV conferiram ao champagne seu título de
nobreza. Entre os prestigiosos apreciadores do champagne elaborado por Monsieur
Moët, estava a Marquesa de Pompadour, a favorita do Rei, que todos os anos
encomendava 200 garrafas da preciosa bebida para acompanhar o fausto das
temporadas de verão da Corte em Compiègne. Entretanto este vinho só conseguiu
seu sucesso devido ao uso da garrafa e a volta do uso da rolha. A garrafa já
existia desde os fenícios, que inventaram o vidro. Era artesanal, mas
proliferou durante a Revolução Industrial, especialmente o tipo mais resistente
à pressão do vinho (criada se diz pelos ingleses). A volta do uso da rolha
teria sido sugerida por monges espanhóis que visitaram a região do Champagne.
O século
dezoito foi marcado pelo justo equilíbrio entre o espírito das luzes e o prazer
dos sentidos, e o champagne exaltou essa harmonia. Napoleão manteve relações
privilegiadas com a Maison Moët. Desde 1799, esta Maison passou a expedir
regularmente seu champagne ao futuro imperador, que jamais deixou de visitar
Jean-Rémy Moët em suas passagens pela Champagne. O Brut Imperial é uma
homenagem à amizade que ligou esses dois homens. Hoje, a Moët & Chandon
continua sendo a fornecedora oficial das cortes reais da Europa. Seja em
coroações, seja em grandes casamentos ou comemorações, o champagne Moët &
Chandon é testemunha e convidado dos momentos históricos. É, portanto, com
razão que os grandes diplomatas e estadistas deste mundo saúdam o champagne, a
exemplo do que disse Talleyrand, considerando-o como "vinho civilizador
por excelência". É verdade que até 1846 o Champagne sempre foi um vinho
suave e doce. Foram os comerciantes ingleses que pediram nesta época para que
Perrier-Jouet fizesse um vinho seco, que também pudesse acompanhar as
refeições. A firma francesa não aceitou inicialmente a encomenda, mas em 1870
apareceram os primeiros vinhos secos, chamados com desdém pelos franceses como
English Cuvée. Hoje o Brut domina amplamente o mercado.
PIO CESARE BARBARESCO DOCG 2007 – PIEMONTE - ITÁLIA

Na Pio Cesare, sempre houve a
convicção de que o grande vinho só pode vir das melhores uvas e que a produção
da vinícola sempre foi limitada pela adoção dos mais altos padrões. Pio Cesare
limita a sua produção utilizando apenas as uvas mais maduras e saudáveis. A
maturação das uvas é cuidadosamente monitorizada e a colheita é rigidamente
controlada sendo cada uva seleccionada à mão.
Hoje,
a propriedade é administrada por Pio Boffa, bisneto de Pio Cesare. Sob a sua
administração, os vinhos de Pio Cesare tornaram-se famosos em todo o mundo.
Grandes passos foram feitos na qualidade, e as ofertas únicas do vinhedo têm
deslumbrado a imprensa especializada.
As uvas são provenientes
basicamente dos vinhedos próprios de Treiso, com pequenas partidas de
privilegiadas posições em Barbaresco e San Rocco Seno d'Elvio. Colheita com
duração de três semanas (duas últimas de outubro e primeira de novembro).
Seleção acurada das uvas, com descarte das imperfeitas. Desengace total.
Prensagem delicada e fermentação nos tanques de inox em contato com os sólidos,
a 25-26°C, por 20 dias.
Nesta fase as
remontagens foram frequentes, mantendo as cascas sempre imersas e em contato
com o mosto. Terminada a fermentação alcoólica, procedeu-se a separação do
vinho da parte sólida. Faz-se a fermentação malolática completa. Trasfega aos
barris de carvalho para amadurecimento. Engarrafamento e manutenção das
garrafas nas frias adegas por vários meses antes da emissão ao mercado.
● Notas
de Degustação: Coloração
granada de média concentração. O olfato está pleno de fruta fresca vermelha
como framboesa e cereja, mas também mostra a complexidade de notas de húmus,
grafite e especiarias. Ataque em boca concentrado, um vinho quente, com taninos
já bem integrados, sápido e muito longo em boca. Perfil clássico de Barbaresco.
Um vinho gastronômico, sedutor e que fez bela harmonia com um Bife Ancho. Um
vinho 100% Nebbiolo, com amadurecimento de 30 meses em carvalho, sendo 35% em
barricas bordalesas (1/3 novas) e 65% em botti, barris de 2000 a 5000 litros de
carvalho francês de Allier.
● Reconhecimentos
Internacionais: PARKER: 92 Pontos WINE SPECTATOR: 92 Pontos DUEMILAVINI A.I.S. 2012: 4
grappoli em 5 REVISTA ADEGA: 93 pontos - Top 100 (Ano 2015)
● Estimativa de
Guarda: um vinho que aguenta fácil 15 anos a partir da safra.
● Notas de Harmonização: Tagliolini
com trufas, polenta com ragù de ossobuco, risotto con funghi, agnolotti
recheado com carnes diversas em "molhos" de assados. Servir entre 18 e 20°C.
● Onde
comprar: Em BH - Enoteca Decanter
- Rua Fernandes Tourinho, 503 –
Funcionários – Belo Horizonte / MG. Telefone:
(31) 3287-3618. ROYAL VINHOS -
Loja Cruzeiro - Uma tradicional adega, localizada no Mercado do Cruzeiro.
End.: Rua Ouro Fino, 452 - Lojas 22 e 23 / Bairro Cruzeiro - Mercado Distrital
– Tel.: (31) 3281-3539 - Belo Horizonte | MG
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