" SYRAH OU SHIRAZ ? ” – Estudos e
testes mais recentes, comprovam com o DNA que a casta SYRAH tem origem na
própria França, ou seja é autóctone do próprio Rhône, descendente de uma cepa
da família vitis allogrogica, e que dá origem aos tintos da região desde os
tempos do Império Romano. A Syrah é
proveniente do cruzamento natural entre as variedades Mondeuse Blanche e Dureza.
Na original francesa, a casta é mais
associada às especiarias; na versão consagrada pela Austrália, a cepa traz aromas
de frutas maduras, com notas de chocolate. Seu cacho é de tamanho pequeno a
médio, e as bagas são pequenas.
A
casta Syrah entrou na moda recentemente. Há dez anos atrás, ninguém apostaria
que ela poderia ser considerada como a melhor uva do mundo. Temos que lembrar
que na década de 80, a
casta Cabernet Sauvignon não tinha rival. Os vinhos que tinham a Cabernet como
base fizeram o sucesso de Bordeaux há séculos. No Rhône, apesar de ser berço de
grandes vinhos, a produção era escassa.
Nos
anos 90 os vinhos de Bordeaux alcançam preços astronômicos e o Rhône começou a
ficar conhecido. O público amante de vinho, especialmente o neófito buscava
vinhos de taninos macios e os sabores de clima quente que evidenciam a fruta
madura começaram a ser mais apreciados que os de clima frio (pautados na acidez
e tanicidade) e por isso mesmo considerados gastronômicos, ou seja, ideais para
acompanhar comida.
Interessante
citar o fato histórico que alguns Chateaux importantes, como Cos d'Estournel,
Lafite e Latour- tinham pequena, porém significativas quantidades de Syrah e
faziam rotineiramente a operação de "Hermitage"-
mesclar syrah com Bordeaux tintos de primeira qualidade para acrescentar-lhes
cor e estrutura. "O Lafite de 1795, elaborado com Hermitage, foi o melhor
vinho daquele ano", (carta do comerciante Nathaniel Johnston Guestier (princípios
do sec. XIX).
v SYRAH OU SHIRAZ? Na França, ela é chamada de Syrah e dá origem aos grandes tintos da
Cote du Rhône. No Novo Mundo, ganhou a grafia mais moderna- Shiraz, que é
estampada nos rótulos de vinhos de países tãso diferentes como Austrália,
África do Sul, Estados Unidos, Chile, Argentina e até no Brasil.
A
diferença de nomenclatura não é apenas fonética, mais indicativa de um estilo
de vinho e do respeito ao terroir, tratando-se sempre, da mesma cepa.
Como
Syrah, reina absoluta na região norte do Rhône, produzindo os Hermitage,
Crozes-Hermitages, Cote-Rotie e Saint-Joseph. São vinhos que tendem a ser mais
estruturados e pedem um pouco mais de tempo de guarda. São tintos que demoram a
abrir na taça e a revelar todas as suas (muitas) qualidades. E são poderosos.
Na sua infância, a Syrah produz vinhos frutados, expressivos e elegantes. Com o
tempo a videira evolui e seus vinhos desenvolvem estrutura e textura dos seus
taninos.
No
Rhône Sul, a Syrah divide os méritos com outras uvas, sendo muito utilizada em
cortes (assemblages) com a Grenache, Mourvèdre, Marsanne e Cinsault, que fazem
o sucesso do Chateneuf-du-Pape, num blend de até treze castas diferentes.
Já
a Shiraz resulta em tintos mais frutados, exuberantes, muito agradáveis de beber
e que ficam prontos mais cedo – mas que mantém, como na sua origem francesa, a
classe de envelhecer com maestria e enconato. Nestes terroirs, seus vinhos logo
revelam a riqueza de aromas de frutas vermelhas, como framboesa
(principalmente), toques florais, de chocolate e de especiarias – notas de
pimenta do reino preta, canela e até cravo-da-índia os associam,
frequentemente, a tintos preferidos pelo público feminino.
Mantêm a cor escura,
que lhe é característica. Esta uva rica em antocianos chegou a ser acrescentada
nos vinhos de Bordeaux e Borgonha para torná-los mais encorpados e densos em cor. Não custa lembrar
que, no século XIX, o Hermitage era o vinho mais caro e valorizado da França.
A
dupla grafia faz parte da história desta uva desde meados do século XIX. Em
1832, como Syrah, ela embarcou da França rumo á Austrália pelas mãos do escocês
James Busby, que mais tarde ficou conhecido como o pai da viticultura
australiana. O novo nome foi dado pelos australianos para a cepa que tão bem se
adaptava ao seu terroir. A Syrah era usada para fazer vinhos estilo Porto.
Atualmente, ela é a uva oficial e estrela dos grandes tintos do país,
aparecendo também em cortes com a Cabernet Sauvignon (principalmente).
A
expansão para as novas fronteiras ganhou força a partir da década de 1970, seja
nos países do Novo Mundo, como a África do Sul, e até Itália e na própria
França. No Languedoc-Roussillon, no sul da França, por exemplo, ela chega a ser
chamada de Shiraz, talvez para diferenciá-la dos tintos do Rhône, e também
porque o estilo é mais novomundista. É uma cepa que se adapta a climas variados
e se deu muito bem no Brasil, no vale do Rio São Francisco, onde seus vinhos
ganham aromas de frutas tropicais como a goiaba.
v DEGUSTANDO A SYRAH E
A SHIRAZ - Dentre os fatores determinantes da qualidade do vinho, a variedade
da cepa talvez seja o mais fácil de detectar numa degustação às cegas. A maior prova de
qualidade de uma variedade de cepa é a sua capacidade de produzir vinhos com
aromas e sabores identificáveis, mesmo que esses tenham sido influenciados pelo
clima, pelo terroir e pelo tipo de plantio.
Nos
países de grande tradição vinícola, como a França e a Itália, por exemplo,
ocorreu, ao longo dos séculos, uma seleção natural de cepas, prevalecendo
aquelas que melhor se adaptaram ao micro-clima local. Outros fatores como
resistência às pragas, qualidade e bom rendimento foram levados
A
Syrah se destaca como uma das grandes uvas que chegaram aos nossos dias. É
notável a qualidade dos vinhos que com ela se elabora tanto no sul da França
quanto em outras regiões do mundo, notadamente na Austrália, onde se adaptou
maravilhosamente e ganhou o nome de Shiraz.
Os
grandes vinhos da uva syrah vêm do norte do Rhône. Lá, em appellations célebres
como Hermitage e Cote-Rôtie, a Syrah alcançou seus primeiros êxitos, no começo
do século XIX. Seus vinhos chegaram a rivalizar, em prestígio e qualidade, com
os grandes tintos de Bordeaux, o que, convenhamos, não é pouco. Hoje os
melhores exemplares de syrah do Rhône vêm de uvas de velhas videiras,
cultivadas em encostas muito inclinadas.
Essa
variedade se converteu em uma das favoritas do mundo, primeiro pela qualidade
dos grandes vinhos franceses e depois pelo sucesso de seu similar australiano
(grafado shiraz), que se converteu em uma força global. Atualmente, a syrah é
uma das variedades mais extensamente plantadas no sul da França, tendência que
se repete na Itália e em Portugal.
Os
vinhos de syrah têm como grande trunfo o poder de seduzir os consumidores com uma intensa sensação de fruta madura, bom
volume de boca e taninos agradáveis. Os syrahs franceses, por virem de uma
região não muito quente, têm mais acidez e são considerados mais elegantes; os
australianos, de clima mais quente, são mais encorpados e dão ênfase à fruta.
Na
América do Sul, estão surgindo vinhos dessa uva no Chile, na Argentina e no
Brasil. No Chile, há dez anos, só havia cerca de 20 hectares plantados.
Atualmente há quase 3 mil hectares. Durante os primeiros anos de plantio,
admitia-se que o syrah só daria bons resultados em zonas quentes, como
Aconcagua, Maipo e Colchagua. O vinho tem um estilo australiano clássico, ou
seja, bastante fruta madura e doce (lembrando geléia), encorpado, algo como os
vinhos do sul da Austrália (Barrosa). No Chile, em Apalta, subzona de
Colchagua, a cepa cultivada em encostas de quase 45º de inclinação deu origem a
syrahs chilenos de extrema potência e concentração.
Mesmo
na Austrália, há pelo menos 10 anos, se procurava um novo modelo de shiraz, o
que o levou a regiões frias, como Margaret River ou Eden Valley. Os
australianos, assim como os franceses do Rhône, concluíram que a syrah era uma
uva de ótima adaptabilidade, inclusive em climas com brisas frias.
No
final dos anos 90, ela foi plantada no Chile, em locais próximos ao Oceano
Pacífico e sob a influência de brisas marítimas frescas (Casablanca e San
Antonio). Surgiram, então, syrah chilenos premiados pela crítica e pelos
próprios consumidores.
Na
Argentina, em Mendoza, nos solos quentes de pedregulhos em Barrancas, obtém-se
syrahs clássicos de clima quente. Já os que vêm do Valle de Uco mostram todo
seu frescor, moderado pelas brisas frias dos Andes. Na região de San Juan, onde
o clima é bastante quente, têm-se outros exemplos de interessantes syrahs.
No
Brasil, há syrahs de climas quentes produzidos no Vale do São Francisco, onde a
uva se adaptou bem. Também começam a aparecer alguns de clima frio, como os
vindos de uvas cultivadas na serra de Santa Catarina.
♦ Os
syrahs de clima quente têm cor mais evoluída, são vinhos com aromas mais
expressivos desde o início, com notas intensas de torrefação, tostado e
defumado, misturados a frutas vermelhas maduras e doces. Esses vinhos têm alto
teor alcoólico, revelando o sol intenso que amadureceu suas uvas.
♦ Os
syrahs de clima frio são vinhos mais fechados no nariz, inicialmente, mas
logo vão se abrindo, oferecendo diferentes tons aromáticos: floral (violeta),
frutas vermelhas, notas de couro velho (animal), às vezes, grafite, que se
misturam com tons sutis de carne (recordam toucinho ou carne-de-sol). Na boca,
mostram corpo médio, taninos presentes e uma acidez aguda, que desperta as
papilas gustativas.
Produz
vinhos de coloração intensa, bem encorpados e aromáticos e na boca evocam
frutas vermelhas (amoras e ameixas). Na Austrália, com o nome de Shiraz, dá
exemplares tânicos, apimentados e de boa maturação. É responsável pelos grandes
rótulos deste país.







