segunda-feira, 31 de outubro de 2016

DIAMANTINA E SEUS SABORES



● DIAMANTINA E SEUS SABORES (por Edson Puiati – EM: 30/10/2016) – Diamantina reforça sua tendência na gastronomia, cidade mineira com riquezas como ouro e diamante, de formação colonial, inspirada no Barroco, definida como uma das mais expressivas na tradição religiosa, folclórica e musical, também tombada como patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, desde a década de 90.
Há uma miscigenação cultural que a torna uma cidade com uma gastronomia eclética, com criações e fusões de sabores também favorecidas pelo terroir do Espinhaço, rico em frutas do cerrado, queijos, farinhas, cachaças e até o vinho que já é produzido nessas terras.
O Diamantina Gourmet chega à sua 7ª Edição com um novo formato, focado no fortalecimento da culinária local, em seus produtos e produtores, principalmente por se tratar de uma cozinha de quintal, rica, definida por sabores ímpares e apresentação contemporânea, além da região de clima agradável e um visual deslumbrante.
Próximo dali, os encantadores distritos gastronômicos de Biribiri e Milho Verde, além do Serro, famosa por sua produção de queijos, conhecida em todo mundo. Para esta edição, os chefs da capital mineira Flávio Trobino, Lucas Peloso, Carlos Eduardo, Luciano Avelar, Felipe Leroy, Jaime Solares e Ivo Faria apresentarão oficinas de gastronomia em uma cozinha show montada na Praça Barão de Guaicuí, entre 5 e 6 de novembro, abrindo o Festival que se estenderá até dia 19 de novembro.
Nesse mesmo fim de semana teremos uma palestra sobre os queijos do Serro, uma oportunidade para compra queijos incríveis direto dos produtores. Além dos queijos, a Vila Educacional de Meninas – VEM resgatou uma receita inédita de bolo de arroz que faz parte dos hábitos alimentares dos diamantinenses desde a época colonial. O bolo era vendido ao final das missas dominicais.
Diamantina está no rol de roteiros inesqueicíveis e imprescindíveis de se conhecer.

VINHOS VERDES - PARTE 1



“ VINHOS VERDES ” –  A Região do Vinho Verde estende-se por todo o noroeste de Portugal, na zona tradicionalmente conhecida como Entre-Douro e Minho. Tem como limites ao norte o rio Minho, e ao sul, zonas montanhosas que constituem a separação natural entre o Douro e por último o Oceano Atlântico, que constitui o seu limite a poente. A região produz um vinho único no mundo. Foi demarcada em 1908 e tem cerca de 35.000 hectares de vinha, geralmente plantados em pequenas quintas.
O noroeste de Portugal é uma região dominada pela influência do Atlântico. As temperaturas não chegam a valores extremos, seja no Inverno, com raros longos períodos de temperaturas negativas, seja no Verão, que é quente sem atingir os valores do interior e sul de Portugal, em especial o Douro ou mesmo o Alentejo e Algarve.
A orientação dos vales dos principais rios é perpendicular ao litoral, o que facilita a penetração dos ventos marítimos e provoca precipitações médias altas entre 1.000 mm/ano e 2.000 mm/ano.
            Nesta região nasce um vinho único, o Vinho Verde, que tem uma longa história que acompanha de perto a própria história da nação portuguesa. A palavra verde cria certa confusão em neófitos, que esperam beber um vinho desta cor, mas neste caso a palavra não diz respeito à cor e sim ao frescor e à juventude com que esta bebida deve ser consumida.
Para muitos amantes de vinho, a palavra verde vem em oposição a maduro, uma vez que o vinho é leve, pouco alcoólico, geralmente ácido, digestivo, bebido bem frio com sua agulha característica, que muitas vezes lembra um espumante. Um vinho refrescante que pode ser bebido em todas as estações do ano, acompanhando saladas e verduras, sardinhas e peixes grelhados, ou até mesmo um bacalhau á moda portuguesa.
            A melhor explicação foi obtida junto a um produtor da região, o verde tem a ver com a paisagem local, lindeira à Costa Verde.
            A vinha já era cultivada desde a ocupação romana, havendo referências a produção local nos escritos do naturalista Plínio, o Velho, em sua História Natural, e do filósofo Sêneca, em seu compêndio Questões Naturais, e também documentada na legislação do Imperador Domiciano, entre 96 e 51 a.C.
Na Idade Média o vinho toma conta dos mosteiros nos séculos XIII e XIV passa a fazer hábito na alimentação das populações entre o Minho e o Douro ao mesmo tempo em que se dá a expansão econômica da região e a crescente circulação da moeda. Ainda que a exportação fosse pequena, os vinhos verdes foram, entre os vinhos portugueses, os primeiros conhecidos fora das fronteiras, particularmente na Inglaterra.
No início do século XX, resolvidos os problemas das pragas, a região dos vinhos verdes é demarcada oficialmente em 1908 e dividida em seis sub-regiões: Monção, Lima, Basto, Braga, Amarante e Penafiel. O limite a oeste é o Atlântico e, ao norte, a Espanha.
Na década de 1950, em pleno Estado Novo salazarista, são constituídas as 21 cooperativas atualmente existentes na região e a Denominação de Origem Vinho Verde é aceita pela Organização Internacional do Vinho. Às vésperas da Revolução dos Cravos, finalmente, a denominação é reconhecida e registrada na Organização Mundial da Propriedade Industrial (Genebra, 1973), conferindo à região do Minho a exclusividade internacional no uso da designação Vinho Verde.
Com a entrada de Portugal na Comunidade Européia, em 1986, a CVRVV – Comissão Vitivinícola da Região do Vinho Verde é reformulada. Além da delimitação geográfica, o controle se estende às videiras e aos vinhos. Observa-se a natureza do solo, o uso de castas recomendadas e autorizadas, as práticas de cultivo, os rendimentos por hectare. Já nos vinhos: os métodos de vinificação, o teor alcoólico mínimo, as condições químicas e sensoriais.
Para isso, a CVRVV realiza a análise química e a prova dos vinhos, certifica e fiscaliza os produtos, atribui-lhes o Selo de Qualidade e dedica-se à divulgação dos mesmos em Portugal e no exterior. Essa ação não demorou a dar frutos: a exportação de vinhos verdes cresce ano a ano.
Na região, os tradicionais vinhos de corte de várias uvas convivem modernamente com vinhos verdes varietais. Há brancos de Alvarinho, Arinto, Azal Branco ou Loureiro, e tintos de Espadeiro, Rabo de Ovelha, Alvarelhão ou Azal Tinto.
         O processo de produção do Vinho Verde é semelhante aos demais vinhos, mas existem particularidades, entre elas o fato deste vinho praticamente não ter estágio de maturação, devendo ser bebido o mais jovem possível. 
        Outra particularidade ocorre nos vinhedos, onde a as videiras são plantadas ao pé de uma árvore e ela cresce livremente, se enroscando neste apoio, uma vez que é uma planta trepadeira, desenvolvendo-se sem poda e sem adubação ao que eles chamam de uveira ou vinha de enforcado.
Outra questão particular é o fato que alguns produtores adicionam dióxido de carbono para deixá-lo ligeiramente gaseificados e mais refrescantes quando servidos gelados. Atualmente se gaseifica artificialmente devido os processos naturais para este fenômeno atribuírem ao vinho um aspecto turvo, que não agrada aos consumidores.
Muitos consideram que os vinhos tops da Região sejam os Alvarinhos, mas isto fica para a semana que vem.


LA PRIMERA REVANCHA MALBEC 2011 – MENDOZA - ARGENTINA



Vinho da Semana 442016 - ● LA PRIMERA REVANCHA MALBEC 2011 – MENDOZA - ARGENTINA – Um vinho com a tradição da mão de Roberto de la Mota e uma leitura atual em busca de frutas com frescura e complexidade. O Primeiro Revancha é 100% malbec, oriundo de vinhedos em Luján de Cuyo e Altamira, Vale de Uco.
Em Luján de Cuyo os vinhedos estão a 980 metros de altitude e têm solos pedregosos, pouco profundos e muito permeáveis. Altamira se encontra a 1.100 m de altitude e solos argilo-arenosos, sobre grandes blocos calcários. Rendimento: 5.000-6.500 kg/hectare.
A colheita é manual. Fermentação em pequenos tanques de 80 hl com pigeage manual durante as duas primeiras semanas. Maceração total de 21 dias. Prensa pneumática a baixa pressão. Fermentação malolática em tanques. Crianza em barricas de carvalho francês durante 12 meses, sendo 1/3 novas, 1/3 de primeiro uso e 1/3 de segundo uso. Clarificação suave. Engarrafado sem filtração em novembro de 2012.
O projeto destes vinhos assinado pelo enólogo e produtor Roberto de la Mota e seu filho Rodrigo, o Revancha foi inspirado no jogo de xadrez e criado para celebrar a vida. Roberto sofreu um grave acidente de carro, em 2007, e quase perdeu a vida. Os rótulos dessa linha, cuja primeira safra foi a de 2009, trazem peças de xadrez como o rei e a torre e expressam a filosofia do produtor: “Quando a vida nos ganha uma partida, os perdedores perdem, os otimistas aprendem e analisam, decidem jogar uma ‘Revancha’... Estes grandes vinhos, pensados com as melhores peças de Mendoza, convidam a descobrir uma forma nova de ver a vida”.
Enólogo dos mais conceituados, começou sua carreira aos 19 anos ajudando o pai (o lendário Raul de la Mota) na Weinert. Depois foi estudar e trabalhar em Bordeaux sob a batuta de Émile Peynaud retornando ao país quando, entre outras, andou pelo projeto Terrazas da Chandon.
Em 1999 foi a vez de trabalhar no projeto do Cheval des Andes, a parceria entre a Terrazas de los Andes e o Chateau Cheval Blanc (ambas as empresas pertencem ao grupo de luxo LVMH). Depois dos êxitos obtidos, Roberto de la Mota deixou a Terrazas para em 2003 iniciar sua própria bodega, a Mendel Wines, além de dar consultoria para diversas bodegas em várias regiões produtoras.
● Notas de Degustação: cor rubi profunda. Nos aromas exala frutas negras e vermelhas frescas e maduras, destacando-se amoras, cerejas negras e toques florais, com notas de especiarias doces. Depois de agitar a taça aparecem aromas de especiarias, baunilha, caramelo e tostado, provenientes da passagem por madeira. No paladar aparecem novamente as frutas, num vinho de bom corpo, muito saboroso, com taninos carnosos e doces. A fruta é de ótima qualidade, privilegiando um estilo mais maduro de vinho, untuoso e suculento, onde o que mais chama atenção é o equilíbrio e a integração do conjunto. Um vinho de ótima textura e por um final longo e elegante. Consegue aliar potência de bom corpo com uma delicadeza muito agradável e que convida ao segundo gole.
● Estimativa de Guarda: Tem estrutura para evoluir por 10 anos a partir da safra, mas a vinícola recomenda aguardar pelo menos 3 anos. Este que provamos está ótimo com 5 anos.
Notas de Harmonização: acompanha muito bem hambúrguer de carne, picadinho de filé mignon com farofa, risoto de legumes a primavera. Servir entre 16 a 18°C.
Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

ANSELMO MENDES ALVARINHO MUROS DE MELGAÇO 2013 – VINHO VERDE – PORTUGAL



Vinho da Semana 442016 - ● ANSELMO MENDES ALVARINHO MUROS DE MELGAÇO 2013 – VINHO VERDE – PORTUGAL – Foi com a casta Alvarinho em Monção e Melgaço, que Anselmo Mendes começou a produzir vinhos, em 1998. A adega, na zona do Vale do Minho, é um espaço de experimentação e investigação, a partir de onde a paixão de Anselmo Mendes pelo vinho e pela região ganha forma e gosto. É um lugar de reinvenção, para fazer de cada vinho uma expressão da terra elevada à sua forma mais sublime, um traço cultural, um rasgo de caráter.
Dos Vinhos Verdes ao Alentejo, descendo pelo Douro e pelo Dão, com "saltos" aos Açores, Brasil e Argentina, Anselmo Mendes tem feito o seu percurso como enólogo cultivando uma paixão em cada região, conhecendo a expressão de cada terra e procurando enaltecer o seu melhor em cada vinho. Hoje, como consultor, conta com vários projetos de sucesso do norte a sul de Portugal e no estrangeiro.
            O trabalho de Anselmo Mendes é reconhecido em Portugal e no estrangeiro não apenas pela excelência dos vinhos que produz mas pela forma surpreendente e consistente como inova. A fermentação de uvas Alvarinho em barricas de madeira ou o uso de técnicas de vinificação antigas, como a curtimenta, são alguns dos métodos que fazem com que estes vinhos sejam um caso à parte no mundo dos brancos.
            Apostando nas castas Alvarinho, Loureiro e Avesso, Anselmo Mendes produz vinhos brancos tranquilos que conquistaram já diversos prémios e distinções e ganharam a confiança dos críticos e apreciadores mais exigentes em todo o mundo. A expressão original de uma paixão com raízes no passado, sedimentada com uma longa experiência e conhecimento.
v Reconhecimentos da competência de Anselmo Mendes: • 1998 enólogo do ano pela Revista de Vinhos. • "Um dos maiores enólogos portugueses", segundo a Parker's Wine Buyer's Guide.• 2010 produtor do ano pela Revista de Vinhos. • 2012 produtor com a cotação máxima no Hugh Johnson‘s Pocket Wine Book. • "O produtor mais inovador no Alvarinho", segundo José Penin, o maior crítico espanhol de vinhos. • Segundo a edição de Dezembro de 2012 da Wine Enthusiast, Anselmo Mendes é uma das referências mundiais na produção de Vinho Verde. • De acordo com Mark Squires, um dos colunistas de referência do site Robert Parker, os vinhos de Anselmo Mendes são ‘intelectualmente interessantes e saborosos"
 ● Notas de Degustação: Coloração palha com leves reflexos dourados brilhantes. No nariz mostra-se um vinho complexo e fino com aromas cítricos confitados, toque sutil de fumaça ao fundo, que indica mineralidade e possível passagem por madeira (depois confirmado). Untuoso em boca, tem uma acidez e mineralidade que lhe conferem garra e grande classe. Longo e prazeroso em boca. Composição de Castas: 100% Alvarinho (sendo um clone raro e pouco produtivo, com cascas alaranjadas). O vinho amadurece 6 meses em barricas de carvalho francês.
● Estimativa de Guarda: tem capacidade para evoluir por pelo menos 10 anos em garrafa a partir da safra, mas já está muito gostoso.
Notas de Harmonização: Bacalhau com natas ou simplesmente assado com uma boa porção de azeite; Mariscos na casca defumados; Tamboril assado com natas e amêndoas; Dourado assado inteiro na brasa com flor de sal e ervas frescas. Servir a 10°C.
Onde comprar: Em BH - Enoteca Decanter - Rua Fernandes Tourinho, 503 – Funcionários – Belo Horizonte / MG. Telefone: (31) 3287-3618. ROYAL VINHOS - Loja Cruzeiro - Uma tradicional adega, localizada no Mercado do Cruzeiro. End.: Rua Ouro Fino, 452 - Lojas 22 e 23 / Bairro Cruzeiro - Mercado Distrital – Tel.: (31) 3281-3539 - Belo Horizonte | MG