“ A UVA
CABERNET SAUVIGNON E O CHILE ” - A casta considerada a “rainha das tintas” teve
sua origem na região do Médoc, em Bordeaux, na França, como um cruzamento
natural entre as uvas Cabernet Franc e Sauvignon Blanc. Foi popularizada pelo
sucesso mundial do “corte bordalês” onde em geral aparece misturada com a
Merlot e a Cabernet Franc.
É provavelmente a
variedade de uva tinta mais famosa do mundo, seguida de perto pela Merlot,
proveniente também da região de Bordeaux e pela Pinot Noir, da Borgonha. Um dos
fatores responsáveis por tornar a Cabernet Sauvignon a principal uva tinta foi
seu grande potencial de adaptação em inúmeras regiões vinícolas ao redor do
mundo, produzindo excelentes vinhos sem perder suas principais características.
De forma geral, independente de onde for plantada, seus vinhos têm sempre
características muito especificas como cor intensa e profunda, taninos
estruturados, acidez moderada e aromas de cassis, folha de tomate, notas de
especiarias e cedro.
Além da sua grande
capacidade de adaptação, a Cabernet Sauvignon é uma uva fácil de ser cultivada
e tem excelente resistência à doenças e intempéries, podendo ser cultivada em
diversos solos e em regiões que apresentem diferentes climas. Além disto, se dá
muito bem quando maturada em barricas de carvalho, permitindo que seus vinhos
rústicos enquanto jovens, melhorem de forma surpreendente com o tempo de
envelhecimento.
Os melhores vinhos
Cabernet Sauvignon são encontrados na região francesa de Bordeaux, terra natal
da cepa. Além disso, a Itália se destaca na produção dessa casta, onde
participa da composição dos tradicionais vinhos chamados ‘supertoscanos’
(vinhos onde a casta sangiovese é misturada com uvas clássicas francesas como a
cabernet, merlot ou syrah). Já nas regiões vinícolas do Novo Mundo, a uva
Cabernet Sauvignon tem-se destacado, dando origem a grandes vinhos no Chile,
Argentina, Austrália, Estados Unidos, África do Sul e mesmo no Brasil.
No Chile a uva
Cabernet Sauvignon atingiu “status” de estrela, mesmo que os chilenos
considerem a casta Carménère, já extinta na França, como sua tinta emblemática.
A área de vinha do Chile dedicada a Cabernet Sauvignon só perde para a França.
Assim, o país tornou-se uma referência na vinificação da uva, já que tem um
clima ideal para a sua cultura. Ao longo
do tempo podemos até mesmo dizer que os chilenos criaram um estilo próprio de
Cabernet, com muita fruta madura e aromas vegetais com toques de eucalipto ou
menta, aliados à presença da madeira tostada e das intensas notas de baunilha e
chocolate.
Infelizmente o
sucesso também gera ônus e a popularização dos Cabernets do Chile esbarra em
muitos vinhos medíocres. Portanto, procure ler este artigo até o final para
poder separar o joio do trigo.
O grande lote de
mudas da uva Cabernet Sauvignon e outras castas tintas francesas chegou ao
Chile na década de 1850, e por isto se diz que os vinhedos chilenos estão
isentos da filoxera. Uva de maturação tardia, floresce principalmente nos vales
do Aconcagua, Maipo, Cachapoal e Colchagua, onde o clima quente e seco permite
que ela mature totalmente, desenvolvendo os aromas e sabores de frutas
vermelhas e escuras como a amora, cereja, figo, criando vinhos frutados
amigáveis fáceis de beber e de gostar.
A maior área do Vale
Central é região ampla e plana e onde boa parte do vinho chileno é feito. No entanto os melhores rótulos do Chile
costumam ser oriundos dos vinhedos plantados nos sopés e escarpas das Montanhas
que formam os Andes e a Cordilheira da Costa (áreas com altitudes mais
elevadas), especialmente nas sub-regiões de Puente Alto (em Alto Maipo) e Alto
Cachapoal.
Seja em varietais ou
em misturas no estilo de Bordeaux , os vinhos do Chile surpreendem por sua
qualidade, havendo amostras típicas de clima frio, onde a acidez vem das
frescas brisas do Oceano Pacífico e das correntes frias geradas na Cordilheira
dos Andes.
O segredo do sucesso
dos vinhos Cabernets do Chile vem de seus sabores típicos ressaltando frutas
maduras de groselha preta, amoras, cerejas, com notas florais de violetas,
chocolate e toque mineral de grafite. O corpo vai de médio a vinhos encorpados,
com acidez moderada a grande maioria custa cerca de 15 dólares. Isto os torna
excelentes para o dia-a-dia, com potencial para melhorar com alguma guarda.
Procure por vinhos das safras de 2007, 2009, 2011 e 2013. As principais áreas
de produção a procurar nos rótulos são: Puente Alto, Cachapoal Vale, Alto Maipo
(contém sub-zonas Puente Alto e Pirque.
Claro
que os vinhos tops estão muito além desta faixa de preço, na faixa entre 100 a
200 euros, mas o que surpreende é que sempre há possibilidades de novas
descobertas. Por isto mesmo convido a todos os interessados em bons vinhos
chilenos a partir numa viagem de conhecimento na procura dos Paladares e Aromas
dos Vinhos Chilenos percorrendo vários dos vales vitivinícolas mais destacados,
como COLCHAGUA ao sul, SAN ANTÔNIO próximo à Costa, CASABLANCA entre a capital
e Valparaíso, continuando ao norte para ACONCAGUA instalado numa área
semidesértica no meio caminho entre os Andes e o Oceano Pacífico, finalizando
com MAIPO abraçando a sua vibrante capital de SANTIAGO.
Neles visitando e
degustando alguns dos seus ícones, mas também nos adentrando no mundo das
pequenas vinícolas mais desconhecidas, membros da MOVI (Movimento de
Vinhateiros Independentes) que nasceu em 2009 com 12 pequenos produtores e hoje
a Família já cresceu com 32 membros.
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