“ O MAPA
DO VINHO NO BRASIL ”
– Poucas
pessoas conhecem o país vinícola chamado Brasil. Muitos acreditam que os vinhos
nacionais carecem de qualidade. Para avaliar esta questão, criamos uma série de
artigos sobre a evolução da cultura do vinho na sua história mais recente,
desenhando um mapa geral. Hoje falaremos do VALE DOS VINHEDOS (1ª parte).
A
chegada dos imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, principalmente na Serra
Gaúcha, em 1875, trouxe um ideal de desenvolvimento econômico e social para a
região. Muitos dos italianos foram iludidos pelo sonho de “fazerem a América” e
quando aqui chegaram não encontraram nada do que lhes foi prometido. Acostumados
a duras lidas, eles não encontraram facilidades para sua subsistência nem o
esperado conforto. Tudo o que conseguiram foi através de muito esforço e
dedicação. Em parte, isto se explica pelo processo de colonização da região. Os
primeiros estrangeiros a chegar foram os portugueses, que tomaram conta das
vastas planícies gaúchas, instalando suas fazendas. Depois vieram os açorianos,
que não conseguindo as terras planas, ficaram ao longo da costa. Os alemães chegaram
mais tarde e se instalaram nas fraldas da Serra Gaúcha. Quando os italianos
chegaram, só restava a parte mais alta da Serra, mas eles não desistiram de
fincar as raízes de sua cultura.
As
diversidades fizeram com que os novos habitantes enfrentassem situações
difíceis e que exigiam, cada vez mais, empenho e capacidade para trabalhar as
colheitas de frutas, entre elas, a uva. Além da agricultura de subsistência, os
imigrantes italianos desenvolveram a habilidade para elaborar vinhos, feito sob
forma artesanal e que foi se firmando como um dos principais produtos da
economia local.
O
Vale dos Vinhedos é um território
que toma parte de três municípios da região nordeste do RS: Bento Gonçalves,
Garibaldi e Monte Belo do Sul. A cultura da uva e do vinho está presente em
seus 81 km2, revelando a vegetação nativa preservada, pomares e parreirais
(parte plantados em latada, sustentados por plátanos e parte já convertida em
espaldeira). Há uma simpática e peculiar arquitetura compreendendo vinícolas,
hotéis, igrejas e o casario colonial, e sobretudo um povo alegre e
hospitaleiro.
O
Vale dos Vinhedos situa-se numa região de clima sub-tropical temperado, com
estações do ano bem definidas, com possibilidade de geadas intensas no inverno
e períodos quentes no verão. A altitude média da Serra, (650 metros) propicia a
amplitude térmica tão desejável para a correta maturação das uvas. A topografia
se caracteriza por colinas e vales. Há grandes vinhedos de uvas comuns e outros
de uvas finas que se prestam para os melhores vinhos produzidos na região. A
tradição vitivinícola é familiar, passada de pai para filho. Atualmente, as
pipas de carvalho dividem espaço com tanques de aço inox nas cantinas revelando
a passagem do tempo, a preocupação com a cultura tradicional local e a
modernização da produção do vinho.
O
Vale dos Vinhedos situa-se a 130
quilômetros de Porto Alegre, a capital do estado. O Vale dos Vinhedos compreende
a parte da bacia hidrográfica do Rio Pedrinho, situada a montante da foz de um
córrego afluente deste e situado a sudeste da comunidade de Vale Aurora, no
município de Bento Gonçalves. A parte do vale a jusante é denominada de Vale
Aurora. A maior parte da área do Vale dos Vinhedos pertence ao município de
Bento Gonçalves, com 60 por cento do total, e a menor parte pertence a Monte
Belo do Sul, com 7 por cento na porção noroeste. A parte sul do vale pertence
ao município de Garibaldi, com 30 por cento da área total. Parte da zona urbana
de Bento Gonçalves situa-se dentro do perímetro do vale.
Os
vinhos produzidos no vale são os únicos do país a apresentar o selo de indicação de procedência (desde 2002) e
o de denominação de origem (desde
2011), que são garantias de qualidade dos vinhos ali produzidos. Para ostentar
o selo de origem as vinícolas devem cumprir as especificações de qualidade
estabelecidas pelo Conselho Regulador da Aprovale
– Associação dos Produtores de Vinhos
Finos do Vale dos Vinhedos, garantindo a qualidade geral, inaugurando uma
nova era na vitivinicultura nacional. Sua norma estabelece que toda a produção
de uvas e o processamento da bebida seja realizada na região delimitada do Vale
dos Vinhedos. A DO também apresenta regras de cultivo e de processamento mais
restritas que as estabelecidas para a Indicação de Procedência (IP), em vigor
até a obtenção do registro da DO, outorgado pelo INPI.
♦ Cultivares
autorizadas:
- Para Tintos: Merlot, como cultivar
emblemática e Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat como variedades
auxiliares para corte de vinhos.
- Para Brancos: Chardonnay como cultivar
principal e Riesling Itálico como variedade auxiliar para corte.
- Para Espumantes (brancos e rosados):
Chardonnay e/ou Pinot Noir como variedades principais e Riesling Itálico como
variedade auxiliar para corte.
♦ Produtos
autorizados:
- Varietal Merlot: Mínimo de 85% da variedade
- Assemblage Tinto: Mínimo de 60% de Merlot +
corte com uso das demais variedades autorizadas
- Varietal Chardonnay: Mínimo de 85% da
variedade
- Assemblage Branco: Mínimo de 60% de
Chardonnay + corte com uso da Riesling Itálico
- Base Espumante: Mínimo de 60% de Chardonnay
e/ou Pinot Noir. Elaboração somente pelo Método Tradicional
♦ Limites
de produtividade:
- Para uvas tintas: 10 toneladas/ha ou 2,5 kg
de uva por planta
- Para uvas brancas: 10 toneladas/ha ou 3 kg
de uva por planta
- Para uvas a serem utilizadas na elaboração
de espumantes: 12 toneladas/ha ou 4 kg de uva por planta
♦ Graduação
alcoólica:
- Tintos: mínimo de 12%, em volume
- Brancos: mínimo de 11%, em volume
- Base espumante: máximo de 11,5%, em volume
♦ Outras
normas:
- O espumante será elaborado somente pelo
“Método Tradicional”, com segunda fermentação em garrafa, que deverá constar no
rótulo principal, nas classificações nature, extra-brut e brut.
- A chaptalização e a concentração dos mostos
não serão permitidas. Em anos excepcionais o Conselho Regulador da
Aprovale poderá permitir o enriquecimento em até um grau.
- Poderá haver a passagem dos vinhos por
barris de carvalho, mas não serão autorizados “chips”e lascas ou pedaços de
madeira.
♦ Processo
de rastreabilidade:
A Aprovale possui um Conselho Regulador
responsável pelo regulamento da Indicação Geográfica do Vale dos Vinhedos. Cabe
a este conselho fazer o controle e fiscalização dos padrões exigidos pela
normativa da I.P. e da D.O. O Conselho Regulador mantém cadastro atualizado das
vinícolas solicitantes da certificação e utiliza informações do Cadastro
Vitícola do Ministério da Agricultura, coordenado pela Embrapa Uva e Vinho,
para determinar a origem da matéria-prima.
Para controle da
certificação são utilizadas as declarações de colheita de uva e de produtos
elaborados, a partir das quais retira as amostras para análises físico-químicas,
organolépticas e testemunhais. Estas amostras são lacradas e codificadas. Essa
sistemática permite a rastreabilidade dos produtos.
♦ Padrões
de identidade:
Os produtos somente recebem o certificado
após comprovada a origem da matéria-prima. 100% da uva deve ser procedente da
área demarcada. Também precisam ser aprovados nas análises físico-químicas e na
avaliação sensorial, realizada pelo Comitê de Degustação, composto por técnicos
da Embrapa, técnicos de associados da Aprovale e da Associação Brasileira de
Enologia.
♦ Vinicolas
Associadas: Adega
Cavalleri I Adega de Vinhos Finos Dom Eliziário I Angheben Adega de Vinhos I Casa
Valduga Complexo Enoturístico I Cooperativa Vinícola Aurora I Famiglia Tasca I Gran
Legado I IFRS Campus Bento I Miolo Wine Group I Peculiare Vinhos Finos I PIZZATO
Vinhas e Vinhos I Terragnolo Vinhos Finos I Vallontano Vinhos Nobres I Vinhedos
Capoani I Vinhos Don Laurindo I Vinhos Larentis I Vinhos Titton
Vinícola Calza I Vinícola Cave de Pedra I Vinícola
Dom Cândido I Vinícola Torcello I Vinícola Toscana I Vinícola Almaúnica I Vinícola
Boutique Lídio Carraro. (Fonte –
APROVALE - http://www.valedosvinhedos.com.br/ )