domingo, 7 de agosto de 2016

CONHEÇA OS 30 CAMPEÕES DA GRANDE PROVA DE VINHOS DO BRASIL

Conheça os 30 campeões da Grande Prova Vinhos do Brasil
O resultado da prova que reuniu mais de 110 vinícolas nacionais e 850 rótulos, divididos em 30 categorias, foi divulgado pelo Paladar com exclusividade, 03 de agosto de 2016, por Isabelle Moreira Lima

Foram divulgados na noite desta quarta-feira, os 30 campeões da quinta edição da Grande Prova Vinhos do Brasil. Realizada no início de junho no Rio de Janeiro, a prova avaliou 850 rótulos de 110 vinícolas de oito estados brasileiros. Escolhidos em competição às cegas, os vinhos ganhadores integrarão o Anuário Vinhos do Brasil 2016.

No total, foram cinco medalhas de duplo-ouro, 160 medalhas de ouro e 90 medalhas de prata. Espumante Brut Champenoise e Tinto Super Premium foram as categorias com mais medalhas de ouro, com 31 e 37 medalhas, respectivamente.

Conheça os campeões de cada categoria
Espumante Branco Brut Champenoise
Viapiana 575 dias (Flores da Cunha, RS / 91 pontos)
Gran Legado Espumante Brut Champenoise
Gran Legado (Vale dos Vinhedos, RS / 91 pontos)
Espumante Branco Brut Charmat
Chandon Excellence Brut Cuvée Prestige (Garibaldi, RS / 88 pontos)
Espumante Rosé Brut Champenoise
Cave Geisse Terroir Rosé Brut 2010 (Pinto Bandeira, RS / 92 pontos)
Espumante Rosé Brut Charmat
Monte Paschoal Virtus Brut Rosé (Serra Gaúcha, RS / 87 pontos)
Espumante Branco Extra-Brut e Nature
Cave Geisse Terroir Nature 2011 (Pinto Bandeira, RS / 93 pontos)
Espumante Prosecco/Glera
Monte Paschoal Prosecco (Serra Gaúcha, RS / 90 pontos)
Espumante Branco Moscatel
Aliança 2015 (Campanha Gaúcha, RS / 91 pontos)
Espumante Branco Demi-sec
Aurora Saint Germain Demi-Sec (Serra Gaúcha, RS / 88 pontos)
Espumante Rosé Demi-sec e Moscatel
Don Guerino Espumante Moscatel Rosé 2016 (Alto Feliz, RS / 88 pontos)
Branco Chardonnay
Casa Verrone Speciale Chardonnay 2015 (Divinolândia, SP / 90 pontos)
Branco Sauvignon Blanc
Don Guerino Sinais Sauvignon Blanc 2016 (Alto Feliz, RS / 89 pontos)
Branco Moscato
Casa Perini Macaw Tropical Branco (Serra Gaúcha, RS / 88 pontos)
Branco de Outras Castas e Cortes
Guatambú Vinho da Estância Branco 2015 (Campanha Gaúcha, RS / 88 pontos)
Rosé
Dunamis Tom 2016 (Campanha Gaúcha, RS / 87 pontos)
Tinto Cabernet Sauvignon
Aurora Millésime Cabernet Sauvignon 2012 (Serra Gaúcha, RS / 90 pontos)
Família Bebber Barão de Petrópólis Cabernet Sauvignon Reserva 2012 (Serra Gaúcha, RS / 90 pontos)
Tinto Merlot
Salton Desejo 2011 (Campanha Gaúcha, RS / 91 pontos)
Miolo Merlot Terroir 2012 (Vale dos Vinhedos, RS / 91 pontos)
Tinto Syrah
Primeira Estrada Syrah 2014 (Três Corações, MG / 90 pontos)
Tinto Tannat
Simonetto Tannat 2009 (Serra Gaúcha, RS / 92 pontos)
Tinto Pinot Noir
Suzin Pinor Noir 2014 (São Joaquim, SC / 89 pontos)
Tinto Cabernet Franc
Dal Pizzol Do Lugar Cabernet Franc 2014 (Serra Gaúcha, RS / 87 pontos)
Tinto Marselan
Viapiana Expressões Marselan 2012 (Flores da Cunha, RS / 86 pontos)
Tinto de Outras Castas
Basso Monte Paschoal Reserve Tempranillo 2012 (Campanha Gaúcha, RS / 88 pontos)
Tinto Corte
Perini Quatro 2009 (Serra Gaúcha, RS / 92 pontos)
Tinto Super Premium (acima de R$ 100 ao consumidor)
Perini Quatro 2009 (Serra Gaúcha, RS / 92 pontos)
Doces e Fortificados
Salton Intenso (Serra Gaúcha, RS / 90 pontos)
Suco de Uva Integral Tinto
Zanrosso 2015 (Serra Gaúcha, RS / 91 pontos)
Suco de Uva Integral Branco
Aurora (Serra Gaúcha, RS / 86 pontos)

CONHEÇA O JURI

O juri foi formado pelo enólogo francês Michel Friou, da vinícola Almaviva; por Danio Braga - chef e sommelier, fundador da ABS Brasil; Sebastián Rodrigues, enólogo da Concha y Toro; Diego Arrrebola, sommelier, atual bi-campeão brasileiro; Vladimir Veliz, do CanaldelVino.com; Gilberto Pedrucci, enólogo e presidente do Sindivinho; Marcio Oliveira, responsável pelo site Vinotícias; Ed Arruda, sommelier-chefe do Copacabana Palace; Ricardo Farias, presidente da ABS-Rio; Celio Alzer, professor da ABS-Rio; Roberto Rodrigues, diretor da ABS Rio; Homero Sodré, delegado de Bordeaux no Brasil pelo CIVB; Jô Sodré, Professora de Vinhos da Universidade Estácio de Sá; Maria Helena Tahuata, vice-presidente da ABS Rio; Romeu Valadares, jornalista; Luiz Fernando Silva, do Grupo Pão de Aç; Sergio Queiroz, grupo Baco; e Marcelo Copello, do grupo Baco e do presidente do juri.

O PRINCÍPE E A BELA ADORMECIDA, OU PROCURANDO FUGIR DA MESMICE...

O PRINCÍPE E A BELA ADORMECIDA, OU  PROCURANDO FUGIR DA MESMICE... ” –  Inverno em pleno curso clama por vinhos mais encorpados, em geral tintos, que se harmonizem com comidas mas fortes. Os amigos pedem sugestões de vinhos tintos e procuro pensar em rótulos que fujam da mesmice. A maioria dos vinhos que tenho degustado, estão muito parecidos e poucos ficam na memória por seu caráter diferenciado.
A observação não é só minha. Todo mundo vem dizendo há tempos que os vinhos modernos estão iguais. Um Chardonnay do Cone Sul (Argentina e Chile) é quase igual que um chardonnay sul-africano, australiano, neozelandês e ou um californiano. O que parecia ser uma vantagem, agora se torna defeito. Aliás, o berço de tudo foi a Califórnia, o que explica boa parte dessa história.
Em 1976, na célebre prova de Paris, o crítico inglês Steven Spurrier, organizou um evento, no qual um grupo de conhecedores degustou às cegas vinhos franceses e californianos. O resultado desta prova é que os vinhos americanos ganharam dos franceses (nos brancos e nos tintos). O vinho tinto vencedor foi o Stag´s Leap Wine Cellars 73, que bateu bordeaux como Chateau Mouton-Rothschild 70, Chateau Montrose 70 e Chateau Haut-Brion 70, para citar apenas uma parte do time. Nos vinhos brancos, o californiano Chateau Montelena ficou em primeiro lugar, seguido do Mersault-Charmes 73, do produtor francês Roulot, e de dois outros chardonnays americanos, o Chalone Vineyard 74 e o Spring Mountain Vineyard 73. Para conhecer em detalhe esta prova, leia o excelente livro de George M. Taber, “O julgamento de Paris” já editado no Brasil pela Campus. Se preferir, veja o Filme !
O interessante é que os vinhos brancos norte-americanos tentavam imitar os brancos da Borgonha, criados a partir da casta Chardonnay, destacando-se por sua exuberante potência. Desde então os produtores de brancos da uva chardonnay trataram de imitar o que fizeram Montelena e Chalone. Buscaram mudas francesas, clones adaptados às condições climáticas de regiões do Novo Mundo, estudaram novas formas de condução de vinhedos, tostaram barricas como os produtores borgonheses. O resultado visto é uma globalização dos aromas e sabores, num fenômeno que alguns jornalistas também têm chamado de “parkerização” do mundo do vinho, uma vez que este reconhecido crítico norte-americano - Robert Parker Jr. é mais influenciado pela potência que pela elegância.
Para o crítico Matt Kramer, também americano, o debate sobre terroir, e o efeito da mão do homem lembra a história da Bela Adormecida. O príncipe leva a fama de ter acordado a moça com um beijo. Sem ele não teria acontecido nada!. Mas onde estão as Belas Adormecidas que despertam daquele eterno sonho e encantam seus súditos com a elegância e complexidade dos grandes vinhos?
Sabemos que os americanos estão entre os maiores consumidores  de vinho, ditando com os ingleses os preços e as tendências deste mundo. Nem de longe têm a exclusividade do bom gosto, bastando lembrar o fenômeno criado por Sideways (“Entre Umas e Outras”), num claro debate entre potência x elegância, alusão entre as marcantes Chardonnay e Merlot em relação a “frágil” Pinot Noir.
O pessoal que se faz de príncipe ainda acredita que é o toque final que conta. Mas percebe-se que não é apenas isto.  A beleza está no solo, que cria a uva dos grandes vinhos. O que conta e muito é o terroir, a qualidade da uva e um savoir-faire do enólogo que esteja mais interessado no diferencial do que no igual !.
Se você quer fugir da mesmice, só há uma regra: opte por vinhos que procurem resgatar o caráter de fruta e toques minerais em detrimento da madeira para começar a quebrar paradigmas. Certamente você irá descobrir e despertar Belas Adormecidas. Prometo sugestões para breve.

POLKURA SYRAH 2011 – CHILE

 ● Vinho da Semana 322016 - ● POLKURA SYRAH 2011 –  CHILE. É a paixão pela Syrah é o que melhor define o conceito da natureza da Polkura. E esta história iniciou-se em 1998, quando o enólogo Sven Bruchfeld, junto com seu amigo e colega de universidade Gonzalo Muñoz, sonhavam com projetos futuros para realizar em conjunto. Gonzalo estudava na Espanha e Sven trabalhava durante as vindimas nas diferentes regiões vitivinícolas do mundo. Um certo dia eles conversavam no sul da França e enquanto degustavam um Syrah de estilo mediterrâneo em uma das bodegas locais junto com um saboroso cordeiro com menta e alí definiram que esta cepa seria a base do seu futuro vinho.
            Quando retornaram ao Chile se puseram a buscar o lugar mais propício para desenvolver um vinhedo que pudesse maximizar a qualidade das uvas e desta forma conseguir o vinho que tinha em mente, e iniciaram em 2002 o projeto de fazer um vinho excepcional com a uva Syrah, criando a Polkura (pedra amarela, na língua Mapuche, fazendo referência à grande quantidade de granito amarelo presente nos solos argilosos da região).
Conhecendo a fundo os vinhedos chilenos, escolheram a região de Marchigüe, no extremo ocidental do Vale de Colchagua, como ideal, por possuir maior altitude, clima mais fresco e solos pobres em encosta, conjunto que oferece condições ideais de maturação das uvas. Os vinhos têm concentração, mineralidade, elegância, estrutura e frutuosidade. A Polkura está produzindo também um Sauvignon Blanc e um Pinot Noir em San Antonio. Sven é um dos mais ativos membros do MOVI – Movimento de Viñateros Independientes.
Uvas colhidas manualmente e cuidadosamente selecionadas. Maceração a frio ( 8-11 °C) de 3-4 dias. Fermentação alcoólica de 7-10 dias, com temperatura controlada entre 26-29 °C. Remontagens diárias nos seis primeiros dias. Maceração total de 30-40 dias e fermentação malolática 100% em barricas. O vinho passou 15 meses em barricas de carvalho francês (97%) e americano (3%), sendo 29% delas, novas. O vinho foi engarrafado em março de 2012, sem filtração e estabilização.
● Notas de Degustação: cor rubi escura, quase negra, brilhante com boa formação de lágrimas. No nariz mostrou notas de fruta negra(ameixa), toques florais, de pimenta seca, de minerais e toque tostado, tudo muito bem integrado. A taça mostra um vinho potente, estruturado com os taninos enchendo a boca e com excelente acidez, num vinho gastronômico e com bom potencial para evoluir em garrafa. Final de boca longo, elegante e com a repetição das notas olfativas.
● Estimativa de Guarda: Tem estrutura para evoluir por muitos anos em garrafa.
Notas de Harmonização: acompanha muito bem carnes assadas (Bife de chorizo) e carne de caça assada, carnes vermelhas, queijos maduros, carne de porco curada. Servir entre 18 e 20°C.

Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Vamos a Montanha 2016 - Garibaldi

Começando os trabalhos do VAM 2016  de Garibaldi/RS, com almoço em Vinho e Arte em Porto Alegre! 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O CHILE VINÍCOLA ATUAL

Escrevi o artigo O CHILE VINÍCOLA ATUAL “ -  O Chile é um país com uma pequena população, um pouco mais de 15 milhões de habitantes, que estão espalhados por um território longo e estreito, com uma paisagem muito diversificada, onde há duas cordilheiras marcantes, vários lagos, vulcões, geleiras e o deserto mais seco do mundo no seu extremo norte.
O país é abençoado pela localização geográfica e pela natureza para produzir vinhos. Tem o Oceano Pacífico de um lado e a Cordilheira dos Andes do outro, formando um corredor de proteção sanitária para os vinhedos e criando todas as condições climáticas para produzir qualidade e variedade: seco e quente de dia, frio ou fresco à noite, motivado pelos ventos que descem das cordilheiras e lambem as vinhas.
Este isolamento de climático foi a razão pela qual a Phylloxera Vastatrix, doença que chegou a devastar plantações do mundo inteiro, em meados do século XIX e início do XX, jamais chegasse ao Chile; tanto que espécimes da uva Carménère, considerada extinta na França em virtude da Phylloxera, foram encontradas novamente no Chile no ano de 1994, em meio a videiras de uva Merlot.
As diferenças de relevo e altitude ao longo de seu extenso e estreito território – 177 km de largura e cerca de 4300 km de comprimento – propiciam toda uma diversidade de climas, do mediterrâneo ao temperado, gerando vinhos que se comparam facilmente aos melhores vinhos da França, Itália e Espanha.
            Ao longo deste território há 13 regiões com quase 200 vinícolas que produzem cerca de 12,9 milhões de hectolitros em 2015, a partir de 117.000 hectares plantados, dos quais 75% são dedicados á produção de uvas tintas, especialmente da Cabernet Sauvignon, que ocupa mais da metade da área cultivada.
No cenário competitivo atual do mundo do vinho, há um esforço para mudar a imagem de um país que ficou conhecido por produzir vinhos corretos com preços acessíveis,  desenvolvendo novos terroirs que mostram as qualidades do vinho chileno e colocando o país como o maior exportador do produto para o Brasil.
Jancis Robinson escreveu, em meados de 2015, que os produtores chilenos deixaram suas zonas de conforto (como o Vale Central, plano e facilmente irrigável) e passaram a trabalhar em terroirs mais desafiadores e mais instigantes para o vinho. Citou os novos vinhos brancos produzidos no Vale de Casablanca e San Antonio e de alguns Pinot Noirs finos elegantes das regiões frias como Leyda e Malleco.  Há também os vinhos feitos na fronteira com o deserto de Atacama, nos vales ensolarados de Élqui e de Limarí, os vinhos feitos quase à beira mar, no vale de San Antonio e Leyda, e os produzidos no extremo sul, na zona mais fria e úmida do vale de Bío-Bío.
Para o apreciador de vinhos, esses nomes podem ser difíceis de memorizar. Porém, cada vale, cada encosta, cada pequena planície esconde vários terroirs. O país é seco como o sertão brasileiro, mas como tem os Andes como barreira natural, uma parte da viticultura se desenvolve por conta das puríssimas águas do degelo. O resto é tecnologia pura de irrigação, a partir de poços artesianos, represas e lagos. Temos dificuldades e entender como é possível nascer um belo e viçoso vinhedo próximo a uma praia sem coqueiros, ou leitos pedregosos de rios secos em sua maioria, ou em terra quase branca, coberta de cactos de variados tamanhos.
O paralelo com a região de produção de vinhos do vale do rio São Francisco se limita a irrigação e ao calor dos dias, pois as noites nessa região chilena são frias, as tardes têm brisas frescas vindas do mar em pleno verão e a composição dos solos é muito distinta. Assim, com a ajuda da água, as uvas crescem e se transformam em belos rótulos. Os vinhos dos vales de Élqui e Limarí chamam a atenção mundo afora.
Para evitar esta dificuldade de memorizar e reconhecer os vales, o Chile está refazendo seu mapa vinícola. O amplo projeto, encabeçado pela associação Wines of Chile, está em curso, mas só deve ser finalizado em 2020. Os chilenos concluíram que a influência das cordilheiras e do Pacífico é determinante para seus vinhos. E subdividiram as zonas vinícolas de acordo com essas interferências geográficas. Isso significa que os já bem conhecidos vales, como Limarí, Maipo, Maule e Bío-Bío, estão sendo subdivididos, no sentido leste-oeste, em Andes, Entre Cordilheiras e Costa.
Mas na realidade, nada mudou nas divisões que vão de norte a sul, nas uvas permitidas ou na forma de produção. O que se quer é apenas fragmentar as zonas atuais em virtude das marcantes diferenças de terroir, pois existe um consenso entre enólogos e viticultores chilenos de que há tanta diferença de solo, clima e luminosidade de norte a sul quanto de leste a oeste. Com uma agravante: a diferença no eixo longitudinal ocorre ao longo de 1.300 km (área dedicada à viticultura), enquanto as mudanças no eixo horizontal ocorrem em uma faixa de apenas 200 km, dos Andes até a costa do Pacífico. Essa oscilação mais brusca agrupava vinhos com características muito distintas entre si em uma mesma denominação de origem.
No Maipo, por exemplo, a região Entre Cordilheiras produz vinhos com notas de frutas mais maduras, taninos mais austeros e, em alguns casos, notas herbáceas. No Maipo Andes, podem-se esperar taninos menos agressivos e textura untuosa - são vinhos aromáticos, com poucas notas herbáceas.
O caso mais emblemático das diferenças dos Andes até a Costa é a Syrah. No Aconcagua Costa sua colheita começa no meio de março; no setor Entre Cordilheiras, ela é feita ao longo de abril; e nos Andes, vai até o fim de maio. "No mesmo vale, com a mesma casta, conseguimos três expressões bastante diferentes", diz o enólogo Pedro Contreras, da Viña Errázuriz.
Um bom exemplo do atual momento do Chile é o Movimento de Vinhateiros Independentes (Movi). São 24 produtores e uma variedade de cerca de 100 rótulos de ótimos vinhos. Neste momento, grandes vinícolas estão dando espaço para seus enólogos desenvolverem projetos e liberdade de criar. Surgiram vinhos produzidos com leveduras nativas, que além de entrar em produção nas vinícolas, qualificam-nas de forma diferenciada.

Um momento enológico que vale a pena ser conhecido através do Roteiro de Vinhos que faremos pelo Chile entre 10 a 19 de novembro deste ano. Um programa imperdível !!!

VEGA SICILIA 2000 ÚNICO – RIBERA DEL DUERO – ESPANHA.

● Vinho da Semana 312016 - ● VEGA SICILIA 2000 ÚNICO – RIBERA DEL DUERO – ESPANHA. Essa propriedade produz segundo a maioria dos críticos, os melhores tintos espanhóis. A propriedade faz três grandes vinhos: o Vega Sicilia Único, o Vega Sicilia Valbuena 5º año e o não safrado Vega Sicilia Reserva Especial. São tintos que têm a uva Tinta del Pais (nome da Tempranillo em Ribera del Duero) como espinha dorsal. O Único, de certa forma, pode ser comparado com o Petrus, pois ambos talvez sejam os dois mais longevos vinhos disponíveis no mundo. Eles não só resistem ao tempo, mas, com o passar dos anos, melhoram de maneira impressionante.
Todos os Vega Sicilias são excepcionais e com longevidade impressionante. É comum que os vinhos degustados com 30 anos ou mais, ainda estejam íntegros, sensacionais e cheios de vida. Muitos críticos e jornalistas consideram o Único 2000, degustado em 2016, um tinto quase perfeito !!!
            A Vega Sicilia é sem dúvida a mais prestigiosa bodega da Espanha, lendária, e dispensando apresentação. A bodega Vega Sicilia foi fundada em 1864, no terroir privilegiado de Ribera Del Duero (em Valbuena na província de Valladolid não muito longe de Peñafiel, por Don Eloy Lecanda, que tinha como objetivo produzir vinhos tintos tão bons que se comparasse aos de Bordeaux. Em sua visita à Bordeaux ele trouxe uma seleção de mudas das uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Carmenère e Pinot Noir. Porém neste século, devido á grande instabilidade política no Estado, dificultou-se o desenvolvimento dos negócios do vinho. Foi somente no século XX, por volta de 1915, pelas mãos de Domingo Garramiola “Txomin” que o primeiro Vega Sicilia surgiu.
            No entanto, foi a família Alvarez, que tomou o reino em 1982, e sua atenção aos detalhes nos vinhedos e na vinificação que proporcionou ao Vega Sicilia sua alta reputação conhecida nos dias de hoje, no qual pode ser considerado por muitos o “Lafite da Espanha”.
            Essa reputação não vem à toa, além de um terroir privilegiado de Ribera Del Duero, a severidade com que as uvas são selecionadas dão ao Vega Sicilia um caráter único e uma concentração que permite envelhecer por muitos e muitos anos em barricas e consequentemente adquirir poderosas qualidades e complexidade que o capacita à uma perfeita evolução na garrafa.
O Vega Sicilia Único é um vinho tão especial, que quando a safra não é boa, não se faz sequer a colheita. Emblemático, sedutor, o Único é um vinho único em todos os sentidos e que está sempre entre os melhores do mundo. Tem estilo e personalidade incomparáveis, é elegante, complexo e com grande poder de guarda, o que faz dele um dos vinhos mais disputados e colecionados do mundo.
● Notas de Degustação: cor rubi violáceo límpido e intenso, sem nenhuma marca de evolução apesar dos 16 anos de guarda. Aroma de ameixas maduras, especiarias, frutas secas como a avelã e pimenta preta, com notas de defumados. No paladar mostra taninos macios, num vinho fácil de beber apesar da complexidade, com belo paladar aveludado.Corte de Tempranillo (80%) e Cabernet Sauvignon( 20%). Final longo e prazeroso.
● Estimativa de Guarda: a janela de beber indica estar ótimo entre 2015 a 2025.
Reconhecimentos: 97RP. MELHORES SAFRAS: os melhores últimos anos foram: 1960, 1961, 1962, 1965, 1969, 1970, 1975, 1977, 1980, 1985, 1987, 1989; 1990; 1994; 1996; 2000 (Único). Em 2010 foi posta no mercado Vega Sicília Único reserva Especial, vinho excepcional (Tempranillo 80% + Cabernet Sauvignon 20%).
Notas de Harmonização: Ideal com carnes suculentas e grelhada. Indicado para pratos finos, carnes, assados, caças de pelo e queijos fortes. Servir entre 17 a 19°C.
Onde comprar: Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100 ou na GRAND CRU - Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.

CHATEAU PAPE CLEMENT 2005 GRAND BORDEAUX –PESSAC LEOGNAN - BORDEAUX – FRANÇA

● Vinho da Semana 312016 - ● CHATEAU PAPE CLEMENT 2005 GRAND BORDEAUX –PESSAC LEOGNAN - BORDEAUX – FRANÇA. A história de Pape Clement V remonta ao século XIV, mas seu renascimento deu-se a partir de 1985. Foi construída uma nova instalação de vinificação, e um segundo vinho, o Le Clémentin, foi introduzido para melhorar a seleção e os vinhedos foram constantemente aprimorados. Outra revolução ocorreu em 2001, quando um exército de 120 pessoas passou a desengaçar os cachos à mão.
            Com cor profunda, rico e cheio, o Pape Clément ganhou mais concentração e textura desde essa safra. A referência ao Papa Clemente V não é sem motivo. Em 1305 Bertrand Goth, um grande proprietário de terras e arcebispo de Bordeaux, tornou-se o Papa Clement V e a cidade o homenageou dando o seu nome a essa propriedade. A família Montagne é sua proprietária desde 1939 e, por casamento, ela passou às mãos de um dos mais poderosos negociantes de Bordeaux: Bernard Magrez.
O Chateau Pape Clément continua sendo a sua mais importante propriedade em Bordeaux e, sob seu comando, a qualidade evoluiu. As vinhas são menos precoces do que as de Haut-Brion, mas os solos são visivelmente excepcionais. A vinificação segue um estilo moderno, e o amadurecimento é feito em barricas novas de carvalho. Colheitas pequenas asseguram alto nível de concentração.
Poucas pessoas questionam o fato de que o Pape Clément ter-se tornado um dos vinhos mais exuberantes e suntuosos da região de Pessac-Léognan. Apesar da alta concentração e da forte presença de carvalho, ele mantém sua finesse.
Robert Parker que lhe atribuiu 98/100 pts e disse:  “Provavelmente, o maior Pape-Clement já feito, a densa cor roxa deste 2005 (uma mistura de Merlot e Cabernet Sauvignon nas proporções respectivamente de 55% e 45%), que no olfato exibe notas terrosas, esfumaçada, grafite, alcaçuz e amoras. Uma vez passado esses aromas requintadamente perfumados, o vinho se revela de corpo inteiro, a sua concentração é extraordinária, cheia de chocolate, fumo, cassis, amora e outros sabores, com um toque de cinza vulcânica inconfundível que vem dessa denominação. Os taninos são um pouco mais doces do que os encontrados na maioria dos Médocs do norte, mas este ainda é um esforço para trás, de grande escala, que requer 7-8 anos de envelhecimento na garrafa. Deve durar 30-35 anos”.
● Notas de Degustação: ainda violáceo intenso, profundo, sem halo de evolução granada nas bordas. No nariz mostra aromas esfumaçados, muitas frutas negras (amora, ameixa, cereja), traços de alcaçuz. No paladar é encorpado, tânico (com textura finíssima por conta de seus taninos), poderoso, elegante, condimentado, complexo e multifacetado. Mostra ainda nota mineral e toques de azeitona preta. O paladar expansivo, encorpado, envolto em madeira muito bem integrada com a fruta. A estrutura é firme, masculina, com camadas de frutas negras secundadas por toques de tabaco e cedro. A Merlot desempenha papel fundamental porque arredonda e atua como anteparo à poderosa Cabernet Sauvignon. A acidez promove a sensação de frescor e intensa salivação no paladar.
● Estimativa de Guarda: Uma maravilha que tem estrutura para 20 ou mais anos de guarda na garrafa.
● Reconhecimentos: 98 RP.
Notas de Harmonização: Indicado para pratos finos, carnes, assados, caças de pelo e queijos fortes. Servir entre 17 e 18°C.

Onde comprar: Em BH AU BON VIVANT - R. Pium-Í, 229 - Cruzeiro, Belo Horizonte - MG, 30310-080 I Tel.: (31) 3227-7764.