sábado, 3 de outubro de 2015

POLKURA SYRAH 2010 – COLCHAGUA – CHILE

Vinho da Semana 40/2015 ● POLKURA SYRAH 2010 – COLCHAGUA – CHILE – Os enólogos e colegas Sven Bruchfeld e Gonzalo Muñoz iniciaram em 2002 o projeto de fazer um vinho excepcional com a uva Syrah, criando a Polkura (pedra amarela, na língua Mapuche, fazendo referência à grande quantidade de granito amarelo presente nos solos argilosos da região). Conhecendo a fundo os vinhedos chilenos, escolheram a região de Marchigüe, no extremo ocidental do Vale de Colchagua, como ideal, por possuir maior altitude, clima mais fresco e solos pobres em encosta, conjunto que oferece condições ideais de maturação das uvas. Os vinhos têm concentração, mineralidade, elegância, estrutura e frutuosidade. O Block g+i é uma seleção de parte destes lotes de meia-encosta. A Polkura está produzindo também um Sauvignon Blanc e um Pinot Noir em San Antonio. Sven é um dos mais ativos membros do MOVI – Movimento de Viñateros Independientes. Viña Polkura- Colchagua foi fundada em 2002. As uvas são colhidas em caixas de 13 kg e selecionadas após desengace. Inicialmente é feita uma maceração a frio, entre 8 °C e 11 °C, de 3 a 4 dias, seguida de fermentação com temperatura controlada entre 27 °C e 29 °C, com leveduras selecionadas, por 10 dias. A fermentação alcoólica dura de 7 a 10 dias. São feitas remontagens nos primeiros 6 dias. O tempo total de maceração é de 30 a 40 dias. A fermentação malolática ocorre de forma espontânea em barricas. O vinho amadurece em barricas de carvalho 94% francês e 6% americano, sendo 28% novas, 25% de segundo uso e 47% mais velhas, durante 14 meses. Para preservar o caráter original e assegurar que o vinho possa expressar todo o terroir local, não é feito nenhum tipo de tratamento ou filtração antes do engarrafamento. Engarrafado em abril de 2011. Produção de 42.600 garrafas. Composição: 91% Syrah, 5% Malbec, 2% Cabernet Sauvignon, 1% Grenache Noir, 1% Viognier, 1% Tempranillo/Mourvedre.
 ● Notas de Degustação: Aromas de especiarias, com notas florais e uma evidente mineralidade. Na boca, tem bom corpo e estrutura. A acidez torna o vinho mais complexo. Bom equilíbrio entre acidez e taninos, em um vinho muito intenso, mas ainda elegante, com um longo final.
● Guarda: pelo menos 3 anos antes de beber ! Pode ser bebido fácil até 2018 !!!
Notas de Harmonização: carnes e embutidos. Queijos meio curados..
Temperatura de Serviço: 16 a 18ºC

Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

CHABLIS E SUA HARMONIZAÇÃO PERFEITA

 CHABLIS E SUA HARMONIZAÇÃO PERFEITA “ Em boa parte da região da Borgonha, o solo esbranquiçado e quebradiço, é composto de argila, pedras calcárias e conchas (a região já foi fundo de mar em períodos antigos). Nas colinas de Chablis e seus arredores, o solo não é diferente, e está plantado de vinhedos da uva Chardonnay, de onde nascem vinhos muito secos, com mineralidade facilmente percebida e ótimo frescor. Com estas características, a combinação com pratos a base de peixes e frutos do mar é perfeita. Não é à toa que um Chablis bem refrescado é opção mais que certa para ostras frescas, ou mesmo gratinadas, pratos de peixes crus, como no caso de culinária japonesa e tem seu lugar à mesa, nos melhores cardápios e cartas de vinho.
Pode-se dizer que o Chablis é o vinho branco mais conhecido no mundo e também o mais imitado, sendo considerado o modelo do vinho charmoso, seco, fresco e delicioso. A região do Chablis faz oficialmente parte da Borgonha, localizada mais ao norte, quase na região do Champagne. A cidade de Chablis fica a menos de 200 quilômetros de distância ao sul de Paris, e lá se produz cerca de um terço de todo o vinho branco da região da Borgonha. A região reúne 4.500 hectares de vinhedos, cultivados por cerca de 800 pequenos e médios produtores – sendo que quase metade deles trabalha para uma única cooperativa, a La Chablisienne, que responde por um quarto de todo o vinho produzido.
O clima é semi-continental, sem influência marítima, com grandes contrastes de temperaturas. Os invernos são longos e frios, os verões são mornos, com boa insolação. As geadas e chuvas de granizo costumam assolar eventualmente a região.
Há quatro categorias de vinhos Chablis: O Petit Chablis vem de vinhedos mais afastados do centro da área de produção, sendo a denominação mais simples, e com as melhores opções de preço. Procure sempre provar safras mais jovens, pois o melhor frescor está entre os 2 ou no máximo 3 anos da colheita. Este frescor combina de forma excelente com ostras frescas, carpaccios de peixes, tartares de salmão, culinária japonesa, como sushi, sashimi, bem como outras receitas a base de peixes crus.
Em seguida temos os Chablis AOC, com mais intensidade de minerais, sabor e equilíbrio. Seu caráter mais refinado revela os minerais com uma pureza de identifica sobremaneira o terroir da região. Os Chablis AOC são vinhos vivazes, intensos, frescos e combinam bem com receitas mais encorpadas, como bacalhau, salmão e mesmo um típico “fish ´n´chips” inglês.
A terceira categoria é formada pelos Chablis Premier Cru, com vinhos provenientes de vinhedos demarcados, formando o que muitos chamam do modelo mais perfeito do estilo. Neles, a mineralidade e frescor são exuberantes e provocam ótima sensação em quem os bebe, pois a pureza de seus vinhos mostra acidez marcada, intensa mineralidade, notas cítricas (como do limão siciliano), maçã verde e mesmo um toque floral, e imenso frescor. Aparecem as notas amanteigadas e lácteas, e são perfeita combinação para pratos como escargots, salmão com gravilax, lagostim, cavaquinha e lagosta, ou peixes a “belle meuniére” ou “au beurre blanc”. São famosos os vinhedos de Fourchaume, Montmains e Vaillons, entre os 40 vinhedos dispersos pela região que possuem esta classificação. Importante dizer que não basta ser um Premier Cru para ser um bom vinho, porque o nome do produtor fará a diferença. Além disto, se mostram longevos e raros vinhos ficam perfeitos antes dos 10 anos de safra.
Por último temos o Chablis Grand Cru, que são os vinhos Tops da região. São apenas sete os vinhedos classificados como Grand Cru: Les Clos, Blanchots, Les Preuses, Bougros, Grenouilles, Valmur e Váudesir. Existe ainda o vinhedo La Moutonne, que não possui a classificação de Grand Cru, mas tem o mesmo status, pois fica entre os vinhedos Váudesir e Les Preuses. Estes vinhos são austeros, com acidez marcante, muito seco e mineral, complexo e encorpado, capazes de harmonizar com pratos mais picantes, como da culinária thai, salmão defumado ou mesmo um foie gras. Seus preços se aproximam muito dos grandes vinhos brancos da Borgonha, mas geralmente ganham na relação preço x qualidade quando comparados aos grandes da Côte d´Or, como o Montrachet. Em geral, o estilo dos Chablis Grand Cru é longevo e raros são bebidos antes dos 15 a 20 anos de safra.
Comparados a brancos da Chardonnay no Novo Mundo, os Chablis tem grau alcoólico variando entre 10º e 12,5º sendo muito difícil encontrar um rótulo de Chablis que atinja os 14º graus de álcool. Recomenda-se que esses grandes vinhos sejam bebidos resfriados, e não gelados para melhor revelarem todo o seu potencial aromático (a taça não deve chegar a condensar por fora).
Outro ponto importante é que se deve esperar o momento ideal para degustá-los. Afinal, os Premier Cru e os Grand Cru são vinhos longevos, e que ganham muito bem com o envelhecimento. Não me esqueço que visitando a Vinícola de William Fèvre, um dos produtores mais reconhecidos da região, pedi para comprar um Chablis Premier Cru Fourchaume da safra de 2004 que estava num balcão. O atendente pediu desculpas e disse que garrafa estava ali por ter sido fotografada momentos antes. Explicou que não poderia me atender, pois o vinho só estaria disponível a partir de 2010 para vendas e para beber em 2014.
Depois de muita conversa e promessas de climatizar o vinho e só abrir a garrafa em 2014, consegui do gerente da vinícola a permissão de comprar a garrafa. Ainda vamos poder avaliar o bem que estes anos fizeram ao vinho, e vocês estão convidados!

Nestes dias quentes não perca a chance de degustar um Chablis e Saúde !!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

CHATEAUNEUF-DU-PAPE E SEUS VINHOS


" CHATEAUNEUF-DU-PAPE E SEUS VINHOS  “ –  Quem sai de Avignon pela estradinha D-7 rumo ao norte logo se vê mergulhado numa imensidão bucólica de vinhedos. Não demora muito até que um imenso château do lado direito da estrada faz todo mundo parar: ao fim de fileiras simétricas de videiras, no alto de uma colina, o Domaine Mousset não é apenas mais um castelo num país já famoso demais por causa deles. Ele é o prenúncio de que a pequenina Châteauneuf-du-Pape, uma vila de pouco mais de 2 mil habitantes que virou sinônimo de um dos melhores vinhos da França, está perto; muito perto !
Para muitos amantes de vinho, a localização estratégica do Chateau Mousset contribui para que a propriedade seja praticamente um pit-stop obrigatório para quem vai explorar aquelas terras. Basta pegar a estrada de terra cercada de ciprestes e pronto, terá a chance de começar a série de degustações.
O programa oficial em Châteauneuf é visitar vinícolas. E, claro, provar vinhos. Quem se permite um tempinho para vagar pelo sobe e desce do centrinho da vila vai encontrar uma linda comuna, recheada de casas de pedra com portas e janelas coloridas que se espalham aos pés das ruínas de um castelo do século 14 – o tal château que deu nome ao vilarejo.
Todo o centrinho da cidade é pipocado de enotecas e lojas de vinho que fazem degustações gratuitas. Vá direto ao ponto: a Cave du Verger des Papes, na subida para o castelo, é uma das melhores alternativas, com exemplares de safras especiais num ambiente pra lá de charmoso – uma grutinha de pedra que se abre em salas e mais salas, algumas com iluminação de velas.
Situada no topo de uma pequena colina com seus 3.200 hectares de vinhedos, a pequena aldeia possui uma dedicação quase espiritual à produção de famosíssimos vinhos, cujas garrafas possuem até hoje uma marca d'água cunhada no vinho, que outrora representava o importante brasão pontifical, uma honraria que se destacava como sendo um dos melhores produções da região.
É a denominação mais conhecida da parte sul do vale do Rhône. As vinhas localizam-se em torno de Châteauneuf-du-Pape e das localidades vizinhas de Bédarrides, Courthézon e Sorgues, entre Avignon e Orange, e cobrem pouco mais de 3.200 hectares. Aqui se produzem cerca de 110.000 hectolitros de vinho por ano. Produz-se mais vinho nesta zona do que em todo o Rhône setentrional (Norte)  junto.
Ao contrário dos seus vizinhos do Rhône setentrional, o Châteauneuf-du-Pape permite treze variedades de uva e a mistura está dominada normalmente pela grenache. As outras uvas tintas são cinsault, counoise, mourvèdre, muscardin, syrah, terret noir e vaccarèse. Entre as uvas brancas incluem-se a grenache blanc, bourboulenc, clairette, picardin, roussanne e picpoul.
Nos últimos anos a tendência tem sido ir incluindo menos, ou até nenhuma, das variedades brancas permitidas, e confiar principalmente (ou exclusivamente) na grenache, na mourvèdre e na syrah.

♦ Para facilitar as coisas, três informações de utilidade pública:
1) todos os vendedores vão querer te apresentar o vinho branco de Châteauneuf; depois de algumas taças do branco, muitos amantes de vinho preferirão o tinto. Beba o branco sem preocupações e sorvendo cada gota. É um dos mais belos vinhos brancos da França, pouco conhecido e por isto mesmo ainda pouco valorizado.
2) na última década, os anos de 2005, 2007 e 2009 foram safras especiais (as duas primeiras já estão no ponto; a última estará perfeita para beber em 2015 ou 2016, mas já pode ser encontrada).
3) de maneira geral, as garrafas custam entre € 15 e € 150. Mas os exemplares realmente especiais e raros de safras históricas podem chegam aos quatro dígitos.

♦ Um pouco da História de Chateauneuf-du-Pape
Bem antes da chegada dos papas, monges e eclesiásticos, os habitantes da região já haviam herdado dos romanos e dos gauleses a paixão por vinhos longos e encorpados.
No início do século 14 (em 1308), o papa Clemente V se instalou com toda a corte do Papado em Avignon e fez da região uma sede do poder católico que se estendeu até 1377, quando reinaram sete papas. Ali eles ergueram o impressionante Palais des Papes, principal atração da cidade. Não contentes, decidiram construir um castelo novo nos arredores – o tal château neuf, em francês. Amantes dos vinhos, os papas não demoraram a plantar uvas. E desta atividade surgiu a região vinícola mais conhecida na região do Rhône.
Além de revolucionar a produção até então arcaica, e de promover um grande crescimento econômico e social, a corte dos papas começou também a se abastecer na região, o que foi benéfico para os produtores locais. Com isso, a Igreja católica tornou-se o primeiro vinhateiro oficial a explorar esta região de Châteauneuf.
No século 14, por ordem do papa João XXII (de 1316 a 1333), a Igreja escolheu a cidade de Châteauneuf para construir a sua residência de verão, onde os papas moraram até o ano de 1377, quando retornaram a Roma. Obviamente, não poderia faltar um vinhedo, cujas primeiras cepas nasceram em volta do palácio, neste terroir repleto de pedregulhos cuja função é de armazenar o calor do sol durante o dia e irradiar as raízes durante a noite - o que constitui um dos segredos da riqueza das uvas desta região até hoje.
A produção ficou restrita ao consumo interno da Igreja. João XXII determinou a primeira denominação de "Vinho dos Papas".
Apesar de certo declínio no século 18, provocado por guerras, epidemias e outras pragas, o vinhedo nunca parou de crescer. Por volta de 1800, 668 hectares de terrenos, dos quais 425 hectares distribuídos em pequenas parcelas de vinhas de 1.400 m2 em média, produziam 11.000 hectolitros por ano. Em 1929, a denominação de origem, Châteauneuf-du-Pape, foi oficializada.
Châteauneuf-du-Pape é hoje uma das zonas AOC (a sigla de Appellation d’Origine Contrôlée) de maior prestígio em toda a França. Para muitos críticos, é a única que faz frente a Bordeaux e a Borgonha. Numa área de 3.200 hectares de vinhedos, cerca de 300 produtores fabricam artesanalmente um vinho encorpado, que pode usar a mescla de até 13 uvas – embora a grande estrela seja a grenache.

 Pouco conhecido de nós, a região produz o Côtes du Rhône Primeur, que é um vinho novo, que teve cerca de cinco semanas pra "envelhecer", e por isso tem um sabor diferente, geralmente muito ácido e com aroma e sabor do álcool muito forte. É um tipo de vinho "jovem" e que não se guarda.
Antigamente a vila tinha o nome de Castro Novo, (castro significa cidade fortificada) mas acabou sendo traduzido como Châteauneuf (castelo novo), denominação que remonta ao século XI e por volta do século XIII o nome passou à Châteauneuf Calcernier em referência às explorações de calcário feitas na região. O nome Châteauneuf-du-Pape foi adotado oficialmente no século XIX e faz referência à época em que os papas habitaram Avignon e à influência que eles exerceram na região.

♦ AS UVAS DO CHATEAUNEUF-DU-PAPE
A denominação autorizou nada menos que 13 tipos de uvas diferentes para constituir a força deste vinho impressionante. Contudo, vale ressaltar que nos assemblages a proporção de uva grenache costuma ser de 80%, sendo complementada em geral pela syrah e a mourvèdre. As outras variedades são usadas como tempero: cinsault, muscardin, vaccarèse, terret noir, picpoul noir, counoise.
Vale mencionar também as castas brancas que produzem vinhos cuja qualidade vem aumentando a cada ano e cuja uva dominante é a grenache blanc, seguida pela clairette, a bourboulenc, a picardan e a roussanne.

♦ O VINHO EM SI
De fama mundial, conhecido pelas suas garrafas amplas e bojudas que trazem o selo das armas dos papas estampado no vidro (em geral isto já designa quem são os melhores exemplares da região), o Châteauneuf du Pape possui grande força e volume graças a uva grenache, que proporciona à sua consistência a característica de um vinho de guarda. Assim, os seus mais ricos tesouros podem esperar de 10 a 12 anos até serem consumidos, alguns dos quais podendo facilmente se beneficiar com um repouso de 20 a 25 anos.
O sul do Rhône é magnífico em história, cenários pitorescos, vinhas e seu coração está em Chateauneuf-du-Pape, o ápice em qualidade onde 13 castas de uvas estão permitidas e onde reina a grenache, seguida por outras, entre elas, a mourvedre e a syrah e cada qual empresta o seu caráter ao conjunto: cor, robustez, redondeza, perfumes.
E foi em Chateauneuf-du-Pape que o sistema de apelação controlada começou em França, com o Baron Le Roy do Châteaux Fortia que estabeleceu em 1923 o que veio a se tornar o sistema nacional de apelações controladas, estabelecendo – entre outras coisas - que os solos para os vinhos finos de Chateauneuf seriam áridos o suficiente e as variedades de uvas, quantidade, rendimento etc. seriam estritamente controlados e as uvas insatisfatórias seriam eliminadas antes da fermentação.
O tempo provou que as medidas propostas pelo Baron eram mais que acertadas, pois tiraram a região da obscuridade para tornar-se uma estrela global no mundo dos vinhos.
A sua cor mais característica é um rubi escuro com reflexos granada. Os seus aromas, por tradição, são extremamente sedutores. Entre eles, predominam toques pronunciados de frutas vermelhas maduras, de especiarias e de ervas aromáticas, sempre de grande intensidade.
No paladar, há um extraordinário equilíbrio entre acidez e álcool, sendo que o seu corpo aveludado e volumoso tem um final longo e frutado, com um amargor leve e amadeirado.
No ano de 2010, Robert Park nomeou as melhores safras do ano. Parker não economizou nas notas e classificou nove vinhos da safra com 100 pontos, sete deles do Rhône, confirmando o grande destaque que os vinhos da região tiveram nesta safra. Na relação dos 50 melhores, nada menos que 36 deles são do Rhône. Antes do crítico de vinhos Robert M. Parker ter começado a promovê-los nos Estados Unidos, os vinhos de Chateauneuf eram considerados rústicos e eram muito pouco consumidos. No entanto, o seu crescente consumo fez com que os preços quadruplicassem no decurso da última década.
Em 1995, Parker foi a terceira pessoa a receber o título de cidadão honorário do vilarejo. As duas outras pessoas foram os franceses Frédéric Mistral e Marcel Pagnol.
Espere pelo menos 5 anos para beber os Chateauneuf-du-Pape 2010 sob pena de estar bebendo-os numa fase ainda muito jovem, na qual não desenvolveram todo o seu potencial.

♦ Os melhores do ano, alguns dos vinhos Chateauneuf-du-Pape que obtiveram notas entre 98 e 100 pontos:
SAFRA  – NOME DO VINHO – PONTUAÇÃO - ESTÁGIO DE MATURIDADE – PREÇO (US$)
2010  -  Chateau Beaucastel Chateauneuf du Pape Hommage A Jacques Perrin - 100- 426-671
2010  -  Chateau de Saint Cosme Gigondas Hominis Fides  - 100 -  Jovem  - 317-394
2010  -  Clos Saint-Jean Chateauneuf du Pape Sanctus Sanctorum (Magnum) -10 - Jovem 400 
2010  -  Clos Saint-Jean Chateauneuf du Pape Deus Ex Machina  - 100 Jovem 250-565
2010  -  Dom. de la Janasse Chateauneuf du Pape Cuvee Vieilles Vignes-100 - Jovem 130-262
2010  -  Domaine Grand Veneur Chateauneuf du Pape Vieilles Vignes  - 100  - Jovem 95-276
2010  -  Mas de Boislauzon Chateauneuf du Pape Cuvee du Quet - 100  - Jovem 349-482
2010  -  Clos des Papes Chateauneuf du Pape -  99  -  105-175
2010  - Clos du Mont Olivet Chateauneuf du Pape la Cuvee du Papet -  99  - Jovem 67-157
2010  -  Domaine de la Vieille Julienne Chateauneuf du Pape Reserve  - 99  -  Jovem 313-388
2010 - Dom. Clos du Caillou Chateauneuf du Pape Res. le Clos du Caillou- 99+- ovem 139-212
2010  -  Domaine Giraud Chateauneuf du Pape les Grenaches de Pierre  - 99  - Jovem
2010  -  Domaine la Barroche Chateauneuf du Pape Pure -  99 - 125-150
2010- Dom. Raymond Usseglio Chateauneuf du Pape C.Imperiale (V.Centenaires)-99-Jovem90
2010  -  Domaine Roger Sabon Chateauneuf du Pape le Secret de Sabon- 99 Jovem - 200-286
2010  -  Les Bosquet Papes Chateauneuf du Pape Chante le Merle V.Vignes-99 Jovem-147-83
2010  -  Chateau de Vaudieu Chateauneuf du Pape Amiral G -  98 Jovem  - 75
2010  -  Chimere Chateauneuf du Pape  - 98+ Jovem
2010  -  Clos Saint-Jean Chateauneuf du Pape la Combe des Fous - 98 Jovem -  170-375
2010  -  Domain Olivier Hillaire Chateauneuf du Pape les Petits Pieds d'Armand-98-Jovem70-85
2010  -  Domaine Chante Cigale Chateauneuf du Pape Vieilles Vignes  - 98  - Jovem 55-65
2010  -  Domaine de la Janasse Chateauneuf du Pape Cuvee Chaupin - 98 - 90-126
2010- Dom. de Saint-Prefert Chateauneuf du Pape Collecion Charles Giraud-98-Jovem160-269
2010  -  Domaine du Pegau Chateauneuf du Pape Cuvee da Capo (98-100)  - Jovem 320-750
2010  -  Domaine Giraud Chateauneuf du Pape Cuvee les Gallimardes  - 98  - 65
2010  -  Le Ferme du Mont Chateauneuf du Pape Cotes Capelan  - 98 Jovem  -50
2010- Les Bosquet Papes Chateauneuf du Pape la Gloire de Mon Grandpere-98-Jovem 60-140

♦ ENOGASTRONOMIA DA REGIÃO
Qualquer carne de caça deve ser experimentada com o Chateauneuf-du-Pape, não podendo se esquecer dos queijos curados, enquanto o branco proporciona uma festa dos sentidos quando acompanha peixes de carne vermelha, e pratos com molho a base de vinho.
Ao menos uma vez na vida é preciso experimentar um Châteauneuf-du-Pape. É algo emocionante e verdadeiramente inesquecível. Na compra, vale prestar atenção na sua origem de produção. Os seus melhores exemplares são, infelizmente, bastantes caros, mas este vinho sempre dará à sua mesa um toque de nobreza e de bom gosto irrepreensível.

No Brasil, em algumas importadoras é possível encontrar alguns dos vinhos. Porém nada se iguala a degustar e conhecer a história daquele produtor e daquela vinha. 

CHABLIS 1er CRU VAILLON DOMAINE CHRISTIAN MOREAU 2012 – CHABLIS – FRANÇA

Alguns leitores do VINOTÍCIAS solicitaram que eu sugerisse um vinho por semana, anotando notas de degustação e onde comprar. Com este calorão dos últimos dias, vão ai dois vinhos para refrescar as taças. Para o vinho mostrar todo o seu potencial quando for degustado, ele deve ter sido armazenado em ambiente fresco, com controle de temperatura e umidade, livre de trepidações e sem contato com a luz. E se você trouxe a garrafa de uma viagem recente, epere o vinho descansar. Assim sendo:

Vinho da Semana 39/2015 ● CHABLIS 1er CRU VAILLON DOMAINE CHRISTIAN MOREAU 2012 – CHABLIS – FRANÇA – Christian Moreau tem ampla experiência internacional, sempre trabalhando em empresas de bebidas. Em 2001, recebeu de volta os vinhedos até então alugados e constituiu seu próprio domaine. É auxiliado por seu filho Fabien, da sexta geração da família no ramo de vinhos. Fabien estudou enologia em Dijon e administração de empresas em Bordeaux e passou um ano na Nova Zelândia antes de assumir os negócios com o pai, em 2002. Em outubro de 2007, a revista Decanter destacou o Chablis Grand Cru Vaudésir 2005 como “o melhor Chardonnay do mundo”. Esse domaine está listado entre os dez produtores destacados de Chablis no guia de Hugh Johnson.
A família tem como objetivo perpetuar sua tradição de seis gerações, respeitando o terroir único no mundo que é Chablis. Para cuidar do vinhedo e do solo se empenham em uma atividade inteligente, com trabalhos para evitar herbicidas, utilização de técnicas naturais de controle para evitar inseticidas e uma observação cotidiana do vinhedo para compreender e empreender a luta contra as pragas e doenças. Além disso, aplicam um política global de controle do rendimento dos vinhedos, permitindo obter uma concentração máxima dentro dos frutos e uma verdadeira expressão do terroir em seus vinhos.
  ● Notas de Degustação: Os vinhedos, com 56 anos de idade, estão situados no coração de Chablis, à margem esquerda do Serein, na encosta dos Vaillons, com exposição sul-sudeste. Os solos são argilo-calcários do kimméridgien, típicos de Chablis, ricos em fósseis marinhos, principalmente Exogyra virgula, pequena ostra típica dos solos de Chablis. A densidade é de 6.500 plantas por hectare.
As uvas são colhidas à mão e transportadas em cestos, esvaziados por sistema de vibração sem rompimento das películas. Em seguida, passam por uma mesa de seleção para eliminar os frutos indesejáveis. Após prensagem pneumática em ambiente protegido, é feita uma débourbage (decantação dos resíduos sólidos) a frio. A fermentação é feita 65% em tanques de aço inox com temperatura controlada a 20 ºC e os restantes 35% em barricas usadas de 2-3-4 anos durante 6 meses.
            Cor amarela bem clara, brilhante e límpida. Aromas de frutas brancas e cítricas, como pera, abacaxi e limão siciliano, com leve nuance mineral e toque floral. A nota mineral marcante é muito agradável. No paladar o vinho mostra um alto nível. Rico, com bela acidez. Bem equilibrado, vivo em boca, corpo médio para encorpado, persistente, um vinho com personalidade, complexidade, elegância, tipicidade e muito gastronômico. O retrogosto confirmou o olfato e o final foi longo e vivo no paladar por um bom tempo.
● Guarda: pelo menos 3 anos antes de beber ! Pode ser bebido fácil até 2019 !!!
Notas de Harmonização: Ostras cruas, ou gratinadas, bobó de camarão, bacalhau gratinado, preparaçõe com frutos do mar, ceviche de salmão, canapés e queijos leves..
Temperatura de Serviço: 9 a 10ºC
Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

BOURGOGNE LA VIGNÉE CHARDONNAY 2013 – BORGONHA – FRANÇA

Alguns leitores do VINOTÍCIAS solicitaram que eu sugerisse um vinho por semana, anotando notas de degustação e onde comprar. Com este calorão dos últimos dias, vão ai dois vinhos para refrescar as taças. Para o vinho mostrar todo o seu potencial quando for degustado, ele deve ter sido armazenado em ambiente fresco, com controle de temperatura e umidade, livre de trepidações e sem contato com a luz. E se você trouxe a garrafa de uma viagem recente, epere o vinho descansar. Assim sendo:

● Vinho da Semana 39/2015 ● BOURGOGNE LA VIGNÉE CHARDONNAY 2013 – BORGONHA – FRANÇA - Nove gerações e um legado para a vida toda. A Domaine Bouchard Père Et Fils foi fundada em 1731, em Beaune, por Michel e Joseph Bouchard, sendo uma das vinícolas mais antigas de toda a Borgonha.  Uma fortaleza construída pelo rei Louis XI datada do século 15, cujas torres edificadas se mantêm de pé, caves subterrâneas, ainda em uso, abrigam uma coleção com cerca de duas mil garrafas de suas melhores safras desde 1846 foi onde a família Bouchard escreveu sua história por séculos. Em 1995 a vinícola foi vendida para uma família muito antiga de Champagne comprometida em manter a tradição dos fundadores.

  ● Notas de Degustação: Cor amarela bem clara. Este é um delicioso Chardonnay de uma das vinícolas francesas mais prestigiadas do mundo. Um vinho jovem, elegante e perfumado. Ótimo para bebericar ou para acompanhar comida. Mineral frutado e fresco, cremoso e que impressiona com o charme juvenil e suas notas cítricas. Bela fruta e acidez fazem deste vinho uma excelente pedida para as noites quentes que estamos vivendo. Um Chardonnay clássico no melhor estilo, com excelente relação qualidade x preço.
● Guarda: até 5 anos, mas se você gostar da nota cítrica de limão siciliano já pode ser bebido !
Notas de Harmonização: bacalhau assado, moqueca, frituras, saladas e risoto de limão siciliano.
Temperatura de Serviço: 9 a 10ºC

Onde comprar: Em BH – GRAND CRU – Av. Ns. do Carmo, 1650 - Sion  Belo Horizonte – MG. Tel.: (31) 3286-2796.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

QUEIJOS FRANCESES


Existem hoje mais de 1.000 tipos de queijos na França: cada vale ou colina, cada campo, cada montanha possui um queijo com as características específicas do seu terroir. 

Ao servir os queijos
Na França, o queijo é elemento comum na culinária e também está presente nas mais diversas ocasiões de consumo, seja em restaurantes ou em casa. Como parte de sua cultura, os franceses gostam muito de apresentar bem os seus queijos e de compartilhá-los com amigos e familiares. Uma das maneiras mais especiais são as tábuas de queijos (plateau de fromages), que oferecem aromas, cores e sabores diferentes, além de um belo visual. A tábua de queijos é uma opção de muito bom gosto e que, sem dúvida, será sempre bem acolhida. As variedades de queijos franceses à disposição do consumidor brasileiro já são suficientes para a montagem de tábuas de degustação bonitas, deliciosas e nutritivas.

Seguem algumas dicas práticas para a preparação de uma tábua de queijos franceses:

Variedade
Escolha entre três e sete tipos de queijos de categorias diferentes para uma experiência mais ampla. Como exemplo, podemos sugerir uma tábua de cinco queijos, como: BrieSaint-Paulin,ComtéEmmental e Roquefort.

Quantidade
Calcule entre 150g a 200g de queijo por pessoa. Assim, uma tábua para quatro pessoas deve conter cerca de 800g entre todos os queijos servidos. Não se preocupe com possíveis sobras, pois você poderá usar os queijos posteriormente em inúmeras ocasiões e receitas.

Sequência de Degustação
Também conhecida por "disciplina de degustação", a ordem de apreciação dos queijos não é difícil de ser seguida. Queijos picantes, fortes, marcantes ou pungentes predominam sobre as variedades de sabor sutil e delicado. Disponha os queijos sobre a tábua de modo que os mais suaves antecedam os mais encorpados. Seguindo o exemplo anterior, a ordem de degustação seria: Saint-PaulinBrieEmmentalComté e Roquefort. Depois das primeiras experimentações, os convidados farão as escolhas que mais lhe convierem.

Apresentação
Distribua os queijos na tábua já cortados ou com o corte insinuado, e em temperatura ambiente. Acrescente frutas, secas ou frescas. Mantenha um cesto de pães, além de potinhos de manteiga e patês próximos à tábua. 

Sirva queijos com frutas
Maçãs, peras, uvas, morangos, figos frescos e melão valorizam as tábuas e mesas de queijos, especialmente em coquetéis. Outros acompanhamentos, tais como castanhas, nozes e amêndoas ajudam na decoração e diversificam a degustação.

Os Vinhos
Se a tábua for acompanhada por vinhos, escolha um ou dois vinhos, brancos e tintos, que acompanham bem a maioria dos queijos servidos. Não é necessário ter um tipo de vinho para cada tipo de queijo, mas é importante que os vinhos selecionados não destoem dos queijos que compõem a tábua. Lembre-se que os vinhos mais leves acompanham melhor os queijos suaves e o mais encorpados vão melhor com os queijos mais potentes.

Sirva queijos
Ao planejar um menu, considere o momento em que o queijo será servido. Você poderá servi-lo como entrada; como componente do prato principal; antes da sobremesa ou como último prato, como fazem os franceses. De qualquer modo, o queijo adiciona um toque de elegância e bom gosto às refeições.  

Cuidados ao servir queijos
Antes de servir, lembre-se que queijos frescos ou macios devem ser retirados do refrigerador entre meia hora a quarenta e cinco minutos antes de serem consumidos. Queijos semiduros e duros devem ser retirados no mínimo duas horas antes. O frio inibe o sabor e o aroma dos queijos, além de afetar sua textura. 

O corte apropriado
Ponto extremamente importante no serviço de queijos. Um grande queijo pode ter suas principais características arruinadas por um corte inadequado. Ele deve seguir o princípio da proporcionalidade, isto é, cada pedaço de queijo deve possuir um pouco de tudo que a fôrma original contém.

Armazenar queijos em casa
Para manter a qualidade e aumentar a vida dos seus queijos é importante armazená-los adequadamente. Retire-os das embalagens e coloque-os, individualmente, em sacos plásticos, mantendo o ar dentro dos mesmos. Feche com grampos e guarde na parte baixa da geladeira. Faça verificações, pelo menos, a cada dois dias.

Se você ficar com alguma peça de queijo duro ou semiduro, como o Emmental ou o Madrigal, e quiser consumi-la diariamente, a melhor maneira de conservá-la é embrulhar a peça com um pano limpo e úmido e mantê-la em local fresco e arejado. Dessa forma, o queijo estará sempre pronto para o consumo e não irá ressecar. (Fontehttp://www.queijosdaeuropa.com.br/site/dicas/como-servir-os-queijos).