“ DICAS
PARA SE TORNAR UM BOM CONHECEDOR DE VINHOS “ – Para
muitas pessoas, uma taça na mão, uma conversa agradável, um vinho de qualidade
e sobretudo o clima mais frio e ameno do inverno e já se tem começo a
oportunidade de conhecer alguma coisa a mais sobre vinho. O que antes era uma
curiosidade passa a ser interesse e vira paixão na maioria dos casos.
E assim, vários leitores do VINOTICIAS me
perguntam o que podem fazer para conhecer melhor os vinhos, indo muito além de
olhar para as taças e esperar que alguém ajude a traduzir o que o vinho tem
para mostrar, ou como seria possível ter uma noção básica e entender um pouco
dos mistérios que envolvem o vinho.
Assim,
por outro lado, começam também as dificuldades e a busca por dicas de como
conhecer a bebida de Baco de maneira mais fácil, ainda mais quando você estiver
diante de uma prateleira com milhares de rótulos, nacionais e/ou importados, com
o objetivo de escolher o melhor vinho para celebrar uma data especial. Nesta
hora, valores como nome do produtor, região, vinhedo, safra, tipo de uva, tudo
deve ser levado em conta. A missão, portanto, não é tão simples quanto parece.
Sem
dúvida, não basta estudar vinhos para entender do assunto. É preciso provar, e
muito, a bebida, ir anotando tudo sobre o vinho de você provou e gostou, e
continuar provando mais rótulos.
De
qualquer forma, para ajudar os iniciantes, ai vão algumas dicas preciosas:
1 – Antes de mais nada, beba! - O primeiro passo para
começar a entender o mundo do vinho é experimentando o maior volume de rótulos
possíveis. Procure por vinhos de países diferentes, de regiões e produtores
diversos, de safras diferentes, e trabalhe a identificação dos mais suaves, os
mais ácidos, os com taninos mais rústicos.
2 – Estude o assunto - Livros, enciclopédias, guias de
vnhos, não faltam nas livrarias para quem quer estudar e pesquisar sobre
vinhos. O material escrito é um importante apoio para quem deseja começar a
entender este universo do vinho.
Para
quem é conectado com a internet, tudo fica ainda mais fácil, uma vez que basta
digitar a palavra vinho em qualquer buscador para se obter milhares de
respostas.
3 – Não tenha timidez por não conhecer tudo sobre o tema
- só
se aprende errando, e tentando novamente acertar. Se você pretende conhecer
mais sobre o assunto, é importante conhecer as diferenças entre cada tipo de
uva, provando vinhos de produtores diferentes e observando quão prazeroso
testar cada taça. Se você gostar de um rótulo, anote. Se não gostar, valeu pelo
aprendizado !
4 – Busque os profissionais do ramo – Outra dica para aprofundar
seu conhecimento sobre vinhos é buscar ajuda profissional, seja através de uma
associação idônea, de um Curso de Vinhos, ou de uma confraria. A Associação
Brasileira de Sommeliers (ABS) existe em vários locais no Brasil, ministrando
aulas que ensinam tudo sobre vinho.
5 - Comece pelos Vinhos da sua Adega – Não é necessário
investir de início em vinhos caros na busca pelo aprofundamento do
conhecimento. Comece por sua adega. Degustar um vinho é bebê-lo procurando
entender melhor seus detalhes.
Portanto,
comece com os vinhos que tiver em casa e se não tiver ainda nenhum rótulo
guardado, a recomendação para quem ainda está iniciando na degustação de vinhos
é provar produtos de países do Novo Mundo, especialmente argentinos e chilenos,
que têm abordagens mais fáceis do que os europeus, que costumam ser mais
complexos.
Não
tenha dúvidas, prove vinhos brancos, tintos, espumantes. Tudo faz parte do
aprendizado.
6 - Branco ou Tinto – A maioria das pessoas que estão se
inicando no mundo do vinho costuma pensar que este é um mundo rubro, onde
apenas os vinhos tintos tem real qualidade. Nãotenha dúvida, há bons vinhos
brancos e tintos, em todas as faixas de preços e geralmente os brancos são mais
refrescantes, mais agradáveis para uma época mais quente do ano. Os tintos serão
ótimos com pratos mais marcantes e próprios para dias mais frios.
7 – Guarda – Entenda que “quanto mais velho, melhor !”
pode ser um conceito errado para muitos vinhos. A grande maioria dos vinhos
atuais são produzidos para consumo imediato e não ganham nada se guardados para
serem bebidos daqui 4 ou 5 anos.
Vinhos
brancos já estão prontos, ou de outra forma, procure rótulos dentro do universo
de 3 anos da safra estampada no rótulo. Em geral os tintos com três ou quatro anos
de idade, já estará perfeito para beber. Um vinho tinto europeu do mesmo
estilo, levaria pelo menos cinco ou seis anos para ser bebível.
8 – Uma Confraria é uma boa dica para se aprender mais – Uma boa idéia pode
ser a de reunir amigos para degustar vinhos, colocar a conversa em dia e neste
meio tempo aprofundar o estudo dos vinhos. A troca de experiências é muito
interessante e as confrarias são uma boa saída.
Para
que o orçamento não fique apertado inicialmente, chame os amigos, divida uma,
ou duas garrafas, divida a despesa e descubra o quanto você e seus amigos estão
dispostos a investir nesta prazerosa atividade.
9 - A evolução da qualidade do vinho – Pode-se começar por
um vinho mais simples, por exempo, um vinho Cabernet Sauvignon, que custa R$
40, pode ser mais fácil de beber. Mas quando você for bebendo outros vinhos da
mesma casta, verá que nem todos serão iguais, mesmo que o preço seja o mesmo. E
mais ainda, poderá notar que se gastar R$ 10 a mais poderá beber um vinho
melhor ainda.
É que
a agregação de valores ao vinho custa dinheiro e o reflexo no seu preço é
imediato, influenciando a intensidade aromática, e nos paladares na boca, com
fatores como taninos mais finos, equilíbrio e persistência. Quanto mais caro o
vinho, ele vai agregando aromas tostados, especiarias. Pode-se dizer que se preço
sobe, mudam os aromas e o paladar, mas a recíproca não é verdadeira. Ou seja,
cuidado, porque nem sempre o preço é sinal absoluto de qualidade.
10 – Não gaste dinheiro à toa – Se você ainda não é
um especialista em vinhos, não é necessário fazer degustações com rótulos acima
de R$ 150, por exemplo, acreditando que só acima deste patamar os vinhos são realmente
bons. Tudo é questão de evolução do paladar, garantem os que bebem há mais
tempo e os especialistas. O valor, no final das contas, não é garantia da
qualidade de um vinho.
É
apenas um parâmetro, e certamente quando um vinho custa R$ 20 e há outro que
custa R$ 100, em princípio a diferença está na melhor produção, no uso de
material mais complexo, e o vinho mais caro deve ser melhor.
Mas quando
o assunto são os vinhos do dia a dia, já se encontra rótulos muito bons na
faixa de R$ 30 a R$ 40, o que é perfeitamente acessível a qualquer público.
11 – Vinhos brasieliros são bons – A velha baixa estima
quanto ao produto nacional pode ser deixada de lado. O Brasil tem ótimos
vinhos, a começar pelos espumantes e não faz feio quando o tema são brancos ou
tintos.
Pode
não ter uma longa história, ou tradição, mas nossos vinhos são tão bons quanto
a os europeus.
12 – Como começar a provar vinhos - Uma boa maneira de
ir experimentando as diferenças entre os diversos tipos de vinho é provar
rótulos levando em conta algum tipo de variação. As variedades de uva, por
exemplo, são um bom começo.
Prove
vinhos das uvas brancas como a Chardonnay, Sauvignon Blanc, Viognier, Moscatel
e veja quanta diferença. Nos tintos, começe pelas uvas Merlot, Cabernet
Sauvignon, Shiraz, Malbec. Vá percebendo as diferenças e veja quão rico é este
mundo dos vinhos.
13 - Comece pelos vinhos jovens - Assim como vinhos
mais caros não são garantia de que você vai gostar dos aromas mais sofisticados,
os vinhos mais antigos e maduros também podem não te agradar inicialmente.
No
começo do seu estudo, é mais interessante degustar safras mais novas, de três a
cinco anos de idade, até se sentir mais seguro para avançar no tempo de guarda
dos vinhos.
14 - Atenção aos detalhes – Três fatores acessórios
são importantes quando você compra um vinho para beber em casa.
O
primeiro deles é a escolha da taça onde
será servido o vinho, que deve ser de qualidade. A taça tem muita influência
na expressividade da bebida tanto no nariz quanto na boca. Não precisa ser
sofisticada, mas certamente uma taça de cristal. Do tipo menor para os brancos,
um pouco maior para os tintos e uma taça para espumantes. É o suficiente. Se o
orçamento estiver apertado, opte pela taça de degustação no modelo ISO.
O
segundo ponto a chamar a atenção, é a
temperatura adequada para servir seus vinhos. A temperatura inadequada pode
tornar a degustação numa atividade desagradável. De forma geral, para brancos e
espumantes sirva-os entre 8 a 10ºC. Para tintos, tenha em mente 16 a 18ºC.
Fala-se muito em temperatura ambiente, mas esquece-se que a maioria dos livros
sobre vinho são escritos na Europa e lá a temperatura ambiente média é da ordem
dos 16 a 18º C.
Outra
questão é o armazenamento adequado,
que pode influenciar o sabor final percebido. Afaste seu vinho de locais com
cheiros químicos fortes, com fortes vibrações, grandes variações de
temperaturas e luminosidade. Um bom local para guardar seus primeiros vinhos
será no fundo do armário embutido. Se estiver com orçamento livre, invista numa
adega climatizada, já que ela garante uma conservação ideal e longa guarda.
15 – O melhor está por vir – as dicas são
simples e diretas. Podem parecer um pouco complicadas a princípio, mas o ideal
é exatamente descomplicar o vinho. Não tenha receio e evite se tornar um
enochato. Leia, procure perguntar sobre o tema, prove vinhos, compartilhe
descobertas e veja que em pouco tempo irá ganhar um grupo de novos amigos.
O importante é descobrir que não há
uma vinho tinto melhor que um vinho branco, mas que eles são diferentes e que
nossos gostos pessoais irão apenas dizer que gostei mais de um e menos do
outro. No final, o que vale é o brinde: Saúde !!!