Dicas de Vinho, Enogastronomia, Eventos, Roteiros de Viagens e Promoções por Marcio Oliveira.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
AMARIANO MALBEC 2011
Vinho da Semana 37/2014 – ● AMARIANO MALBEC 2011 – O sonho de ter um vinhedo e produzir vinhos começou a
se tornar realidade em fevereiro de 2010 para José Mariano, um mineiro
simpático que resolveu fazer vinhos em Mendoza.
Localizada no Valle
de Uco, a uma altitude entre 1020 a 1075 metros, tendo ao fundo a belíssima
Cordilheira dos Andes, a The Vines of Mendoza, é um projeto que permite ao
amante de vinhos comprar um lote, plantar as videiras e produzir seu próprio
vinho. No caso de José Carlos Mariano, plantaram Malbec e Syrah e acompanham todas as
fases da evolução do vinhedo, participam das colheitas, selecionam as uvas,
fazem os “pisoneios”, degustam, decidem o estilo do vinho e aprendem cada vez
mais com as pessoas que vivem e conhecem do assunto. E, mais especial ainda,
toda a família está envolvida nesta história, criando: “Uma garrafa de nosso
próprio vinho.”
O vinho é feito com a casta Malbec 100%, e
alcançou a quantidade de 600 garrafas, numa típica produção de “boutique”. José
Carlos Mariano contou com a enologia de Pablo Matorell e Mariana Onofri, e ainda a
consultoria de Santiago Achaval.
● Vinificação: as uvas foram
colhidas a mão, em caixas plásticas de 12 Kg. Depois de uma seleção manual dos
bagos, foi macerado a frio por 6 dias. A fermentação teve temperatura
controlada entre 25 a 27ºC por 15 dias com 4 pisoneios (ou pigeage - durante a
fermentação, forma-se um chapéu que sobe à superfície do mosto. A pigeage é
muito importante porque coloca a pele da uva em contato com o sumo. E consiste
em baixar o chapéu para o fundo do tanque. É na casca da uva que estão as
leveduras nativas (sem elas não acontece a fermentação) e todos os polifenóis e
taninos que dão estrutura ao vinho. A pigeage é extremamente importante para
reativar naturalmente a fermentação, e também para trazer ao sumo mais
estrutura. Por isso se pode vinificar tradicionalmente em tanques abertos ou
fechados. Com tanques fechados, o vinho fica mais frutado. Nos tanques abertos,
cria-se mais estrutura. O vinho teve pós-fermentação por 8 dias, com 2
pisoneios a cada dia (pós-fermentação:
após o término da fermentação alcoólica, o vinho ficou mais 8 dias em contato
com as cascas para maior dissolução dos polifenóis). O
vinho maturou 18 meses em barricas de carvalho francês e ainda 18 meses em
garrafa antes de ir para o mercado. Tem 15,3% de álcool. Recomenda-se decantar
por 30 minutos e servir a 16 a 18ºC. Potencial de Guarda: Mais 4 anos.
● Notas
de Degustação:
cor púrpura intensa, com agradável aroma de frutas vermelhas e negras, como amora
e ameixa escura, com um toque de tostado e caramelo. No paladar o vinho revela
uma textura firme e aveludada, com taninos amaciados, muita fruta escura, com
notas de especiarias, e boa complexidade. Final longo, com toque de tabaco.
● Notas
de Harmonização: Excelente
acompanhamento para carnes grelhadas em churrasco, risotos, massas (inclusive
com molho de tomate). Não se pode esquecer a harmonização com Empanadas !!!. Produzido e importado
pela MORELLATO (SP) para AMARIANO – Valor do Vinho: R$ 138,00/gf – a distribuição é feita por eles
mesmos (pedidos pelo site www.amarianowines.com
, ou pelo telefone 31-8448.9169).
UVAS BRANCAS – PARTE II
“ UVAS BRANCAS – PARTE II “ – Recentemente, ao escrever um artigo sobre Castas Italianas, isto despertou curiosidade dos leitores do Vinotícias sobre castas brancas, havendo algumas solicitações neste sentido. Assim sendo, vamos buscar descrever as principais caracterísiticas destas uvas e agora vamos para a parte II.
UMA DESCRIÇÃO MAIS
COMPLETA DAS PRINCIPAIS UVAS BRANCAS:
1) CHARDONNAY – descrita no post anterior.
2)
CHENIN BLANC - A
Chenin Blanc, uma uva de elevada acidez e grande potencial de longevidade na
sua região nativa, chamada Pineau ou Pineau de la Loire, é provavelmente a
variedade de uva mais versátil do mundo, capaz de produzir alguns dos mais
finos e longevos vinhos brancos doces.
Quando as condições
são favoráveis, o que infelizmente não costuma ocorrer em todos os anos no
Loire (Côteaux du Layon, Vouvray, etc...), a Chenin Blanc dá origem a
magníficos vinhos doces, com toques de mel, além de estimulante e harmoniosa
acidez. Em anos menos favoráveis, os vinhos costumam ser mais leves, menos
concentrados e mais freqüentemente secos ou meio-doces, sendo sua elevada
acidez mais útil para a produção de vinhos espumantes secos em Saumur, Vouvray
e Mont-Louis. No restante do mundo, a Chenin Blanc produz vinhos simples,
suaves, ácidos e frutados (África do Sul, onde é a variedade mais plantada) ou
vinhos secos e de caráter, cada vez mais interessantes (Nova Zelândia).
Aspectos
Organolépticos da Chenin Blanc: Os aromas e sabores mais freqüentes da
Chenin Blanc são os de maçãs verdes, damascos, nozes, avelãs, amêndoas, mel e
marzipan.
3)
SAUVIGNON BLANC - De
maneira natural os Sauvignon Blanc’s são os vinhos do começo, os vinhos que
sempre são servidos primeiro em um jantar ou em uma degustação, seja esta
descontraída, entre amigos ou um evento mais formal.
É preciso entender e
lembrar sempre que no universo do vinho não se pode generalizar e dividir só em
uvas, já que estas uvas dão vinhos. Então o mais importante é ter, antes de
tudo, este conceito muito claro.
Então, para facilitar
as coisas, classificamos em três categorias de vinhos com a uva Sauvignon
Blanc. Se o seu Sauvingon Blanc não está em nenhuma destas três categorias,
pode se preocupar.
1: Os
jovens, frescos e leves: Que tenha no máximo
2 anos de idade (da safra que aparece no rótulo da garrafa). Estes vinhos devem
ser aromaticamente muito intensos e frescos, mas geralmente não são muito
complexos, e na boca devem ter uma boa acidez e corpo leve e fresco.
Normalmente as uvas deste vinho provêm das parreiras mais jovens de um vinhedo,
motivo pelo qual entrega altos rendimentos de quilos de uva por hectare. Na
vinificação se procura, de preferência, fermentações curtas e frias (a baixas
temperaturas), assim não vai se obter muita estrutura nem muita concentração na
boca (a uva não tem potencial para isso), mas sim uma significativa riqueza
aromática, que é como uma espécie de “marca registrada” desta uva. Na boca tem
uma acidez vibrante, sempre muito intensa. É o protótipo ideal para começar uma
jantar. É um aperitivo por natureza.
Esta categoria de
vinhos muitas vezes resulta uma alternativa interessante aos vinhos com
borbulhas (espumantes, proseccos, etc.), já que cumprem a mesma função de abrir
o apetite – para que isso aconteça, é necessário um vinho que não tenha açúcar
(os conhecidos como vinhos “secos”, carentes totalmente de açúcar).
Este mesmo estilo de
Sauvignon Blanc também é o vinho ideal para situações informais, dias de praia,
à beira da piscina… Vinhos para situações mais descontraídas, onde o objetivo é
se refrescar. Seu potencial de vida, na maioria das vezes, é extremadamente
curto.
2: Os
jovens, frescos e concentrados: Estes vinhos terão
também uma fragrância intensa e fresca, bem
mais complexa e diversa que a categoria anteriormente descrita. À boca
está a principal diferença, porque aqui se encontra maior concentração de sabor
de frutas, maior estrutura e também uma boa acidez e frescor.
Estes vinhos são
elaborados normalmente com uvas de vinhedos mais velhos, mais equilibrados,
oriundos de parreiras de maior idade – que entregam uma menor quantidade de
cachos, mas que tem a pele mais grosa. Estes vinhos também podem ser bebidos
como aperitivo, são deliciosos, aromaticamente muito frescos e ao mesmo tempo
muito complexos. Ao paladar é intenso,
profundo e revela prazer.
Para este tipo de
vinho é recomendado um contexto mais formal. Se um vinho deste for bebido de
maneira descuidada, ou de maneira descontraída, seria só uma garrafa mal
desfrutada, desperdiçada e não valorizada.
3: Os
concentrados, maduros e evoluídos: É uma categoria um tanto especial, de um
nível onde os vinhos da primeira categoria nunca conseguirão chegar, porque
oxidam e morrem antes de alcançar esta etapa.
Os vinhos da
categoria 2, sim, conseguem alcançar. Aqui é onde se encontram os Sauvignons
que são concentrados e maduros, e que pelo passar dos anos já se encontram
evoluídos.
A principal diferença é que são esses raros
vinhos de Sauvignon Blanc’s, que foram muito bons desde o começo, concentrados,
os que conseguiram melhorar com o armazenamento em garrafa e ter uma vida mais
longa (no caso oposto, alguns vinhos desta uva só conseguem viver por alguns
meses, porque se deterioram rapidamente).
Então, esta categoria
extrema dentro da uva Sauvingon Blanc, é de onde se tem vinhos de aromas muito,
mas muito complexos (com aromas e sabores terciários). As notas aromáticas que
um dia foram cítricas e intensas vão ter se transformando em deliciosas notas
de confeitura, compota e marmeladas de frutos cítricos. E à boca, que um dia
foi fresca, vai felizmente se manter com esta característica (só que com um
pouco menos de intensidade de frescor). Porém vai ganhar em textura,
equilíbrio, oleosidade, ou seja, como aperitivo vai ser também um bom vinho,
mas existirão muitos outros elementos e virtudes que são impossíveis de se
encontrar em vinhos jovens.
4)
RIESLING - Essa
uva tem uma longa história. Há muitos registros sobre ela datados já do século
XV. O mais antigo é de 1435, quando o inventário de um armazém de um nobre em
Rüsselsheim, uma pequena cidade alemã, relatava a presença de uma tal uva
chamada Rießlingen. A denominação se repete em diversos outros documentos da
época, e apenas em um de 1552 surgiu o nome atual da uva: Riesling.
A Riesling no mundo - A Alemanha cultiva mais Riesling do
que qualquer outro país, principalmente na região do Mosel, e é responsável por
muitos dos exemplares mais surpreendentes. Essa cepa também é essencial na
Alsácia, leste da França, e vem ganhando destaque na Austrália, Nova Zelândia e
EUA.
Características dos vinhos da uva Riesling: Essa variedade de uva
é capaz de produzir vinhos brancos de ótima qualidade, aromas finos, elegantes
e intensos e de alta acidez, de sabor fresco, vivo e agudo, com níveis
alcoólicos relativamente baixos. Além de abranger uma ampla gama de estilos de
vinho, seco e mineral, dose sensual e extremamente frutado, espumantes e,
raramente, são envelhecidos em carvalho.
Dicas de harmonização com os vinhos da Riesling: Os vinhos secos,
normalmente, harmonizamos com carnes brancas como as de porco, pois, têm boa
untuosidade para contrastar com a acidez do vinho. E os vinhos doces,
harmonizamos facilmente com sobremesas como o tradicional Strudel de maçã, que
combina perfeitamente com a doçura e boa acidez do vinho
5)
MARSANNE - A
Marsanne, provavelmente originária do norte do Rhône, no sul da França, é uma
varietal de crescente popularidade, sendo utilizada sozinha ou em combinação
com sua tradicional parceira Roussanne, em apelações como St-Joseph, St-Péray,
Crozes-Hermitage e em muito menor escala, em Hermitage. A capacidade da uva de
produzir, em termos quantitativos, grandes safras e as modernas técnicas de
vinificação, que ajudaram a minimizar a tendência natural da Marsanne de
produzir vinhos com baixa acidez, contribuíram sem sombra de dúvida para esta
mudança no perfil de aceitação dos vinhos feitos com a Marsanne.
Aspectos
Organolépticos da Marsanne: A Marsanne, por si só, costuma apresentar aromas e
sabores bastante acentuados, geralmente herbáceos, lembrando frutas cítricas
muito maduras e concentradas, às vezes com toques minerais. Quando tratada com
carvalho, apresenta excelente potencial de envelhecimento. Os vinhos de
Marsanne costumam ter cor profunda, corpo pleno, com aromas bastante
exuberantes, podendo em alguns casos lembrar amêndoas.
6)
GEWURZTRAMINER - A
Gewurztraminer é uma varietal extremamente aromática, que atinge o seu grau
máximo de qualidade na Alsácia, na França, onde dá origem a uma enorme gama de
vinhos personalíssimos, variando do totalmente seco até vinhos doces (VT -
Vendage Tardive e SNG - Sélection de Grains Nobles), sempre com elegância e
fineza. Também na Alemanha, na região de Pfalz, produz vinhos de excepcional
qualidade.
Também tem aparecido
em praticamente todas as regiões do mundo, tais como a Austrália, Califórnia e
o Chile, porém com características muito distintas e com poucas das qualidades
que a tornaram famosa. A Gewurztraminer, no seu apogeu, apresenta o aroma mais
peculiar entre todas as uvas brancas, o que a torna absolutamente inconfundível
numa degustação às cegas.
O vinho feito com esta
uva tem um perfume floral, com uma característica pungência, com um peculiar
sabor e aroma de lichias, sendo geralmente bastante encorpado, com textura
untuosa, elevado teor alcoólico e baixa acidez.
Aspectos
Organolépticos da Gewurztraminer: Como já foi dito, os aromas e sabores mais
freqüentes são os de especiarias, particularmente o gengibre e a canela, “Creme
Nívea” e lichias.
7)
MOSCATEL - Se
um vinho tem aroma de uvas, então é quase certo que a uva do qual se originou é
uma uva da família Moscatel. Os vinhos feitos com esta uva podem ser secos,
como na Alsácia; leves, adocicados e frisantes, como em Asti, Moscato d’Asti e
Clairette de Die; muito doce, como no Moscatel de Valência; muito doce e
fortificado, como no pesado, super-doce, âmbar e castanho “Liqueur Muscats”
Australiano e nos “vins doux naturels” do Rhône e do Sul da França (dos quais
os mais conhecidos são os Muscat de Beaumes-de-Venise, Muscat de Rivesaltes e
Muscat de rontignan).
Aspectos
Organolépticos da Moscatel: Os aromas e sabores mais citados são os de uvas,
laranjas, rosas (Alsácia), bergamota / tangerina (Alsácia), uvas passas (nos
vinhos fortificados), cevada e açúcar mascavo (demerara).
8)
VIOGNIER - A
varietal Viognier é uma uva importante por ser extremamente rara. A Viognier é
a responsável pelo Condrieu, um vinho branco excitante, perfumado, opulento
(apesar de seco) e encorpado, proveniente de uma minúscula região do norte do
Rhône, sendo cultivada em muito poucos lugares no mundo.
O problema é que a
Viognier é uma varietal de cultivo complicado, sendo muito susceptível às
diferentes doenças próprias dos vinhedos, além de ser de difícil vinificação.
Se o clima não for extremamente favorável, possivelmente não haverá uvas para
serem colhidas, e mesmo num ano considerado bom, a produção é muito baixa (daí
o preço proibitivo do Condrieu).
A boa notícia é que
vários produtores de outras regiões do Vale do Rhône e de Languedoc estão
plantando a Viognier, com bons resultados. A uva também está sendo cultivada na
Califórnia, produzindo vinhos bastante expressivos, porém com preços
comparáveis aos de Condrieu.
Aspectos
Organolépticos da Viognier: Os aromas e sabores mais citados são os de flores de
primavera (flor-de-maio e flor do limoeiro), damascos, pêssegos, almíscar e
algumas vezes, de “crème fraîche”, que é um laticínio francês constituído por
um creme de leite levemente acidificado (inexistente no Brasil).
9)
SÉMILLON - A
Sémillon é a principal uva dos vinhos brancos de Bordeaux, tanto os secos
(especialmente em Graves), como os doces (Sauternes). Também consegue
excelentes resultados na Austrália, na região do Hunter Valley, na forma de um
pouco usual vinho branco seco. Em Bordeaux é apreciada por sua suavidade, tal
como lanolina, e em menor escala, somente nos vinhos secos jovens, por seus
aromas e sabores herbáceos (similares aos da muito mais ácida Sauvignon Blanc,
com a qual é comparável e freqüentemente misturada).
No Hunter Valley é
renomada por produzir um longevo vinho branco seco, que adquire crescentes
sabores de mel e torradas com o envelhecimento. É também bastante plantada no
Chile e em menor escala na África do Sul.
Aspectos
Organolépticos da Sémillon: Os aromas e sabores mais freqüentes são os de grama,
cítricos, lanolina, mel e torradas.
Semana que vem falaremos sobre as
outras castas brancas ...
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
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