“
CASTAS TINTAS ITALIANAS – Parte II “
– Continuando o artigo da semana
passada, falaremos agora de Castas Tintas menos conhecidas, mas nem por isso
desprezadas.
●
AGLIANICO - Uva tinta do Sul da
Itália, mais uma das saborosas uvas que florescem no solo vulcânico da região.
Essa casta é talvez a maior vedete dentre as cepas tintas do sul da Itália,
pois é encontrada na Campania, Basilicata, Calábria e Apulia. Nas duas
primeiras regiões, gera desde vinhos simples até poesias engarrafadas. Seus
fermentados mais conhecidos são: o Aglianico del Vulture e o famosíssimo
Taurasi (da Campania). São vinhos muito intensos, concentrados e firmes, com
muita personalidade e força.
●
CANONNAU - Casta tinta cultivada
sobretudo na região da Sardegna. Dá origem a vinhos de coloração vermelho rubi,
mais ou menos intensa, tendendo ao laranja com o envelhecimento. Possui
agradável aroma com notas de uvas e frutas vermelhas e sabor seco, aveludado e
harmonioso. Grande parte da bibliografia sobre sua origem, fala da hipótese
dela ser proveniente da Espanha, da Uva Granache, mas recentes descobertas na
ilha de Sardegna podem colocar por terra esta teoria.
Em Sardara, ao Norte de Cagliari, na Sardegna, um
grupo formado por arqueólogos holandeses e italianos encontrou várias sementes
de videiras datadas de 1.200 a.C. entre elas, estava a da Uva Cannonau.
Análises produzidas em laboratórios espanhóis, mesmo
antes desta descoberta, já indicavam que a Uva sarda Cannonau, tida como
importada da Espanha na Idade Média, é na verdade uma variedade autóctone da
Sardegna.
Uma das particularidades dos vinhos produzidos na
Sardenha é o fato de que boa parte dos vinhedos sobreviveu a terrível praga do
filoxera (parasita originário da América), que praticamente dizimou os vinhedos
europeus entre o final do século XIX e início do século XX. Por isso, muitas
das parreiras da região são de pé franco. Os sardos são bastante orgulhosos de
suas parreiras ‘puro sangue’.
●
GAGLIOPPO - uva tinta cultivada no
sul da Itália, principalmente na região da Calabria. A casta produz um vinho
encorpado, rico em álcool e taninos que necessitam de um tempo na garrafa para
amadurecer. Dá origem a outro de meu vinhos preferidos, o Ciró.
Um estudo italiano publicado em 2008 pela tipagem de
DNA, mostrou uma estreita relação genética entre a Sangiovese de um lado e
outras dez variedades de uvas italianas, por outro lado. Portanto, é provável
que Gaglioppo seja um cruzamento de Sangiovese e outra uva, até agora não
identificada.
●
LAGREIN - Outra uva tinta da região
do Trentino. Acreditá-se que seu nome deriva de Lagara, uma das colônias da
Magna Grécia conhecida pela grande qualidade dos vinhedos. Já no século 14 os
vinhos elaborados com essa uva eram considerados os melhores do país. A Lagrein
dá aos vinhos coloração intensa, com reflexos granada, aromas de frutas
vermelhas do bosque e toques herbáceos, paladar intenso com taninos aveludados
e longa persistência.
No Brasil temos um excelente produtor que está
resgatando as uvas da região do Trento: A Vinícola Barcarola, situada no Vale
dos Vinhedos faz excelentes vinhos varietais das castas Teroldego e Lagrein.
●
MARZEMINO - Casta tinta da região de
Vallagarina, distrito do Trentino. Dá origem a vinhos de cor vermelho rubi
escura, quase roxa, com reflexos granada e azul. Seu aroma é suave, com notas
de pequenos frutos silvestres, flores aromáticas, em especial violeta, toque de
especiarias e menta. Possui teor alcoólico baixo e deve ser tomado jovem em até
quatro anos da safra.
O
Marzemino também é conhecido como vinho de Mozart, por ser citado na sua obra
“Don Giovanni”.
●
NERELLO MASCALESE - Essa casta é uma
de minhas preferidas. Tinta autoctone da Sicília, robusta e com grande
potencial alcoólico que cresce aos pés do vulcão Etna, que também dá nome a um
vinho D.O. com grande parte da Nerello Mascalese em sua composição. São vinhos
elegantes, com muito álcool, corpo médio e aromas frutados. Vinhos fáceis de
beber, aveludados e ao mesmo tempo misteriosos.
Apesar de ser uma uva com bom potencial de álcool, ela
não produz vinhos muito profundos e concentrados. É, muitas vezes, mesclada com
a mais intensa Nero d'Avola e também com sua irmã, a Nerello Capuccio.
●
REFOSCO DAL PERDUNCULO ROSSO - Uva
tinta de maturação tardia cultivada principalmente no Friuli. O nome dessa uva
se dá pelas suas gravinhas vermelhas. O vinho feito dessa uva tem coloração
intensa, sabor encorpardo e excelentes níveis de acidez. Seus sabores tendem as
ameixas e amêndoas.
●
SAGRANTINO - Uva tinta da região Úmbria,
onde é considerado o mais importante vinhedo da região. Dá vinhos de coloração
intensa, quase negros, com reflexos violáceos, apresentam impressionantes
taninos e personalidade forte. Os umbros costumam se orgulhar e dizem de boca
cheia que a casta Sagrantino é a que mais polifenóis contém, mas o que não se
discute é que são vinhos opulentos, intensos e de grande corpo.
●
TEROLDEGO - Uva tinta da região do
Trentino. Seus vinhos apresentam características muito interessantes,
produzindo desde vinhos jovens e agradáveis, até caldos que podem envelhecer
por décadas. Quando feitos para guardar, sempre mantêm seu caráter frutado com
ameixas e amoras, seguidos de toques defumados. Seus aromas são comumente
carregados de notas terrosas e levemente herbáceos.
Existem tantas
variedades tintas na Itália que bem poderíamos escrever um livro sobre isso!