segunda-feira, 29 de setembro de 2014

CAVA ALBET I NOYA



Vinho da Semana 34/2014 CAVA ALBET I NOYA – Em 1978, Josep Maria Albet i Noya tornou-se o primeiro produtor na Espanha a adotar práticas orgânicas na vinha, eliminando o uso de inseticidas e pesticidas de síntese química. Voltando a métodos mais tradicionais, o saldo das vinhas é mantido usando apenas permitido adubos verdes, orgânicos e compostagem, resultando em uvas saudáveis ​​de caráter autêntico. Alta classe em termos de espumante espanhol de Penedes com nota de maçã crocante e sabores de melão, com paladar complexo e bem seco e fresco.
Um bom exemplo da arte da Cava - um diamante que está rapidamente se tornando a alternativa mais elegante e acessível para o champanhe. Com muita qualidade, este espumante é um corte das castas: Xarel-lo / Macabeo / Parellada. O Cava Albet i Noya Petit Albet Cava Brut foi relacionado no Top 10 Vinhos Espumantes 2011 como 8º melhor vinho do mundo. Importado pela CEPAGE NOBLE – Contatos com Haroldo Quintão. Tel.: (31)3316-1353 / 9192-1519. E-mail: haroldo.quintao@cepagenoble.com.br - Site: http://www.cepagenoble.com.br/

IL BRUCIATO GUADO AL TASSO 2010



Vinho da Semana 34/2014 IL BRUCIATO GUADO AL TASSO 2010     Il Bruciato é o segundo vinho da Tenuta Guado al Tasso e representa com muita propriedade o terroir único e privilegiado desta vinícola. Um vinho muito fácil de beber e gostar, versátil, pois pode combinar com diferentes tipos de comida e que agrada inclusive aos paladares mais exigentes. A propriedade da Guado al Tasso está localizada a cerca de 80 quilômetros a sudoeste de Florença, praticamente às portas da vila medieval de Bolgheri. O terreno tem cerca de 1.000 hectares (2.500 acres) e se estende desde a costa do Mar Tirreno aos montes no interior. Ele inclui - além de cerca de 300 hectares (750 acres) de vinhedos – plantações de aveia, cevada e campos de trigo, olivais e bosques em que uma vara de porcos Cinta Senese (uma raça local valorizada) é levada a vaguear e alimentar-se. O Il Bruciato é sem duvida um dos campeões de vendas da família Antinori. Um corte primoroso de            50% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot e 20% Syrah (e outras variedades), com teor alcoólico de 14%. Amadurecimento de 10 meses em barricas de carvalho e mais 4 meses em garrafa.  O clima da safra de 2010 foi, em geral, um pouco mais frio e chuvoso do que as médias sazonais normais. Isto, junto com uma temporada positiva do verão, levou a um aumento da fase de desenvolvimento vegetativo e atrasos na maturação das uvas. Estas condições auxiliaram a manter os níveis de acidez num patamar mais alto do que o habitual e deu notas aromáticas de muita pureza de fruta. As uvas, uma vez escolhidas e selecionadas, vêm de um um amplo grupo de parcelas individuais que se estendem sobre a propriedade de aproximadamente 80 hectares (200 acres) e expressam as características típicas da denominação Bolgheri. A fermentação e maceração em tanques de aço inoxidável com temperatura controlada e durou de 10 a 15 dias em temperaturas entre 28° e 30°C. Nos tanques de Merlot e Syrah os mostos foram vinificados a temperaturas mais baixas, a fim de melhor conservar os aromas varietais. A fermentação maloláctica ocorreu em barricas de carvalho e foi concluída até o final do ano. O vinho foi cortado e, em seguida, mais uma vez, entrou em barril por um período de envelhecimento de 10 meses, após o que foi engarrafado. Passou um período de envelhecimento em garrafa antes do lançamento ao mercado. Reconhecimentos: - 91 pontos Robert Parker (2008) / - 90 pontos Stephen Tanzer (2010) International Wine Cellar / - 91 pontos James Suckling (2010).
 ● Notas de Degustação: Vermelho-rubi profundo. Aroma intenso e expressivo, fresco e bem definido, com notas de frutas escuras do bosque (ameixas, amoras, cassis), chá verde, especiarias e toque terroso e mentolado. Na boca tem bom ataque e presença, estrutura, taninos marcantes, maduros e que não incomodam de forma alguma, com notas que correspondem ao nariz. Paladar com final longo e persistente. Notas de Harmonização: Excelente acompanhamento para antipasti e pratos de carnes em preparações mais complexas ou caça de pelo com molhos densos. Ainda é um vinho para mais afinamento, especialmente para quem está acostumado aos vinhos evoluídos. Pode ser guardado por mais uma década, e certamente evoluirá muito. Para quem aprecia a potência e "agressividade" da juventude e tem pressa de ser feliz, nada de errado se consumí-lo agora. Importado pela WINEBRANDS – representada em BH pela Fine Food - Vinhos e Alimentos - www.finefoodbh.com.br  - Tel: (31) 2526-3699.

CASTAS TINTAS ITALIANAS – Parte I


CASTAS TINTAS ITALIANAS – Parte I “ – Juntamente com a França, um dos maiores produtores mundiais, a Itália chega algumas vezes a produzir mais de 60 milhões de hectolitros em um ano. No início dos anos 90, a Itália possuía 1,4 milhões de hectares de vinhas, porém com a norma européia de reduzir a quantidade de vinhas plantadas, essa área foi diminuída para 856 mil hectares em 2004.
 
Normalmente a Itália exporta mais vinhos do que qualquer outro país da Europa, sendo grande parte produtos baratos utilizados para blends e exportados principalmente para Alemanha e França.
Diferentemente da França e Espanha, as vinhas são cultivadas praticamente em todas regiões da península italiana, desde os Alpes no norte até as ilhas próximas à África. A viticultura está enraizada na consciência nacional, na sua imaginação e em seu dia a dia e até os anos 80 era inconcebível para um italiano sentar-se a mesa para comer sem um vinho.
Daí a relação do italiano com o vinho não ser necessariamente hedonista. O italiano normal está longe de ser um “connoisseur”, sendo um herdeiro de milhares de anos do cultivo das vinhas e produção de vinhos. Se há um “paradoxo francês”, este é o chamado “paradoxo italiano”, ou seja: Um país com imensa tradição em vinhos, onde as legiões romanas espalharam a viticultura por todo oeste da Europa e ainda em parte da África e Oriente,  em que o vinho é presente na vida e nos costumes da “Bota”, acaba tendo o vinho “obscuro” diante da consciência nacional - a maioria dos italianos não sabe e nem quer saber como as uvas cresceram e foram transformadas em vinho !
Enquanto a França e Alemanha desempenharam o papel fundamental no início da era da vinificação moderna, onde os vinhos circulavam em garrafas com rótulos indicando a procedência e o produtor (hábito que já existia nas ânforas de vinho do Egito Antigo), na maior parte da Itália (exceto Piemonte, Toscana e algumas regiões isoladas) a bebida era sempre vendida a granel mesmo depois da Segunda Guerra Mundial. Pouquíssimos vinhos eram exportados até 1970, sendo que parte significante deles era destinada às grandes colônias de imigrantes italianos no norte da Europa, Estados Unidos e América do Sul (a Argentina, por exemplo era um dos maiores mercados de Barolo logo após a Segunda Guerra).
Conhecimentos sobre a viticultura e enologia de vinhos não-italianos são praticamente inexistentes na Itália, sendo que a circulação de vinhos estrangeiros é limitada para as elites de poucas grandes cidades. O livro e Guia de Vinhos de Luigi Veronelli escrito no final dos anos 50 foi o primeiro sobre vinhos italianos em geral em mais de 350 anos, desde a obra de Andrea Bacci em 1595. Até mesmo no início dos anos 90, a apreciação de vinhos era uma atividade com pouca significância para os italianos, pois era um hábito mais normal do que beber um copo de água.
Considerar a história do vinho na Itália é considerar a história da própria Itália. Vinho e a civilização italiana são praticamente sinônimos. Os antigos gregos já conheciam a importância da viticultura na península quando batizaram a região de “Enotria”, ou “ Terra dos Vinhos” .
As regiões de produção de vinho foram durante a Idade Média sendo divididas depois da Queda do Império Romano, face às invasões bárbaras e batalhas travadas entre famílias dominantes, de forma que há regionalizações significativas, bastando lembrar das batalhas entre Siena e Florença por conta dos vinhedos do “Chianti Classico”. Por exemplo, no Piemonte predominam as uvas Nebbiolo e Barbera, e elas não estarão presentes em nenhuma outra região italiana. Na Toscana predomina a Sangiovese e ela pouco aparece em outras regiões italianas.

AS UVAS PREDOMINANTES E SUAS REGIÕES
PIEMONTE –
● BARBERA
Ao lado das DOC mais conhecidas como Barbera d’Asti, Barbera d’Alba e Barbera Del Monferrato, existem algumas apelações menos conhecidas como Rubino, Gabiano e Colli Tortonesi no extremo sudeste do Piemonte.
A Barbera é a uva mais plantada no Piemonte, contabilizando mais de 50% das DOC de vinhos tintos da região. Sem dúvida é a mais adatável e vigorosa das três principais castas tintas do Piemonte, fazendo com que acha uma ampla gama de estilos. Mesmo nas zonas DOC específicas, a barbera tende a variar muito, desde notas frescas de cerejas, acidez marcante e leve rusticidade até vinhos ricos, robustos e aveludados. Muito disso depende de onde o produtor escolheu plantar as uvas e também as técnicas de vinificação empregadas.
Obviamente isso é verdade em qualquer vinho, porém a Barbera é um caso interessante de estudos sobre como uma uva reage a diferentes solos, climas e técnicas.
Normalmente vinhos  Barbera possuem elevado nível de acidez natural e relativamente poucos taninos, possuindo uma coloração rubi profunda. As variações são os níveis de extração de fruta e os diversos níveis de taninos provenientes dos estágios em tonéis de carvalho. As pessoas que bebem Barbera pela primeira vez costumam se assustar com sua acidez cortante e praticamente muitos a abandonam sem terem provado os vinhos de melhor qualidade e preços mais significativos)
Provavelmente a mais notável característica dos Barbera “modernos” é o peso do extrato de fruta que se percebe no palato. O Barbera de hoje em dia é muito mais intenso e encorpado que os do passado.
A maioria dos produtores de Barolo e Barbaresco possuem pelo menos um rótulo de Barbera D’Alba ou D’Asti, sendo que muitos deles são de vinhedos únicos com estrutura e preço que podem chegar a equiparar com alguns Barolos.
Encontrada com certa facilidade na Argentina, onde seus vinhos são geralmente mais frutados e menos ácidos. Produz ótimos vinhos varietais de médio corpo e taninos bem estruturados. De cor rubi, seus aromas lembram frutas vermelhas como amora, cereja, ameixa e framboesa. Percebe-se ervas finas (talvez hortelã) e especiarias. No paladar, sente-se algum frescor aliado a uma acidez equilibrada. Harmoniza-se a massas com molho de tomate fresco, queijos amarelos, aves, carpaccio e carnes leves.
● NEBBIOLO- Considerada pelos italianos a uva rainha, produz os famosos vinhos barolos e barbarescos. Sua estrutura é poderosa, maciça e super tânica. Quando jovem, pode causar impacto na boca, parecendo rude. Porém, com o envelhecimento, evolui para uma deliciosa mescla de sutileza e poder. Estes vinhos devem ser associados ao alimento. São produtos de cor granada, encorpada. Os aromas nos remetem a flores como violetas, a fumo e café. No paladar, sente-se boa acidez, aliada a taninos presentes equilibrados e boa persistência. Combinam bem com carnes de caça como coelho, javali, vitela, carnes assadas, risotos encorpados, molhos espessos, funghi e trufas.
● DOLCETTO- uva típica da região do Piemonte, plantado mais precisamente nas proximidades de Alba, é uma das castas que mais produz vinhos. Não são tão nobres, mas são seguramente os mais bebidos para acompanhar o dia a dia. São vinhos de corpo leve, cor vermelho rubi. No nariz, lembram frutas vermelhas e especiarias. No paladar, costumam ser elegantes e sedosos. Acompanham bem risotos de aspargos ou funghi, polenta macia, raviolli dal plin, agnolotti, aves e carnes brancas.
Dentre os principais produtores da região, vale destacar primeiramente Gaja e seus barbarescos incríveis, Cordero di Montezemolo, Batasiolo, Prunotto, Renato Ratti e Marchesi di Barolo, entre tantos....

TOSCANA –
● SANGIOVESE - Encontrada por toda Toscana e muitas outras regiões, a sangiovese recebe diferentes nomes em vários locais: prunollo gentile em Montepulciano, brunello em Montalcino, morellino perto de Grosseto, todas consideradas cepas individuais da Sangiovese. Genericamente  essas subvariedades caem em duas categorias básicas: as de bagos grandes (sangiovese grosso, que incluem a prugnolo e brunello), e outra de bagos pequenos, sangioveto, a versão de Chianti.
Alguns dizem que a casca espessa da sangiovese grosso é o que dá aos brunello sua tanicidade marcante e capacidade de envelhecimento. Outros dizem que tratar a brunello ou prugnolo como variedades distintas não faz sentido, pois as diferenças de personalidade por causa da mesma uva ser plantada em locais diferentes. O que todos concordam é o caráter único da variedade: Na sangiovese você não tem apenas o aroma e sabor de cerejas negras como também nota características totalmente típicas de vinhos da Toscana. Um bom Chianti, Brunello di Montalcino ou Vino Nobile di Montepulciano, possui notas de bosque, defumados e  cerejas da floresta; as notas de especiarias e vegetação rasteira se misturam com a doçura da fruta.
A Sangiovese é muito vigorosa (precisa ser bem podada para concentrar a fruta), sensível ao seu meio ambiente e apresenta dificuldade para amadurecer completamente ( esse o motivo dos Chiantis à moda antiga terem uma “pegada” de acidez bastante marcante). A variedade também possui baixo nível de antocianos (fenóis naturais presentes na casca da uva e que dão a cor ao vinho), sendo o Brunello uma exceção. É por isso que algumas variedades menos conhecidas, tais como canaiolo e colorino entravam nos cortes dos antigos Chianti, e também o motivo da cabernet sauvignon e merlot terem se tornado importantes na Toscana nos últimos 30 anos, a partir do conceito criado pelos “Supertoscanos”.
Essa é uma categoria não oficial da Toscana, não reconhecida pelo sistema de classificação dos vinhos italianos, mas que merece, e muito, ser conhecida por todos os apaixonados por vinho!
Apesar de conceitos serem desenvolvidos desde 1940, na década de 70, alguns produtores toscanos consideravam as normas jurídicas que regiam a produção de vinho de Chianti demasiadamente restritivas. Para que um vinho pudesse ser rotulado como Chianti, ele não poderia ter mais do que 70% de Sangiovese em sua composição, e, necessariamente, deveria ter no mínimo 10% de uma das uvas brancas nativas. Além disso, era proibida a mistura de uvas como Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, por não serem tipicamente italianas.
Essa foi uma época de crise para os vinhos Chianti, quando estavam sendo considerados, inclusive, de baixa qualidade. E muitos produtores optaram por fugir dessas regras tão restritivas, que impediam a produção de um vinho de melhor qualidade, a fim de produzir os melhores vinhos possíveis!
Os vinhos que surgiram fora destes regulamentos, portanto proibidos de usar a rotulagem Chianti, eram obrigatoriamente classificados como Vino da Tavola, que é o patamar mais baixo de vinhos da Itália. Ironicamente, isso acontecia mesmo quando eram vinhos extraordinários, como, de fato, muitos eram.
A qualidade excepcional destes vinhos estava ligada não só à escolha de uvas, mas também à introdução de inovações no processo de vinicultura, como a diminuição no rendimento dos vinhedos, a antecipação da colheita de determinadas variedades, a utilização para vinhos brancos de tanques de aço inox com temperatura controlada, a fermentação malolática dos vinhos tintos, o uso de barris novos de carvalho da Eslovênia e da França, entre outras.
O fato é que esses produtores precisavam de um termo que diferenciasse, junto aos consumidores, esses grandes vinhos que estavam sendo produzidos, afastando-os dos modestos Vinos da Tavola. Assim surgiram os Supertoscanos, a maioria deles à base de Sangiovese, em corte com uvas típicas de Bordeaux, ou por vezes sendo produzido até como varietal da cepa.
No final dos anos 80, a tendência de produzir vinhos fora das regulamentações, e utilizando uvas originárias de Bordeaux, já estava consolidada na Toscana, no Piemonte e no Veneto. Esse foi o momento em que mudanças no sistema de classificação dos vinhos italianos foram implementadas e, muitos dos vinhos comercializados como Supertoscanos puderam ser enquadrados até como DOCG, em reconhecimento à sua alta qualidade. Atualmente, é possível encontrar Supertoscanos DOCG Chianti, DOC Bolgheri, IGT Toscana, enquadrados no novo sistema.
Felizmente, o prestígio do nome Chianti foi merecidamente restabelecido, e, quem ganhou com essa crise, fomos nós, com o surgimento dos Supertoscanos, esses grandes vinhos de estilo bordalês, mas de caráter claramente italiano!Observando o cenário atual do vinho na Toscana, são essas três – a perfumada sangiovese, a potente cabernet sauvignon e a aveludada merlot, sozinhas ou combinadas são as que melhor definem a região.
Interessante lembrar que os CARMIGNANO, um tesouro ainda pouco conhecido pelos amantes do vinho já eram “Supertoscanos” desde o Império Romano e reconhecidos na Idade Média. Carmignano é uma comuna italiana de 12.000 habitantes, localizada no norte da Toscana, a cerca de 20 km de distância da Florença.
Seus vinhos vêm de vinhedos cultivados em colinas que ficam ao redor da cidade de Florença. Esse é um local de vinhos tão tradicionais quanto prestigiados. Na Roma Antiga, foram homenageados por ninguém menos que Júlio César.
Desde o ano de 804 há registros em documentos Florentinos da atividade agrícola na região. Por volta de 1500, Catarina de Médici, cuja família controlou boa parte da Toscana por centenas de anos, tornou-se rainha da França e sob essa influência a Cabernet Sauvignon foi introduzida na região de Carmignano.
Na época, os Médici – uma das famílias mais poderosas da antiguidade - selecionaram os vinhos daquela região, reconhecidamente longevos, para presentear governantes amigos. Em 1716, Cosimo III, Grão-Duque da Toscana, regulamentou a produção de vinhos de Carmignano, o que, para os italianos, fez com que a região, de pouquíssimos hectares, se tornasse a primeira DOC reconhecida do mundo. Desde essa época o blend era de Carbernet Sauvignon e Sangiovese, centenas de anos antes do surgimento dos Supertoscanos. Com o tempo e o surgimento de novas denominações, como Brunello e Chianti, o vinho de Carmignano quase caiu no esquecimento até ser novamente reconhecido como DOC em 1975.
Carmignano tem uma área com um décimo da superfície de Montalcino e um centésimo da área de Chianti Classico e por isto este tesouro é tão pouco conhecido mesmo tendo uma história rica para ser provada em uma taça de vinho.
No arquivo de Marco Datini, mercador italiano do século XIII, havia um documento que falava de Carmignano como um vinho separado de Chianti. Não havia Chianti, mas já havia Carmignano. A área tem um microclima especial, com os Apeninos ao norte e, a oeste, o Montalbano, muito agradável mesmo no verão. Quente durante o dia e fresco à noite. Essa talvez seja a razão por que os Médici, quando quiseram começar a fazer vinho, decidiram aumentar a produção de Carmignano. Começaram a plantar mais vinhedos. As vinhas de Carmignano, na verdade, eram cercadas pelo muro de Barco Reale. Esse muro cercava a propriedade onde os Médici estavam.
Hoje em dia, o nome está estampado no rótulo do vinho Barco Reale di Carmignano é uma versão um pouco mais leve do Carmignano valorizando as notas de fruta escura, criando um vinho gastronômico. A DOCG Carmignano provavelmente serviu de inspiração para o surgimento dos chamados supertoscanos, uma vez que já utilizava uvas internacionais em seus cortes. A legislação local permite as uvas Sangiovese (mínimo de 50%), Canaiolo (até 20%), Cabernet Franc e/ou Cabernet Sauvignon (de 10 a 20%), e brancas toscanas (Trebbiano, Canaiolo Bianco e Malvasia), em até 10%.
São vinhos tintos de produção muito pequena (pouco mais de cinco mil hectolitros anuais), elaborados numa região ao norte de Firenze, num estilo mais tradicional e que reproduzem fielmente o caráter alegre da Toscana. Esses vinhos são envelhecidos, obrigatoriamente, por 2 anos, sendo um deles em barris de carvalho ou castanheiro. Para serem rotulados como “Riserva” devem envelhecer por 3 anos, 2 deles em madeira. O amadurecimento é um dos fatores que contribuem para a estrutura, suavidade e elegância desse saboroso vinho.
O Carmignano é um tinto feito claramente para envelhecer, com um longo e prazeroso final, como o saboroso Santa Cristina in Pilli, um dos belos achados da região de Carmignano. Rico e cheio de fruta, com um inegável acento regional. Este vinho tem um corte com 75% Sangiovese, 10% Cabernet Sauvignon, 10% Canaiolo, 5% Syrah e Merlot, provenientes de vinhedos localizados na região de Carmignano, Toscana. A fermentação é feita sob forma tradicional com controle de temperatura seguida por uma maceração de 12 dias. Depois amadurece por 12 meses sendo 50% em pequenos barris de carvalho e 50% em tonneaux  (grandes barricas de carvalho).
De forma geral, os vinhos de Carmignano são excelentes para harmonizar com pratos de carnes vermelhas.

UMBRIA –
● SAGRANTINO- A Umbria é essencialmente uma extensão da Toscana, emparedada em três lados pelos Apeninos, mas atravessada por inúmeros rios e córregos, incluindo o grande Rio Tibre que divide a região antes de descer para Roma. É difícil de acreditar que a tão protegida Umbria pode sentir os moderados efeitos do mar, mas o Tibre funciona como um funil que carrega correntes mornas do Mediterrâneo. Além disso as brisas frias dos Apeninos exercem bastante influência.
Uma área de crescente interesse é Montefalco, uma cidade próxima a Torgiano onde uma pequena comunidade de produtores faz um dos mais cultuados vinhos da Itália: o rico, apimentado e encorpado Sagrantino di Montefalco.
Os vinhos de Montefalco são divididos em dois. O básico Montefalco Rosso DOC é um corte de sangiovese(60 a 70%), com um mínimo de 10% de sagrantino e o restante preenchido com uvas à escolha do produtor. Já o Sagrantino di Montefalco DOCG é elaborado 100% com uvas sagrantino. Em 1992 foi elevado à categoria DOCG, tornando oficial o que a maioria dos produtores já sabia: que o denso, escuro e intenso Sagrantino não possui nada parecido em toda Itália.
O solo da região é argiloso com algum calcário e areia. Seus vinhos tem aromas de frutas negras em geleia, alcatrão e pinho. Ele é mais tânico que a sangiovese e possui alto teor de polifenóis, conferindo muita cor. Seu potencial de guarda é imenso. O único problema do Sagrantino é que só existem 160 hectares plantados, o que torna difícil encontrá-los.

VENETO –
● VALPOLICELLA - Valpolicella possuiu por muito tempo uma péssima reputação. Entretanto o consumidor atento pode encontrar atualmente uma enorme quantidade de rótulos interessantes. Na verdade, enquanto o Soave é o vinho mais menosprezado da Itália, o Valpolicella é o mais subestimado.
A zona do Valpolicella é frequentemente descrita como uma “mão aberta”, sendo que os “dedos” começam no Monte Lessini alcançando o norte de Verona e se espalhando para o sul. As longas montanhas cobertas de vinhedos são repletas de riachos que passam por Verona em busca do rio Adige.
Valpolicella possui uma zona histórica denominada “Classico”, que se inicia na comuna de Sant’Ambrogio no oeste até Negrar no leste. As áreas externas à zona “Classico” – Valpantena, Squaranto, Mezzane e vale de Illasi, todas ao leste, são extensões naturais da zona. Elas faziam parte da DOC quando criada em 1968, e hoje em dia existem produtores importantes tanto dentro quanto fora da zona delimitada. Devido à produção em massa de vinhos de qualidade duvidosa, muitos bebedores de  hoje em dia ignoram a região.
Valpolicella, que significa “vale de muitas adegas”, hospeda uma série de uvas tintas que raramente são encontradas fora da região. Corvina, uma variedade bastante escura e com casca grossa, é a principal casta utilizada nos Valpolicella, sendo a espinha dorsal do blend com seus firmes taninos com notas ricas, defumadas e cerejas vermelhas (existe uma versão de bagos maiores chamada corvinone, que algumas pessoas pensam ser uma subvariedade assim como brunello é uma subvariedade da sangiovese).
Outra casta chave é a rondinella, de coloração profunda e considerada mais aromática que a corvina. Após essas duas, que representam no mínimo 60 % e frequentemente muito mais, a lista de ingredientes é muito variada: Existe a Molinara, de elevada acidez e que está desaparecendo aos poucos; raridades locais como a croatina, negrara, dindarella (normalmente utilizadas como um “leve tempero”), além das variedades internacionais merlot e cabernet sauvignon.

ABRUZZO –
● MONTEPULCIANO D´ABRUZZO- Abruzzo é a quinta região mais produtiva da Itália. Sua produção anual é quase o dobro da Toscana, mesmo tendo ela quase o dobro da área plantada. Apesar dos Abruzzesi terem criado uma marca de vinhos engarrafados enquanto seus vizinhos não, eles mantiveram a cultura de produção em massa. A indústria local é dominada por cooperativas gigantes, tais como Cantina Tollo, Casal Thaulero, Casal Bordino, e Citra (o vinho mais utilizado pela companhia aérea Alitalia), e que representam 80% da produção total da região.
Os vinhos tintos de Abruzzo variam bastante. Na maior parte das vezes são leves e agradáveis, porém também se encontra vinhos robustos e difíceis. Isso é comum na uva montepulciano, a casta dominante tanto aqui quanto em seu vizinho Marche, onde é utilizada no Rosso Conero.
A DOC Montepulciano D’Abruzzo foi estabelecida em 1968 e cobre praticamente toda região. Esforços estão sendo feitos para identificar áreas superiores para denominações mais específicas.
Generalizando, os melhores montepulcianos são provenientes do norte de Abruzzo, onde os Apeninos chegam mais próximos ao mar. Nos pés das montanhas ao redor de Teramo, os solos são mais pobres, uma mistura de ferro, argila e calcário. Nessa região os vinhedos são mais elevados, resultando em microclimas mais frios quando comparados aos do sul, na província de Chieti. A maior parte das cooperativas estão situadas no quente e fértil extremo sul de Abruzzo, enquanto a maioria das vinícolas pequenas e privadas ficam bem ao norte, quase na fronteira com Marche. Dos 500 mil hectolitros de Montepulciano D’Abruzzo produzidos por ano, dois terços são da província de Chieti.
Em anos recentes duas novas denominações foram criadas para ajudar a distinguir os montepulcianos do norte dos do sul. Produtores que procuram uvas da área próxima a Teramo podem utilizar a denominação Colline Terramane(criada em 1995 e elevada a DOCG em 2003). Aqueles que optarem pela área bem menor de Controguerra pode utilizar a denominação Montepulciano D’Abruzzo DOC ou então a Controguerra DOC se preferir.
A uva Montepulciano possui coloração profunda, com taninos doces naturais e baixa acidez, dando aos vinhos um caráter de fruta delicado que o torna acessível quando jovem. É um vinho que pode ser bebido jovem e também com 10 anos de vida. No seu melhor, os vinhos Montepulciano são púrpura bastante profundos em sua cor e quase xaroposos na textura, com notas de frutas negras e algum toque terroso.

SICÍLIA –
● NERO D´AVOLA - Assim como sua vizinha Calábria, o melhor exemplo para explicar a Sicília são os “latifondo”, o sistema de distribuição de terra e relações agrícolas que domina o sul da Itália há séculos.
O norte da Itália se caracteriza pela “mezzadria”( parceria na colheita) onde o camponês ao menos possui algo na terra em que cultiva. Nas fazendas do sul da Itália a situação é muito mais opressiva. Particularmente, a Sicília é dominada por um pequeno número de grandes latifundiários, na maior parte de famílias nobres, onde os camponeses não passam de simples serventes.
Após a Itália se tornar república em 1946, o novo governo tentou reverter os efeitos do latifúndio através da reforma agrária nos anos 50. Diversas propriedades foram desapropriadas e redistribuídas para os camponeses, fazendo surgiremos Cantinas Sociales (cooperativas).  O movimento das Cantinas ganhou força com o fracasso da reforma agrária (as áreas distribuídas eram muito pequenas, então o governo incentivou a criação das cooperativas). Essa legião de cooperativas começou a exportar uma enorme quantidade de vinhos a granel para o norte, principalmente França, que havia perdido seu suprimento da Argélia com sua declaração de independência em 1962.
O resultado das cooperativas foi uma enorme quantidade de dinheiro gasta, uma comunidade de pessoas não-profissionais saindo do negócio, nenhum empreendedorismo e qualidade inexistente. Além disso há alguns anos a União Européia cortou os subsídios, então a maioria das cooperativas estão falidas ou em dificuldades financeiras.
O colapso das cooperativas permitiu o surgimento de grandes investimentos privados nos vinhedos e nas vinícolas. A Sicília é um dos poucos lugares na Itália onde existe terra à venda a um preço razoável. Empresas conhecidas estão comprando grandes áreas na Sicília, tais como o grupo Zonin do Veneto e  o Hardy’s Wine Conglomerate da Australia.
Hoje em dia estão chamando a Sicília de “Califórnia ” da Itália. Uma boa safra , em alguns lugares do mundo é um milagre. Na Sicília, não existe chuva após fevereiro; possui calor intenso e muito sol. Está sempre ventando e seco, portanto não há problemas com apodrecimento. É possível fazer bons vinhos todos os anos.
Enquanto a Sicília continua produzindo vinhos brancos em sua maior parte (estatística ” puxada” pelo Marsala), o real interesse nos dias de hoje está nos tintos, principalmente da uva Nero D’Avola, que pode ser vinificada sozinha ou utilizada em blends com merlot, cabernet sauvignon e principalmente syrah, cuja qual é freqüentemente comparada.
A Nero D’Avola é uma uva de casca fina e suscetível à podridão, além de ser uma casta de amadurecimento tardio (ela amadurece 20 dias depois da cabernet).
No sudeste da Sicília a uva frappato (com suas notas de morangos) é cortada com a Nero D’Avola para produzir os vinhos da denominação Cerasuolo di Vittoria DOC
É muito difícil apontar precisamente as características da Nero D’Avola. Genericamente é escura, com aromas de muita fruta negra e notas de violetas. É encorpado, bem estruturado, taninos firmes. Muitos degustadores experientes a comparam com a Syrah.

OUTRAS UVAS ITALIANAS QUE VALE A PENA SEREM CONHECIDAS – Veja a parte II na semana que vem. Existem tantas variedades tintas na Itália que bem poderíamos escrever um livro sobre isso!