" VALE DO UCO, UM OASIS PARA FAZER VINHOS EM MENDOZA ” – Costumo dizer que o mundo do vinho nunca para de me reservar surpresas. Uma delas deve ter sido equivalente a dos espanhóis quando chegaram à região de Mendoza (que fazia parte do Vice-Reino do Chile) e descobriram a rede de canais que levam água para irrigar as plantações.
Esta
rede de acéquias foi criada pelos indígenas locais, e Uco
era o nome de um importante chefe Inca que elaborou e pôs em prática os canais
que utilizam a água do degelo dos Andes, canais utilizados ainda hoje.
O vale de Uco fica a
100 km da cidade de Mendoza, e está formado pelos departamentos Tupungato,
Tunuyan e San Carlos. O vale sempre teve uma intensa atividade agrícola,
especialmente para a produção de cerejas, amêndoas, nozes, avelãs, pêssego, maçãs
e peras, oliveiras e vários legumes. Os pioneiros da viticultura mendocina
descobriram um enorme potencial para as terras altas. Á quase 1500 metros sobre
o nível do mar, as cascas (peles) da uva podem ser até 15% mais espessas, a cor
é mais intensa, e os aromas minerais se intensificam nos vinhos desta região.
Os Principais
distritos são: El Peral, Los Árboles, La Consulta, Eugenio Bustos, Campo Los
Andes, El Cepillo, Colonia Las Rosas, Vistaflores.
Existem duas áreas
bem definidas, a oeste, dois cordões montanhosos andinos: a Cordilheira Frontal
e a Cordilheira do Limite; a leste, um grande vale, denominado Vale do Uco.
Seu principal rio, o
Tunuyán, alimentado pelos rios Las Tunas, Colorado Salinillas, e pelo riacho
Manzano, entre outros, irriga todo o oásis do Vale do Uco, que abrange cerca de
55.000 hectares cultivados. A paisagem é consideravelmente mais verde comparada
com outras partes da Província, já que esta tem um microclima e uma
precipitação média é superior a outras regiões. Uma ótima rede de estradas, a
maioria pavimentadas, conecta as áreas agrícolas desses departamentos.
Há nesta região
aproximadamente 13.000 hectares de vinhedos. A zona se caracteriza pela sua
capacidade para produzir uvas de excelente qualidade, da qual se obtém vinhos
aptos para guardas prolongadas. É atualmente uma das zonas mais requeridas
pelos investidores, especialmente pela sua capacidade para o desenvolvimento de
uma vitivinicultura de altitude.
O vale está de braços
abertos para o sol levante, de costas para os Andes e o imponente vulcão
Tupungato (extinto), recebendo excelente insolação para o crescimento dos
vinhedos e completa maturação dos cachaos de uva.
A região tem como a
forma de um anfiteatro, com patamares que vão subindo a cordilheira dos Andes e
onde são plantados vinhedos a várias altitudes (começam na faixa de 900 metros
e chegam próximo a 1500 metros). Este anfiteatro, conhecido como Cordón de
Plata, tem mais de 60 quilômetros de extensão.
Os locais mais altos são os mais disputados, uma vez que a uva necessita
de locais com alto índice de insolação no verão, com um bom gradiente variação
da temperatura entre dia e noite, para que haja um amadurecimento lento e
harmonioso da baga, de todos os seus componentes, inclusive a semente para que
não se tenha um vinho com taninos duros
e algo de amargor. Este lento amadurecimento afina os aromas e a qualidade da
uva que será vinificada.
Não é à toa que
várias vinícolas destacadas se instalaram no Vale do Uco, como Andeluna, Atamisque, Domaine Jean Bousquet,
La Azul, Salentein, Benvenuto de La Serna, Altus, Clos de los 7 (Monteviejo,
Flecha de los Andes, Cuvelier de los Andes, Diamandes), François Lurton, Finca
La Celia, O. Fournier, Sophenia.
As cepas
tradicionalmente cultivadas foram o Semillon e o Malbec; junto a eles, em menor
medida, Bonarda e Barbera. Hoje há espaço para praticamente todas as castas
clássicas internacionais. Entre as Bodegas instaladas, podemos descrever:
● A vinícola Salentein foi a primeira a
investir em plantações de uva na região. Hoje, produzem 05 milhões de litros de
vinho por ano e 50% da produção é exportada. Além dos vinhos, destaque para a
união de arquitetura e arte projetada no local. Todos os ambientes e fachadas
surpreendem pela estética, além das exposições de arte instaladas na vinícola.
O local em que os barris são armazenados está projetado de maneira circular,
como uma verdadeira catedral e no centro há uma rosa dos ventos, apontando para
os pontos cardeais.
Os vinhos da Salentein
provêm de três "fincas": El Portillo, La Pampa e San Pablo, situadas
em altitudes e com solos e orientações diferentes. Eles tem se mostrado um dos
mais confiáveis da Argentina no conceito de "vinhos reserva".
● A vinícola La Azul foi fundada em 2003, e
está encravada no Alto Vale de Tupungato. Aproveitando o terroir do Vale de
Uco, a vinícola consegue elaborar vinhos tintos maravilhosos, utilizando
tecnologia de alta qualidade e buscando um equilíbrio perfeito entre o estilo
francês e o americano.
A vinícola é das
menores na Argentina e isso garante um cuidado muito especial na elaboração de
vinhos tintos incríveis e de grande qualidade. A vinícola só produz 35.000
garrafas por ano e exporta quase 50% da sua produção. Sem dúvida é uma jóia do
Vale de Uco que deve ser conhecida, pois com certeza seus vinhos são raridades
dificilmente encontradas que despertam paixões.
● A vinícola O Fournier tem como
característica em seus vinhos, a elegância e a pureza e o que os distingue é o
terroir, esta entidade abstrata com fundamentos concretos no solo, clima e
local. Parte dos vinhedos estão plantados no sistema argentino moderno e outra
no espanhol, em que as vinhas saem em arbustos e se sustentam sem necessidade
de fios.
A vinícola surpreende
pela arquitetura, fantástica, premiadíssima, muito funcional e confortável. A
vinícola é uma das melhores e mais conceituadas, com altas notas da Wine
Spectator. A O.Fournier é considerada a maior especialista em Tempranillo na
Argentina e, além disso, elabora vinhos cheios de estilo. Seu restaurante é uma
referência na região.
● Atamisque: vinícola jovem e boutique, situada numa
paisagem privilegiada, outrora finca famosa da região, de quatrocentos
hectares. De características familiares; trabalha principalmente com a produção
de vinhos tintos, mas também brancos de excelente qualidade, principalmente o
Chardonnay da linha Catalpa, incluso na degustação.
● A vinícola Gimenez Riili,empresa familiar e
boutique, instalada há pouco tempo no Vale de Uco tem grande trajetória na
indústria vinícola de Mendoza e Rioja (Argentina) e está crescendo
constantemente, motivo pelo qual ao ingressar na vinícola vocês poderão
observar o espaço destinado para o projeto The
Vines, com 400 hectares de vinhedos.
A Gimenez Riili não é só reconhecida pela qualidade dos seus vinhos (seu
Gran Reserva 2008 obteve 92+RP), como também pela simpatia dos proprietários e
a paisagem incrível do Sul do Vale de Uco, visualizada desde a vinícola.
A vista que já é
paradisíaca, ganha um atrativo ainda maior: churrasco argentino da melhor
qualidade preparado por Francis Mallmann. O chef faz seu tradicional “asado”,
elaborado aos sete fogos, nas instalações do Resort da The Vines of Mendoza.
Mallmann combina
histórias e técnicas com seu gosto próprio e estilo irreverente. O resultado,
que poderá ser conferido de quarta a domingo, é composto por um suculento bife
coberto com um saboroso molho chimichurri, tipicamente argentino. A refeição é
uma das melhores da região, harmonizada com vinhos de ótima qualidade,
geralmente pontuados por Robert Parker com mais de 90 pontos.
Através da The Vines of Mendoza você pode adquirir
seu próprio vinhedo (Private Vineyards Estate), elaborando seus próprios vinhos
com a ajuda do enólogo consultor, Santiago Achaval - um dos profissionais mais
aclamados da Argentina -, e de toda a equipe da The Vines, contando com Pablo
Martorell e Mariana Onofri na enologia e Francisco Evangelista na agronomia.
Neste oasis do vinho,
está instalado o vinhedo do Clos de los
Gaúchos de onde nascem os vinhos que iremos comentar no próximo artigo.

