segunda-feira, 26 de agosto de 2013

WINE IN – O JULGAMENTO DE SÃO PAULO

“ WINE IN – O JULGAMENTO DE SÃO PAULO ”- Nos dias 22 e 23 de agosto aconteceu em São Paulo o WINE IN. Como um reflexo da maturidade do vinho brasileiro, o evento promoveu uma série de palestras e debates sobre o a situação do vinho brasileiro, bem como avaliações e sugestões sobre o seu futuro. Ao evento, compareceram especilaistas brasileiros e estrageiros que trouxeram sua contribuição nesta questão, apresentando suas visões e sugestões sobre o tema. Os debates por si só já valiam a participação de qualquer amante de vinhos no evento, mas ainda houveram degustações especiais, além do Circuito Brasileiro de Degustações na sua edição de São Paulo.
Chamava atenção dos participantes a realização de duas provas desafios com foco nos vinhos tintos que povoam nossas prateleiras do mercado. No dia 22 seria feita uma seleção às cegas de 5 vinhos brasileiros com preço inferior a R$ 50,00 que enfrentariam 5 rótulos argentinos e 5 rótulos chilenos. Os rótulos importados foram selecionados a partir de vinhos na mesma faixa de preço, com boas pontuações obtidas no Guia Descorchados e outras publicações e avaliações de críticos especializados. As amostras dos vinhos brasileiros foram fornecidos pelos produtores nacionais. No dia 23 o mesmo processo seria repetido, mas desta vez com foco em vinhos com valor de compra superior a R$ 50,00/garrafa.
Tive a oportunidade de participar de ambos painéis de avaliação, primeiro selecionando as 5 amostras que iriam para o segundo “round” do desafio frente aos rótulos importados. Não havia nenhuma informação sobre os vinhos que seriam degustados, de forma a ter-se o resultado mais isento possível.
Vejo neste ato, uma atitude de coragem dos produtores nacionais, pois os resultados poderiam ser negativos para o futuro do vinho brasileiro em termos de reconhecimento pelos consumidores. O certo é que conheço muitas pessoas que se negam a servir um rótulo nacional, sem levar em conta o esforço que tem sido dispendido no desenvolvimento do produto brasileiro. Costumo dizer que o mercado do vinho nacional sofre da baixa estima que sentimos pelas nossas coisas. Talvez seja falta de civismo, de formação da personalidade do brasileiro que tende a valorizar tudo que seja estrangeiro e diminuir tudo que seja aqui produzido ou criado. Lembro que alguns cantores brasileiros só conseguem seu reconhecimento depois de terem feito sucesso fora de nossas fronteiras!
Como bem disse o amigo Mauro Zanus – pesquisador da Embrapa no Segmento de Uva e Vinho, “ a qualidade é algo que não está na cor, aroma ou paladar do vinho. Qualidade é algo que aparece na mente do consumidor, como uma sequencia de informações com base em análise sensorial. É um tudo, e não as características técnicas que definem esta questão. A ciência coleta as evidências experimentais, a verdade está no campo da filosofia !”. E com este espírito e confiança no que criam, os produtores nacionais entraram de peito aberto no processo seletivo.
No dia 22 fomos colocados frente as amostras para selecionar 5 vinhos nacionais que iriam concorrem com os importados com preço inferior a R$ 50,00. As quinze amostras avaliadas foram reveladas em ordem de serviço: 1- Zorzal Malbec Argentino 2011, 2- Dal Pizzol Do Lugar Cabernet Franc, 3- Humberto Canale Merlot, 4- Sata Rita Carmenere 2009, 5- Leyda Syrah 2011, 6- Pizzato Merlot Reserva 2010, 7- Casa Perini Tannat 2011, 8- De Martino Reserve 347 Carmenere 2011, 9- Doña Paula Malbec 2011, 10- Don Pascoal Dedicado 2011, 11- Morandé Pionero Cabernet Sauvignon 2011, 12- Las Moras Malbec 2011, 13- La Linda Bonarda 2011, 14- Ramirana Ventisquero Carmenere 2011 e 15- Salton Intenso Merlot 2009.
Os resultados foram auspiciosos, mas não tivemos o ranking específico que será publicado pela organização do evento. Soubemos que em termos de média, os vinhos argentinos ficaram pouco superiores aos nacionais e os brasileiros ficaram 0,25 pontos acima dos chilenos, numa disputa apertada.
No dia 23 repetimos o mesmo processo para os vinhos com preços superiores a R$ 50,00. As quinze amostras avaliadas foram reveladas em ordem de serviço: 1- Don Abel Rota 324 Cabernet sauvignon 2005, 2- Morande Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2009, 3- Reserva Alma única Syrah 2011, 4- Clos de los Siete 2009, 5- Pulenta Cabernet Sauvignon 2010, 6- Viña Alicia Paso de Piedra Cabernet Sauvignon 2009, 7- Achaval Ferrer Malbec 2011, 8- Pizzato DNA Merlot 2008, 9- Lote 43 2011, 10- Max Reserva Carmenere Errazuriz 2010, 11- Decero Remolinos Cabernet Sauvignon Agrelo 2010, 12- RAR Cabernet sauvignon/Merlot 2008, 13- Montes Twins Malbec/Cabernet Sauvignon 2011, 14- Kaiken Malbec/Bonarda; Petit Verdot 2011 e 15- Ramirana Gran Reserva Syrah/Carmenere 2010.
O ganhador deste desafio foi o Lote 43, com média de 88,5pntos, seguido pelo Pizzato DNA com 88,3. Em terceiro lugar veio o Max Reserva Carmenere Errazuriz com 88 pontos, seguido do Kaiken com 87,7pontos, junto com o Pulenta Cabernet Sauvignon e Clos de Los Siete.

O resultado mostra que podemos nos orgulhar da qualidade de alguns rótulos nacionais e assim sendo, sugiro que na próxima vez que te oferecerem uma taça de vinho brasileiro, diga com toda alegria: -“Claro que sim, tenho orgulho dele ser brasileiro !”

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

DICAS PARA QUEM VAI AO DECANTER WINE SHOW 2013 - NEW WORLD

“DICAS PARA QUEM VAI AO DECANTER WINE SHOW 2013”


A quinta edição do Decanter Wine Show será realizada só dia 22 de Agosto em BH, e os ingressos estão à venda na Enoteca Decanter (Rua Fernandes Tourinho, 503, Savassi; 31 3287-3618). Cada ingresso individual custa R$ 150 e permite degustar os 200 vinhos de 26 produtores de 8 países do Novo Mundo que estarão presentes no evento deste ano.
Essa será a quinta edição do DWS, que antes de BH terá passado por Brasília (19 de agosto), Rio de Janeiro (20 de agosto) e São Paulo (21 de agosto). O evento será realizado das 16h às 22h no Imperador Recepções & Eventos, no Gutierrez.
Vale lembrar que não é possível comprar vinhos nessa ocasião, mas apenas prová-los. Não estarei presente (infelizmente), por conta de outro compromisso profissional, mas vendo a lista de vinícolas presentes, listei a título de sugestão alguns rótulos imperdíveis. Prove-os, mas não se limite aos mesmos. E por favor, vá de taxi !!!
Brasil
Quinta da Neve- não perca o excelente Pinot Noir.
Hermann – Prove os espumantes e o Touriga Nacional.

Argentina
Luigi Bosca -
Prove o “De Sangre” além do Malbec DOC.
Riglos - Prove seu Riglos Sauvignon Blanc, o  Riglos Gran Malbec e o   Riglos Gran Cabernet Sauvignon um vinho de grande harmonia, elegante, que tem na tipicidade da casta e na robustez do conjunto suas maiores virtudes. Não perca o Riglos Gran Corte com taninos finos, concentrado, boa acidez, persistente e intenso. Um vinho de grande potencial de arredondamento na garrafa nos próximos anos, com a integração madeira x vinho e o Quinto Malbec, um vinhaço da Riglos com excelente relação qualidade x preço.
Viña Alicia - não perca a oportunidade de provar os vinhos das castas Petit Verdot (Cuarzo), Nebiollo (Alicia), Brote Negro, o Morena que é um blend de cabernet sauvignon e cabernet franc. Nos brancos, o Tiara, que é um blend de riesling, albarino e savagnin será digno de sua taça.
Las Moras – Prove o Mora Negra é um vinho exótico, celebrado pela crítica, além da linha Reserva com vinhos equilibrados, com taninos finco e bem integrados a madeira, com amadurecimento em carvalho francês e americano por 12 meses.
Amalaya - Um de seus melhores rótulos é o Amalaya Gran Corte 2010, criado com um corte de Malbec 85% - Cabernet Franc 7,5% - Bonarda 7,5 %.
Colomé – o Colomé Reserva, originário de vinhas velhas, que fazem a diferença, e o Autêntico, um 100% malbec, que não estagia em madeira e que surgiu a partir de um pedido do dono da rede de restaurantes londrinos Gaucho Grill, especializado em pratos argentinos. O nome é apropriado: um vinho autêntico, e bom.
Família Schroeder - Não deixe de provar seus vinhos: Saurus Pinot Noir (a casta se dá muito bem na Patagônia); Saurus Malbec; Saurus Select Cabernet Sauvignon; Saurus Pinot Noit Tardio - Um vinho de sobremesa curioso feito da uva pinot noir colhida super madura. Seus aromas são tímidos, mas a surpresa fica para o paladar. Fruta vermelha em compota, acidez excelente e doçura na medida para harmonizar com sobremesas mais generosas. Há ainda uma dica, prove o Sauignon Blanc – muita gente acreditará que se trata de um Chardonnay !
Benegas - Seus vinhos Premium são o Benegas Finca Libertad e o Benegas Lynch Cabernet Franc. Na Bodega Benegas os vinhos são muito amigáveis com taninos maduros e redondos, porque Federico Benegas, sabiamente, prefere menos corpo e mais elegância. Prove Benegas Sangiovese um tinto gastronômico, moderno e saboroso; o Finca Libertad é um corte bordalês muito elegante, com 33% de cabernet franc, 33% de merlot e 34% de cabernet sauvignon. Vinhedos de Cabernet Franc são pré filoxera. O Lynch Cabernet Franc tem o nítido DNA de Michel Rolland, consultor de Benegas. Por último, não perca o Lynch Meritage, um típico Medoc, blend de cabernet sauvignon, cabernet franc, merlot, petit verdot, com muita fruta e muito corpo e estrutura. Boa acidez e belo equilíbrio. A vinícola tem um branco, o Benegas Chardonnay Sauvignon Blanc, com nota mineral, citrico, de bom volume de boca

Chile
Caliterra -
Prove os seus rótulos Tributo Edicion Limitada e Tributo Single Vineyard e por último o Cenit.
De Martino - Prove o De Martino Chardonnay Single Vineyard Quebrada Seca, exemplo de um branco sedutor e mineral do início ao fim da taça. De Martino Syrah Reserva Legado é um excelente vinho, bem como o De Martino Cabernet Sauvignon Single Vineyard Las Aguilas, e o De Martino Old Bush Single Vineyard Las Cruces, que surpreendentemente é um malbec com 35% de carmenere, um vinho de grande personalidade, encorpado, elegante, equilibrado.
Santa Ines - A sensacional linha Single Vineyard, fruto de 10 anos de pesquisas exaustivas sobre os vários terroirs chilenos, é concebida em diferentes vales do país, o melhor para cada variedade de uva. O vinho premium Gran Familia representa todo o conhecimento e comprometimento da família De Martino com a máxima qualidade, e foi laureado por dois anos consecutivos como o melhor vinho da categoria premium do Chile no “Guia de Vinos de Chile”.
El Principal- Prove os vinhos: Calicanto; Memórias e o Top El Principal.
Villard Fine Wines - Seu Sauvignon Blanc Reserva Expresión foi o único penta-estrelado no "Guia de Vinhos Chilenos 2003/ 2004" e faz um estrondoso sucesso no mercado brasileiro. Os chardonnays, que fogem do estigma de "gordos, cheios de carvalho e sem frescor", são uma lição de pureza, integridade e equilíbrio. Os Pinot Noirs, muito requintados e sem exageros de fruta em compota, são concebidos com baixos rendimentos no vinhedo. No clássico Valle del Maipo, Thierry Villard elabora um corte bordalês excepcional, o Equis, que é concentrado como deve ser um "premium" chileno, que impressiona a todos os críticos (como Patricio Tapia do "Guia Descorchados") pela incomparável elegância. Os vinhos Villard são divididos em três níveis: Expresión (vinhos complexos que enfatizam o terroir e a variedade de uva), Esencia (vinhos que evoluem com a guarda em garrafa, e refletem o estilo pessoal de Thierry Villard) e o "premium" Equis, elaborado no Valle del Maipo.
Terranoble - Tem como vinho ícone, seu poderoso e assertivo Gran Reserva Carménère, considerado o melhor do país na safra de 1999 no Descorchados 2001 e na safra de 2001 pelo Guia de Vinos de Chile 2004.Com a entrada de um novo sócio em 2006, o respeitado empresário Wolf Von Appen, a Terranoble está focalizada em fortalecer a sua base agrícola através da aquisição de vinhedos nas melhores regiões do país, como em Colchagua (Los Lingues) e Casablanca. Produz vinhos para todos os gostos, como o simples e fresco Terranoble Sushi que vai muito bem em harmonização com cozinha japonesa, e seu Gran Reserva Carmenere realmente”enche a taça”.
Uruguai
Bouza -
Os vinhos da Bodega Bouza se caracterizam pelas suas cores vivas e intensas, pela pureza e vibração da fruta no olfato e elegância no uso do carvalho, e, finalmente, pela boca concentrada, com taninos sempre polidos e acidez natural invariavelmente deliciosa. Na minha opinião, produz um dos melhores Albariños do mundo e seus Tannat´s estão num patamar raro de se alcançar ! Não deixe de prová-los.
Estados Unidos
Hess Collection - Não deixe de provar os rótulos: Cabernet Sauvignon Mount Veeder 19 Block Cuvée e o Sequana Santa Lucia Highlands Pinot Noir.
Nova Zelândia
Craggy Range - Desde o início a proposta foi conceber vinhos que pudessem refletir de forma fidedigna as características de vinhedos específicos espalhados pelas ilhas norte e sul. Prove o Te Muna Road Pinot Noir e o Syrah Block 14 Gimblett Gravels.
Wild Rock  - São três rótulos e recomendo prová-los: The Infamous Goose Sauvignon, Cupids Arrow Pinot Noir, e o Gravel Pit Red.

Austrália
Peter Lehmann -
Prove o excelente Art Series Cabernet Sauvignon, e o Botrytis Semillon (no melhor estilo de Sauternes)
Killikannon - Os dias quentes e as noites frias, somadas às diferenças consideráveis no padrão dos solos, nas elevações e aspectos, permitem que o Clare Valley produza os mais conceituados Rieslings da Austrália, ao lado de excepcionais Shiraz, Grenache e Cabernet Sauvignon, num contraste chocante de estilos presentes nos vinhos da Killikanon. Imperdíveis seus Oracle Shiraz e o Green´s Vineyard Shiraz.
Fox Creek - A extraordinária qualidade da fruta dos seus vinhedos garantiu já na primeira safra o Trophy de melhor vinho no McLaren Vale Wine Show, para seu Shiraz 1995. O sucesso continuou nos anos seguintes para os vinhos da Fox Creek, e em 2006 o Shiraz Reserve 2004 chegou a ser eleito o melhor vinho do ano de toda a região de South Australia, entre mais de 800 vinhos avaliados, no Hyatt South Australia Award. A sintonia fina de todas as características é a marca dos vinhos da Fox Creek, um primor da expressão da fruta excepcional de McLaren Vale levemente temperada por finos aportes de madeira. Imperdível Shiraz Reserve.
África do Sul
Raka - Entre os brancos, o Shannonea é um vinho exótico, delicadamente mineral, cheio de facetas. O Sauvignon Blanc é um dos seus vinhos mais premiados, enqaunto o tinto Spliced é uma bela introdução ao estilo passional dos Dreyer, numa alusão para combinar, entrelaçar, misturar uvas diferentes.
O Pinotage é a uva emblemática da África do Sul, mas muitas vezes peca pela rusticidade dos taninos, excesso de álcool e acetatos encobrindo a fruta no aroma. Não deixe de provar o excelente “bordalês” Quinary além do Biography que é um estupendo Shiraz.
Glen Carlou - Para os amantes de origem, a Glen Carlou oferece um Chardonnay e um Cabernet Sauvignon oriundos de vinhedos específicos com solos ricos em minerais. Prove os Tortoise Hill Branco e o Tinto, pois surpreendem pela simplicidade e correção, o excelente Syrah e o Pinot também merecem ser provados