“QUANDO BACO CONSPIRA A FAVOR DO VINHO” – Belo Horizonte recebeu nesta semana a visita de Olga Martins, CEO da vinícola LAVRADORES DE FEITORIA. Seus vinhos são importados para o Brasil pela MISTRAL. Por razões de compromisso profissional no mesmo horário que a degustação aconteceria na importadora o jeito foi aceitar que nem sempre podemos ter tudo que queremos !.
No entanto, sábado cedo resolvi passar na Mistral para agradecer pelo convite e uma surpresa estava reservada ... Olga Martins ainda estava em BH e visitava a loja da Importadora. Aproveitei então esta oportunidade para conhecer um pouco mais dos seus vinhos e da vinícola, que desponta como um dos projetos mais inovadores e elogiados em Portugal.
Inaugurada em 1999, reunindo 15 proprietários de alguns dos mais privilegiados terroirs do Douro, com um compromisso declarado de produzir os melhores vinhos da Terrinha, a Lavradores de Feitoria se consolidou como uma das melhores adegas, tendo recebido em 2004 o prêmio de “Melhor Produtor do Ano” da respeitada Revista de Vinhos.
Além disto, o vinho “Poeira”, projeto pessoal do enólogo Jorge Moreira (marido de Olga Martins) tornou-se um dos mais cultuados e premiados vinhos de garagem de Portugal, nascido em 2001, na cave da residência do casal no Vale do Douro.
A Lavradores de Feitoria conjuga o melhor da tradição com tecnologia de ponta, criando vinhos de muito frescor e personalidade, resultando no Poeira ser reconhecido como “um pioneiro, um novo passo na evolução do vinho de mesa do Douro”, recebendo o Prêmio de Excelência da Revista de Vinhos, além de recomendações de Robert Parker e Wine Spectator.
Com tantos atributos, faltava degustar os vinhos e provei:
● Meruge Branco 2010 – Criado a partir da casta Viosinho de videiras com 25 a 30 anos de idade. Segundo Olga, a Viosinho é a casta branca mais completa do Douro, mostrando uma diversidade incrível de aromas, que neste vinho foram emoldurados sem excesso pela fermentação em barricas de madeira. O cuidado para refeltir a complexidade implica em uso de carvalho português, sem tosta (o carvalho contribui para o arejamento e complexidade mas não agrega as notas de defumado e tostado), criando um vinho fresco, com notas de frutas secas como nozes e avelãs, figo turco seco e especiarias. Pode-se resumir tudo num único adjetivo: “ delicioso !!!”.
● Pó de Poeira Branco 2011 – corte de 85% de Alvarinho e 15% de Gouveio. Curioso como nunca, perguntei sobre a Alvarinho como casta duriense ! Na realidade, o terroir merecia ser explorado de forma inovadora por conta de sua exposição norte e resolveram “importar” a Alvarinho do Minho e enxertá-la em vinhas velhas de 50 anos, obtendo-se com isto uma acidez maravilhosa. O corte evolui em barricas de carvalho de 500 litros , resultado um branco de muita pureza e vigor, com excelente toque mineral e complexidade. O segundo gole é quase que imediato !!! Já recebeu 92 pontos do Robert Parker e o crítico português João Paulo Martins (que escreve excelentes Guias de Vinhos Portugueses) descreve-o como “perigosamente apetitoso !”.
● Meruge Tinto 2009 – Um corte de 80% de Tinta Roriz (nossa conhecida Tempranillo) que é bastante difícil de ser conduzida e trabalhada para dar estrutura ao vinho, combinada com Touriga Franca e Touriga Nacional. De coloração mais clara, lembra um Pinot Noir e não é à toa que lembra os grandes vinhos da Borgonha. Boa fruta, com madeira muito bem integrada, complexo e elegante.
● Três Bagos Grande Escolha 2007 – Um vinho Topo de Gama, feito a partir de Vinhas Velhas, que é um grande patrimônio do Douro. Nestas vinhas predomina a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Amarela. O vinho vem sendo repetidamente considerado como um dos grandes tintos de Portugal, recebendo o “Prêmio de Excelência” da Revista de Vinhos. No olfato aparecem aromas de frutas negras maduras (amoras), notas de especiarias, madeira bem integrada, tudo cercado de muita complexidade. No paladar mostra equilíbrio e elegância, com final persistente. Vai evoluir muito bem em garrafa, pois mostra longevidade.
● Poeira 2009 – A vinha está voltada para o norte, em frente a do Noval, com idade entre 85 a 90 anos, com mais de 20 castas identificadas entre as ali plantadas. Portanto, pode-se esperar grande complexidade deste, que é considerado o maior sucesso em termos de vinho de garagem no Douro, um dos “cult wines” de Portugal. Impressionante riqueza de aromas e excelente acidez ganharam 94 pontos de Robert Parker.
Em BH: MISTRAL - Rua Cláudio Manoel, 723 - Savassi - BH. Tel.: (31) 3115-2100








