● “ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “EXPECTATIVA PRÉ-LISTA DOS 50 MELHORES RESTAURANTES DO MUNDO“ – Diferentemente do que já é costumeiro nesta coluna, desta vez não irei tratar de um restaurante ou lugar específico, muito menos se verá aqui críticas, sugestões ou elogios a um determinado estabelecimento.
Desta feita, sinto-me compelido a comentar e discutir um pouco o que ocorrerá neste próximo dia 29 de abril: será divulgada a tão aguardada e comentada lista dos cinqüenta melhores restaurantes do mundo (the world’s 50 best restaurants), que é anualmente organizada e divulgada pela Academia da revista Restaurant. Esta lista é, basicamente, o resultado da votação de novecentos especialistas que atuam no cenário mundial de restauração.
A academia compreende vinte e seis regiões ao redor do mundo, sendo que cada uma delas tem seu próprio painel de 36 membros e um presidente. Estes painéis são compostos por críticos gastronômicos, chefs de cozinha, donos de restaurantes e conceituados gourmets. Cada um deles emite 7 votos, sendo 3 destes a serem dados a restaurantes fora de sua região de atuação. Como forma de diversificar e dar mais dinâmica a cada lista anual, no mínimo dez membros de cada região mudam a cada ano. Finalmente, o resultado é publicado online no dia marcado.
Provavelmente, ao ler este artigo, o resultado já tenha sido divulgado e todas as novidades, surpresas e decepções já tenham sido massivamente repercutidas e discutidas. De qualquer maneira, fica aqui a minha enorme torcida para que nossos restaurantes tenham evoluído nesta tão prestigiosa lista e, quem sabe – a chance é grande -, o DOM de Alex Atala, que hoje ostenta o quarto posto, esteja comemorando a chegada ao topo ou uma escalada à segunda posição. Diante do ocorrido ao Noma de Copenhagen, onde diversos clientes passaram mal após terem tido refeições na casa, creio que Rene Redzepi caia algumas posições. Não menos esperançoso estou de que o Maní de Helena Rizzo, que hoje ocupa o 51º lugar, possa finalmente colocar mais uma casa brasileira entre os cinqüenta melhores. A gaúcha e ex-cozinheira do Palácio do Planalto, Roberta Sudbrack, também deverá continuar na lista e, muito possivelmente, alcançará os 60 melhores. Falando em termos continentais, o restaurante peruano Astrid y Gaston deverá, mais uma vez, elevar a riquíssima culinária e gastronomia do seu país a maiores patamares.
Enfim, desde já ficam os sinceros votos deste fã dos nossos grandes e incansáveis chefs sul-americanos, de que nossa cozinha, repleta de misturas e paradoxalmente tão recente e milenar, possa continuar a sua escalada rumo a um maior e justo reconhecimento mundial. Desejo também que tenhamos a consolidação de uma culinária que respeite e valorize seus ingredientes autóctones e suas técnicas milenares, passadas de geração a geração. Apesar de que, em termos de qualidade média, os nossos restaurantes ainda estejam muito atrás dos europeus e americanos, creio que estamos no caminho certo e, com certeza, brevemente faremos parte de uma cena gastronômica de excelente nível técnico e valorizadora da cultura local, aberta, obviamente, à inventividade e à criatividade, requisitos primordiais ao desenvolvimento de qualquer negócio, cultura ou trabalho de destaque.