segunda-feira, 25 de março de 2013

“ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “ DONA LAURA E A IDÍLICA POUSADA ALCOBAÇA “


“ GOURMET A SOLTA” POR FELIPE VICTORIA – “ DONA LAURA E A IDÍLICA POUSADA ALCOBAÇA “ - Já pensou em um lugar onde há comida feita com total esmero, carinho e qualidade? Some-se a isso, uma hospedaria de extremo bom gosto, elegância e genuína simpatia. Tudo complementado e adornado por uma natureza pródiga, belíssima, rica e abundante. Será que existe? Sim, este recanto aparentemente idílico e utópico existe, está relativamente próximo de você (belorizontino), se encontra no distrito Petropolitano de Corrêas, é personificado na pessoa da simpática e atenciosa Dona Laura Góes, e atende pelo nome de Pousada da Alcobaça.
            O casarão onde se encontra a Pousada foi construído em 1914 por um industrial carioca para as férias de sua família. Em 1989, o sítio foi comprado por Dona Laura, que decidiu vender seu colégio, onde fora diretora por mais de 20 anos, para realizar o sonho de abrir uma pousada e um restaurante. Em 1990, após uma grande reforma de adequação ao que viria a ser uma hospedaria, nasceu a Pousada Alcobaça.
            Em estilo normando, a construção é belíssima e super romântica. Com seus apainelados de madeira, azulejos hidráulicos e treliças enredadas de trepadeira, o casarão é extremamente imponente e exuberante. Os jardins em estilo inglês/francês, milimetricamente desarrumados foram de idéia e concepção da proprietária. Há ainda no local, lagos com peixes, estátuas, centenas de espécies de flores, que parecem “acontecer” em seus lugares e a estonteante visão das pedras da Alcobaça e Alcobacinha. Todo este paraíso está inserido em uma rica mata Atlântica e é um deleite até mesmo aos mais contidos e racionais.
            A pousada é hoje conhecida por oferecer uma culinária sem rebuscamentos, de raízes e de comida feita com extremo carinho, dedicação e competência, ou como a própria anfitriã gosta de dizer, sua cozinha tem uma simplicidade requintada. Pode-se dizer que tudo no lugar foi pensado com extremo bom gosto, atenção aos mínimos detalhes e paixão, pela carismática e eficiente Dona Laura. Em poucas palavras, tudo ali reflete sua alma, sua sabedoria, carinho, classe e experiência de vida. Hóspedes e comensais são ali tratados como membros de sua família, e isso faz toda diferença.
O restaurante da Alcobaça encantou-me desde o primeiro minuto que ali estive. Da espaçosa e linda cozinha saem diariamente, pela manhã, bolos saborosíssimos, geléias deliciosas, ótimos pães Petrópolis, caprichadas omeletes, lindos waffles com maple e o que mais o hospede ousar desejar.  Já durante o almoço, é possível se fartar com o excelente pato ao molho de laranja (equilibrado, aveludado e saboroso, diga-se de passagem) acompanhado do ótimo e inusitado purê de maça. Pode-se também deixar-se levar pelo bom filé ao molho de vinho, guarnecido com legumes orgânicos e, com certeza, se alumbrar com o corretíssimo arroz de pato. Carro chefe da casa, o cozido português é famoso e atrai visitantes de todo lugar, bem como, a feijoada dos sábados, que é disputadíssima e, dizem, não deve nada a nenhuma outra oferecida Brasil a fora. As sobremesas, por sua vez, são gostosas, corretas e encarnam, essencialmente, o tão sábio conceito da simplicidade requintada. Como parte do esmero e cuidado dedicados à cozinha, todos os ingredientes usados para preparar essas delícias, têm como origem a horta e o pomar da própria pousada ou são escolhidos cuidadosamente no mercado local pela atenciosa anfitriã e proprietária. Ou seja, o que se come na Alcobaça é sempre fresquinho e muito bem escolhido, Uma “cuisine de terroir” no seu sentido mais íntimo.
  Em poucas palavras, digo que a comida de Dona Laura é o que se pode chamar de comfort food, bem como, sua hospedaria é a síntese do que chamamos de pousada de charme e de recanto romântico. Desfrutar de um final de semana ou alguns dias neste paraíso é uma dádiva para a alma, um descanso para o corpo, alívio para a mente e um presente para o estômago e paladar. Ali, cercado de todo esplendor natural da mata atlântica, aconchegado por todo o carinho, elegância e atenção da anfitriã e de seus funcionários, servido por uma comida honestíssima, autêntica e deliciosa e acompanhado do grande amor, posso dizer que fui agraciado com o que pode haver de melhor na vida. Se você precisa de um motivo para se encher de alegria e deseja passar momentos de contemplação e prazer, que tal dar uma fugidinha até Petrópolis e desfrutar deste pequeno/enorme paraíso? Garanto que valerá muito a pena e terá certeza disso, ao ser gentilmente recebido pelo carinho de Dona Laura e sua equipe/família.
Avaliação:  (*)
•           Atendimento: 11,80 / 15,00
•           Apresentação e Estrutura da casa: 12,85 / 15,00
•           Comida: 37,75 / 40,00
•           Cartas (cardápio e vinhos/bebidas): 12,50 / 20,00
•           Proposta/execução/criatividade: 8,70 / 10,00
Total: 83,60

Legenda: *** (extraordinário)- entre 96 e 100 pontos / **+ (extraordinário) - igual a 95 pontos /
** (excelente) - entre 90 e 94 pontos / *+ (excelente) - igual a 89 pontos / * (muito bom) - entre 84 e 88 pontos.

SERVIÇO: Pousada da Alcobaça - Rua Agostinho Goulão, 298 - Corrêas - Petrópolis/RJ
Telefone: (24) 2221-1240 - Site: www.poudadaalcobaca.com.br
Horário de funcionamento do restaurante: Todos os dias de 12hs às 22hs. Aceita todos os cartões de crédito. Apartamentos de casal com café da manhã incluído, a partir de R$ 385,00 a diária. Contatos: Gourmet à Solta por Felipe Victoria  - felipebrg@hotmail.com

domingo, 17 de março de 2013

GASTRONOMIA EM BH “GOURMET Á SOLTA” por Felipe Victoria – “ALTOS E BAIXOS NO PROMISSOR TRINDADE”


GASTRONOMIA EM BH “GOURMET Á SOLTA” por Felipe Victoria – “ALTOS E BAIXOS NO PROMISSOR TRINDADE” - O Bistrô Trindade vem, desde meados de 2012, passando por diversas mudanças, posso assegurar que estas reformulações fizeram muito bem tanto à proposta do lugar quando à sua ambientação.
O Restaurante, originalmente inaugurado por Fred Trindade e pelo restauranteur Marco Malzone, foi pensado tendo como foco a modernização e revisitação da culinária mineira e, neste propósito obtiveram êxito. Porém, em fins de 2012, Marco saiu da sociedade, assumindo em seu lugar o talentosíssimo Felipe Rameh, que acabara de deixar o restaurante O Dádiva. A mudança, indubitavelmente, deu uma injeção de ânimo e criatividade à casa, além de um reposicionamento de proposta  bastante interessante e oportuno.
            Se antes o foco era a culinária mineira, Rameh quis abrir o leque de abrangência de sua cozinha e implantou tanto no cardápio quanto na filosofia do restaurante o que podemos chamar de uma cozinha luso-caipira. Bem aos moldes do Ítalo-caipira que Jefferson Rueda, com grande competência, trabalha no seu elogiadíssimo Áttimo. Portanto, hoje a casa apresenta um cardápio dividido em 4 partes distintas, a saber: clássicos com filé, tradição brasileira, herança portuguesa e clássicos.

            Incrustado no coração do bairro de Lourdes, o Trindade tem uma ambientação muito agradável, sóbria e elegante. Fica nítida a preocupação que se teve ali em ressaltar algumas dualidades, como por exemplo; rústico/moderno; clássico/contemporâneo e caipira/urbano. Posso dizer que este trabalho de paradoxos foi feito com muito bom gosto e criatividade. Criatividade esta que está presente no interessantíssimo uniforme dos garçons que mescla a calça com barras acima dos tornozelos, mineiramente chamada de “pega frango”, típica de personagens do interior de minas, com a camisa branca, traje clássico na maioria dos restaurantes do mundo.
            Ao se pensar no atendimento do lugar, fica nítido que passam por diversas mudanças/reformulações e que contam com uma brigada de atendimento nova. Portanto, por diversas vezes o serviço se mostrou desastrado, confuso, lento e com traços de super atenção. Longe de ser esnobe ou incompetente, o que se vê ali é que a equipe carece de um maior entrosamento, de mais treino e de uma liderança mais atuante.
            De todas as mudanças por que vem passando o Trindade, certamente a maior diz respeito ao cardápio. Não faltam pratos interessantes e criativos, mesmo que não sejam feitos ainda com perfeição, há ótimas opções em todas as etapas da refeição. Os dadinhos de tapioca com melado e alecrim – provavelmente de influência do Mocotó de Rodrigo Oliveira – são deliciosos, crocantes e de muita personalidade. Extremamente saborosas, sequinhas e equilibradas são as tulipinhas de frango – que se assemelham a um carré de cordeiro - com mel e mostarda, prato este, que Felipe Rameh levou ao Madrid Fusión. Se por um lado as entradas foram irretocáveis, não se pode dizer o mesmo dos pratos principais. O porquinho prensado com legumes orgânicos, mexerica e mostarda estava gostoso e com ponto de cocção perfeito, porém, lhe faltou um acompanhamento de mais personalidade. O mesmo pode ser dito da carne de sereno, servida com mandioca e queijo coalho. Apesar de a carne estar deliciosa, macia e com textura perfeita, lhe faltou algo como companhia, um molho cairia muito bem como elemento agregador entre proteína e carboidrato. Já o arroz de pato decepcionou, mesmo sem estar ruim, era nítido o excesso de canela. O epílogo do jantar se mostrou um tom acima dos principais, porém, ainda abaixo das entradas. O pudim de leite, cremosíssimo, homogêneo, macio e extremamente saboroso, foi o ponto alto dentre as sobremesas, já o bom petit gateau de chocolate com cupuaçu e sorvete, careceu de um pouco mais da acidez proporcionada pela fruta que faria um oportuno e perfeito contraponto com a doçura um pouco excessiva do bolo de chocolate.
            Não posso dizer que a carta de vinhos teve o mesmo êxito que os demais quesitos aqui citados, ao contrário, causou-me enorme decepção. É realmente o grande e maior deslize da casa. Composta por não mais que 15 rótulos, não há opções interessantes e muito menos criativas. Infelizmente não existe na carta um trabalho de adequação/harmonização de rótulos com os pratos oferecidos. O predomínio de sulamericanos, leia-se, Argentina e Chile, deixa claro que a montagem e seleção das opções é extremamente ineficiente. Diante de tanta influência da culinária lusa, não seria interessante, ou até mesmo obrigatória, a oferta de alguns ótimos portugueses? Bairradas seriam sensacionais com alguns pratos! Bons nacionais, também não vi. Talvez por encontrarem muitos entraves na logística do produto, ou até mesmo por preconceito, tanto de clientes quanto de sommeliers, os restaurantes brasileiros passam longe de privilegiarem a produção nacional e seus excelentes espumantes.
            Em linhas gerais, a impressão que fica, é que o ingresso de Felipe Rameh na sociedade e na equipe fizeram muito bem ao Trindade. Mesmo apresentando alguns deslizes, não se pode esquecer que se trata de um estabelecimento ainda em montagem e maturação. De qualquer forma, é evidente e cristalino que a dupla que comanda a casa não está acomodada e que trabalharão duro para resolver problemas pontuais. Vê-se ali muita criatividade, motivação e, acima de tudo, vontade de fazer algo genuíno e autêntico. Por isso não tenho dúvidas de que apesar de hoje não ser um dos melhores restaurantes da capital, o Trindade em breve o será.
AVALIAÇÃO:
•           Atendimento: 10,40 / 15,00
•           Apresentação e Estrutura da casa: 12,50 / 15,00
•           Comida: 36,90 / 40,00
•           Cartas (cardápio e vinhos/bebidas): 12,80 / 20,00
•           Proposta/execução/criatividade: 7,80 / 10,00
Total: 80,40
LEGENDA:
*** (extraordinário)- entre 96 e 100 pontos;
**+ (extraordinário) - igual a 95 pontos;
** (excelente) - entre 90 e 94 pontos;
*+ (excelente) - igual a 89 pontos;
* (muito bom) - entre 84 e 88 pontos;

SERVIÇO: Trindade Bar e Restaurante
Rua Alvarenga Peixoto, 388 – Lourdes / Telefone: (31) 2512-4479
Horário de funcionamento: Sexta, Sábado e Domingo - 12hs às 17hs; Terça a Sábado - 18hs à 01h. Aceita todos os cartões de crédito.
Contatos: Gourmet à Solta por Felipe Victoria  - felipebrg@hotmail.com

“PUTAIN” por Mariana Franchini – DICAS DE GASTRONOMIA EM PARIS: PARIS X NEW YORK - LE CAMION QUI FUME

“PUTAIN” por Mariana Franchini – DICAS DE GASTRONOMIA EM PARIS: PARIS X NEW YORK - Paris é uma cidade surpreendente. Mesmo sendo uma capital da alta gastronomia, os parisienses morrem de amores pelo hamburger. Sim, hamburger, o sanduíche mais significativo da culinária americana. Agora vou apresentar para vocês a última sugestão dos três lugares parisienses para degustar essa delícia americana.




E, por último, mas não menos parisiense-newyorkais, o caminhão mais querido da cidade: Le Camion qui fume (http://www.lecamionquifume.com). A chef americana Kristin Frederick é a pioneira do food truck francês e, mesmo se hoje em dia a cidade conta com diversos caminhões no mesmo estilo, o Le Camion qui fume não perde a sua clientela. O hamburger custa 8€ e a formule 10€. Para você ter uma idéia do sucesso que esse hamburger faz aqui em Paris: normalmente é preciso esperar duas horas na fila (mesmo durante o inverno) para saborear esse sanduíche.  Para saber onde encontrar o caminhão, é só seguir o seu itinerário no site. Aconselho você ir nos dias em que ele se encontra no Point Ephémère (200, Quai de Valmy), assim além do hamburger, você pode aproveitar para tomar uma cerveja num dos bares mais badalados do Canal Saint Martin. E, se você quiser fazer o seu próprio hamburger maison, aprenda com Chef Frederick que lançou um livro com as receitas de seu restaurante itinerante.

“PUTAIN” por Mariana Franchini – DICAS DE GASTRONOMIA EM PARIS: PARIS X NEW YORK - BIG FERNAND

“PUTAIN” por Mariana Franchini – DICAS DE GASTRONOMIA EM PARIS: PARIS X NEW YORK - Paris é uma cidade surpreendente. Mesmo sendo uma capital da alta gastronomia, os parisienses morrem de amores pelo hamburger. Sim, hamburger, o sanduíche mais significativo da culinária americana. Agora vou apresentar para vocês o segundo lugar parisiense para degustar essa delícia americana.



O Big Fernand (http://www.bigfernand.com.fr ) é um restaurante super badalado nesse momento. O menu é simples mas surpreendente. Esqueça o hamburger picanha-cheddar-tomate-alface: você vai poder escolher não só carne de frango ou de boi, mas também carneiro ou veado. Os queijos são uma emoção a parte: Saint Nectaire, Tomme ou Raclette de Savoie ou um bom Bleu d'Auvergne. Se não estiver muito inspirado para criar seu próprio sanduíche, você pode escolher uma das receitas do menu. 
O meu preferido é o Le Bartholomé, carne de boi, queijo tipo Raclette, cebolas em confiture e bacon. Um ponto fraco: como o restaurante vive lotado, é difícil conseguir uma mesa. E, infelizmente, esse é um desses lugares em Paris em que comer rápido é quase obrigatório. O Big Fernand fica no 55, rue du Faubourg Poissonnière (Metrô Poissonnière ou Cadet).




PUTAIN por Mariana Franchini - DICAS DE GASTRONOMIA EM PARIS: PARIS X NEW YORK - SCHWARTZ´S DELI




“PUTAIN” por Mariana Franchini – DICAS DE GASTRONOMIA EM PARIS: PARIS X NEW YORK - Paris é uma cidade surpreendente. Mesmo sendo uma capital da alta gastronomia, os parisienses morrem de amores pelo hamburger. Sim, hamburger, o sanduíche mais significativo da culinária americana. Essa semana, vou apresentar para vocês três lugares parisienses para degustar essa delícia americana.




O Schwartz's Deli (http://www.schwartzsdeli.fr/index/accueil ) é um dos restaurantes que mora no meu coração. Impossível não amar os sanduíches Kosher Style, afinal, esse é um restaurante judeu. Experimente o Yankee Burger se quiser descobrir o "bacon de peru" ou o Rossini Burger pelo fois gras. O menu oferece ainda um maravilhoso sanduíche de pastrami e o Côte de boeuf. Uma dica: só vá a esse restaurante se estiver com fome de verdade, pois as porções são imensas. Duas boas surpresas: a casa serve a cerveja Duff, preferida do personagem Homer Simpson; e o vinho de Francis Ford Coppola.
Meus endereços preferidos: 16, rue des Ecouffes (Metrô Saint Paul), primeiro restaurante aberto em Paris que conta com uma pequena e simpática delicatessen; ou 22, avenue Niel (Metrô Ternes), o mais novo endereço  que propõe um terraço bem simpático.

domingo, 10 de março de 2013

“PUTAIN” por Mariana Franchini – DICAS DE GASTRONOMIA EM PARIS: C´EST LA FASHION WEEK


“PUTAIN” por Mariana Franchini – DICAS DE GASTRONOMIA EM PARIS: C´EST LA FASHION WEEK - Quero com essa coluna poder indicar para vocês lugares um pouco inusitados. Bares, restaurantes e lojas que não vão estar nos guias turísticos e que fazem parte do dia a dia dos parisienses.
Como essa semana termina a Fashion Week de Paris não podia deixar de falar de um bar bem conhecido do pessoal da moda. O La Perle já era um lugar bem badalado quando cheguei à Paris em 2009. Mas foi em fevereiro de 2011 que ele se tornou internacionalmente conhecido pois foi o palco de uma briga entre o estilista John Galliano e freqüentadores do bar.
Desde então, esse pequeno bar tornou-se imperdível. Ainda mais nos dias agitados da Fashion Week. Não espere um bar como os do Brasil. Entre cervejas tipo chope (3,50€ / 250ml) e uma carta de vinhos razoável (3,90€ / uma taça de vinho), você poderá degustar tábuas de frios e vinhos (infelizmente os franceses não conhecem a maravilhosa mandioquinha frita com linguiça).
O objetivo é beber um pouquinho, ver e ser visto. No horário de almoço, existe um menu especial, mas que não funciona no jantar. E domingo, um bem conhecido brunch. Durante as semanas de moda e o verão, esse é o terasse mais concorrido do Marais.
SERVIÇO: La Perle - 78 rue Vieille du Temple 75003 – Marais Nord - Aberto de 7:00 as 2:00 - Telefone: 01 42 72 69 93. Aberto todos os dias de 9h às 2h (a cozinha funciona de meio dia à 1h15 da manhã). Metro: Saint Paul Hotel de Ville.

CATENA ZAPATA MALBEC ARGENTINO 2005 – MENDOZA / ARGENTINA


CATENA ZAPATA MALBEC ARGENTINO 2005 – MENDOZA / ARGENTINA -
Que Mendonza é a mais importante região vinícola da Argentina é mais do que sabido, assim como também todas as suas características de solo, clima e  principais variedades produzidas que formam o excelente terroir da área. Só que nada disso adiantaria se grandes empreendedores de décadas atrás, não tivessem apostado em seus sonhos de construir suas bodegas e produzir os grande vinhos que de alguma forma contribuíram para a afirmação da região como um dos principais pólos vinícolas do mundo, e não só da América do Sul.
            Existem alguns produtores conceituados que fazem parte desta história, mas um deles merece atenção especial no texto de hoje, caso da Bodega Catena Zapata. Os vinhos Catena são altamente difundidos ao redor do globo, tanto pela sua qualidade como também pelas figuras importantes da família, na sua maioria enólogos de grande sucesso, dentre eles o eleito a dois anos atrás como personalidade do ano no mundo do vinho pela conceituada revista britânica “Decanter”, Nicolás Catena. Aqui no Brasil a marca também é muito forte e conquista um público cada vez maior.
            A história dos Catena na produção de vinhos remonta ao século passado, mais precisamente em 1902, portanto mais de 100 anos atrás, ano em que Nicola Catena plantou a primeira vinha de Malbec em Mendonza, após quase quinze anos da travessia dele da Itália para a Argentina. Até então a Malbec só era plantada e conhecida na França, principalmente nos vinhos bordaleses. A bodega começou a ganhar fama e prestígio muitos anos depois, com a  tomada das rédeas da operação da bodega pelo filho Nicolás Catena, formado em economia e com uma paixão muito grande pelos vinhedos da família. Por volta dos anos 70 o foco dos negócios era o mercado interno, se estabilizar e criar uma marca na Argentina, para aí sim expandir a atuação para novos territórios.
            Porém esse foi um período difícil para todos na Argentina, visto que o país se encontrava em um momento de recuperação da forte crise que enfrentará nos anos 60 e que deixava uma atmosfera de apreensão na economia, que durou até o começo dos anos 80. Nesse período Nicolás foi passar um tempo na Califórnia, ministrando aulas em cursos de economia, e durante os finais de semana, junto com sua mulher e filha pequena, passava o dia na região do Napa Valley, o que foi pra ele uma grande fonte de inspiração para tocar os negócios da família assim que voltasse para Mendonza.
           
À partir de então os Catena se tornaram pioneiros no estudo do solo argentino, e das uvas que poderiam render melhores frutos e conseqüentemente vinhos de qualidade superior. Para se ter uma idéia, poucos entendiam o porque deles cultivarem vinhas em altitudes maiores e o porque de usarem alguns solos nas encostas dos Andes para vinhedos, já que os mesmos haviam sido condenados como inférteis pelos primeiros imigrantes locais. Também desenvolveram seus próprios clones de videiras, visto que os Malbec de Cahors, na França, importados por eles, não resultaram em bons vinhos, o que os forçou ao desenvolvimento. Clones esses que acabaram por dar resultado alguns anos depois, em diferentes parcelas de vinhedos e que expressavam muito bem as nuances do terroir mendocino.
            A vinícola possui seis fazendas, com vinhas plantadas no sopé da montanha, o que leva a maior concentração de ambos os sabores e aromas, contribuindo para o desenvolvimento do vinho da Argentina. A busca por criar vinhos “redondos”, harmoniosos, equilibrados, com equilíbrio e fácil harmonia à mesa, deu ensejo a criação de várias linhas de produtos que tem marcas como Catena Zapata, Saint Felicien, Catena Alta, Alamos, Angelica Zapata, entre outras.

Descrição Rápida: Fantástica criação de Catena Zapata - ao ser lançado na safra 2004, o Malbec Argentino foi logo apontado como o melhor vinho do país por Robert Parker. As safras posteriores repetiram a incrível performance com notas extraordinárias. O Malbec Argentino 2007 alcançou nada menos que 97 pontos do crítico norte-americano, que o descreveu como " uma dimensão extra de complexidade". Para a Wine Spectator é um tinto sofisticado e muito expressivo e "com uma densidade de fruta impressionante". Trata-se do máximo em qualidade que a uva Malbec pode alcançar, com incrível finesse, capaz de envelhecer por mais de 40 anos. Uma grande raridade. Malbec (100%) proveniente dos vinhedos Adriana e Nicasia de altitude elevada. Colheita manual. Rendimentos muito limitados. Vinificação tradicional com maceração longa e separada dos diferentes lotes. Fermentação malolática completa. O vinho maturou 18 meses em barrica de carvalho francês. Teor Alcoólico: 14,5%. Sugestão de Guarda: Mais de 10 anos. (9 Votos como melhor na Noite de Degustação – 96/100 Nota Mediana)

PONTUAÇÕES E RECONHECIMENTOS DA CRÍTICA ESPECIALIZADA:
Robert Parker: 97 pontos (safra 07)
Wine Spectator: 94 pontos (safra 07)
Wine Spectator: 93 pontos (06)
Wine Enthusiast: 96 pontos "Malbec do Ano" (05)
Robert Parker: 97+ pontos (05)
Wine Spectator: 95 pontos (05)
Robert Parker: 98+ pontos (04)

Harmonizações sugeridas: Carnes grelhadas e carnes de caça.

ONDE: MISTRAL