CHATEAU REIGNAC 2004
As degustações às cegas sempre surpreendem. O Reignac vem mostrando, ao longo de provas, que tem qualidade e consistência para ser tão bom quanto os caríssimos Bordeaux de "primeira linha". Quando tomamos um vinho conhecendo sua história, a maneira como foi produzido, idade das vinhas, etc. somos influenciados, e isso torna o vinho, muitas vezes, melhor do que ele é. Às cegas, apenas o conhecimento e o gosto influenciam no resultado.
A degustação de vinhos de Bordeaux confirma que, muitas vezes quem vai gastar fortunas em um rótulo famoso, paga 80% em status e exibicionismo.
O Chateau Reignac está localizado em uma colina na confluência de ''Entre Deux Mers”, que apresenta uma característica rara, reunindo os melhores solos da margem direita (argila calcária) e esquerda (argiloso cascalho) na mesma propriedade. Ele está localizado na zona oeste do ''Entre-Deux-Mers” ao sul da cidade de Saint-Loubès, num terreno variando entre 43 m e 22 metros acima do nível do Rio. Em 2000 o vinho recebe 92 pontos numa avaliação de Robert Parker e começa a ganhar notoriedade.
Em 13 dezembro de 2011 um Grande Júri Europeu para vinhos avaliou numa degustação às cegas os vinhos Balthus do Chateau Reignac entre outros três Grand Crus, e outros vinhos de grande fama e qualidade internacionalmente reconhecidos: Cheval Blanc, Lafite -Rothschild e Petrus.
Esta prova de certa forma repetia uma prova às cegas realizada em 2009, na qual o Chateau Reignac foi provado às cegas entre outros grandes vinhos de Bordeaux, na safra de 2001, numa comparação entre vinhos de “Grands Artisans” e “Grands Chateaux”. O resultado foi: 1º - Chateau Ângelus (152,13 euros). 2º- Chateau Reignac (14 euros). 3º- Chateau Lafite Rothschild (209,18 euros). 4º- Chateau Latour (418,36 euros). 5º- Chateau Ausone (747,98 euros). 6º- Chateau Mouton Rothschild (209,18 euros). 7º- La Mission de Haut-Brion (117,93 euros). 8º- Chateau Petrus (1521,31 euros). 9º- Chateau Haut- Brion (253,55 euros). 10º- Chateau Margaux (275,57 euros). 11º - Cheval Blanc (316,47 euros). O importante é que na época o Chateau Reignac custava 14 euros na prateleira e bateu vinhos que custavam muito mais que ele. A degustação foi acompanhada por um oficial de justiça desde a compra dos vinhos, a organização em si da prova, o evento e a apuração das notas de cada provador.
O resultado da prova foi criticado por muitos enófilos e jornalistas, por conta de negar a noção de classificação dos grandes vinhos degustados. Para muitos deles, mesmo quando se leva em conta a noção de prazer, a "drinkability" dos vinhos, o equilíbrio e complexidade dos vinhos provados, a fama dos grandes rótulos tem seu peso em história e tradição.
Afinal, os vinhos provados foram produzidos em regiões vizinhas, com mesmas uvas, embora em proporções diferentes. A noção de terroir faz muito sentido para os franceses e neste aspecto, aporta complexidade. O resultado da prova mostrou que, contando com solos adequados, trabalhando com foco em qualidade, adaptando a forma de trabalhar, pode-se alcançar a excelência de um Petrus ou um Cheval Blanc.
Corte: O vinho é um corte de 75% Merlot e 25% Cabernet Sauvignon. Sua produção é supervisionada pelo enólogo Michael Rolland. A produção é limitada pela colheita verde (tira-se fora muita uva para limitar o rendimento e seleciona-se somente as melhores). A colheita é manual. Fermentação em pequenos tanques de inox, a criação se faz em barricas novas de carvalho francês durante dezenove meses.
Notas de degustação: Degustado às cegas durante uma avaliação de vinhos de Bordeaux. Cor rubi viva, violácea e escura, sem nenhum halo de evolução, mostrando-se límpido e brilhante. Aroma com nota de fruta vermelha e escura madura (sem excesso), lembrando a framboesa e ameixa. Depois aparecem notas de especiarias como baunilha, pimenta-do-reino, cravo, canela, notas florais e de chocolate e defumado. O paladar repete de forma maravilhosa o perfil aromático, com uma bela acidez fresca, e bela textura com taninos macios. Muito equilibrado, harmonioso, um vinho de boa concentração, corpo médio, rico. O meio de boca é extremamente macio e elegante com notas minerais, fresco e muito longo. É um vinho que realmente surpreende pela textura, elegância. O fim de boca, além de persistente, confirma elegância e harmonia.
Harmonização: Carnes vermelhas de todos os tipos, pato, caças em geral, massas com molhos intensos.
Reconhecimentos de críticos – 90 Pontos em 40 avaliações.
Obteve Nota Mediana de 94/100 pontos na avaliação dos participantes do Curso Avançado de Bordeaux na SBAV-MG. Obteve 10 votos como Melhor da Noite.
Onde Degustei: DEGUSTAÇÃO DE VINHOS DE BORDEAUX CONFRARIA DE AMIGOS DO VINHO.
Importador: CASTEL STUDIO
Origem: ADEGA DO MÁRCIO








