DICAS PARA PARTICIPAR DA DECANTER WINE SHOW - IMPRIMA E LEVE EM MAÕS
● 29.JUN.2012 – 6ª-Feira – DECANTER WINE SHOW - DECANTER WINE SHOW REÚNE 70 PRODUTORES DE VINHOS DO VELHO MUNDO EM QUATRO CAPITAIS BRASILEIRAS - Com 70 produtores de vinhos de onze países e cerca de 400 rótulos acontece no dia 29 de Junho, o Decanter Wine Show – Seleção Europa -2012. A feira itinerante, que já teve três edições de sucesso, em 2006, 2008 e 2010, passará por quatro capitais brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. E este ano, apresenta uma novidade: devido ao enorme sucesso das edições passadas, o número de expositores cresceu tanto, que o evento foi dividido em eventos anuais - Decanter Wine Show Europa e Decanter Wine Show Novo Mundo.
O que é imperdível de provar, na minha opinião:
FRANÇA:
Antonin Guyon (Borgonha) - Em 1960 Antonin Guyon iniciou investimentos na região da Borgonha, adquirindo propriedades que permitiram a composição de um excelente portfólio de vinhos da região. O Domaine ocupa 48 hectares de vinhedos, tanto em Cote de Beaune, quanto na Cote de Nuits. A qualidade consistente de seus vinhos em safras subseqüentes é espantosa. O seu Pinot Noir básico é um assemblage de quatro diferentes regiões da Borgonha (Pernand – Vergelesses, Beaune, Savigny-lès-Beaune e Aloxe-Corton) que apresenta coloração rubi com reflexos granada, notas de frutos do bosque (framboesa, morango silvestre, groselhas) sobre toques abaunilhados. Estrutura leve e vivaz, com refinamento e tipicidade. Dá uma idéia dôo que o produtor poderá realizar nos seus vinhos mais complexos.
Seu Volnay 1er Cru Clos de Chenes é um exemplo disto: apresenta coloração rubi intenso e límpido, com olfato rico e bem delineado, com notas de frutas vermelhas, especiarias, violeta e forte acento mineral. Grande maciez em boca, elegante e com acidez bem integrada a taninos de grande classe. Sua novidade é o “Petit Corton-Charlemagne” – um Pernand-Vergeless 1er Cru Sous Frétille 2009. Seu Top é o Corton Cru Clos du Roy 2002 que ganhou 94 pontos da Wine Enthusiast e 92WS.
De Sousa et Fils (Champagne) – Na Maison De Sousa a vinha, que é anterior a 1890, tem raízes primárias que, ao fim de dezenas de anos, descem a 25 a 30 metros de profundidade para extrair todos os sais minerais e oligoelementos do subsolo, do calcário e do giz que se encontra por boa parte da região de Champagne. Quando o enraizamento é profundo, o gosto do solo é mais forte do que o da casta. Quanto mais profunda for a raiz, mais ela estará longe dos adubos, mais ela extrairá os elementos nutritivos do solo, o que é excelente garantia da qualidade das uvas. Os vinhedos assumem atualmente 11 hectares, cultivados biodinamicamente. Produção: 70/75 000 garrafas em DE SOUSA et fils e 30.000 em Zoémie DE SOUSA. Superfície de vinhedos: 11 Ha, repartidas em 42 parcelas. Castas: Pinot Noir 30% - Pinot Meunier 10% - Chardonnay 60%. Vinhas antigas: 70%. Idade média: 45 anos. Porta-enxerto : 41 B. Densidade de plantio: 8 000 pés/Ha. Replantados apenas quando necessário para substituir uma antiga. A de Sousa produz rótulos a partir de uvas cultivadas de forma biodinâmica.
Há três gerações que a casa De Sousa et Fils produz excelentes champagnes. Seu Brut Tradition é muito bom, e o Brut Réserve é um passo acima. Minha sugestão é começar a degustação por estes vinhos. As cuvées Caudalies rosé, e os grands crus millésimés são vinhos difíceis de encontrar por causa da procura. Se estiverem à disposição, não deixe de provar.
Château de Tracy (Pouily Fumé) - Somente pelo aspecto histórico esta propriedade já encantaria, uma vez que seu vinhedo existe desde 1396 e o Chateau pertence a mesma família desde o séc. XVI. Além disso, Tracy é um dos melhores produtores de todo o Loire, e certamente um dos nomes mais fortes de Pouilly-Fumé. O conde Henry d'Assay cuida pessoalmente de todos os detalhes para obter a melhor harmonia em seus vinhos, denominação conhecida por elaborar os Sauvignon Blanc mais elegantes do mundo. Seu Pouilly-Fumé apresenta coloração amarelo palha com tons verdosos, com olfato dominado pelo toque cítrico e flor de acácia, pela fruta exótica e pelo mineral esfumaçado. Elegante ataque gustativo, marcado pela notável densidade frutada ante o arrojado frescor. Longo final.
Domaine de L’Oustal Blanc (Minervois) – Domaine L'Oustal Blanc é uma das boas surpresas que tem surgido no sul da França nos últimos anos. Em especial, o Languedoc-Roussilon, sempre produziu mais quantidade do que qualidade, porém, como ali as regras são menos restritivas do que em outras regiões, como Bordeaux e Bourgogne, além dos preços das terras serem mais baixos, há uma série de produtores visionários se instalando por lá. O Domaine L'Oustal Blanc, fica na região de Minervois La Livinière, que era até recentemente uma sub-região da AOC Minervois, e recebeu sua própria AOC devido a qualidade diferenciada de seus vinhos. O casal Claude e Isabel produz ali desde 2002, numa área total de menos de 10 ha de solo de marga calcária, e conta, desde 2006, com a assessoria do respeitado enólogo Philippe Cambie. Vale citar a exclusividade deste vinhos, produzidos em pequenas quantidades (24.000 garrafas/ano), exportados a conta-gotas, o que só aumenta o privilégio de prová-los no Decanter Wine Show: Uma dica – não deixe de provar os seus “Vin de Table”, entre eles o: Naïck Blanc 8 Vin de Table - A casta utilizada aqui é a rara Grenache Gris, obtida em vinhedos plantados em 1948. Como a casta não é permitida pelas regras da AOC, o vinhos é engarrafado como Vin de Table, não sendo, portanto, permitida a menção clara da safra, mas trata-se, no entanto, de um 2008 mineral, com notas marcadas de frutas amarelas maduras, espresso e especiarias, como canela. Quente, fresco e macio, com uma agradável sapidez e longa persistência. Muito equilibrado, não demonstrando seus 15° de álcool. Outro a ser provado é o Giocoso 2005 - Corte de Grenache (65%), Syrah (20%) e Carignan (15%). Aromas intensos de framboesa, jabuticaba, ervas, tomilho, alcaçuz e couro. Na boca, geléia, sapidez bem marcada, boa acidez e taninos de boa qualidade. Longo. E o Prima Donna la Liviniére 2007 - 50% de Grenache de videiras centenárias, complementados por 40% de Syrah e 10 % de Carignan, que resultam em um vinho intensamente frutado, mineral, com notas especiadas e animais. Na boca, fruta madura, couro, bela acidez e harmonia, além de taninos que deverão garantir ainda muitos anos a este vinho.
Montirius (Vacqueyras) - Primeiro produtor biodinâmico certificado em 1999, nas apelações de Vacqueyras e Gigondas. Seu Vacqueyras “Lês Clos” é excelente – um vinho de rubi intenso. Maduro no olfato, com cereja e groselha vermelha, alcaçuz, chão de bosque e buquê de ervas finas. Rico ataque gustativo, com taninos impactantes e integrado frescor. Longo final de ligeira austeridade. JANCIS ROBINSON deu-lhe 17 em 20 pontos e escreveu que “There are SO many Châteauneufs that are less interesting than this…”. 90RP e 91WS. Seu Gigondas “Terre des Aines” nasce de três pequenas parcelas das quais a maior delas remonta a 1925. Na safra 2006 recebeu 90WS e 17JR.
Domaine Paul Planck (Alsacia) – É difícil falar de uma vinícola cuja origem remonta a 1610. Um verdadeiro patrimônio da Alsácia. Seu Riesling Grand Cru Schlossberg 2006 tem bela coloração palha intensa e cristalina. O olfato apresenta rica impressão de cítricos, lichia e mineral (querosene). O ataque gustativo é denso, com frescor vigoroso a equilibrar o conjunto. Notável persistência desse vinho de guarda. Imperdível. Para meditar como a Mostra é sensacional, deguste o Gewurztraminer Grand Cru Furstentum V.T.1997.
ITÁLIA:
Gulfi (Sicilia) - produtor orgânico do ano pelo guia D’Agata & Comparini. Este é um dos melhores produtores da Itália e, certamente, o melhor produtor do Nero d'Avola. Matteo Gulfi, e seu pai, são obcecadas em encontrar o melhor desta uva, através de uma profunda atenção em relação onde e como é cultivada. Isto resulta num estilo maravilhosamente puro e transparente, ao mesmo tempo quente e reconfortante, além de ser fresco e vibrante. Não deixe de provar o Gulfi Rossojbleo 2010 Gulfi Rossojbleo 2010 Um vinho sensacional. Um padrão para o vinho de qualidade! Não é o mais barato, mas vale cada centavo! Joanna Simon em seu livro sobre “Vinhos e Alimentos” diz: "Sim, parece que um erro de ortografia, mas não é. É da Sicília e é feito a partir de uvas Nero d'Avola (que não são chamados de preto para nada). Que lhe dá um gostoso e confortável cheiro de cerejas cozidas, chocolate e castanhas assadas. É maduro, suave e picante com apetitosos taninos - e uma inesperada frescura ". Não há muito mais um vinho possa dar!
Elena Walch (Trentino) - a produtora do ano pelo guia Duemilavini da AIS, (Elena e Werner Walch, proprietários). Elena Walch faz vinhos no Alto Adige, Itália, de grande personalidade, elegância e finesse. Expressão da uva e do terroir. O reputado vilarejo de Tramin, foi o palco da transformação de Elena Walch, de arquiteta à produtora de vinhos, após se casar em 1985 com um membro de uma das mais reputadas famílias da região donos de duas propriedades, o Castelo Ringberg sobre o lago Kalteren, e Kastelaz, uma encosta acima da vila. Para quem nunca provou a casta Lagrein, o DWS reserva o Elena Walch Lagrein Riserva Castel Rongberg Alto Adige, um varietal da uva Lagrein que apresenta-se com cor vermelha púrpura. Aromas de grande caráter, com nota firme de ameixa, violeta, alcaçuz, zimbro, cravo e toques minerais de grafite. Na boca se mostra vigoroso e especiado, taninos finos e excelente acidez. Bom começo de prova dos vinhos desta produtora. Minha sugestão será provar o Elena Walch Kermesse MMVI, corte tinto (20% Syrah, 20% Petit Verdot, 20% Cabernet Sauvignon, 20% Merlot e 20% Lagrein) tem uma cor vermelha púrpura profunda. Com aromas complexos, notas de frutas silvestres, ervas e especiarias, além de violeta, café, alcatrão e alcaçuz. Taninos finamente esculpidos sustentam uma fruta poderosa, com enorme vibração e sapidez.
Franz Haas (Trentino) - Franz Haas é uma vinícola estabelecida em 1880 e sempre com espírito inovador e dinâmico, faz vinhos exclusivos e em pequenas quantidades, na minha opinião o grande especialista italiano em Pinot Noir. Minha dica é o Franz Haas Kris Provincia de Pavia Pinot Nero 2010. Quem está acostumado com Pinots carregados de madeira intensa, como os vinhos do novo mundo, vai se maravilhar com a fruta aqui presente, framboesas, morangos e cerejas reinam absolutas. Uma madeira bem leve, bem dosada, traz uma nota de tabaco, criando um nariz agradável e delicioso. Na boca, o vinho tem a boa acidez da Pinot Noir, taninos leves e macios, apesar de presentes, num vinho bem equilibrado. Corpo leve e um final longo. Belo vinho, bela descoberta e tem um custo surpreendente! Seu Top é o Pinot Nero Cru Eticheta Schweizer Alto Adige, um vinho de cor rubi pouco intenso (próprio da Pinot). O olfato é amplo e muito complexo, com notas de frutas vermelhas maduras, emolduradas por finos toques de alcaçuz, defumados, caça e especiarias. Ótima estrutura em boca, com incrível definição de frutas. Interminável persistência no retro-gosto.
ESPANHA:
José Pariente (Rueda) - Victoria Pariente decidiu resgatar a tradição de mais de 40 anos de cultivo da uva Verdejo en Rueda, e homenageou seu pai criando vinhos com esta casta. Desde os anos 70, alguns dos melhores brancos da Península Ibérica saem destes solos totalmente cobertos por cascalhos aluviais, com base calcária, de vinhas velhas de Verdejo. José Pariente deixou seu legado de 40 anos de Rueda para a filha, a brilhante enóloga Victoria Pariente, hoje o maior nome na denominação. São brancos de caráter fresco, com notas de maracujá, carambola, maçã, notas de aniz e minerais. Um branco vibrante, intenso e cristalino. E mesmo fermentado em barrica, mostra a versatilidade da uva Verdejo. Não deixe de provar o Varietal Verdejo 2009, um branco de coloração amarelo palha intenso e cintilante. Exibe no nariz, um excitante perfume de frutas tropicais e cítricas emolduradas por notas de especiarias doces. Macio, com excelente frescor a suportar a maturidade da fruta. Prove no início da Mostra. O Fermentado en Barrica 2008 tem tudo isto e mais um gostoso toque e madeira bem integrada ao vinho.
Celler de L’Encastel (Priorat) - As vinhas em Priorat estão em altitudes entre 100 e 700 metros em terraços. O solo nas colinas consistem principalmente de xisto e no vale do rio do Siurana (afluente do Ebro) de barro com depósitos aluviais. Naturalmente, existem diferentes tipos de vinhos a partir desses diferentes solos. O solo típico do Priorat é conhecido como “llicorella” (xito óxido ferroso degradado), alternando camadas de quartzo e ardósia, vistos ao sol como um olhar de tigre preto e dourado. Além disso, há pouca chuva, 600mm, e o sol brilha 2.600 horas por ano. Priorat era praticamente desconhecido como uma região vinícola. Em 1990, não era sequer mencionado na publicação do governo catalão ao longo dos 1000 anos de história do vinho da Catalunha. No final dos anos noventa os vinhos do Priorat foram impulsionados por vários homens, entre eles - René Barbier, que em 1989 criou o Clos Mogador. Os vinhos eram todos Clos e alguns vêm a ser chamado para distingui-los dos vinhos tradicionais da região. Este vinho ganhou um prêmio depois de outro em provas nacionais e internacionais e chamou a atenção para o Priorat, por parte de Alvaro Palacios, Costers del Siurana e Mas Martinet. Hoje eles são todos produtores independentes na região.
Na dramática paisagem de Porrera, em colinas íngremes de llicorella (xisto óxido ferroso degradado) com exposição norte, videiras centenárias lutam pela sobrevivência e amadurecem poucos cachos repletos de informações do estupendo terroir do Priorat DOQ. Em 1999, Carme Figuerola e Raimon Castellví decidem contruir no vilarejo de Porrera uma pequena bodega para transformar as uvas das velhas vinhas da família em tintos espetaculares e naturais, sem super-extração ou super-amadurecimento, "outstanding" segundo o respeitado especialista inglês John Radford.
Prove o Celler de L´Encastel Marge 2008/2009 - Marge é o nome que se dá no Priorato aos muros de pedra que cercam os vinhedos. É o vinho de entrada de Carme Figuerola e Raimon Castellvi, resultado do corte de uvas Garnacha, Syrah, Merlot e Cabernet Sauvignon com muita personalidade e aromas bem distintos, difíceis de descrever, que me parecem notas químicas, minerais, florais e toques de alcatrão. Boa estrutura e uma boca saborosa. Final longo, denso e prazeroso. Tem 90RP.
PORTUGAL:
Domingos Alves de Souza (Douro) - Domingos Alves de Souza é o maior expoente dos vinhos elegantes de Portugal. Nenhum outro vinicultor do país, além dele já foi eleito o Melhor Produtor do Ano pela Revista de Vinhos por mais de uma vez. A pureza do terroir do Baixo Corgo que emana dos seus vinhos é magnífica. Durante muito tempo foi fornecedor das conhecidas e prestigiadas companhias Casa Ferreirinha e Sociedade dos Vinhos Borges. Mas os problemas que afetaram o setor nos finais da década de 80, que tiveram como consequência um aumento exagerado dos custos de produção, e em especial a catastrófica colheita de 1988, levaram-no a questionar a rentabilidade das suas explorações. E foi esse questionar, o ponto de virada, passando a produzir seus próprios vinhos. Efetuadas algumas experiências com diversas castas, selecionou as que se revelaram mais aptas a produzir os melhores vinhos de Denominação de Origem Douro, e com elas produziu e lançou no mercado, em meados de 1992, aquele que seria o seu primeiro vinho: o Quinta do Vale da Raposa branco 1991, que desde logo cativou os apreciadores e mereceu as melhores referências. O portfólio é longo e bem cuidado. Seu vinho “imperdível” é o Abandonado 2007 - elaborado com as videiras mais velhas da Quinta da Gaivosa, algumas “abandonadas” pela irrisória produção. As vinhas que o originam tem mais de 80 anos de idade. Repousa por doze meses em barricas de carvalho francês e mais doze meses na garrafa antes de ser comercializado, tendo sua produção limitada a sete mil garrafas. Um vinho de cor rubi escuro. Nos aromas são evidentes as frutas vermelhas maduras e a nota de carvalho muito bem integrada. Na boca mostra bom corpo e taninos de qualidade. Macio e com final persistente Os sublimes Portos da Quinta da Gaivosa marcam uma volta às origens, um celebrado recomeço da tradição da família Alves de Sousa como elaboradores destes vinhos generosos e fornecedores de uvas para importantes casas do setor.
Anselmo Mendes (Vinho Verde) – Fiel às suas origens, o reputado enólogo Anselmo Mendes dedica-se a produzir requintadas variações de Alvarinho, uma casta excepcional e típica da região onde nasceu. Filho e neto de agricultores e produtores de vinho, Anselmo Mendes quis prosseguir na tradição familiar e optou por uma licenciatura em Engenharia Agro-Industrial (Instituto Superior Técnico), à qual se seguiu uma pós-graduação em Enologia (Universidade Católica), bem como uma série cursos de formação profissional na Universidade de Bordeaux. Há pouco tempo, apresentou a sua última declinação da casta Alvarinho, três mil garrafas de um vinho feito “à moda antiga” e ao qual resolveu chamar, simplesmente, Anselmo Mendes. “Eu tinha memória daqueles perfumes da minha infância que nunca encontrei nos vinhos que faço. Então, resolvi fazer um branco com a chamada “curtimenta”, ou seja, como se fazia antigamente, quando se deixava arrancar a fermentação com a película da uva, tal como nos tintos, para ganhar cor e acentuar os taninos.” Não deixe de provar: Alvarinho Muros Antigos 2010 – No nariz mostra frescor e elegância, lembrando pêra um toque de petróleo (comum na Alvarinho da região). Bastante aroma de pedra e mineral. Na boca é cheio, grande, carnoso, longo, com excelente acidez, com um toque picante de pimenta verde. Outro a ser provado é o Parcela Única 2009: de um pequeno vinhedo de menos de 1 hectare, vem um pouco o conceito de “cru” da Bourgogne, de onde tira apenas 2.800 garrafas, em média.. Deixa o vinho por aproximadamente 9 meses em contato com as leveduras, em barricas de 400 litros. É muito explosivo no nariz, tem muita fruta, nota floral e um toque lácteo. Na boca é gordo, fresco, untuoso, com muito extrato e final extremamente longo.
Altas Quintas (Alentejo) - Altas Quintas é o resultado da visão conjunta que reúne o produtor João Lourenço e o reconhecido enólogo Paulo Laureano no ideal de produzir uma gama de vinhos com características únicas no Alentejo, capazes de surpreenderem os consumidores e apreciadores mais exigentes. A diferença de Altas Quintas começa no seu terroir único, a 600 metros de altitude, no Parque Natural da Serra de S. Mamede. A este terroir unico, juntou-se a obsessao por grandes vinhos. É por isso que Altas Quintas produz vinhos que surpreendem, encantam e acima de tudo trazem um prazer inesgotável a quem os prova. Uma dica será o Altas Quintas Reserva 2005 - As melhores uvas de Trincadeira e Alicante Bouschet, castas de elevado potencial de “guarda”, são cuidadosamente vinificadas em lagar e depois estagiadas em barricas novas de carvalho francês e posteriormente em garrafa, para se obter um perfil de excepção onde os aromas varietais e as notas da madeira se mesclam de forma perfeita. No seu conjunto, este é um vinho desenhado para os prazeres mais requintados.
Dona Maria (Alentejo) - Situada na região portuguesa do Alentejo, encontra-se a Quinta do Carmo ou Quinta de Dona Maria. Conta a história que o rei D. João V, em meados do séc. XVIII ofereceu esta Quinta a uma cortesã por quem estava perdido de amores. É esta Senhora que dá nome ao vinho que marca o regresso de Julio Tassara Bastos. Há mais de 130 anos que se produz vinho nesta Quinta, mas foi apenas na entrada do novo milénio que Julio Bastos restaurou e ampliou a antiga adega da Quinta, mantendo os famosos lagares em mármore, onde ainda hoje se faz a vinificação de grande parte dos vinhos usando a tradicional "pisa da uva". Em 2003 fez-se a primeira vindima de uma nova etapa na longa vida desta Quinta. O vinho Dona Maria Reserva é um dos grandes do Alentejo no momento. Mereceu 17.5 em 20 tanto do João Paulo Martins como da Revista de Vinhos na safra de 2005: "é um tinto bastante personalizado, onde o forte caráter não oculta a finura e elegância!, enquando que na safra de 2006 venceu a prova de "O melhor do Alentejo", na Revista de Vinhos, com 18 pontos em 20. Apresenta-se com bela cor vermelha rubi concentrado, com alguma evolução. Expressão olfativa austera, com notas de frutas negras, couro, menta e xisto. Ótima textura em boca, com taninos presentes e firmes, plenos de elegância e perfeitamente ligados ao frescor mineral.
ALEMANHA:
Dr. Heger (Baden) - Fundada em 1935, a vinícola Dr. Heger é uma das mais celebres da Alemanha, e certamente elabora os melhores vinhos de Baden. Esta é a região mais austral e quente da Alemanha, e seu epicentro de qualidade está nas colinas vulcânicas de Kaiserstuhl, entre a Schwarzwald (Floresta Negra) e os Vosges na França. O neto do fundador, Joachim Heger, comanda ao lado da sua esposa Silvia a vinícola histórica, e desde 1986, a homônima Weinhaus Joachim Heger, criada para atender a demanda por vinhos de convidativa relação preço/prazer. Especializado na família Pinot - Blanc, Gris, Noir e Frühburgunder -, Joachim mostra como ninguém o lado da potência e profundidade dos vinhos de Baden. Como não poderia deixar de ser, faz parte da VDP (Verband Deutscher Prädikatsweingüter). A dica é para provar o seu Pescatus Fischer 2008 – gastronômico e enigmático clone de Pinot Noir mais precoce.
Horst Sauer (Francônia) - A Francônia (Franken) é uma das mais peculiares regiões vinícolas da Alemanha, célebre pelos seus grandes Silvaner e Rieslings secos, engarrafados em curiosas garrafas bojudas localmente chamadas de Bocksbeutel. Eschendorf é uma das principais cidades vinhateiras da Francônia, próxima a Würzburg, e Horst Sauer "seu principal expoente" segundo o Hugh Johnson 2010, com 3 estrelas em 4. A filosofia da vinícola familiar, membro do VDP (Verband Deutscher Prädikatsweingüter), é da busca incessante pela perfeição nos seus vinhos, que devem transmitir o excepcional terroir do vinhedo Lump em Eschendorf. Horst e sua filha Sandra, lado a lado, fazem da vitivinicultura uma poesia que desafia o tempo, para outras gerações que virão. Não deixe de provar o Escherndorfer Lump Silvaner Spatlese Trocken e o Escherndorfer Lump Riesling Kabinett Trocken.
HUNGRIA:
Attila Gere - Attila Gere é o "superstar do vinho tinto na Hungria", segundo Jancis Robinson, e provavelmente o melhor produtor de todo o leste Europeu. A família Gere está há 7 gerações envolvida na produção de vinhos, apesar de ter sido afastada do país durante o período comunista. Em 1978 o guarda-florestal Attila Gere resolve trabalhar com sua nova paixão, a viticultura, começando em algumas fileiras de vinhas que ganhou de presente de casamento. Convicto, abandona sua antiga profissão de para se tornar o produtor ícone da Hungria. A recompensa chega em 2004, quando seus vinhos batem às cegas o Château Pétrus em degustações profissionais simultâneas na Áustria e nos Estados Unidos. Ostenta as 4 máximas estrelas no Hugh Johnson 2010. Seu Syrah é rubi concentrado com halo purpúreo. Impressiona pela complexidade no olfato, com amoras silvestres, envolvidas em notas de chocolate, couro e minerais. Estrutura colossal em boca, com taninos viris, sob suculenta acidez. Longa persistência. Prove o Kopar – corte 50% Cabernet Franc, 40% Merlot e 10% Cabernet Sauvignon. Cor rubi profundo. Complexo e muito intenso no olfato, com ameixas maduras, couro, cedro e especiarias. A densa incursão em boca impressiona pelos taninos aveludados e impactantes, com inebriante frescor e longa persistência.
ESLOVÊNIA:
Simcic de Brda - A vitivinicultura na região de Goriška Brda é um antigo legado herdado desde os tempos romanos há mais de 2.000 anos, que a família Simcic tem honrado ao longo dos 151 anos de sua história. Com 18 hectares de vinhedos (alguns com mais de 55 anos) localizados na continuação física do Collio italiano, o compromisso deste produtor é obter vinhos de máxima qualidade. O terreno é caracterizado por suaves colinas com solos de marga-calcária, num contexto climático muito favorável, onde os Alpes dão as mãos ao Mediterrâneo numa paisagem belíssima e inspiradora.
A abordagem nas vinhas é bastante natural, com exclusão de pesticidas e fertilizantes sintéticos, de forma a incentivar o fortalecimento natural das videiras e o desenvolvimento da vida microbiana. Paralelo a isso um atento trabalho de redução nos rendimentos é feito para a máxima expressão da origem. Na cantina o enólogo Marjan Simcic, quinta geração, conseguiu encontrar um ponto intermédio entre a vinificação tradicional de seus antecessores e o já propagado uso de tanques de inox termo-controlados, para compor vinhos substanciosos e enigmáticos.
O Collio esloveno mostra-se como uma região propicia a elaboração não só de brancos originais e profundos mas também de tintos carnudos, com finura e admirável potencial de envelhecimento. Nas três linhas de produção, o que será encontrado na taça são vinhos provocantes, de aromaticidade cristalina e multidimensionais. Dominados sobretudo pela forte influência dos solos da região que transmitem notável mineralidade e firmeza gustativa.
Numa das avaliações mais recentes do renomado degustador da revista inglesa Decanter, Steven Spurrier, o Pinot Noir Selekcija 2007 de Simcic aparece como o melhor degustado na categoria BEST OLD WORLD RED. Um vinho rubi transparente, de média intensidade. Profunda agregação de frutas vermelhas silvestres e casca de laranja, sobre contornos minerais e de alcaçuz. Demonstra em boca uma fruta sóbria, suculenta e volumosa. Longo fim-de-boca. Portanto, não deixe de prová-lo.
GRÉCIA:
Domaine Sigalas de Santorini - Se a ilha de Santorini oferece possivelmente o pôr-do-sol mais dramático do planeta, certamente ela oferece o melhor produtor de vinhos tradicionais da Grécia, o Domaine Sigalas. Nada de uvas internacionais ou vinhos tecnológicos contemporâneos, até porque seria um pecado negligenciar o “museu vitícola” que é Santorini, com mais de 3000 anos de tradição e um patrimônio ímpar de excepcionais castas autóctones, preservadas da filoxera pelos solos arenosos e calcários recobertos de pedra-pomes, cinzas e lava vulcânica. Paris Sigalas não imaginava ao fundar a vinícola em 1991 que se tornaria um ícone do vinho grego, mas este professor de matemática formado em Sorbonne na França, além de talentoso artista, dramaturgo e filólogo, conseguiu mostrar em poucos anos toda a grandiosidade e singularidade dos vinhos desta ilha cênica do mar Egeu. Talvez porque sua erudição, sensibilidade e versatilidade o aproximem dos seus magnânimos antepassados, que mudaram a história do mundo.
CROÁCIA:
Korta Katarina - Fundada pelo casal americano Lee e Penny Anderson que trabalharam na reconstrução do país após a guerra civil, a moderna vinícola Korta Katarina nasceu para ser a melhor vinícola da Croácia. Os tintos originam-se na península de Pelješac ("grand crus" de Dingac e Postup), berço da uva Plavac Mali (Zinfandel x Dobricic). Na ilha de Korcula, terra da excelente uva Pošip, nasce seu grande branco (região de Cara). A viticultura é totalmente natural e a vinificação emprega tecnologia de última geração, com longas macerações e períodos de amadurecimento. A Croácia ou "nova Riviera" é o destino turístico mais cobiçado pelos europeus no momento. Um paraíso mediterrâneo com tradição vitivinícola de 2.500 anos.
Local e Data: 29 de junho (sexta-feira) - Imperador Eventos
Avenida do Contorno, 8657 – Gutierrez.
A feira acontecerá das 16h às 22h nas quatro capitais.
Os ingressos devem ser adquiridos antecipadamente nas Enotecas Decanter: Belo Horizonte - Tel. (31) 3287-3618.