domingo, 29 de março de 2015

PÁSCOA E HARMONIZAÇÕES DE VINHO COM BACALHAU E CHOCOLATE


“ PÁSCOA E HARMONIZAÇÕES DE VINHO COM BACALHAU E CHOCOLATE ” – Nesta época do ano o bacalhau entra em alta e invariavelmente volta a pergunta: é melhor com vinho branco ou tinto? E para quem gosta de vinho, a grande verdade é que o prato admite os dois, dependendo da receita ou do gosto pessoal.
No caso desse peixe não existe uma regra em torno do vinho. Alguns apreciam acompanhá-lo com um tinto, como tradicionalmente se faz em Portugal, outros o preferem na companhia de um branco no estilo do Vinho Verde ou com estágio em madeira.
Não existem segredos, nada de sobrepor aromas e sabores! O ideal é escolher Vinhos Brancos encorpados ou Tintos de corpo médio, especialmente os frutados.
Dizem os portugueses que "bacalhau não é peixe nem carne; bacalhau é bacalhau". Por isso, ao escolhermos o vinho para acompanhar os pratos de bacalhau, não podemos aplicar as regras clássicas, devido às suas características exclusivas e porque a escolha depende muito do modo como o bacalhau é preparado.
"Em Portugal é tradicional acompanhar os pratos de bacalhau com vinho tinto. Este "casamento" feliz explica-se pela ação do tipo de sabores frutados presentes nos vinhos tintos que, dando-nos uma sensação gustativa indireta da doçura, amenizam o gosto "oposto" salgado do bacalhau.
Para receitas mais condimentadas de bacalhau, é também vantajosa a existência dos aromas que se formam durante o envelhecimento em garrafa, que se ligam com outros temperos. (...) vinhos alentejanos de boa estrutura e com um envelhecimento curto em garrafa apresentam estas características."
Outros pratos mais leves, especialmente os que são compostos por legumes onde o bacalhau é moderadamente salgado, podem sem acompanhados por um vinho branco estruturado, como alguns do Dão envelhecidos, ou vinhos elaborados com a uva Chardonnay.

● Agora, o segundo pontoQue vinho acompanha melhor o chocolate ? Supermercados e lojas decoradas com ovos de chocolate até o teto. Indícios que a Páscoa está por um fio, e mesmo que você não seja um chocólatra é difícil passar incólume à enxurrada de ofertas. Mas a pergunta que muitos amantes de vinho fazem é como unir o chocolate com o vinho. Quem disse que eles não combinam?
Embora de difícil harmonização, a combinação de vinho com chocolate pode resultar em agradáveis surpresas. O que causa toda a dificuldade nessa compatibilização é a textura do chocolate, que tende a grudar no céu da boca dificultando a percepção das características do vinho pelas papilas gustativas. Isso faz com que a sobremesa de chocolate passe por cima do vinho. Por isso, quando se trata de chocolate, o vinho para acompanhar deve ter um bom corpo e boa untuosidade, além de acidez e álcool para possibilitar a compatibilização e equilibrar a harmonização.
As opções clássicas então ficarão com Vinhos de Sobremesa de mais corpo, como Vinho do Porto, Jerez (no estilo Pedro Ximenez), Banyuls (vinho francês que é considerado a combinação ideal).
Sempre ouvimos dizer que a harmonização de vinhos com doces, em especial chocolates, não é uma tarefa muito fácil. De fato, o cacau, a gordura e o açúcar, acabam se sobrepondo a maioria dos vinhos. E, não é para menos, quando falamos de chocolate, logo imaginamos aquelas barras ou bombons insuportavelmente doces e enjoativos.

● Algumas dicas que podem auxiliar nas harmonizações:

● Barras tradicionais de Lindt Excellence 70% Cacau e Hershey´s Especial Dark 60% acompanhadas por um bom e frutado Pinot Noir. Não precisa ser um borgonha caríssimo ou coisas do gênero. O bouquet de boa intensidade com predominância de frutas vermelhas como framboesa e morango, acompanhadas por notas florais e couro; casam muito bem com o cacau.
● Para os chocolates “dark” de 80% ou mais de cacau, a maioria dos Pinots começa a “apanhar”. A alternativa é recorrer a vinhos fortificados. Como o Vinho do Porto ou Jerez. Outra combinação é acompanhar, por exemplo, com uma agradável Grappa de Moscato. Também ficará ótimo com uma potente e complexa Grappa di Barolo. Quem apreciar Armagnac e Cognac deve experimentar. Vale a pena!
● Chocolate ao leite – Os ingredientes do chocolate​ – cacau, gordura e açúcar​ -​ exigem uma combinação mais forte, com aroma e sabor marcantes. Neste caso, tente combinar o ovo de Páscoa de Chocolate ao Leite com ​os vinhos dos Sandeman Ruby ou Sandeman Tawny.
● Chocolate branco – Os ovos de Páscoa de chocolate branco são bem mais gordurosos, uma mistura de açúcar e manteiga de cacau. Para harmonizar com ele, nada melhor do que um vinho com acidez ​elevada. Eles fazem uma espécie de limpeza do seu palato (céu da boca) para as próximas mordidas. Nossa recomendação é o ​vinho da ilha da Madeira como por exemplo o H&H 3 Years Rainwater.
● Em relação as trufas de chocolate vale a clássica e deliciosa combinação com um espumante Asti de qualidade. Dentre os nacionais existem boas opções a base de Moscatel. Procure algum que tenha uma acidez mais elevada, caso contrário o doce sem contraponto da acidez fica muito sem graça.

Como os benefícios à saude do consumo moderado do vinho já foram amplamente propagados, o dos chocolates dark começam a ganhar força. Além dos flavonóides que atuam como antioxidantes, o cacau presente no chocolate contém alcalóides como a Teobromina e a Feniletilamina que estão ligados a elevação dos níveis de serotonina no cérebro, ou seja, com efeitos estimulantes e anti-depressivos elas contribuem com a sensação de bem estar. Ora, não faltam bons motivos para consumir mais vinho e chocolate. E o melhor de tudo, sem aquela sensação de peso na consciência, ou de um divórcio á vista !

Mas ficou ainda uma dúvida: Que vinho harmoniza com a Colomba Pascal - Com diferentes recheios e coberturas, a Colomba Pascal é uma sobremesa tradicional da Páscoa. Elas ​são classicamente recheadas com amêndoas e glacê, por exemplo. Para saborear esta delicia você ​pode servir um espumante fresco e ao mesmo tempo doce como um Moscato d’Asti bem gelado. Esta dica serve também para o mineiro Doce de Leite, que é extremamente açucarado e força você a selecionar uma bebida que ​esteja no mesmo grau de doçura​, e ao mesmo tempo muita acidez para que o doce não fique enjoativo.​ Prove o doce de leite com um Passito de Pantalleria, por exemplo​.

GUIA DESCORCHADOS 2015 TRAZ DICAS IMPORTANTES


GUIA DESCORCHADOS 2015 traz dicas Importantes: o Guia Descorchados considerou o Amat Tannat 2009 (da Bodegas Carrau, importado para o Brasil pela Zahil), o melhor vinho tinto do Uruguai. O Guia vai estar a venda em breve e pela primeira vez fala sobre espumantes brasileiros. E qual o melhor deles? O Cave Geisse Terroir Nature 2009!!!

segunda-feira, 23 de março de 2015

VOUVRAY SEC VIGNEAU-CHEVREAU CUVÉE SILEX 2013 – LOIRE - FRANCA



Vinho da Semana 12/2015 ● VOUVRAY SEC VIGNEAU-CHEVREAU CUVÉE SILEX 2013 – LOIRE - FRANCA – A vinícola fundada em 1875 expandiu de 5 ha para 28 ha durante cinco gerações, sempre na denominação Vouvray. Atualmente sob o comando dos irmãos Christophe e Stéphane Vigneau, o domaine produz vinhos deliciosos com Chenin Blanc. Desde 1995, o Vigneau-Chevreau é um produtor biodinâmico certificado. Além dos vinhedos próprios, possui a concessão de um vinhedo histórico na Abadia de Marmoutier, berço da denominação Vouvray.
A Chenin Blanc - A única variedade autorizada na denominação controlada Vouvray é a Chenin Blanc, também conhecida como Gros Pineau ou Pineau de la Loire. Seu cultivo começa em Blois e se estende até os limites do Maine. A maturação tardia das uvas (2ª época), associada ao terroir do Vouvray, lhe confere o título de mais notável variedade branca da região, tanto por sua produtividade quanto pela qualidade do vinho que permite obter.

 ● Notas de Degustação: Cor característica amarelo claro com halos dourados a levemente cinza. Aromas de flor de tília, marmelo maduro, frutas exóticas em compota (manga, abacaxi, abricot) e mel de acácia, com toque mineral (que lembra pedra de isqueiro). Excelente complexidade, intensidade e qualidade. Em boca se mostra fresco, untuoso, seguida de leve adstringência e um final longo e prazeroso de maçãs verdes e minerais.
● Estimativa de Guarda: Pode ser consumido jovem, mas evoluirá ao longo de 10 anos, melhorando a qualidade e complexidade.
Notas de Harmonização: Acompanha muito bem carnes brancas, frango assado com cogumelos, pratos da culinária asiática em geral ou coelho com amêndoas.  Sirva em torno dos 8 a 10ºC.
Onde comprar: Em BH: PREMIUM - Rua Estevão Pinto, 351 - Serra - 30220-060 - Belo Horizonte - MG  - 31 3282-1588 I  Em SP: PREMIUM - Rua Apinajés, 1718 - Sumaré - 01258-000 - São Paulo - SP - 11 2574-8303.

ESPORÃO PRIVATE SELECTION BRANCO 2012 – ALENTEJO – PORTUGAL



Vinho da Semana 12/2015 – ESPORÃO PRIVATE SELECTION BRANCO 2012 – ALENTEJO – PORTUGAL – Provei o vinho com amigos no final de semana, que lembraram de imediato de um Chateauneuf du Pape branco. O Esporão Private Selection 2012 foi feito apenas com a uva Semillon, que diga-se de passagem se mostra exuberante neste vinho. Um dos melhores exemplos de vinho desta casta que já provei. A Herdade do Esporão é uma adega situada no coração do Alentejo, em Reguengos de Monsaraz, com os seus 600 hectares de vinhas das melhores castas. Classificados entre os vinhos mais respeitados do Alentejo e Portugal, os vinhos da Herdade do Esporão ajudaram a criar e a revolucionar a região acrescentando, entre muitos outros detalhes, rótulos concebidos por artistas plásticos que se renovam todos os anos, apadrinhando simultaneamente o vinho alentejano e a cultura portuguesa.
            Quando o projeto Esporão foi criado, em 1973, o Alentejo era ainda uma região relativamente desconhecida que poucos associavam com o vinho. Hoje os vinhos da Herdade do Esporão estão entre os grandes de Portugal, visíveis não só na exclusividade da Torre do Esporão, na qualidade reconhecida dos Esporão Reserva e Private Selection, brancos e tintos.
            Este vinho desafia o perfil clássico dos grandes vinhos do Alentejo. A sua personalidade e complexidade resultam das condições climatéricas, da seleção das melhores uvas do terroir e da criatividade dos enólogos. O ano de 2012 foi notável para os vinhos brancos da região do Alentejo. A Primavera e o Verão com temperaturas mais amenas que o habitual trouxeram intensidade, equilíbrio e frescura aos vinhos.
O projeto de vinicultura é de responsabilidade de David Baverstock, um australiano com mais de vinte de anos de experiência em Portugal. Para estampar as garrafas a Esporão desafia anualmente, desde a primeira colheita em 1985, um artista diferente, convidando-o para criar obras originais para ilustrar os rótulos dos seus vinhos ‘Private Selection’ e Reserva.
Em 2012 a Empresa convidou o reconhecido designer de moda português, Felipe Oliveira Batista. Os rótulos desenhados pelo diretor criativo da Lacoste resultam da relação de paixão que há muito mantém com a planície alentejana e com a Herdade do Esporão. Os três rótulos que desenvolveu (Esporão Reserva Branco e Tinto e Esporão Private Selection Branco) foram inspirados nos valores do Esporão e em algumas das referências visuais da Herdade, como o sobreiro e a albufeira.

 ● Notas de Degustação: Cor amarela bem clara, com alguns reflexos dourados. O vinho passa 6 meses maturando com as borras, que lhe deram um toque amendoado, com notas de damasco, baunilha e mel. Em boca é untuoso, cremoso, encorpado, complexo, muito elegante, intenso, longo, com nota mineral no fim de boca. Macio como uma seda, tem final muito persistente, saboroso e prazeroso em boca.
● Reconhecimentos: Private Selection Branco 2008 – Wine Enthusiast 2009 – 91 pontos;
Private Selection Branco 2009 – Wine Enthusiast 2011 – 92 points (Escolha dos editores);
Private Selection Branco 2010 – Essência do Vinho 2011 – 17 pontos
● Estimativa de Guarda: Já está delicioso, no ponto, mas agüenta fácil 5 anos.
Notas de Harmonização: Bacalhau à portuguesa, risoto de frutos do mar, moqueca, truta grelhada com alcaparras, salmão assado. Paella espanhola ou no nosso caso, foi provado com uma Paella Mineira.  Sirva em torno dos 8 a 10ºC.
Onde comprar: Nas melhores Adegas de sua cidade.

O VINHO E SUA TÊNUE RELAÇÃO COM A MADEIRA



"O VINHO E SUA TÊNUE RELAÇÃO COM A MADEIRA ” – Relendo o artigo escrito pelo Christovão de Oliveira Junior sobre os Champagnes e o Carvalho, e outro artigo escrito pelo Marcel Miwa, acabei aprofundando algumas pesquisas sobre este tema que sempre desperta o interesse dos amantes do vinho.

Há alguns anos atrás era fácil reconhecer às cegas os vinhos chilenos e espanhóis por conta da forte presença de madeira na bebida. Este aroma e paladar tomou conta das taças por bom tempo, até que começaram a ser valorizados os vinhos onde a fruta podia ser notada, sem ser encoberta pela presença da madeira, que aliás em algumas situações era usada para encobrir defeitos do produto.
Entender as interações entre a madeira dos barris e a bebida é um dos assuntos mais pesquisados na enologia, por que de certa forma muitos produtores estão abolindo o uso das barricas de carvalho. A tendência atual é uma integração entre madeira e vinho, de forma que a madeira marque menos a bebida. Que na realidade, o carvalho respeite a expressão do vinho, como num casamento onde a harmonia do casal deve ser fundamental.
Pelos dados da produção anual de barricas, em média, apenas 3 a 4% dos vinhos produzidos no mundo passam por carvalho novo e cerca de 15% dos vinhos passam pela presença de chips (lascas de carvalho), uma solução muito mais barata. Há ainda uma parcela significativa que passa por barris de carvalho de segundo ou vários usos, muito mais para uma leve interação com a madeira.
Não é fácil distinguir se o vinho é “chipado” ou se passou verdadeiramente por barrica. Em geral os enólogos dizem que os vinhos impregnados pelos chips têm boa intensidade de madeira, mas passados uns 20 minutos esta sensação diminui abruptamente. Vinhos afinados em barricas mantêm o aroma por muito mias tempo em taça.
Nós sabemos que a origem do carvalho influencia as características do vinho, uma vez que o carvalho das grandes florestas da França dá uma conotação austera na bebida, com certo ar de elegância, com notas de chocolate amargo, café e torrefação, e que certamente exigirá maior personalidade do vinho. Na Europa Oriental as madeiras provenientes da Eslavônia são mais simples, fáceis de integrar, não causam profundas alterações nos vinhos, e costumo dizer que dão um toque de alegria na bebida, em especial nos vinhos italianos. Uma barrica de carvalho americano normalmente agregará notas de especiaria doce, como a baunilha.
Mas nem só de carvalho francês, americano ou da Eslovênia se fazem barricas. Há hoje barricas sendo feitas com carvalho português e espanhol, que se assemelham em muito às espécies francesas. Além disto, outras madeiras estão sendo experimentadas. A barrica de acácia é bastante floral, podendo ser extraordinária para um vinho branco ou de sobremesa. Já foi comprovado que a Chardonnay e a Sémillon são castas que ganham com o estágio em acácia. O problema é que as florestas de acácia são jovens e os troncos ainda não têm diâmetro suficiente para se fazer as aduelas (tábuas) para barricas.
Além disto, sabe também que além do carvalho e da acácia, o eucalipto tem se revelado interessante para amadurecer os vinhos, pois os taninos dessa madeira são muito semelhantes aos do vinho.
Um tinto tem, geralmente, maior capacidade de integração com a madeira. Assim, pode-se fermentar o vinho em recipientes neutros e em seguida colocá-lo em barris de carvalho. Já com os vinhos brancos é diferente, pois sua composição é mais simples, menos rica. O potencial de absorção da madeira é menor, e fermentar diretamente nas barricas facilita o trabalho de emprestar notas de carvalho ao vinho.
Quanto a percepção se um tanino é da uva, ou da barrica, a técnica diz que só na vinícola é possível distinguir os taninos apenas nos dois primeiros meses em que o vinho está em barrica – no início, há uma extração intensa dos taninos da madeira; depois disso eles serão oxidados e o lado duro vai desaparecer. Em um vinho engarrafado, não dá para distinguir taninos da madeira e da uva. Entretanto, quimicamente, num laboratório, é possível fazer-se esta distinção porque os dois taninos são de grupos moleculares completamente diferentes.