segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A FERRARI DOS VINHOS



“ A FERRARI DOS VINHOS – A Enoteca Decanter resolveu fechar o Ano com chave de ouro e promoveu nesta quinta-feira uma almoço temático com Espumantes Ferrari, orientado por Guilherme Correa, que nos foi contando a história do mais famoso espumante italiano. E claro que sempre que se fala em Ferrari, vem uma pergunta à cabeça: O que o espumante tem a ver com a famosa escuderia de fórmula 1 do cavalinho? Na verdade eles têm um acordo para que possam usar o nome. E uma curiosidade: A vinícola foi fundada em 1902, por Giulio Ferrari; a equipe de Fórmula 1 foi criada em 1947.
A tradição desse espumante é tão grande que, em 1989, quando a revista L’Europeo publicou um artigo indicando os objetos que marcaram a vida dos italianos, colocou na capa: Swatch, Timberland, o carro Ferrari e o espumante Ferrari.
            Tanto prestígio assim está atrelado a muita dedicação e paixão. E é da paixão que tem início a história secular da cantina. Giulio Ferrari conhecia muito suas terras e pode confiar nelas para alcançar o sonho da sua vida: criar entre as montanhas do Trentino um espumante único, original e especial.
Giulio Ferrari, viticultor e enólogo pertencente a uma rica família italiana, tinha um sonho ambicioso, depois de voltar de um período de estudo de enologia na França. Foi quando resolveu produzir em sua terra natal, Trento, no nordeste da Itália, um espumante pelo método clássico francês, de qualidade similar ao verdadeiro Champagne. Foi com esse sonho que, em 1902, com apenas 23 anos de idade, ele fundou a propriedade vitivinícola Ferrari.
            Primeiro, ele se dedicou à produção de uvas que fossem adequadas ao seu projeto. Depois de obter sucesso nesse quesito, Giulio Ferrari procurou a perfeição na produção de espumante, usando uma prensagem mais delicada para as uvas; selecionando as leveduras mais adequadas e deixando a segunda fermentação ocorrer lentamente nas garrafas.
            Nasceu assim, no ano de 1902, o primeiro espumante da cantina Ferrari. Giulio não estava atrás de sucesso; sua meta era alcançar um alto nível de qualidade para seu espumante, mas, com o tempo, os prêmios e o reconhecimento internacional apareceram.
            O clima na região é tipicamente mediterrâneo no Valle dei Laghi, subcontinental no Val d’Adige e alpino no Val di Cembra. De um modo geral os verões são frescos e os invernos rígidos, com fortes excursões térmicas entre as estações e entre o dia e a noite. Temperatura média anual de 11ºC. As precipitações, nunca excessivas, distribuem-se uniformemente ao longo do ano e em forma de neve no inverno. As barreiras das montanhas ao norte protegem dos ventos gélidos, enquanto que os vales ao sul permitem a chegada do ''föhn'', um vento meridional morno e seco. Os solos calcários são ricos em ''scheletro'' (pedras e cascalhos).
O jovem sonhador tinha desta forma excelentes condições naturais para produzir um belo espumante e perseguiu sua meta até os 70 anos, quando por falta de herdeiros vendeu sua empresa para a família Lunelli (que eram grandes negociantes de vinho), e que até hoje a conduz. A frente da vinícola, os Lunelli conseguiram dobrar a produção, atingindo 17 mil garrafas. Só não produziram mais para respeitar a tradição mantida por Giulio de apenas produzir os espumantes com uvas trentinas.
            Nos 17 anos seguintes, porém, os números de produção não paravam de crescer, superando a marca de 100 mil por ano. Nesse momento, os Lunelli perceberam que a velha vinícola havia ficado pequena e resolveram investir em novas instalações construídas para ser uma das maiores e mais belas da região.
O resultado foi uma estrutura transparente, com uma fachada feita em metal e vidro e com lagos e esculturas em sua entrada. Um estilo realmente futurista. Além de bela, é espaçosa. Possui um espaço linear de 30 mil metros quadrados, onde repousam 15 milhões de garrafas de espumantes de estilos e safras variadas.
O espumante italiano Ferrari entrou para o Guinness World Records pela abertura de exatas 2.778 garrafas ao mesmo tempo. O fato ocorreu na “Arena di Pesaro” e edição que traz o feito foi divulgada recentemente. Na ocasião, para festejar os 25 anos do grupo empresarial Mediolanum, foram abertas 9 mil garrafas do produto. Porém, no certificado do livro dos recordes apenas 2.778 delas foram registradas. Segundo os inspetores da publicação, as outras 6.222 tampas saltaram algumas frações de segundos antes ou depois. A Ferrari comemorou o recorde e atribuiu a drástica diminuição das garrafas contabilizadas à meticulosidade dos observadores do Guinness que estiveram presentes na ocasião.

OS ESPUMANTES FERRARI:

● Ferrari Maximum Brut - As uvas Chardonnay são a matéria-prima do espumante “Ferrari Maximum Brut”, produzido pela Ferrari em vinhedos de Trento, na Itália, e sua fermentação na garrafa leva 36 meses. Sua cor é palha, com reflexos dourados e brilhantes, suas bolhas são finas e duradouras. Na boca, o sabor revela toques de avelãs e crosta de pão, com textura cremosa, harmônica e persistente. Sabor seco e harmonioso. As receitas ideais para acompanhar o espumante são carpaccio de robalo, trilhas fritas, grelhado de lagostins e cogumelos frescos, lulas recheadas com alho, salsinha e pão banhado no azeite extra-virgem, tempurá, sushi e sashimi.

● Ferrari Maximum Rose - Espumante rose que começou a ser produzido em 1969 e leva 60% de uvas Pinot Nero e 40% de Chardonnay. A coloração é rosa brilhante. O aroma apresenta notas florais e frutadas – principalmente groselha e morango. O sabor é seco e delicado.

● Ferrari Perlé Brut - É um espumante safrado – que utiliza como base, vinhos produzidos com uvas Chardonnay dos melhores vinhedos da propriedade e provenientes de um mesmo ano. Passa por um período de espumantização na garrafa maior que os anteriores - 5 anos. O resultado é um espumante de coloração amarelo-palha com reflexos dourados. Aroma intenso e refinado com notas de amêndoas, maçã e casca de pão. O sabor é seco e elegante.

● Ferrari Perlé Nero Brut – outro espumante safrado, feito a partir de uvas Pinot Noir vinificadas em branco. O período da segunda fermentação é ainda maior que a versão feita com Chardonnay; leva 6 anos. O espumante tem então uma coloração amarelo dourado; o aroma é potente e complexo com notas frutadas, tostadas e minerais. O sabor é cremoso, elegante e permanece por muito tempo na boca.

● Il Giulio Ferrari Riserva Del Fondatore - é o melhor espumante da Itália (aliás, o vinho mais premiado do país), proveniente do excepcional vinhedo de Maso Pianizza e maturado por 10 anos sobre as lias antes do degorgement. Para alguns críticos, é o melhor espumante do mundo, dotado de fabulosa capacidade de envelhecimento. Nenhum vinho branco, tinto ou espumante já recebeu na Itália mais prêmios do que o Giulio Ferrari, incluindo mais de 20 vezes os 3 “bicchieri” no Gambero Rosso. O 2001 foi inclusive um 3 “bicchieri ” no Gambero 2011, eleito um dos 32 melhores 3 “bicchieri” dos 402 conferidos no ano!
            O Giulio só é feito nos melhores anos e são produzidas apenas 40 mil garrafas, e passa 10 anos sobre as leveduras. Olhem que o grande Dom Perignon passa 6 anos apenas e produzem-se 4 milhões e meio de garrafas. Até o momento, como vinho individual, o Giulio Ferrari Riserva del Fondatore, foi  que mais recebeu tre bicchieri na história do famoso guia Gambero Rosso.

● Ferrari Demi-Sec - Palha intenso e reluzente. Excelentes aromas de frutas tropicais (banana, ameixa) com notas de flores silvestres e um toque de mel. Ataque macio em boca, cremoso, com fina persistência frutada. Excelente opção para acompanhar Panna Cotta ai frutti di Bosco (''Nata cozida'' regada com redução de frutas vermelhas); Tortino di Pere (Torta assada de pêras); Sobremesas à base de frutas frescas; Queijos maduros de massa cremosa.
            O almoço recebeu fina harmonização, com pratos preparados pelo Chef Adenilson Fiuza. Os nossos parabéns para toda a esquipe Enoteca Decanter que mostrou uma curiosidade, pois com todo orgulho, é comum os italianos dizerem: “ – A França criou o Champagne e nos fizemos o Ferrari”.

PESQUISA DE PREÇOS NOS SUPERMERCADOS INDICA AS MELHORES COTAÇÕES PARA ESPUMANTES BRASILEIROS –



● PESQUISA DE PREÇOS NOS SUPERMERCADOS INDICA AS MELHORES COTAÇÕES PARA ESPUMANTES BRASILEIROS – A Revista ENCONTRO realizou uma pesquisa de preços para os rótulos nacionais de Espumantes nos principais supermercados de Belo Horizonte e obteve os seguintes resultados (edição Dezembro – Pag. 93):

Supermercado
Chandon
Rio Sol
Terranova
Casa Valduga
Miolo
Conde de Foucauld
Salton
Mart Plus
54,80
25,90
26,50
39,90
29,90
18,98
22,80
Super Nosso
59,90
29,90
29,90
39,90
39,90
22,90
29,90
Verdemar
63,98
28,90
26,50
-
39,50
-
22,90
Extra
58,90
-
27,90
-
49,90
-
20,90
Carrefour
58,89
-
27,39
-
42,09
21,89
25,89

Aproveitem para comprar seus espumantes para as Festas de Final de Ano.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

GASTRONOMIA NA PRAÇA




VINHOS MADUROS



“ VINHOS MADUROS Para desespero da Marina (minha esposa) é comum eu comprar duas garrafas de cada vinho. É o receio de que vinho seja tão bom que eu não teria uma segunda garrafa a mão, para continuar bebendo, ou que a primeira tivesse algum defeito e fosse necessário dar uma segunda chance ao vinho !
Com o tempo a adega foi ficando cheia e é um prazer re-encontrar rótulos que ficaram a espera de serem degustados. Só assim podemos atender a pedidos para degustar vinhos de safras antigas.
O mercado oferece uma gama de vinhos dos mais diferentes tipos, estilos e terroirs, mas a predominância é de produtos jovens, prontos para o consumo logo após sua produção. Os amadurecidos descansam nas adegas contando os segredos da passagem do tempo, por anos até atingirem seu ápice, com agregação de complexidade de aromas e sabores, além de maciez e elegância. Nos vinhos brancos aparecem os tons dourados e as notas condimentadas, lembrando as frutas secas e as vezes de caramelo. Nos vinhos tintos, o rubi intenso e profundo evolui para tons mais claros como vermelho granada e aparecem notas de defumados, couro, trufas e terra molhada nos aromas.
Os grandes vinhos precisam de tempo para mostrar todo o seu potencial e, se abertos antes do tempo, ainda em sua juventude, costumam mostram taninos duros e acidez excessiva, sem a harmonia e equilíbrio esperados.
Há puristas que diferenciam o vinho velho do vinho maduro, entendendo como velho, um vinho que já teve dias melhores, caminhando para o seu ocaso, estando numa fase decadente da sua vida. Por outro lado, maduro seria um vinho de uma safra mais antiga, e que ainda se encontra na curva ascendente ou no seu ponto ideal para ser bebido. São vinhos que precisam de algum tempo em barricas de carvalho e na garrafa, com cerca de 10 anos, pois caso contrário estaríamos abrindo um vinho que sequer conseguiu harmonizar-se.
Algumas uvas tem caráter único para produzir grandes vinhos na maturidade. Nas brancas temos a Riesling, a Grünner Veltiner e a Semillon que produzem vinhos excepcionais apreciados após 10 anos de evolução. Os Riesling, de preferência alemães, alsacianos, neozelandeses, ou australianos e Grünner Veltiner (austríacos) e a Semillon, que na Austrália alcança sua plenitude depois de 10 anos de garrafa pelo menos.
Nos tintos, o segredo para a longevidade está nos taninos. Castas tânicas têm portanto, grande capacidade de evolução. Ao longo do tempo, enquanto o vinho evolui na garrafa, desenvolvem-se novas estruturas aromáticas que enriquecem o aroma e sabor de vinhos maduros. Há grande potencial de envelhecimento nas tintas Baga, Tannat, Syrah, Cabernet Sauvignon, Aglianico, Taurassi, Basilicata, Nebbiolo, os cortes de Amarones, e ainda a Malbec.
Neste ano, ao longo das degustações com as Confrarias tivemos oportunidades de degustar grande vinhos maduros: Clos de Vougeot Lamarche 1994, Les Fiefs de Lagrange 1998, Borolo Porta Rossa 1997, Pêra Manca 1995, e recentemente um australiano Tyrrel´s Botrytis 1993. Isto sem falar em Portos históricos de 1864, 1815 e um Madeira 1810 !!!
Mas como o ano não acabou é ainda há boas confraternizações pela frente, já estão convocados vinhos de 1988, 1993 e 1997. Na semana que vem conto como eles se comportaram nas degustações. Saúde !