segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

AVALIANDO VINHOS POR SUAS NOTAS


“ AVALIANDO VINHOS POR SUAS NOTAS “ – Cada vez mais as pessoas que se interessam pelo vinho, participam de degustações, cursos de iniciação, provas de novos produtores que querem entrar e se fixar no mercado, começam a se perguntar como distinguir um vinho excelente de um bom, de um mediano, de um vinho medíocre, buscando entender a relação qualidade-preço, num mercado onde a cada dia, mais e mais produtos novos vão aparecendo, criando uma idéia de que tudo está a favor do amante de vinhos.
Na falta de maior relacionamento com os vinhos, muitos iniciantes começam a ler os rótulos, as impressões degustativas, as críticas e considerações de jornalistas e escritores sobre o tema e acabam se influenciando pelas notas atribuídas. Então uma pergunta começa a se formar na cabeça de cada um: - Será que um vinho que tem nota 89RP é pior do que um que tenha nota 90WS? Será que todos os sistemas de classificação dos vinhos por meio de notas chegam aos mesmos resultados, são coincidentes, coerentes e honestos?
Um vinho que recebe boa classificação assume uma vida própria e se em safras seguintes confirma seus predicados, seu sucesso será certo. Convenhamos entretanto, que um sistema de classificação que distingue entre um Cabernet  Sauvignon nota 90 e um que recebe 89 pontos implica numa precisão dos sentidos que a maioria dos seres humanos não possuem.
Além disto, devemos ter em mente que as considerações sempre são subjetivas, de cada indivíduo que prova a bebida, e que um vinho pode agradar uma pessoa de forma especial e a outra de maneira comum. Transformar o subjetivo, advindo de uma avaliação às vezes rápida de um vinho, num fator objetivo, e as vezes oficial, é algo mágico como transformar o diamante em brilhante e que portanto requer experiência e cuidados .
Robert M. Parker Jr, o advogado norte-americano que se tornou um crítico de vinhos independente, introduziu o sistema de 100 pontos no mundo enológico em 1978, quando lançou um guia de compras de vinhos chamado "The Wine Advocate". Até aquela época, era comum usar-se um sistema simples de cinco pontos. Criar um sistema centesimal facilitou ao interessado em vinhos separar “o joio do trigo” num tempo em que o conhecimento sobre vinhos era restrito a certos grupos. Para evitar ser influenciado pelo nome ou a reputação de uma vinícola, Parker provava lotes de vinhos juntos, colocando as garrafas em sacos de papel e depois misturando-as e dando a nota a cada uma às cegas.
Conforme a influência de Parker crescia, os varejistas começaram a citar os "Pontos Parker" em anúncios e outros materiais promocionais. Isso elevou o perfil dele e do "Wine Advocate" e inspirou outras publicações, ávidas para comercializar seus próprios títulos, a adotar a escala semelhante, de 100 pontos. Na Europa, além do sistema de cinco pontos continuae a ser usado, é comum a referência ao sistema de 20 pontos usado por exemplo pelos críticos Hugh Johnson e Jancis Robinson..
Levei alguns anos para entender o sistema de 20 pontos até que um amigo, crítico de vinhos me explicou que um aluno de qualquer escola faz cinco provas por ano que na soma final darão 100 pontos. Portanto, cada prova tem 20 pontos e o raciocínio fica lógico.
Entretanto, este raciocínio não vale para comprar notas do sistema europeu com o de Parker. Para tanto é necessário fazer-se a seguinte conversão: multiplique os pontos de um vinho em 20 pontos por 2,5 e some mais 50 pontos. Terá a nota deste vinho no sitema Parker.

O boom do consumo de vinhos popularizou o sistema centesimal, mas na realidade, as notas numéricas pouco representam se não se levar em conta as notas de degustação respectivas. São elas que diferenciam os produtos analisados por aspectos visuais, aromáticos, gustativos e relativos à harmonia e evolução. São elas que permitirão ao amante de vinhos avaliar se aquele produto estará dentro de suas expectativas, interesses e desejos.

Um comentário:

  1. Caro Márcio,

    Muito oportuno o artigo. Atualmente praticamente todas as grandes importadoras brasileiras expõe visualmente em seus web sites as notas dos avaliadores mais importantes (Parker, Suckling, Robinson, Wine Spectator, Descorchados, etc). Isso não deixa de ser bom, pois ajuda o consumidor mais inexperiente a diminuir as chances de erro ao comprar uma garrafa, ou mesmo o já mais rodado ao se aventurar num rótulo ou região desconhecidos. Porém, assim como você, entendo que a nota não é um fim em si mesma e não pode dar a palavra final sobre o vinho. Como você bem disse, há muitos aspectos subjetivos no julgamento, por mais que acreditemos na imparcialidade e profissionalismo dos principais julgadores. Parker, só para citar o exemplo mais conhecido e óbvio, tem sua preferência por vinhos mais fortes, encorpados e frutados, e isso obviamente influencia muito o estilo de várias vinícolas que não querem ficar sem boas notas no índice RP (fato que considero triste). Por isso, acredito piamente que nada substitui o conhecimento, um consumidor que estuda e degusta muito para poder ter suas próprias impressões e opiniões sobre cada rótulo. Ter um background sobre a região, a uva do vinho e o produtor que o fez é fundamental antes mesmo de tomar o primeiro gole. Assim como saber degustar sem preconceitos e sem expectativas (boas ou ruins) simplesmente porque o vinho recebeu, ou não, uma boa nota numérica.
    Parabéns por mais um ótimo artigo.
    Um abraço!

    ResponderExcluir