segunda-feira, 28 de setembro de 2015

CHATEAUNEUF-DU-PAPE E SEUS VINHOS


" CHATEAUNEUF-DU-PAPE E SEUS VINHOS  “ –  Quem sai de Avignon pela estradinha D-7 rumo ao norte logo se vê mergulhado numa imensidão bucólica de vinhedos. Não demora muito até que um imenso château do lado direito da estrada faz todo mundo parar: ao fim de fileiras simétricas de videiras, no alto de uma colina, o Domaine Mousset não é apenas mais um castelo num país já famoso demais por causa deles. Ele é o prenúncio de que a pequenina Châteauneuf-du-Pape, uma vila de pouco mais de 2 mil habitantes que virou sinônimo de um dos melhores vinhos da França, está perto; muito perto !
Para muitos amantes de vinho, a localização estratégica do Chateau Mousset contribui para que a propriedade seja praticamente um pit-stop obrigatório para quem vai explorar aquelas terras. Basta pegar a estrada de terra cercada de ciprestes e pronto, terá a chance de começar a série de degustações.
O programa oficial em Châteauneuf é visitar vinícolas. E, claro, provar vinhos. Quem se permite um tempinho para vagar pelo sobe e desce do centrinho da vila vai encontrar uma linda comuna, recheada de casas de pedra com portas e janelas coloridas que se espalham aos pés das ruínas de um castelo do século 14 – o tal château que deu nome ao vilarejo.
Todo o centrinho da cidade é pipocado de enotecas e lojas de vinho que fazem degustações gratuitas. Vá direto ao ponto: a Cave du Verger des Papes, na subida para o castelo, é uma das melhores alternativas, com exemplares de safras especiais num ambiente pra lá de charmoso – uma grutinha de pedra que se abre em salas e mais salas, algumas com iluminação de velas.
Situada no topo de uma pequena colina com seus 3.200 hectares de vinhedos, a pequena aldeia possui uma dedicação quase espiritual à produção de famosíssimos vinhos, cujas garrafas possuem até hoje uma marca d'água cunhada no vinho, que outrora representava o importante brasão pontifical, uma honraria que se destacava como sendo um dos melhores produções da região.
É a denominação mais conhecida da parte sul do vale do Rhône. As vinhas localizam-se em torno de Châteauneuf-du-Pape e das localidades vizinhas de Bédarrides, Courthézon e Sorgues, entre Avignon e Orange, e cobrem pouco mais de 3.200 hectares. Aqui se produzem cerca de 110.000 hectolitros de vinho por ano. Produz-se mais vinho nesta zona do que em todo o Rhône setentrional (Norte)  junto.
Ao contrário dos seus vizinhos do Rhône setentrional, o Châteauneuf-du-Pape permite treze variedades de uva e a mistura está dominada normalmente pela grenache. As outras uvas tintas são cinsault, counoise, mourvèdre, muscardin, syrah, terret noir e vaccarèse. Entre as uvas brancas incluem-se a grenache blanc, bourboulenc, clairette, picardin, roussanne e picpoul.
Nos últimos anos a tendência tem sido ir incluindo menos, ou até nenhuma, das variedades brancas permitidas, e confiar principalmente (ou exclusivamente) na grenache, na mourvèdre e na syrah.

♦ Para facilitar as coisas, três informações de utilidade pública:
1) todos os vendedores vão querer te apresentar o vinho branco de Châteauneuf; depois de algumas taças do branco, muitos amantes de vinho preferirão o tinto. Beba o branco sem preocupações e sorvendo cada gota. É um dos mais belos vinhos brancos da França, pouco conhecido e por isto mesmo ainda pouco valorizado.
2) na última década, os anos de 2005, 2007 e 2009 foram safras especiais (as duas primeiras já estão no ponto; a última estará perfeita para beber em 2015 ou 2016, mas já pode ser encontrada).
3) de maneira geral, as garrafas custam entre € 15 e € 150. Mas os exemplares realmente especiais e raros de safras históricas podem chegam aos quatro dígitos.

♦ Um pouco da História de Chateauneuf-du-Pape
Bem antes da chegada dos papas, monges e eclesiásticos, os habitantes da região já haviam herdado dos romanos e dos gauleses a paixão por vinhos longos e encorpados.
No início do século 14 (em 1308), o papa Clemente V se instalou com toda a corte do Papado em Avignon e fez da região uma sede do poder católico que se estendeu até 1377, quando reinaram sete papas. Ali eles ergueram o impressionante Palais des Papes, principal atração da cidade. Não contentes, decidiram construir um castelo novo nos arredores – o tal château neuf, em francês. Amantes dos vinhos, os papas não demoraram a plantar uvas. E desta atividade surgiu a região vinícola mais conhecida na região do Rhône.
Além de revolucionar a produção até então arcaica, e de promover um grande crescimento econômico e social, a corte dos papas começou também a se abastecer na região, o que foi benéfico para os produtores locais. Com isso, a Igreja católica tornou-se o primeiro vinhateiro oficial a explorar esta região de Châteauneuf.
No século 14, por ordem do papa João XXII (de 1316 a 1333), a Igreja escolheu a cidade de Châteauneuf para construir a sua residência de verão, onde os papas moraram até o ano de 1377, quando retornaram a Roma. Obviamente, não poderia faltar um vinhedo, cujas primeiras cepas nasceram em volta do palácio, neste terroir repleto de pedregulhos cuja função é de armazenar o calor do sol durante o dia e irradiar as raízes durante a noite - o que constitui um dos segredos da riqueza das uvas desta região até hoje.
A produção ficou restrita ao consumo interno da Igreja. João XXII determinou a primeira denominação de "Vinho dos Papas".
Apesar de certo declínio no século 18, provocado por guerras, epidemias e outras pragas, o vinhedo nunca parou de crescer. Por volta de 1800, 668 hectares de terrenos, dos quais 425 hectares distribuídos em pequenas parcelas de vinhas de 1.400 m2 em média, produziam 11.000 hectolitros por ano. Em 1929, a denominação de origem, Châteauneuf-du-Pape, foi oficializada.
Châteauneuf-du-Pape é hoje uma das zonas AOC (a sigla de Appellation d’Origine Contrôlée) de maior prestígio em toda a França. Para muitos críticos, é a única que faz frente a Bordeaux e a Borgonha. Numa área de 3.200 hectares de vinhedos, cerca de 300 produtores fabricam artesanalmente um vinho encorpado, que pode usar a mescla de até 13 uvas – embora a grande estrela seja a grenache.

 Pouco conhecido de nós, a região produz o Côtes du Rhône Primeur, que é um vinho novo, que teve cerca de cinco semanas pra "envelhecer", e por isso tem um sabor diferente, geralmente muito ácido e com aroma e sabor do álcool muito forte. É um tipo de vinho "jovem" e que não se guarda.
Antigamente a vila tinha o nome de Castro Novo, (castro significa cidade fortificada) mas acabou sendo traduzido como Châteauneuf (castelo novo), denominação que remonta ao século XI e por volta do século XIII o nome passou à Châteauneuf Calcernier em referência às explorações de calcário feitas na região. O nome Châteauneuf-du-Pape foi adotado oficialmente no século XIX e faz referência à época em que os papas habitaram Avignon e à influência que eles exerceram na região.

♦ AS UVAS DO CHATEAUNEUF-DU-PAPE
A denominação autorizou nada menos que 13 tipos de uvas diferentes para constituir a força deste vinho impressionante. Contudo, vale ressaltar que nos assemblages a proporção de uva grenache costuma ser de 80%, sendo complementada em geral pela syrah e a mourvèdre. As outras variedades são usadas como tempero: cinsault, muscardin, vaccarèse, terret noir, picpoul noir, counoise.
Vale mencionar também as castas brancas que produzem vinhos cuja qualidade vem aumentando a cada ano e cuja uva dominante é a grenache blanc, seguida pela clairette, a bourboulenc, a picardan e a roussanne.

♦ O VINHO EM SI
De fama mundial, conhecido pelas suas garrafas amplas e bojudas que trazem o selo das armas dos papas estampado no vidro (em geral isto já designa quem são os melhores exemplares da região), o Châteauneuf du Pape possui grande força e volume graças a uva grenache, que proporciona à sua consistência a característica de um vinho de guarda. Assim, os seus mais ricos tesouros podem esperar de 10 a 12 anos até serem consumidos, alguns dos quais podendo facilmente se beneficiar com um repouso de 20 a 25 anos.
O sul do Rhône é magnífico em história, cenários pitorescos, vinhas e seu coração está em Chateauneuf-du-Pape, o ápice em qualidade onde 13 castas de uvas estão permitidas e onde reina a grenache, seguida por outras, entre elas, a mourvedre e a syrah e cada qual empresta o seu caráter ao conjunto: cor, robustez, redondeza, perfumes.
E foi em Chateauneuf-du-Pape que o sistema de apelação controlada começou em França, com o Baron Le Roy do Châteaux Fortia que estabeleceu em 1923 o que veio a se tornar o sistema nacional de apelações controladas, estabelecendo – entre outras coisas - que os solos para os vinhos finos de Chateauneuf seriam áridos o suficiente e as variedades de uvas, quantidade, rendimento etc. seriam estritamente controlados e as uvas insatisfatórias seriam eliminadas antes da fermentação.
O tempo provou que as medidas propostas pelo Baron eram mais que acertadas, pois tiraram a região da obscuridade para tornar-se uma estrela global no mundo dos vinhos.
A sua cor mais característica é um rubi escuro com reflexos granada. Os seus aromas, por tradição, são extremamente sedutores. Entre eles, predominam toques pronunciados de frutas vermelhas maduras, de especiarias e de ervas aromáticas, sempre de grande intensidade.
No paladar, há um extraordinário equilíbrio entre acidez e álcool, sendo que o seu corpo aveludado e volumoso tem um final longo e frutado, com um amargor leve e amadeirado.
No ano de 2010, Robert Park nomeou as melhores safras do ano. Parker não economizou nas notas e classificou nove vinhos da safra com 100 pontos, sete deles do Rhône, confirmando o grande destaque que os vinhos da região tiveram nesta safra. Na relação dos 50 melhores, nada menos que 36 deles são do Rhône. Antes do crítico de vinhos Robert M. Parker ter começado a promovê-los nos Estados Unidos, os vinhos de Chateauneuf eram considerados rústicos e eram muito pouco consumidos. No entanto, o seu crescente consumo fez com que os preços quadruplicassem no decurso da última década.
Em 1995, Parker foi a terceira pessoa a receber o título de cidadão honorário do vilarejo. As duas outras pessoas foram os franceses Frédéric Mistral e Marcel Pagnol.
Espere pelo menos 5 anos para beber os Chateauneuf-du-Pape 2010 sob pena de estar bebendo-os numa fase ainda muito jovem, na qual não desenvolveram todo o seu potencial.

♦ Os melhores do ano, alguns dos vinhos Chateauneuf-du-Pape que obtiveram notas entre 98 e 100 pontos:
SAFRA  – NOME DO VINHO – PONTUAÇÃO - ESTÁGIO DE MATURIDADE – PREÇO (US$)
2010  -  Chateau Beaucastel Chateauneuf du Pape Hommage A Jacques Perrin - 100- 426-671
2010  -  Chateau de Saint Cosme Gigondas Hominis Fides  - 100 -  Jovem  - 317-394
2010  -  Clos Saint-Jean Chateauneuf du Pape Sanctus Sanctorum (Magnum) -10 - Jovem 400 
2010  -  Clos Saint-Jean Chateauneuf du Pape Deus Ex Machina  - 100 Jovem 250-565
2010  -  Dom. de la Janasse Chateauneuf du Pape Cuvee Vieilles Vignes-100 - Jovem 130-262
2010  -  Domaine Grand Veneur Chateauneuf du Pape Vieilles Vignes  - 100  - Jovem 95-276
2010  -  Mas de Boislauzon Chateauneuf du Pape Cuvee du Quet - 100  - Jovem 349-482
2010  -  Clos des Papes Chateauneuf du Pape -  99  -  105-175
2010  - Clos du Mont Olivet Chateauneuf du Pape la Cuvee du Papet -  99  - Jovem 67-157
2010  -  Domaine de la Vieille Julienne Chateauneuf du Pape Reserve  - 99  -  Jovem 313-388
2010 - Dom. Clos du Caillou Chateauneuf du Pape Res. le Clos du Caillou- 99+- ovem 139-212
2010  -  Domaine Giraud Chateauneuf du Pape les Grenaches de Pierre  - 99  - Jovem
2010  -  Domaine la Barroche Chateauneuf du Pape Pure -  99 - 125-150
2010- Dom. Raymond Usseglio Chateauneuf du Pape C.Imperiale (V.Centenaires)-99-Jovem90
2010  -  Domaine Roger Sabon Chateauneuf du Pape le Secret de Sabon- 99 Jovem - 200-286
2010  -  Les Bosquet Papes Chateauneuf du Pape Chante le Merle V.Vignes-99 Jovem-147-83
2010  -  Chateau de Vaudieu Chateauneuf du Pape Amiral G -  98 Jovem  - 75
2010  -  Chimere Chateauneuf du Pape  - 98+ Jovem
2010  -  Clos Saint-Jean Chateauneuf du Pape la Combe des Fous - 98 Jovem -  170-375
2010  -  Domain Olivier Hillaire Chateauneuf du Pape les Petits Pieds d'Armand-98-Jovem70-85
2010  -  Domaine Chante Cigale Chateauneuf du Pape Vieilles Vignes  - 98  - Jovem 55-65
2010  -  Domaine de la Janasse Chateauneuf du Pape Cuvee Chaupin - 98 - 90-126
2010- Dom. de Saint-Prefert Chateauneuf du Pape Collecion Charles Giraud-98-Jovem160-269
2010  -  Domaine du Pegau Chateauneuf du Pape Cuvee da Capo (98-100)  - Jovem 320-750
2010  -  Domaine Giraud Chateauneuf du Pape Cuvee les Gallimardes  - 98  - 65
2010  -  Le Ferme du Mont Chateauneuf du Pape Cotes Capelan  - 98 Jovem  -50
2010- Les Bosquet Papes Chateauneuf du Pape la Gloire de Mon Grandpere-98-Jovem 60-140

♦ ENOGASTRONOMIA DA REGIÃO
Qualquer carne de caça deve ser experimentada com o Chateauneuf-du-Pape, não podendo se esquecer dos queijos curados, enquanto o branco proporciona uma festa dos sentidos quando acompanha peixes de carne vermelha, e pratos com molho a base de vinho.
Ao menos uma vez na vida é preciso experimentar um Châteauneuf-du-Pape. É algo emocionante e verdadeiramente inesquecível. Na compra, vale prestar atenção na sua origem de produção. Os seus melhores exemplares são, infelizmente, bastantes caros, mas este vinho sempre dará à sua mesa um toque de nobreza e de bom gosto irrepreensível.

No Brasil, em algumas importadoras é possível encontrar alguns dos vinhos. Porém nada se iguala a degustar e conhecer a história daquele produtor e daquela vinha. 

3 comentários:

  1. OLA Marcio !!!
    Excelente reportagem.
    Estou indo agora pra lá, e terei o dia de 28/12 para visitar a vinícola.
    Porém não encontro informações sobre se esta aberto, se precisa reservar, horários.
    Pode me passar alguma dica / conselho ?

    obrigado
    robson
    robsonco@uol.com.br

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  2. Tenho um exemplar do JENARD MERLOT SAFRA DE 1995 QUAL VALOR DELE NÓS DIAS DE HJ ?

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  3. Tenho um exemplar do JENARD MERLOT SAFRA DE 1995 QUAL VALOR DELE NÓS DIAS DE HJ ?

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