“ MULHERES E SEUS VINHOS MARAVILHOSOS “ – Não podia deixar o “Dia das Mulheres”, comemorado hoje no Brasil passar “em branco”. Vale a pena lembrar que se antes o mundo do vinho era composto quase que exclusivamente por homens, atualmente há vinhos por todo mundo criados por enólogas em várias regiões. São vinhos com enorme potencial e boa parte deles já reconhecidos pela crítica nacional e internacional.
A Universidade de
Santa Clara, na Califórnia, realizou uma pesquisa para saber o quanto a
participação feminina no mundo dos vinhos cresceu. Eles descobriram que de
todas as 3.200 vinícolas californianas cadastradas, 9.8% têm mulheres como
enólogas ou em alguma posição de comando. Além do crescimento do número, a
pesquisa mostrou que elas, quando estão no comando, costumam ser mais
aclamadas. Apesar de ambos os sexos precisarem se esforçar para ganhar
reconhecimento como enólogos, as mulheres têm desafios maiores, por ser uma
área predominantemente masculina. "Eu acho que as enólogas tinham que ser
mais determinadas e apaixonadas, e ainda tem", disse Cathy Corison, que trabalha
na indústria desde 1978 e ganhou o titulo de Melhor Enóloga de 2011.
Para chegar a esse
resultado os pesquisadores usaram como referência o livro Opus Vino - que
classificou 4.000 vinícolas notáveis no mundo, de acordo com críticos - e
descobriram que 23% das vinícolas californianas da lista são comandadas por
mulheres, comparado a 14% comandadas por homens.
Há quem diga que as mulheres têm mais
sensibilidade para criar vinhos. O certo é que a entrada das enólogas no setor
do vinho nem sempre foi fácil. A necessidade de competir em vários mercados,
aumentou substancialmente a qualidade dos vinhos, o que proporciona um maior
reconhecimento à figura do enólogo (ou enóloga).
Na história do vinho,
houve mulheres fortes que deixaram sua marca num meio tradicionalmente dominado
por homens. Um exemplo clássico: Nicole-Barbe
Clicquot-Ponsardin, a veuve Clicquot, que, viúva aos 27 anos e mãe de uma
filha de 3 anos, revolucionou a casa de champanhe da família no início do
século 19 e ficou conhecida como a inventora do remuage, procedimento destinado
a retirar as borras de levedura das garrafas de champanhe. Mas a veuve Clicquot
e outras mulheres de fibra do passado sempre foram exceções que confirmavam a
regra: fazer vinho era um métier eminentemente masculino. Mais recente, temos Lalou Bize-Leroy, uma respeitável
senhora de ar bonachão. Foi diretora do Domaine de La Romanée-Conti até 1989.
Outra figura lendária
na história do vinho, em Portugal, nenhuma se aproximou da fama e
reconhecimento de Dona Antônia Ferreira,
"A Ferreirinha", no século XIX. Ela foi uma pioneira, não só por ter
assumido a liderança do negócio das vinhas e do vinho da família, mas também
por ter sido bem sucedida. Algumas das quintas mais importantes do Douro atual,
como o Vallado e o Vale Meão, são um legado seu.
Em Portugal, as
"Ferreirinhas" de hoje são Leonor
Freitas, que dirige a Casa Ermelinda de Freitas (Terras do Sado), Ana Cristina Ventura, a proprietária da
Herdade dos Cadouços (Tejo), Catarina
Vieira, a líder da Herdade do Rocim, Luísa
Amorim, a responsável pelos negócios do vinho no Douro da família Amorim
(criou a vinícola Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, em 1999 numa
propriedade que data do século 17, com 120 hectares de terras, dos quais 85
formados com vinhedos.), e Laura
Regueiro, a matriarca da duriense Quinta da Casa Amarela. Não são as
únicas, há muitas mais, e deixarmos de lado a administração e focarmos na
adega, outros nomes surgirão: Graça
Gonçalves, enóloga da Quinta do Monte d'Oiro, Filipa Tomás da Costa, a diretora de enologia da Quinta da Bacalhôa
e decana das enólogas portuguesas, acha que as mulheres do vinho estão fazendo
o mesmo percurso e sentindo as "mesmas dificuldades que todas as mulheres
sentem quando exercem profissões antes reservadas apenas aos homens".
Lembro também dos
vinhos da Quinta de Chocapalha pertencente à talentosa Sandra Tavares da Silva, Filipa
Pato que hoje tem vida própria com seus vinhos, superando o fato de muitas
vezes ter sido citada como filha de Luis Pato, de Joana Campolargo que sempre me recebe com um sorriso quando visito
a vinícola familiar na Bairrada, da espanhola Susana Esteban e seus belos vinhos alentejanos, Margarida Serôdio Borges, que produz o
Quinta da Manuela.
No Chile, a
inesquecível Cecília Torres, da Casa
Real Santa Rita, que foi eleita
Enóloga do Ano, no Chile, em 2006, e de Maria
Luz Marin fundadora da vinícola Viña Casa Marin, construída, entre 2003 e
2004, responsável por um dos melhores Sauvignons Blancs locais, pioneira em
apostar no vale de San Antonio, a 4 km do Pacífico, apesar de todas as pressões
para que não investisse no local. Na Argentina, o grande nome é Susana Balbo, sem dúvida a enóloga
argentina mais famosa no Brasil.
Falando de Brasil, Monica Rosseti, da Lidio Carraro é um
dos rostos mais conhecidos da nova geração de enólogas brasileiras que conheço.
Ela se formou no curso técnico e superior de enologia do Centro Federal de
Educação Tecnológica de Bento Gonçalves e fez especialização na Itália. Ela se
lembra houve quem lhe aconselhasse a ocultar sua idade, argumentando que sua
juventude poderia ser confundida com falta de responsabilidade.
Outro nome famoso e
reconhecido pelo trabalho que desempenha é o de Jane Pizzato, diretora comercial da empresa da família. E claro,
perdoem-me as que eu esqueci de citar, pois hoje o Mundo do Vinho não é mais o
mesmo depois que elas tomaram parte nesta história.
São as mulheres tomando espaço e legando ao mundo do
vinho a sua contribuição para termos produtos cada dia melhores.


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