domingo, 15 de fevereiro de 2015

ALSÁCIA, ONDE A FRANÇA É MAIS ALEMÃ ...




ALSÁCIA, ONDE A FRANÇA É MAIS ALEMÃ .... ” - A Alsácia é sem dúvida uma região diferenciada na França. A descrição de sua arquitetura, em grande parte repleta de casinhas em “enxaimel*”, sua gastronomia e vinhos lembram muito mais a Alemanha. Situada entre as margens do rio Reno, a leste, que delimita hoje a fronteira franco-alemã, e a cordilheira de Vosges, a oeste, a Alsácia tem uma história conturbada, pontilhada de guerras e conflitos, o que fez com que fosse considerada, por várias vezes e de forma alternada, território alemão e francês. Não é à toa que grande parte dos sobrenomes dos produtores soa muito mais alemão do que francês !

A história nos fala que entre os anos 962 e 1648 a região fazia parte do Sacro Império Romano-Germânico, que a cedeu para a França, pelo Tratado de Westfália, a parte sul de seu território. Pouco mais tarde, em 1681, a parte setentrional, onde se situa Estrasburgo, foi também anexada ao território francês, e desta forma, durante um longo período (até 1871), a Alsácia juntamente com a Lorena, foram partes integrantes da França.
Quando a França, em 1871, perdeu a guerra contra o Império Alemão, a região voltou ao domínio teutônico, só voltando a ser território francês em 1919, com a vitória dos aliados na I Guerra Mundial, pelo Tratado de Versalhes.
A Alsácia permaneceria francesa até 1940, quando as forças do III Reich invadiram a região e a anexaram. A retomada francesa viria em 1945, com a derrota alemã. Hoje a Alsácia é uma de suas regiões mais ricas e de extrema importância política e econômica, lembrando que se situa em Estrasburgo a sede do Parlamento Europeu.
A Alsácia possui desta forma uma forte identidade cultural, às vezes francesa, às vezes alemã, o que torna a visita a essa belíssima região, arduamente reconstruída depois da destruição da Segunda Grande Guerra, uma experiência extremamente rica, curiosa, e porque não dizer “imperdível”.

● O VINHO NA ALSÁCIA - A Alsácia é uma região de grandes brancos, todos muito característicos, que não encontram paralelo em nenhuma outra região do mundo. Resumidamente, as castas principais são a fantástica Riesling, a exótica Gewürztraminer, a Pinot Gris e a Pinot Blanc, todas adquirindo aqui um caráter único e especial. São vinhos que podem ser muito finos, complexos e de grande classe. Os mais simples são refrescantes e saborosos, combinando muito bem com peixes e frutos do mar. A região também produz alguns bons Pinot Noir e, no caso de alguns produtores, fantásticos vinhos de sobremesa, além do reputado espumante Crémant dAlsace.
Região produtora de vinhos da Alsácia se estende por 110 km desde a cidade de Thann, perto da fronteira suiça, até Marlenheim, ao norte, próximo de Estrasburgo. A região se divide em duas sub-regiões: Alto Reno e Baixo Reno.
Percorrer a chamada “Rota do Vinho”, que corta todo o território, e visitar suas encantadoras cidades medievais e seus vinhedos realmente vale a pena. Colmar, Turkheim, Riquewir, Ribeauvillé, Selestat, Obernai e finalmente Estrasburgo, a metrópole regional, com todos seus encantos e sua rica vida cultural e gastronômica.
A variedade de microclimas e solos que se encontra pelo caminho é enorme, o que possibilita ao “vigneron” alsaciano adaptar da maneira mais sábia as uvas regionais aos terrenos mais adequados. O peso do conceito de terroir é aqui levado tão a sério quanto na Borgonha, e o resultado são vinhos brancos de grande caráter, equilíbrio e fineza. Granito, argila, calcário, areia, greda, são os elementos que constituem esse rico mosaico de terrenos, fruto do desmoronamento de partes das montanhas do maciço de Vosges e da Floresta Negra, ocorrido há cerca de 50 milhões de anos.
Na semana que vem continuamos com o tema falando sobre as uvas aqui cultivadas, bem como sobre os grandes produtores da Alsácia.

*Enxaimel - O Enxaimel, como nós o conhecemos, é um momento na história que as casas deixaram de usar estacas fincadas no solo para dar estabilidade à estrutura. As madeiras passaram a usar encaixes para formar estruturas rígidas para somente depois, serem preenchidas com paredes e esta se tornou a sua maior característica. O telhado inclusive deve ser colocado antes de preencher os vãos, para que seu peso torne a estrutura mais firme.
Muitas pessoas pensam que o Adobe é Enxaimel. Adobe são vários tijolos empilhados formando gradativamente a estrutura da casa. As colunas de madeiras existentes são apenas apoiadas e usadas mais como batentes de portas e janelas.
O enxaimel continua sendo usado da mesma forma há 2000 anos, sendo característico da Alemanha, onde passou por grandes mudanças e aperfeiçoamentos, influenciando os períodos Gótico, Renascimento, Barroco e Romântico e ainda hoje segue evoluindo em técnica e conceitos.

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