A BORGONHA E SUAS
ABADIAS
A Borgonha foi berço de
importantes ordens religiosas. Duas delas tiveram papel relevante na história
da cristandade e do vinho, consagrado como o sangue de Jesus.
Na sociedade medieval, o Clero
tinha grande poder econômico, influência e privilégios impares. As ordens
religiosas recebiam grandes doações de terras e bens (inclusive vinhedos), eram
os abades que exerciam cargos administrativos, as ordens estavam isentas do
pagamento de impostos (assim como a nobreza), tinham seus próprios tribunais e
dedicavam-se à cultura e ao saber.
A Abadia de Cluny, na
Borgonha, hoje em ruínas, transmite uma sublime mensagem, porque essa foi
habitada pela “alma da Idade Média”. Foi fundada em 910 pelo Bem-aventurado
Bernon em terras doadas pelo Duque da Aquitânia, Guilherme o Piedoso. Nesta
Abadia viveram quatro grandes Abades santos — Santo Odon, São Maïeul, Santo
Odilon e São Hugo.
Com Bernon, vieram alguns monges,
os primeiros religiosos da nova abadia, que se enquadrava no projeto de reforma
religiosa promovida por Bento de Aniane (750-821), o qual pretendia unir todos
os mosteiros da Europa Ocidental sob a observância da Regra Beneditina. Por
esta filiação, se constata o papel que Cluny desempenhou na difusão da reforma
da Igreja mais tarde lançada de forma empenhada pelo papa Gregório VII (1073-1085),
a denominada "reforma gregoriana". Cluny estava diretamente sujeita à
Santa Sé e na época do seu apogeu, Cluny congregava mais de 1180 mosteiros
dependentes na Europa, dos quais mais de 800 só na França. Depois da segunda
metade do século XII, a abadia e a ordem de Cluny entraram em declínio, causado
principalmente pelo aparecimento de outras ordens monásticas, como os
Cistercienses, ou ordens mendicantes (como os Franciscanos, Dominicanos), além
de cônegos regulares.
Cluny foi destruída pelo furor
dos adeptos da Revolução Francesa a partir de 1789, restando apenas suas ruínas
e sua história.
A ordem de Cister teria um papel
importante na história religiosa do século XII, vindo a impor-se em todo o
Ocidente por sua organização e autoridade. Uma de suas obras mais importantes
foi a colonização da região a leste do Elba, onde promoveu simultaneamente o
cristianismo, a civilização ocidental e a valorização das terras.
Para muitos, São Bernardo é o pai da Ordem Cisterciense, mas, ao ingressar em Cister, fundado em 1098, encontrou um grupo de monges com um projeto bem determinado. Tratava-se de um mosteiro reformado, como muitos de seu tempo, em que se procurava viver a vocação monástica de uma forma mais autêntica, sem compromissos com o mundo, seus negócios e interesses, buscando só a Deus na pobreza, no despojamento, no trabalho das próprias mãos, no silêncio e na oração.
Os cistercienses seguiam a Regra
de São Bento, escrito que reflete a sabedoria espiritual daquele que é
considerado o patriarca dos monges do Ocidente e que viveu na Itália, no século
VI. O pequeno núcleo de Cister desenvolveu-se rapidamente, chegando a ser uma
grande influência na Igreja, pouco tempo depois de sua fundação. São Bernardo
teve um relevante papel na expansão e difusão da Ordem e de sua espiritualidade
no século XII.
O importante é que foram os
monges destas Ordens que espalharam as videiras pela Europa, uma vez que a
atividade era ligada a alimentação dos monges além da consagração do serviço
religioso. Os mosteiros se tornaram verdadeiras vinícolas, seja pelas práticas de
condução dos vinhedos, de vinificação e berçários de difusão de mudas de videiras.
Para quem participar do Roteiro Enogastronômico
pela Borgonha, Alsácia e com uma pitada do Jura, uma bela oportunidade de
conhecer parte desta rica história religiosa. No dia 04 de Junho visitaremos a Abadia
CLUNY. No dia 07 visitaremos a Abadia Cisterciense de FONTENAY onde provaremos
um exclusivo almoço e no dia 08 provaremos os famosos queijos elaborados pelos
monges da Abadia de CISTER.
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